domingo, 7 de outubro de 1990

Fases do Desenvolvimento de um Indivíduo.

Fases do Desenvolvimento de um Indivíduo.

Fases do desenvolvimento psicossexual.

Como havíamos visto anteriormente, a libido é a energia psíquica dos impulsos de vida, que por ser móvel, vai se dirigindo a zonas diversas ao longo do desenvolvimento. Em cada fase do desenvolvimento psicossexual, a libido se dirigirá predominantemente à uma zona do corpo. É esperado que a cada fase, o indivíduo possa investir a sua libido na zona correspondente. No entanto, Freud usa o termo fixação para descrever o que ocorre quando uma pessoa não progride normalmente de uma fase a outra, mas permanece muito envolvida numa fase particular. Uma pessoa fixada numa determinada fase preferirá satisfazer suas necessidades de forma mais simples ou infantil, ao invés de modos mais maduros que resultariam de um desenvolvimento normal.

Fase Oral (0 a mais ou menos 1 a 6 meses).

Zona erógena: boca (lábios, língua e dentes). Esta é caracterizada pela diferenciação inicial do sujeito com seu medo externo. O bebê se relaciona com este mundo principalmente através da boca, pois é através desta que começa a perceber sensações, texturas, gostos. Quando nasce, a criança possui um ego rudimentar que vai se desenvolvendo a partir da sua relação com o mundo externo. O bebê sente-se onipotente (regido pelo pensamento mágico), considera que todos os desejos devem ser satisfeitos assim que tem uma necessidade principio do prazer). Quando começa a perceber que nem sempre é gratificado imediatamente, inicia sua diferenciação, pois passa a se perceber diferente do mundo externo. A relação estabelecida com a figura materna (ou substituto) é fundamental neste período para possibilitar o estabelecimento de uma confiança básica no objeto para o bebê (vai gradativamente introduzindo a noção de que será satisfeito, mesmo que não no momento em que surge a necessidade). A qualidade do vinculo estabelecido na relação servirá de base para as futuras relações do ser humano.

Fase anal (mais ou menos de1 a 6 meses á 3 anos).

Nesta fase a criança já caminha e fala. Apesar de ainda depender de seus pais, tal dependência é decrescente. A maior preocupação nesta fase geralmente é o controle esfincteriano que está intimamente ligado às questões de autonomia e controle. A criança percebe que de dentro dela saem "coisas" que ela pode dar ou reter tais "coisas"'. Sente-se "poderosa" pela possibilidade de produzir e controlar a atenção dos pais em função do controle tem papel decisivo nesta fase. Por outro lado, ainda depende dos pais (apesar de ser uma dependência decrescente) e seu conflito reside justamente nesta ambivalência de dependência x autonomia. A ambivalência explica os comportamentos de negativismo tão comuns nesta fase. Busca afirmar sua capacidade através de uso do "sim" e do "não", costumando reagir com agressão frente a contrariedade. É uma fase de muita teimosia e birra, pois, através destes comportamentos vai, também, construindo a noção de seus limites. Os limites externos são fundamentais neste período, pois ajudam na organização interna da criança (diminuindo sua culpa pela agressão, controle excessivo, sadismo etc.).

Fase Fálica (mais ou menos 3 anos á seis anos).

Zona erógena: genitais Nesta fase a diferenciação sexual começa a ser estruturada. As crianças começam a perceber que não somos todos iguais e é despertado o interesse pela diferença dos genitais. Num primeiro momento, começa a comparar quem é igual a quem, e a relacionar que o menino e o pai têm, a menina e a mãe não.

Complexo de Édipo.
Inicialmente, meninos e meninas amam suas mães por ser seu primeiro objeto de amor (quem os cuidou e de quem mais dependem) e ressentem-se com o pai, por ser a figura móvel) (aquele que fica com a mãe). Num segundo momento, o complexo de Édipo é diferenciado para meninos e meninas. De meninos: buscam o amor de mãe, avalizando e competindo com o pai. A satisfação do amor edípico, na entanto, é ameaçadora, pois intensifica a ansiedade. A relação com o pai é ambivalente, pois ao mesmo tempo em que teme uma punição do pai, pela competição, o menino não quer perder o amor que o pai sente por ela. Resolve a questão, então, identificando-se com a figura paterna (imitando-o). Uma pane dos impulsos é dessexualizada e sublimada para outras atividades, outra, é reprimida. O estabelecimento do superego introduz proibição do incesto e possibilita a repressão dos impulsos, solucionando o Complexo Edipico masculino e introduzindo o menino na fase de latência. É por isso que dizemos que o Superego é o herdeiro do Complexo de Édipo. Na menina, o primeiro objeto de amor (mãe) precisa ser deslocado. Por desejar não perder o amor materno, identifica-se com a mãe e reprima os desejos incestuosos pelo pai com a ajuda do superego. (Freud coloca que, como toda a mulher é castrada, a ansiedade de castração não é tão intensa e isto faria com que a resolução do CE - e necessidade de reprimirem seus desejos incestuosos - seria incompleta).

Fase de Latência (mais ou menos 6 anos à 12 anos).

Esta fase caracteriza-se pela "SU BLIMAÇÃO", ou seja, os impulsos antes diretamente atuados são agora mais controlados e dirigidos a atividades mais produtivas. Com o estabelecimento do superego, a criança passa a introjetar valores, normas e limites que procura seguir para sentir-se participante e integrada ao ambiente social. Na latência a criança volta-se mais para o mundo externo, deixando "adormecidos" ou impulsos internos. É comum surgirem atitudes de vergonha, repulsa e moralidade, ajudam a reforçar o superego e a manter os impulsos sexuais "adormecidos".

Fase Genital (12 anos em diante).

A fase final do desenvolvimento ocorre com o início da puberdade e o consequente retorno da energia libidinal aos órgãos sexuais. Neste momento, meninos e meninas estão ambos conscientes de suas identidades sexuais distintas e começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades pessoais e interpessoais.

(Texto elaborado pela pedagoga Edna Fontoura Vieira). Com a finalidade de estudo no curso de qualificação profissional do SEP.


Fonte: Arquivo pessoal

Aula da Prof. Vanessa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário