quarta-feira, 2 de dezembro de 1992

História da Península Ibérica – Século VIII (700-800).

 

“De fato, os nossos desejos aqui, sejam eles de guerra, ou de paz, ou de ódio, ou de amor, são todos governados pela visão lá de cima.” CHAUCER, Geoffrey.
 
História da Península Ibérica – Século VIII (700-800).

 

Entre 711 e 801 destacam-se 4 acontecimentos de suma importância para história da Península Ibérica: “a dominação muçulmana no sul, a reação dos refugiados asturianos ao norte, o agravamento do militarismo na Espanha muçulmana após a formação do Emirato Independente e a interferência dos francos ao nordeste”.

 

Quando os muçulmanos entraram na Península Ibérica, estavam em um grupo e aproximadamente 12.000 integrantes comandados por Tarik, e, com Musa vinham 10.000, o domínio visigodo era frágil, e com isto, facilitou a chamada “invasão dos árabes”.  

 

Houve um desmoronamento da organização das cidades, pela desvalorização da moeda econômica, afetando também a indústria, um massacre social para as classes menos favorecidas, principalmente com os colonos do campo que sobreviveram ao sistema de escravidão e do colonato, refletindo entre a monarquia visigoda e os hispanos, as contradições e revolta. A igreja hispânica conformou-se para ultrapassar obstáculos que afastaram da monarquia visigoda do povo. Com isto, aliou-se ao Estado, representando uma ponte de ligação entre o povo e o trono. Conformando-se com isto, perdeu sua autonomia e dificultou seu crescimento. O povo fragilizado, afastou-se com indiferença e descrédito pela igreja e pela oligarquia visigoda. Com o aumento da força muçulmana, os hispânicos, não resistiram e muitos nem fugiram.

 

Já os árabes não tiveram tanta dificuldade ao avançar pelo território e seus maiores adversários, naquele momento, seriam a oligarquia visigoda e os membros de altos cargos eclesiásticos, mas estes acabaram indo para o norte. Consolidando o domínio conquistado, os bereberés começaram a voltar, em meados do séc. VIII. Os muçulmanos reorganizaram a economia da Península Ibérica. Um dos aspectos contribuintes aponta, que os novos habitantes eram melhores que os antigos, no trato social com os dominados (fato questionável por alguns autores). Outro aspecto contribuinte aponta as novidades técnicas que os muçulmanos introduziram, ocasionando uma reorganização na produção da sociedade, assim como na forma que exploravam a terra.

 

Os que morreram e os que fugiram, tiveram seus bens e terras tomados pela aristocracia visigoda, pela igreja e um quinto pelo Estado (Emirato). Este arrendava por um terço do pagamento, feito por camponeses. O restante foi dividido entre a aristocracia árabe que escolheu as terras férteis e os bereberés conquistados que estavam livres de impostos tributáveis. A aristocracia árabe gostava de viver no campo, ouvindo e tocando suas cítaras, alaúdes, flautas e tambores; com suas 4 esposas legítimas e outras ilegítimas, também praticavam a caça, faziam versos e apreciavam a filosofia grega.

 

Os camponeses hispânicos começaram a pagar um tanto da colheita para cultivarem essas terras, assim foi se expandindo o sistema agrícola, além do cultivo de arroz, cana de açúcar, linho, algodão, amoreira e a expansão do trigo, da oliveira e da uva, mesmo com a proibição do vinho. A maneira de regar a terra também foi modificada, consequentemente, a pecuária se desenvolveu pelos muçulmanos que depois foi ensinado para os cristãos. O Estado controlava a mineração e para crescer também foi influenciado pelas táticas muçulmanas. Tudo isso fez com que a população crescesse, as cidades se desenvolvessem e a industrialização acontecesse; assim algumas regiões concentraram suas atividades e produtos separadamente.

 

“...Zaragosa produzia têxteis de linho; Málaga e Almeria tecidos de lã e seda; em Valência a cerâmica; em Toledo as armas; em Málaga vidros; Córdoba, centro integrador, fabricava vidros, cristais, tecidos de lã e seda e produzia couros.” (DOBERSTEIN, Arnoldo W. texto nº 6 pág. 34)

 

     

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARTIGOS DE PERIÓDICOS:

 

Texto nº 6 (págs 33 até 36) – O Século VIII (700 a 800): A Dominação Muçulmana, A Reação dos Refugiados Asturianos, O Emirato Independente e a Interferência dos Francos na Península. Prof. Arnoldo W. Doberstein.

Texto nº 7 (págs. 37 a 39) – O Século IX: Da Consolidação a Retomada da Reconquista. Prof. Arnoldo W. Doberstein.  

Texto nº 8 (págs. 40 até 44) – O Século X: Estagnação da Reconquista?, Prof. Arnoldo W. Doberstein.

Texto nº 9 (págs. 45 a 47) – O Século XI: Situação da Espanha Muçulmana. Prof. Arnoldo W. Doberstein.

Texto nº 10 (págs. 48 a 54) – O Século XI: Nos Reinos Cristãos. Prof. Arnoldo W. Doberstein.

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