HISTÓRIA DA
CULTURA ARTÍSTICA I
Programa:
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Arte grega.
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Período Arcaico,
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Período Clássico,
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Período Helenístico,
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Influências da Arte Grega no RGS.
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Arte Romana:
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Período Republicano,
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Período Imperial,
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Período Helenístico,
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Influências da Arte Romana no RGS.
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Arte Medieval:
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Arte Românica,
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Arte Gótica,
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Influências da Arte Românica e Gótica no RGS.
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Arte Renascentista:
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O quatro cento,
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O cinquecento,
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Influências da Arte Renascentista no RGS.
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A Arte Barroca:
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O Barroco e a Contra Reforma,
-
O Barroco e o Absolutismo,
-
O Barroco no Brasil.
Bibliografia:
BAUMGART,
Fritz, Breve História da Arte. São Paulo, Martins Fontes, 1994.
GOMBRICH,
E. H – A História da Arte. São Paulo, Zahar, 1984.
HAUSER,
Arnold. História Social da Literatura e da Arte, São Paulo, Martins Fontes,
1995.
JANSON,
H.N. História da Arte, São Paulo, Martins Fontes, 1992.
Bibliografia
Específica:
DOBERSTEIN,
Arnold W, Mitologia, Heróis e Estatuária, Porto Alegre, Nova Dimensão, 1997.
DIVERSOS
AUTORES, Saber Ver a Arte, (grega, romana, românica, gótica, renascentista,
etc.), Martins Fontes, 1992.
O
artista deve se dedicar ao seu dom, não se importando com outros problemas, mas
em uma sociedade complexa e não numa sociedade simples. Os materiais do artista
e a arte serão sempre um grande investimento. O surto artístico ocorre pelo
suporte de motivações, ou seja um grupo político, social, religioso, estético,
etc.
As
obras foram feitas em grande quantidade e qualidade que até hoje servem para
todos. É uma arte modelo, num grande surto do período em que aconteceu. Por
volta de 700 a.C., a população grega vivia na Grécia continental. A polis era
um perímetro urbano cercado por terra onde se desenvolviam atividades
econômicas, o cultivo do azeite, do vinho e a criação de gado de pequeno porte.
Houve um aumento da população e ocorreu a insuficiência alimentar. Uma polis
era constituída por genos, que eram famílias compostas de parentes. Quando a
situação apertou, alguns membros (parentes distantes) foram embora para outro
lugar, procurar outras alternativas de vida, saindo da polis, para regiões
próximas e estas dedicaram-se para 2 direções. Algumas foram fundar novas polis
no sul da Itália, nas Ilhas Sicília e Córcega e começaram a se dedicar a
agricultura pela terra ser mais fértil. Inicia a produção de trigo, grãos de
centeio e aveia e puderam crescer por causa da produção de alimentos. A partir
daí todos se estimularam pelas produções. Para trocarem as mercadorias
precisaram construir barcos e desenvolver as técnicas de navegação. Uns
tornaram-se manufatureiros, agricultores, mercadores, e ceramistas, pois
precisaram de grandes vasos para transportar os grãos. Muitos chefes de
famílias se dedicaram a produção das cerâmicas, que aumentou. Outros se
dedicaram ao armamento porque aumentou a população e a necessidade de proteção,
pois haviam saques e violências.
Em
530 a.C., ocorre a expansão dos gregos, que foram se espalhando pelos
territórios, até que se chocaram com a Pérsia. O Império Persa era aliado aos
fenícios. Os fenícios dominavam o comércio e a navegação desde o Egito. Atenas
foi invadida porque era onde os gregos guardavam suas riquezas. Péricles, usou
muito das riquezas para embelezar a cidade. Em Atenas ficavam os Eupátridas, os
bem nascidos, proprietários de terras com plantações de olivas e de parreiras.
Na assembleia, somente os aristocratas podiam participar, pois estes tinham
poder político e eram donos de terras.
A
arte grega tem o Período Clássico de 350 a.C. a mais ou menos 330 a.C. e se
desenvolveu em Atenas, por ser mais desenvolvida no comércio. A prosperidade
não abafava a rivalidade entre Atenas e Esparta. Elas eram as cidades mais
importantes e as mais desenvolvidas, mas acabou dando uma guerra entre elas
pelo poder. A Macedônia estava se tornando um império e queria se expandir,
nisso iniciou o poderio militar e ela avançou até a Grécia, através dos líderes
macedônios Felipe e Alexandre, o grande. Felipe vai ser morto e Alexandre
assume o poder do pai. Alexandre vai promover um programa de conquista do
oriente, mas para isso os gregos, precisavam brigar com os persas, seus
inimigos tradicionais. Em 330 a.C., Alexandre conquista grande parte do oriente.
Formando o mundo grego um grande império, nesta formação ocorre uma mudança
política e inicia o helenismo, a expansão da cultura grega para o oriente.
Antigamente a aristocracia estabelecia a sua política e participava ativamente.
Depois de Alexandre, a aristocracia vai se retirando da vida pública. Alexandre
conquista a Pérsia, muitos palácios e tesouros fabulosos. Apossou-se de tudo,
transformou muita coisa em moedas para fazer um objetivo de ampliar o comércio
e fazer um mercado comum, por onde os produtos pudessem circular livremente,
sem barreiras para o comércio e facilitar a trocas internacionais e estimulada
pela proteção do imperador Alexandre. Formou-se assim, uma nova classe
endinheirada, novos ricos, não ligados a aristocracia. Esses novos ricos tinham
misturas orientais e asiáticas. Na época helenística, surge esses emergentes e
esses impõem uma nova visão mais sensacionalista e ocorre uma mudança
substancial na cultura clássica. O helenismo vai sendo influenciado pelo
erotismo, sexualidade e o exibicionismo pessoal. São feitas grandes obras e
grandes e gigantescos monumentos. O Epicurismo era uma filosofia de existência
de vida na terra que era para ser bem vivida, com prazer e com alegria. O
Estoicismo era a filosofia do desinteresse pelo mundo e pelas coisas, abrir mão
dessa busca de prazeres terrenos e de coisas materiais. Foi o que a
aristocracia fez, se recolheu. A arte grega clássica continuou sendo produzida
para aquele pequeno grupo aristocrático de gente culta, os estoicistas. A
filosofia entra no momento em que o cristianismo está impregnado.
A
ÉPOCA CLÁSSICA GREGA.
A
aristocracia ateniense começou a vender uma ideia de ideal e modelo que todos
deveriam seguir. A aristocracia desenvolveu uma ideologia aristocrática e a
arte foi um instrumento para essa sociedade. O modelo se compunha de bases
ideais como o ócio com a dignidade, viver na ociosidade, não se preocupar e não
se envolver com o trabalho manual, pois os aristocratas achavam o trabalho
manual degradante e que o esforço físico devia ser para os escravos, os
estrangeiros e para as pessoas que não tinham nobreza. A nobreza dizia que o
trabalho não enobrecia. A aristocracia desenvolvia o trabalho intelectual, o tempo,
o maior tempo possível para aperfeiçoar o espírito e que daí vinha a dignidade,
pois só o ócio era reprovável. Ele deveria ser complementado por uma atividade
considerada digna de um homem ideal, como fazer política. Era uma obrigação do
cidadão participar das atividades políticas da cidade. A outra atividade
considerada digna era prestigiar a cultura, as manifestações culturais, o
teatro, a poesia, a filosofia, fazendo parte dos grupos. E tudo isso se
refletiu na arte. Pois o ócio com dignidade está refletido na pose, que deveria
ser feita sempre no jeito mais digno possível. Existia uma dignidade na postura
da figura humana, por exemplo a figura humana tinha um lado degradante,
mesquinho e isso era proibido retratar. A figura deveria ser reproduzida no seu
momento de afirmação, nunca retratada deitada, doente, cansada e muito menos
trabalhando. Teria que ser basicamente em pé e a pose deveria impressionar,
pela sua grandeza, um corpo na plenitude de sua energia e saudável.
No
tema dos atletas, como por exemplo temos o DORÍFORO, atleta lançador de dardos,
cujo autor desta obra é Policleto, o atleta revela o ócio com dignidade, não
revela cansaço muscular, nem exaustão física. Ele está no auge da força
atlética, corpo saudável, robusto, enérgico, viril, elegante, sugere a força
viril, com pose digna de representar um atleta vencedor, com pose olímpica, a
pose mais digna é a pose de um vencedor. Ele não é retratado fazendo esforço e
no rosto tem muita serenidade. Os atletas são encontrados em momentos de
glória, procuram evidenciar a superioridade. Mostra o auge da carreira de
atleta, força física, sóbrio, formas mantidas, condicionamento prefeito,
expressão de serenidade, glorioso, como se estivesse no podium e medidas
equilibradas.
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1
As
deusas representavam as poses de protetoras dos outros, na época clássica eram
vistas como proteção da cidade, uma pose respeitável e digna, com vestimenta
pesada. Ao ser vista a imagem devia passar respeito. Demeter aparece sentada
como digna e vestimenta respeitável. Como uma matrona. As roupas são sérias,
trajes pesados, ar respeitador, são imponentes e majestosas, com poses dignas.
O corpo de mulher que passou várias vezes por gravidez, tem obesidade,
dignidade e moderação.
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2
Afrodite,
aparece semi nua, o corpo aparece por debaixo da leveza do tecido, mas a pose
dela não é escrachante, é digna.
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3
O
outro ideal da aristocracia grega era a bonivalência existencial, a ideia de
que os homens gregos deveriam ser bons em tudo, bons filósofos, bons soldados,
bons atletas, bons oradores, na estátua do DORÍFORO, mostra o corpo de um bom
atleta olímpico, no rosto a serenidade de um bom filósofo. Na estátua do
DIADÚMENO de Policleto, o levantador de pesos, no corpo a musculatura mostra o
esforço de levantar os pesos, mas no rosto muita serenidade que revelam
sínteses contrárias.
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4
O
DISCÓBULO, arremessador de discos, do autor Miron, representou o corpo do
atleta com o máximo de esforço físico muscular, e o rosto parece estar
distante, não acompanha a expressão da força do corpo, pois deveria acompanhar.
Isso é a síntese da obra mostrando os contrários. A ideia de bonivalência
contrária do repouso dos movimentos.
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5
Outro
ideal da aristocracia grega é a sobriedade e a moderação, procuravam ter um
estilo de vida marcado pela sobriedade, o ideal desta aristocracia era se
vestir sem espalhafato, com sobriedade, sem exageros, se alimentar sem
exageros, comer com moderação, os hábitos de consumo deveriam ser sóbrios e
equilibrados. O exibicionismo e a vaidade era reprovável. Por isso procuravam
ser pessoas com medidas. Por exemplo o DORÍFORO é um atleta que segura a laça e
levemente requebra os quadris. Um gesto moderado, não é um gesto espalhafatoso
do atleta que vibra com a vitória. Ele é vitorioso mas ao mesmo tempo discreto.
Não tem apelo erótico sensual.
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repete a 1 a mão teria uma lança
As
estátuas estão nuas, mas com sobriedade e moderação. As deusas guerreiras bem
com o corpo coberto, com roupas pesadas, não tem apelo sexual. O nu explicito
mostra a beleza do corpo atlético, com respeito a individualidade.
As
deusas na época clássica tinham 3 tipologias com 2 estilos: o ESTILO é o que a figura sugere, algumas deusas
mostram força, energia, virilidade, características do Estilo Viril. Outras
deusas mostram graça, beleza, doçura, delicadeza e elegância, são no Estilo
Belo. Tipologia é o tipo de figura a que o grupo pertence e existiam 3 grupos:
Deusas Guerreiras como a Palas Athenas. Deusas Matronas como a Deusa Deméter. E
as deusas do amor como a deusa Afrodite.
Na
tipologia guerreira, eram representadas no estilo viril, com expressão de
serenidade, atitude enérgica e são um pouco masculinizadas, com braços largos,
pescoço grosso, fisionomia dura, e todo o corpo coberto por roupas pesadas. A
postura é de dignidade e protetoras impondo respeito.
Na
tipologia matrona, Deméter também é chamada de Ceres, pelos romanos, simboliza
as forças da renovação da terra, deusa da agricultura e da vegetação,
encarregada das estações do ano, trazia a primavera, o verão, o outono e o
inverno. O sentido é maternal, uma mãe zelosa. Retratada com o corpo largo e
pesado, de uma mulher que passou várias vezes pela gravidez. Respeitosamente
vestida, com pose digna, não tem vaidade, é o modelo de matrona, cuida do lar e
dos filhos. Exemplo: Irene Deusa da paz.
Na
tipologia do amor, representada principalmente pela deusa Afrodite, com
atributos sensuais, sugerindo nudez, mas não tem apelo erótico, porque mostrava
a beleza da nudez com o tom natural e não malicioso. O tecido desliza
delicadamente sobre o corpo. O tecido sugere leveza, suavidade e transparência,
sem que nenhum agente externo interfira na suavidade do tecido, um estilo belo.
Outras
deusas mostram o corpo com apelo erótico, como por exemplo a Vênus Helenística
dos romanos, que aparece com malícia, o artista procura ações que mostram
oportunismo e estranhos observadores. A Vênus Calipígia (nádegas), sai do
banho, com nítida pose de sedução, descontraída mostra as calipígias,
características de um apelo erótico sensual.
TEMA
DOS DEUSES, eles foram muito explorados e foram usadas 3 temáticas com 2
estilos que mostram a tendência dos gregos conviverem com os opostos.
ESTILO
VIRIL- estilo enérgico, destaca-se a força, a energia, a virilidade, evidencia
o corpo humano. NETUNO – deus de meia idade, é retratado com energia forte, e a
musculatura marcada com rigidez.
ESTILO
BELO – figuras elegantes, sensuais, afeminadas, belas. APOLO é retratado com
físico de nadador, relaxado e belo, musculatura solta.
OS
OLHOS - Os olhares são dispersivos para os lados. Não tinham pupila porque a
concepção, não podia sugerir comunicação entre a figura e o observador. Para
dar a ideia que a estátua olhava para o seu interior ou para o horizonte, como
se fosse cega, porque a verdade não estava no mundo, estava nas ideias. A figura
estava voltada ao seu mundo interior, no intelecto, sem se dirigir ao
espectador. Os olhos esverdeados eram chamados de glaucos, não os olhos verdes.
O tecido aparece caído delicadamente, sobre o corpo, sem nenhuma brisa ou
qualquer outra coisa tocando nela, como se a estátua não estivesse nesse mundo.
Um
outro ideal na aristocracia grega era o RESPEITO PELOS IGUAIS. Nessa época a
aristocracia grega acreditava que os homens não eram iguais e sim diferentes,
mas do mesmo grupo. Os aristocratas andariam com aristocratas, os estrangeiros
com estrangeiros e os escravos com escravos. Os homens viviam e se respeitavam
mutuamente, pois para eles a humanidade não era igual. A aristocracia era uma coisa,
os estrangeiros eram outra coisa e os escravos nem coisa eram. O grupo deveria
se respeitar sem que um se destacasse mais. Não ao exibicionismo, não ao
espalhafato, não a extravagância a não ser pelas virtudes sínicas. Ser o melhor
soldado, ser o melhor orador, ser o melhor atleta, ser o melhor político. Essas
características aparecem nas estátuas, como nenhuma estátua representa um
indivíduo, o rosto não é individualizado. Não é um rosto de um atleta, não é o
rosto de um político. É um rosto inexpressivo, sem traços de personalidade,
nenhum homem histórico era para ser lembrado. Os gregos retratavam que não era
um indivíduo, e sim todos. Ai aparece o respeito pelos iguais. Os homens não
encomendavam estátuas com as suas caras esculpidas. O indivíduo não deveria ser
exaltado em uma escultura. Por isso a arte grega do período clássico não
retrata a realidade. Não é realista. Retratava uma ideia de atleta. Nenhum
homem era perfeito com características perfeitas. O atleta que pousou para a
obra não aparece, aparece a ideia idealista. O artista tinha que corrigir o que
na natureza era imperfeito pois nenhum atleta tinha características perfeitas e
o equilíbrio nas formas. A função do artista era alcançar a beleza perfeita. E
aparece claramente a influência do pensamento idealista da filosofia grega. Uma
ideia de que a verdadeira beleza não estava na natureza, mas está no mundo das
ideias, só a ideia pode conceber a beleza perfeita. Para os gregos, na natureza
não existia a perfeição, era tudo imperfeito. A arte representava uma ideia de
perfeição, de pensamento perfeito.
Pitágoras
– estabelecia que na natureza tudo são proporções. A beleza perfeita existe na
possibilidade do homem de entender as proporções que existem entre as coisas.
Esse pensamento pitagórico contribui para a arte. Na obra de Policleto, se a
beleza está nas proporções, tu ve um corpo perfeito, imaginando proporções
ideais.
PERÍODO
HELENÍSTICO.
Alexandre,
quis garantir e proteger o comércio, na época helenística, formou-se uma fortuna
grande. A classe de novos ricos não tem ligamento com as aristocracias, que
tinham descendência grega, mas com misturas orientais, de asiáticos e outros. O
helenismo provocou uma mudança nos elementos da cultura grega a moderação da
postura foi trocada, por uma visão consumista, sensacionalista, a aristocracia
despendeu-se da vida pública e por isso a filosofia começou a tomar mais parte
neste período. Desinteresse de bens materiais. Duas partes do mundo
helenístico, um o novo rico, o outro é que o costume passou de moderado, para o
consumista, para a diversão, prazer, por temas: os atletas. Os emergentes são
os novos ricos, gostam de esculpir a desgraça humana.
A
época helenística, possui apelo sensual, a moderação não existe mais, as deusas
são liberais e sugestivas. Nesse período, exploravam a sensualidade, uma nova
postura vai sendo adquirida. O artista quer tirar da imagem real, um apelo
sensual. As deusas da época helenística, já não tem mais a dignidade da pose. Tem
sensualidade, sexualidade, erotismo, luxúria e individualismo. Não tem mais
dignidade. São liberais e sugestivas. Uma nova postura adquirida. Ocorre o
apelo sensual. As deusas são mostradas na intimidade. Nessa época a sobriedade
deixa de existir.
A
deusa é mostrada na intimidade, tomando banho, sendo surpreendida por um
inoportuno que está a observando na sua nudez e ela fica envergonhada e procura
se proteger do inoportuno.
Imagem
7
Uma
pose vulgar que tira da figura a dignidade. Em outra pose, mostra a deusa com o
usurpador (tarado), ás vésperas do estupro, de ser agarrada. Ela aparece com a
sandália na mão, para ameaçar ou se defender do usurpador.
Imagem
8
Nessa
época, a sobriedade e a moderação deixam de existir. Começam a adorar e
explorar esse sensualismo e a deusa Vênus, aparece tomando banho, saindo do
banho, entrando no banho, com tema de banho da Vênus.
Os
atletas são retratados em momentos de frustração. Derrota e humilhação. O tema
do corredor que tira o espinho do pé, o artista capta o momento frágil, não tem
a grandeza dos aristocráticos. O artista quer tirar prazer e desfrutar da
desgraça dos outros. Outro atleta aparece sentado com o rosto cansado,
expressão de abatimento, derrota e estressado, tem força mais a musculatura
está cansada.
INFLUÊNCIAS
DA ARTE GREGA NO RGS.
Prédio
da Prefeitura de Porto Alegre – Tem as estátuas bem em cima. O Deus do comércio
Hermes, representa o princípio da esperteza e da habilidade, é o patrono dos
comerciantes, é o mais humano dos deuses. O gorro com asas era para subir ao
Olimpo, momento de ascensão. As sandálias com asas era para descer do Olimpo.
Considerado como o deus da diplomacia, protetor dos ladrões. Caduceu é o cetro,
bastão de ouro com 2 serpentes enroscadas. Ele também trás um saco com moedas.
As figuras juntas, representam a união do comércio com a agricultura e a
indústria.
Prédio
do MARGS – Museu atual do Rio Grande do Sul, a estátua possui uma cornucópia,
que representa riqueza, agricultura, abundância. A outra estátua somente
carrega um saquinho de moedas representando o comércio.
O
Pórtico na Redenção, ou Monumento ao Expedicionário, é o modelo romano,
inspirador, geralmente com arcos de uma volta, de 3 ou de 2 era raro. É um
monumento comemorativo da Guerra e o Antônio Caringui, o projetou, pegou esse
modelo romano e fez um arco com 2 voltas para comemorar a vitória e as estátuas
representam as forças armadas. Aparece a estátua da Palas Atenas e dentro estão
os túmulos porque era para ser um monumento túmulo, mas o exército resolveu
colocar todos no mesmo lugar, que foi no monumento do Rio de Janeiro. Aqui tem
a placa com os nomes dos mortos da Campanha na Itália. A estátua da Palas
Atenas, tem a serpente que é símbolo sagrado na Grécia. A serpente píton foi
morta por Apolo e o couro ficou. Aqui ela representa a guerra sabia.
Na
Praça da Matriz, o Monumento ao Júlio de Castilhos, com a liberdade em cima, e
embaixo está o dragão da anarquia, a vitória, a firmeza aponta o dragão. O
papel jornal é a mocidade dele, quando ele era jornalista. O pensador é o
pensamento político dele. O guerreiro renascentista é a luta e a coragem. O
povo riograndense é o gaúcho montado a cavalo.
A
Catedral de Porto Alegre, foi construída em estilo barroco, mas foi demolida. O
projeto vencedor era gótico, mas ficaria muito caro e levaria muito tempo para
ficar pronta. Então o bispo escolheu o 2º projeto, que era esse estilo
renascentista italiano, com colunas gregas, e cúpula romana. As colunas são
jônicas e são peças inteiras esculpidas em um bloco, não tem emendas, não são
feitas em rolos. O capitel e a base é uma coisa só. São 8 colunas e tiveram que
convocar todos os escultores para dividirem o trabalho. Lá dentro tem uma parte
de granito vermelho raríssimo e só tem aqui no RS. Os mosaicos são
renascentistas, em baixo e em cima tem mosaicos bizantinos, todos feitos no
atelier do Vaticano, pois eles vieram prontos. A Anunciação de Maria, tudo que
é em dourado, na verdade é ouro, as pedras foram mergulhadas em ouro, por isso
que brilha para sempre. O anjo é estilo renascentista e no fundo tem ouro e é
bizantino. O Cristo Pancreator, em grego é Cristo criador de todos. As
criaturas, de um lado tem 4 evangelistas em simbolismo, o leão, a águia, o anjo
e o touro. São Marcos, São Matheus, São Lucas e São João. No meio tem uma
colunata grega, a Nossa Senhora Mãe de Deus que é a padroeira da cidade está ao
lado esquerdo. Sant Tereza de Ávila, São Pio X e São Pedro, o 1º Papa, estão ao
lado direito, e os 4 mártires do RGS: Júlio de Castilhos, Roque Gonzales,
depois tem uma frase bíblica e em baixo a crucificação. Os 2 momentos que Maria
participa da salvação onde a anunciação, ela aceita ser mãe de Cristo e quando
ela se designa a ser a mãe da humanidade. O Cristo é bizantino, as estátuas são
os apóstolos, e profetas esculpidos por Mário Jonas aqui do sul, e ele levou
quase 20 anos fazendo. O bonito é São João, o apóstolo mais jovem. A Catedral
levou mais ou menos 60 anos para ser construída e ficar pronta. No altar tem a
estátua da Mãe de Deus, do século XVIII, original da antiga catedral. Os anjos
foram mantidos ao lado e pintados por Aldo Locatelli, pintor nosso. O Arjonas
esculpiu o altar em mármore de carrara. A Santa Rita é do século XVIII, as
estátuas monumentais são evangelistas. As pessoas criticaram por serem grandes,
mas uma igreja grande não pode ter estátuas pequenas, se não fica desforme. A
Catedral está entre as 10 maiores do mundo e a cúpula, entre as 5 maiores do
mundo. Os evangelistas São Matheus, São Marcos, São Lucas e São João, junto com
o vitral vieram da Europa. No vitral está a cena do anjo vencendo o demônio. O
Panteon, em Roma, tem a cúpula aberta em cima. É parecida com a nossa, mas a
cúpula tem uma lanterna de bronze tapando o furo. Ao redor tem janelas por
causa do concreto, antes as cúpulas eram frágeis. O trono do bispo é tradição
numa igreja. Na Idade Média, o bispo era considerado o príncipe da igreja,
então tinha direito a um trono e coloca-la na igreja eu pertence a sua sede. Os
tronos são em estilo rococó. As caras de índio são do escultor Pai do Arjonas,
na outra parte do paredão aparece o Papa Pio X, e o Bispo João Becker, na
época. O arquiteto pediu um histórico do RGS e viu que um dos marcos religiosos
fundamentais foi as missões e ele fez como ele imaginava, que as missões foram
feitas de blocos mal cortados, blocos rústicos. Então a base da catedral é como
se fosse missioneira e os índios estão ali em cima com cara de missioneiros,
brabos por terem destruído as missões. Arjonas pai, chegou aqui em 1910 e fez
em 1929. E o filho Arjonas fez as estátuas da frente.
O
Palácio do Governo. Teve a frente feita por Paul Landowski, em 1910. Ele também
fez o Cristo do Rio. Estas foram as primeiras obras no Brasil. As colunatas são
estilo clássico romano. O escudo em cima foi esculpido pelo espanhol Jesus,
Maria e José Corona. As portas de bronze vieram de Paris. O escudo está
inclinado para frente, para poder enxergar. A Agricultura está com a coroa de
frutos. Dentro tem o salão de cerimônias: Negrinho do Pastoreio, no teto está
pintada a lenda, são 18 afrescos pintados por Aldo Locatelli, toda a história e
vemos o negrinho amarrado ao tronco. A Colonização do RS, também pintada por
Aldo Locatelli, aparece Sepé Tiarajú que representa os índios, atrás estão as
missões jesuíticas. De bota e chapéu são os bandeirantes. Os alemães com a
agricultura, os imigrantes italianos, as cabeças de gado, representam a
pecuária, os homens a cavalo representam o trabalho no campo, em cima tem os
portugueses açorianos, o homem no cavalo é um dragão português ao lado do forte
Jesus, Maria e José. O gaúcho é Aldo Locatelli que se auto retrata e da fumaça
e do fogo ele fez o mapa do RGS. Não tem o escravo na pintura. Mostra a torre
de energia elétrica, que significa a modernidade.
A
1ª batalha da Revolução Farroupilha, foi onde agora é a ponte sobre o riacho
Ipiranga que separa a Azenha da João Pessoa. Os farroupilhas vieram de Viamão
para invadir Porto Alegre e se encontraram na ponte, que era de madeira na
época, e ela foi incendiada. Mazenha era o lugar onde se fazia farinha.
O
Cemitério da Santa Casa. O portão é romano. As colunas são de vários estilos,
como o dórico grego e o românico da Idade Média. No portal diz a frase, “volta
ao teu lugar”. As portas de cristal bizotê, estavam na moda no início do século
XX e vinham de Paris. A escultura de Lodilope, modal o corpo, tem sensualização
gradativa, a roupa é colante. O personagem é um herói positivista, o Coronel
Massot, capanga do Borges, morreu em 25 e foi comandante da brigada na
Revolução de 23. Como matou muita gente mereceu a glória do túmulo. O governo
do estado fazia túmulos para todos os seus heróis positivistas. Fazia parte da
concepção positivista, a glorificação dos seus heróis. Então é um túmulo
monumento do Coronel Massot. O túmulo monumento do Prefeito Otávio Rocha, é porque
ele também é um personagem positivista. Tem o anjo do juízo final, escultura de
Lunardi, tem o olhar duro, possui a trombeta do juízo final que anuncia a
morte, alegoria cristã de origem da Idade Média. O túmulo da Família Heter. Tem
obra do Arjonas pai, que fez uma pietá humanizada, como mãe sofredora. Tem arte
abstrata, o único túmulo que tem arte abstrata, que representa o pai, a mãe e
os filhos. Quem cedeu foi Paulo Heter, poeta que está enterrado ali, morreu em
1974. O Túmulo do Maurício Cardoso, possui colunas romanas, porque ele era
advogado. A estátua da justiça é virtuosa e o cactos é a dificuldade que
enfrentamos, na vida para praticar a virtude e a justiça. Em cima diz em latim
que nada impede que sempre a pátria celebre aqueles que foram abençoados por
Deus. O Maurício morreu de avião, mas em latim não tem a palavra avião, então
escreveram que ele morreu numa nave volatite, nave voadora. No início do século
XX, era normal e comum ter porta no túmulo. A questão da tuberculose, o início
do século, foi tão forte, porque todo mundo morria de tuberculose,
principalmente os jovens. Quando a mulher morria de tuberculose antes de casar,
a família colocava no túmulo algo que indicasse que ela era noiva. Se ela
morria depois do casamento, então a família, colocava foto do casamento. O
túmulo com cortina da morte. Abrindo a cortina pode ser representado de 2
jeitos, 1 é a memória quando olha o passado e 2 a separação dos dois mundos, o
dos vivos e o dos mortos, quando abre a cortina, entra no outro mundo. A nudez
das estátuas mostra que a seriedade se sensualizou e as figuras ficaram
completamente nuas. O homem representa o sofrimento e a mulher representa a
consolação. O artista Ladilope, que inverteu os papeis, a mulher era o
sofrimento e o homem a consolação. A estátua da esperança é um anjo azul de
mulher em mármore de carrara. O mostardeiro era a moda egípcia de 1920 e tem um
anjo no túmulo que veio de Roma. O Túmulo do positivista Júlio de Castilhos,
tem em cima a águia dos grandes ideais, tem a data da elaboração da
constituição que ele fez. A efige é o nome dele e tem o escudo do RGS com o
lema positivista, os vivos são sempre cada vez mais governados pelos mortos. Em
baixo a pátria está jogando a bandeira em cima do túmulo e segurando ao lado um
ramo de louros, que é o símbolo da vitória e da glória. Outro túmulo é o herói
da guerra do Paraguai, em cima é ele mesmo, como herói, em cima também tem o
anjo do juízo final. Ao lado a esperança com a estrela na testa e do outro lado
a justiça (não a justiça dos homens e sim a justiça de Deus, porque ela não está
vendada). O túmulo de noivos, mostra que tem muitas coisas empilhadas, morta
leões dormindo para representar a morte. O personagem está com a caridade e a
fé e em cima a ampulheta para mostrar o tempo que passou. Quando tem asas com a
ampulheta, mais as iniciais de cristo, e tempo é a fé de Cristo e a fé cristã
são as colunas gregas. A âncora ou mulher com âncora é a esperança. A cruz ou a
mulher com cruz é a fé. O mausoléu de Chaves Barcelos é um templo romano,
coríntio composto com jônico da família Chaves Barcelos, esculpido o símbolo da
família em cima as iniciais. As estátuas são do Arjonas, que fez a saudade
meditativa e a oração meditativa. O maior túmulo do Matarazi é o maior do
Brasil e está no cemitério de São Paulo e possui 49 estátuas. O túmulo do
Pinheiro Machado, também positivista, mostra o herói morto, a pátria
republicana, como ele morreu apunhalado, então está representado como se fosse
um César deitado no leito romano com a bandeira nacional por cima. Atrás a Musa
Grega Clio da História, onde a história mostra para as novas gerações o herói
morto. Um modelo para as novas gerações que seguirão as velhas gerações. Coisas
de um positivista. O morto serve de modelo para os vivos, faz jus a frase: quem
comanda os vivos são os mortos. Os únicos 2 templos de contestação do Brasil
estão um aqui e outro em Petrópolis no RJ, que é do Presidente Hermes da
Fonseca. O que está aqui é o túmulo de Plácido de Castro, gaúcho, conquistador
do Acre, foi assassinado com tiros nas costas. O mandante do crime foram
agentes do governo. É por isso que o leão tem uma flecha nas costas. O leão é o
herói e a flecha é a traição. Em cima vemos a justiça corrompida, a balança
está cheia de dinheiro e a espada empurra a balança, para baixo que significa o
poder do dinheiro. Em baixo a placa com a denúncia ao governo que diz, ele foi
assassinado a mando do governo. Esse é o único túmulo no RGS que contesta e
denuncia. A estátua de mulher com o dedo no rosto e a tocha virada para baixo é
um dos símbolos gregos da morte. O túmulo do Conde de Porto Alegre, é o único
túmulo onde a morte não está enterrada. Foi comandante das tropas brasileiras
legalistas na Revolução Farroupilha. Um grande herói nosso porque foi ele quem
expulsou os farroupilhas de Porto Alegre. Por isso ganhou o título de Conde de
Porto Alegre. Mais tarde ele conquistou a Argentina, ocupou Buenos Aires e na
Guerra do Paraguai se destacou como um grande herói militar. Morreu no RJ e lá
foi embalsamado e enviado para cá, mas não está enterrado e sim o caixão está a
vista, olhando para dentro do mausoléu, vemos o cidadão dele, é que na
Argentina é comum isto e aqui também era. O túmulo do governador Dauto Filho,
que era general, aparece o homem pilchado que representa o povo riograndense e
o soldado representa o exército. Caringi sempre com olhos monumentais. O túmulo
do Teixeirinha, foi esculpido por Arjonas, filho, o mesmo das estátuas da
Catedral, queria dar uma alongada na estátua do Teixeirinha, mas a família, não
quis, queriam como ele realmente era. Essa é a 2ª figura pilchada e o túmulo
mais visitado no dia de finados. No túmulo de Alvira Pereira da Rosa, te a
coluna palmiriforme egípcia, também tem a figura do Cristo e bom pastor,
batendo na porta que não tem trinco e nem fechadura. Significa uma passagem do
Apocalipse, que diz: “quando eu bater na tua porta, se tu abrires, eu entrarei,
se não, eu não vou entrar”. Então a porta não pode ter trinco nem fechadura por
fora, somente por dentro, porque a pessoa tem que abrir, e não Cristo.
Escultura de Lunardi. O girassol é um símbolo cristão, sempre olha para o sol,
e quando o sol se põe o girassol murcha. Art Nouveau, 1915-1920, com coloração
e decoração floral, colunas estranhas, mausoléus arredondados com anjos em
cima. A vitória está sobre a morte., com flor e pendão. O triângulo com olho no
meio representa Deus ou o Deus que tudo vê. A águia de 2 cabeças é a que
controla o mundo, porque ela olha para os 2 lados. O compasso e o esquadro, é o
supremo arquiteto do universo.
ARTE
MEDIEVAL.
Na
Idade Antiga, a arte grega ou romana era mais humanista, que tinha uma visão de
mundo a partir dos interesses dos homens e era totalmente urbana porque era
feita na cidade para a cidade. Aspectos que explicam como as sociedades são tão
diferentes. Tudo começa a decair no século III (200-300 d.C). O Império Romano
era formado pela Península Ibérica, França, Ásia Menor, Portugal, Espanha,
parte da Alemanha, norte da Itália, Macedônia da Grécia e uma parte da África. O
Império Romano era uma faixa de lugares que circundava o mar mediterrâneo e no
século III, ocorrem as últimas guerras e conquistas. Então acabam e os
prisioneiros ficam escassos, porque as guerras eram fornecedores de escravos,
que se tornavam a força de trabalho da economia e das atividades agrícolas, que
sustentavam as cidades. Com o término das guerras, os escravos diminuíram e
começou a faltar força de trabalho para a produção de alimentos e sustento das
cidades.
Ocorre
a invasão dos bárbaros entre (400-500). As guerras pararam por causa dos
bárbaros, que eram agrupamentos humanos, que não chegaram a desenvolver a vida
urbana, eles apenas desenvolviam atividades agrícolas e do pastoreio. Não
fundaram cidades, formaram pequenos vilarejos e viviam se deslocando. Os
romanos tiveram dificuldades para tornar os bárbaros prisioneiros. Até porque o
exército estava pequeno, pesado e voltado para a cidade e não para o campo. A
crise do escravismo gerou uma crise agrícola, que também gerou uma crise
urbana, pelas cidades não terem mais como se sustentar. Os patrícios do Império
Romano começaram a preferir a vida no campo e instalaram suas “villae”, por que
a cidade se tornou muito perigosa, com assaltos e roubos, e tornou-se insalubre
com doenças e pestes. A aristocracia romana que tinha propriedades no interior,
preferiram instalar-se lá. O êxodo acabou fragmentando o exército romano. A
aristocracia levava junto parcelas do exército romano para a proteção de suas
propriedades rurais. A fragmentação desses exércitos acabou protegendo as
fronteiras e abriu caminho para a invasão dos bárbaros, consequência dessa
crise. A invasão dos bárbaros ajudou ainda mais a desorganizar a vida na
cidade, mas preferiam ficar na vida rural. Os bárbaros iam as cidades, roubavam
e saqueavam e depois voltavam para o meio rural. O modo de vida antigo era na
cidade e voltado para a cidade. Modificou-se para o modo de ruralização, a vida
rural no meio rural.
Formaram-se
diversos reinos bárbaros:
Na
Península Ibérica formou-se o Reino dos visigodos.
No
norte da África formou-se o Reino dos Vândalos.
No
norte da Inglaterra formou-se o Reino dos Saxãos.
Na
Alemanha formou-se o Reino dos Germanos.
Na
França formou-se o reino dos Francos.
Po
volta de 650, os árabes, já haviam sido convertidos ao Islamismo por Maomé, na
Península Arábica, e após a morte de Maomé, os árabes partiram para expandir a
religião ao mundo e conquistando a história. Formaram duas frentes que foram em
direções diferentes. Uma para o norte da África e a outra para o Oriente. O
grupo que veio para o norte da África, em 711, passou pelo Estreito de
Gibraltar e (invadiram) entraram na Península Ibérica. Dominaram o território e
foram se expandindo até o norte da África em direção ao Arquipélago de Baliares
e assumiram o controle das 13 ilhas da Itália. Conseguiram o controle na maior
parte do Mediterrâneo e fecharam o comércio. Essa invasão foi responsável pelo
fechamento do Mediterrâneo, das últimas cidades e portos dos romanos. Uma
mudança na economia da Europa. As trocas de mercadorias entre a Europa e o
Oriente foram interrompidas e passaram a ter dificuldades com o Ocidente.
Assim, ficaram os árabes na Península Ibérica. O objetivo dos árabes era
dominar toda a Europa e pregar o Islamismo em todos os lugares. Então tiveram a
ideia de conquistar a Gália na França e nesta tentativa, os árabes foram
impedidos pelos francos. Os árabes usaram a religião como instrumento de
motivação para espalhar pela Europa o islamismo e dominar o comércio.
Os
árabes não conseguiram derrotar os francos na Batalha de Poitiers, em 732, e a
partir dessa data, os francos se tornaram o mais forte povo bárbaro. Com a
importância e o fortalecimento dos francos, a igreja católica começa a apoiar
uma formação de aliança com o papado, juntamente com os francos. Isso tudo
permite a formação do Império Carolíngio. Formado pelos francos e o Imperador
Carlos Magno que vai de 770-814 e engloba a França, A Alemanha e a Itália. O
Império Carolíngio se contrapôs contra o Império do Islã. Para administrar o
Império Carolíngio, Carlos Magno dividiu o território em unidades e repartiu
com a nobreza francesa:
Criou
os Ducados com domínio dos Duques.
Criou
os Condados com domínio dos Condes.
Criou
as Marcas com o domínio dos Marqueses.
Com
a morte de Carlos Magno, em 814, a tendência destes, foi de cada unidade tomar
para si o poder político e econômico. Aumentando a fragmentação do poder. Cada
Ducado transformou-se em um feudo, um mundo fechado a parte, e quem mandava no
feudo era o Duque que tomou para si o poder total do feudo. A Europa ficou
constituída por centenas de feudos, ducados maiores, condados intermediários e
marcas menores. De 814 até 900, ocorre esse processo de fragmentação.
A
igreja foi atingida e se fragmentou também. Ocorre a decadência da igreja e dos
princípios morais, espirituais e de lideranças. Isso aconteceu porque a igreja
se feudalizou. Os domos dos feudos eram os senhores feudais e passaram a
investir nos sacerdotes com poderes religiosos. O clero passou a ser investido
pelos senhores feudais. Os sacerdotes não precisavam ter uma vocação, e nem
preparação religiosa. Passaram a ser vistos como um meio de sobrevivência. Uma
época onde a cultura decaiu. Os sacerdotes eram ignorantes e semi analfabetos.
Usavam o cargo como um meio de vida. Os quadros da igreja se desqualificaram e
perderam o prestígio da sociedade. Muitos padres pregavam a desobediência ao
celibato (ser solteiro). O padre podia ter uma amante, companheira, concubina
ou qualquer mulher ao seu lado. O padre podia ter prole (filhos) e deixar o
patrimônio para eles. As famílias dos padres eram reconhecidas socialmente.
Muitos padres passavam a ideia de casamento, mas viviam no concubinato (união
que não casa, vive junto). Ocorre a tendência do Nicolaismo, de Nicolau, onde o
sacerdote poderia vender o seu sacramento e com os recursos formar um
patrimônio próprio e legal. A simonia era a tendência de viver em concubinato.
A igreja começou a ser desacreditada e desqualificada. Acabou a decência moral.
Com
isso ocorreu a FUNDAÇÃO DA ORDEM DE CLUNY em 909. Foi um Mosteiro localizado na
Quitânia na França, fundado por São Bento que adotou como ordens As Ordenações
Beneditinas. Elas tinham como ponto central a recomendação de que os sacerdotes
deveriam conciliar a oração com o trabalho dentro do princípio: Orare et
Laborar, ou seja, rezar e trabalhar, e isso foi fundamental para o
fortalecimento material e moral onde o sacerdote, trabalhando, não pensava no
demônio. Era um exercício espiritual de purificação. Cluny pregava = “se o
trabalho não for suficiente, mortifico o meu corpo pelo auto flagelo”.
Fortificar o espírito e fraquejar a carne, franquejar o desejo. Os padres
precisavam aprender a ler e se qualificar. A Ordem de Cluny tornou-se poderosa,
reformadora de costumes, um grande sistema que serviu para os outros mosteiros
aplicarem e todos adotaram os costumes da Ordem de Cluny. Fundaram um conjunto
de mosteiros que tinham como objetivo ligar-se da França até Roma. Na outra
direção, queriam ligar-se a Península Ibérica, porque lá estavam os islã
indemoniados. Cluny organizou um sistemas de mosteiros e a ordem fundamentou e
estipulou que as pessoas peregrinassem pelos mosteiros, de um lado para outro e
de um mosteiro para outro, para que pudessem revitalizar a sua fé. Haviam
trocas entre os mosteiros e cada um possuía uma relíquia sagrada. Essa dava a
ideia de visitar um lugar sagrado, com uma relíquia sagrada, que seria uma
atração a mais.
Quando
Cluny começou a crescer, aproximava-se o ano 1.000 e desenvolveu-se o
milenarismo, uma ideia que chegava a hora e o dia do juízo final e que Cristo
viria acertar as contas com a humanidade. Todos começaram a ficar aterrorizados,
o temos era imenso por causa do fim do mundo estar próximo e seria necessário
purgar os pecados. Com este estado de mobilização, Cluny criou e instalou um
sistema de recebimento do fiel. Fizeram mosteiros com hospedarias, hospitais e
asilos, uma estrutura completa para o peregrino e que este teria um atendimento
especial no mosteiro. Nestes, iriam pobres e poderosos. Cluny deixava os pobres
nas porta e os poderosos entravam e recebiam todo o atendimento possível.
Algumas pessoas entravam para a ordem e deixavam todos os seus pertences, bens
e patrimônios para a igreja em troca do atendimento de Cluny. A ordem
trabalhava, estudava e herdava; foi tornando-se influente, poderosa e
riquíssima. Assim iniciam as construções de grandes monumentos, igrejas e
mosteiros no meio rural, para receber muitas pessoas e muitos donativos. No
século X, é o grande momento da Ordem de Cluny, que está no centro de tudo.
A
ordem foi influenciada pelo pensamento de SANTO AGOSTINHO e também vai ser
influenciada no estilo artístico Românico. Santo agostinho escreveu a obra
“Cidade de Deus”, com o direito do livre-arbítrio e esta liberdade de agir
levou o homem ao pecado. No caso, Adão e Eva, a partir do pecado original. A
humanidade herdou o pecado original e o homem perdeu o paraíso e foi
transportado para a Terra, que transformou o homem para que este pudesse se
redimir dos seus pecados. A Terra deixou de ser um paraíso para se transformar
em Calvário (terreno onde se planta a cruz ou crucifixo). A vida do homem devia
ser uma expiação, devia viver na Terra para expiar os seus pecados.
Para
Cluny, a vida do homem era uma eterna expiação. O homem era mau e sinônimo de
pecado. A igreja dizia que a humanidade tinha se tornado má e precisava viver
em expiação para esperar a salvação. Daí vem que a alegria, o riso, a gula, a
dança, o prazer e toda a matéria era tudo pecado. A vida devia ser jejuar, a
receita era flagelar, mortificar o corpo, para ganhar a vida. E o homem
precisava fazer isso a vida toda. Através de procedimentos como: trabalhar e
rezar muito, se não, teria que jejuar, parar de comer, e flagelar-se. O corpo
teria que purificar-se. Cluny tinha um pensamento pessimista existencial.
Conseguiam a credibilidade e a audiência por que a igreja alucinava as pessoas
que viviam mal alimentadas. Nesta época a tecnologia agrícola era muito
atrasada e estagnada. O ferro não era usado e os animais eram frágeis e mal
preparados para as atividades agrícolas. A população medieval deste período era
subnutrida e eles viviam no meio rural, no mato e na natureza. Para eles era um
desafio, pois eles não conseguiam dominá-la. A população sentia medo de tudo,
da fome, da seca, dos animais, da peste e Cluny reforçou a ideia do medo para
essas pessoas.
A
Arte Românica ocorreu na alta idade média entre 1000 e 1200, séculos XII e
XIII. O estilo ROMÂNICO vai expressar e representar muito bem essa ideologia
pessimista e o medo. As igrejas românicas tinham poucas aberturas, poucas
janelas, pouca luminosidade, eram escuras, frias, úmidas, realmente com um
ambiente que pesava e reforçava o mal estar. A ornamentação e os relevos de
decoração testemunhavam a luta do bem e do mal. Apreciavam os animais maus e
imaginários como dragões, monstros, gárgulas, etc que ameaçavam os homens. A
arte era de uma religiosidade deprimente, que não estimulava a alegria de viver
e se desumanizou. Para Cluny e para a sociedade, a história da vida humana era
uma vontade divina, a história já estava escrita, feita e o homem tinha que
obedecer, não podia mudar, teria que aceitar a vida como ela era, até morrer e
enfrentar o Juízo Final. Como por exemplo: o homem que era servo, morria servo.
Sem nenhuma possibilidade de sair dessa condição, jamais seria um senhor nobre.
Os nobres que nasciam nobres, morriam nobres, mesmo que perdessem todos os seus
bens, eles poderiam ficar sem nada, mas jamais perderiam o título de nobreza
por natureza. Exemplo: Dom Quixote.
A
questão da MULHER nessa época, vai aparecer essa ideologia na arte e a mulher
pobre nesse período não tinha chance nenhuma. Quando se casava com um camponês
tinha que passar a primeira noite com o senhor feudal. A mulher da elite tinha
pequenas chances:
1
– casar com o primogênito era uma loteria, conseguir casar com o filho mais
velho do nobre, herdar o feudo e tornar-se uma senhora, era quase impossível,
porque não haviam muitos primogênitos.
2
– servir de dama de companhia nos castelos, muitas vezes praticando a
prostituição.
3
– ir para um convento, que era perto dos mosteiros.
Na
Arte Medieval, houve a desumanização ocorrida na Idade Média, pois ela deixa de
ser do homem, o foco, para ser substituída pelo modelo rural. Pois ela será
feita no meio rural e para o meio rural.
A
arte do estilo românico, do período medieval influenciou as construções das
IGREJAS ROMÂNICAS. Que tiveram origem na planta da Basílica Romana, que veio de
Roma. Era um prédio que servia para fins administrativos e civis, como um fórum
romano. A estrutura basílica serviu de base para a construção das igrejas
românicas. A Basílica romana era uma nave central que ocorriam os debates
políticos. Ela possuía uma cobertura de pedra, como o princípio da cúpula
romana. Tendo duas paredes bem grossas nas laterais para segurar todo o
sustento do prédio e com poucas aberturas para não desabar tudo. Tudo era feito
de pedra. Foram feitos mais dois puxados, chamados arcos cruzeiros e
estendeu-se até onde ficava o altar. A abside era uma semi esfera com capelas
em volta, a planta baixa formava o Cristo na cruz. O modelo da planta baixa de
tudo parecia o corpo de Cristo na cruz, símbolo da planta baixa. As aberturas
eram mínimas e poucas. Apenas ao amanhecer ganhavam a luminosidade do sol. No
interior das igrejas aparecem os arcos romanos de meia volta. A igreja é mais
larga que alta e detinha a horizontalidade do que a verticalidade. O teto
ficava mais próximo da cabeça do fiel, assim aumentava o sentimento de pressão
e de peso. A estrutura é despida de ornamentação, somente pedra lisa, algumas
paredes eram decoradas, como o pórtico de entrada e o capitel das colunas. A
igreja era construída nos pontos mais altos do meio rural, não era isolada,
ficava perto dos mosteiros e conventos. Na volta ficavam um bando de
agricultores esfomeados. A porta de entrada ficava sempre para o lado que o sol
nascia de manhã. As portas ficavam sempre abertas para que os raios de sol iluminassem
e clareassem a igreja. O capitel românico das igrejas era baixo e largo,
contrário do coríntio que era lato e fino. No estilo românico, os capitéis dos
pilares, mostravam em sua decoração, anjos à direita e animais conhecidos como
lobos e chacais, também apareciam animais desconhecidos e imaginários como:
demônios, grifos, gárgulas, etc. no lado esquerdo geralmente aparece a luta
entre o bem e o mal. No pórtico de entrada da igreja aparece uma cena do juízo
final e Cristo está sentado no meio com a sua imagem maior e mais destacada do
que outras. Cristo está com o dedo apontado para o fiel e a sua direita
encontram-se os eleitos e a sua esquerda os condenados. A expressão do rosto
dos cristãos nas obras eram: duras, fechadas e ríspidas de um juiz implacável.
A expressão do rosto de serenidade, sobriedade, doce, benevolente e salvador é
muito recente, pois antigamente, não apareciam as coroas de espinhos, nem a sua
pseudo nudez na cruz. Vimos através das figuras o jejum, pois elas são como
tábuas de passar, muitíssimo retas, magras e desformes de beleza. Podemos
observar nas gravuras que existiam 3 ordens celestes, que subdividiam as
classes na Terra e cada uma tinha ordem e o seu bem específico. Eles diziam que
essa era a vontade de Deus.
1ª
ordem é o clero que rezava.
2ª
ordem é o nobre que guerreava.
3ª
ordem é o povo que trabalha.
A
ARTE GÓTICA.
A
Arte Gótica é um estilo medieval que a partir do ano 1100 e 1200, as igrejas
começaram a mudar o estilo, por causa das mudanças na Europa. A Europa
apresentava transformações dentro da sociedade feudal. A primeira transformação
foi a estabilização e melhoria do clima que acabou favorecendo a agricultura.
As 4 estações do ano estavam bem definidas e provocadas por uma corrente
marítima. Ocorreram inovações tecnológicas, como a utilização do ferro para
instrumentos agrícolas, como o machado, martelos, ferraduras para cavalos, que
ajudaram na tração com bois e novas formas de atrelar o cavalo à carreta. Antes
eles eram atrelados pela cintura, e ao fazerem exercícios, eles se sufocavam.
Depois começaram a atrelar pela cabeça, e liberando de esmagar o pulmão, assim
respiravam melhor. Desenvolveram o moinho e tudo ajudou a melhorar a
alimentação. Com isso as pessoas comiam melhor e melhorou o pensamento. A
população ficou mais saudável, forte e começou a crescer demograficamente. A
média de vida aumentou e a mortalidade diminuiu. Com mais proteínas as pessoas
tinham mais energia.
Por
volta de 1100 e 1200, a igreja começa a incentivar as CRUZADAS. Que foram
expedições militares cristãs e visavam retomar aqueles lugares sagrados e
santos na Palestina, que haviam sido conquistados pelos árabes turcos. A medida
em que as cruzadas foram se realizando, os árabes que estavam fixados na
Península Ibérica, nas ilhas da Itália e no norte da África, foram empurrados
pela movimentação das cruzadas, que começaram a liberar o Mediterrâneo para o
comércio. Os cruzados quando chegaram no oriente, vivenciaram a riqueza de luxo
oriental e conheceram os benefícios e a quantidade de produtos que o oriente
produzia. Estes se tornaram dispostos a exportar esses produtos para a Europa.
Tapeçaria, joias, perfumes, tecidos, seda, algodão, veludo, e principalmente as
cerâmicas de luxo e as especiarias que mudavam o paladar e conservavam os
alimentos. Isso tudo despertou uma expectativa de consumo, que antes havia sido
interrompida e com a abertura do comércio, o consumo se tornaria muito maior.
Começando com o intercâmbio com o oriente e fazendo com que esses produtos
chegassem com maior facilidade. Mas o problema era de onde a nobreza iria tirar
os recursos necessários para comprar tudo isso. Os cruzados eram parte da
aristocracia europeia cristã. A nobreza, para poder comprar, exigiam mais dos
servos, para que eles produzissem mais, trabalhassem mais na agricultura e
acabou gerando um descontentamento cada vez maior dos servos para com a
nobreza.
Os
servos começaram a fugir de alguns feudos. Antes não tinha para onde ir, mas a
expansão do comércio facilitou a formação de pequenos BURGOS, lugares de
transição de produtos, onde se formaram as FEIRAS, e essas recebiam os produtos
e formaram pequenos vilarejos, chamados burgos. Os servos fugiram para os
burgos. E por volta de 1200, ocorre o Renascimento urbano através do
renascimento comercial. A população dos burgos cresceu e neste contexto a
igreja vai começar a erguer seus templos na cidade. A concepção gótica, é bem
diferente, acaba aquele modelo românico de opressão e as novas igrejas ganham
mais grandiosidade, um lugar mais amplo, arejado e com maior luminosidade. A
parte de cima é mais alta, com princípios de verticalidade, com vitrais
coloridos, dando um ar mais alegre. A arte vai mudar porque a cabeça das pessoas
mudou e mudou o conceito que o homem tinha de si mesmo. As pessoas continuam a
ir na igreja e a rezar. O pensamento da igreja não mudou. Não mudaram os
dogmas, nem os sacramentos. A crença em deus continua. Quando a nobreza voltou
das cruzadas, eles queriam consumir mais e fizeram os servos trabalharem mais.
Então o restante dos servos vai fugir dos feudos para as cidades. Ocorre um
aumento da população nas cidades. Ocorre um maior número de nascimentos. Ocorre
o aumento demográfico. Com o costume da vida urbana o homem perdeu alguns
medos, como da chuva, dos animais, etc. A arte mudou porque não podia continuar
opressora. Antes a igreja era para as pessoas dos mosteiros, conventos e a
população dos feudos e não para agricultores esfomeados. E agora a igreja teve
que aumentar o seu tamanho pois estava recebendo um numero maior de fieis.
Recebia toda a coletividade urbana. A construção mudou a armação do teto que
era de pedra com preenchimento de madeira, as paredes foram feitas com um
esqueleto de pedra e no meio vitrais enormes e bem coloridos. Faziam um
contraforte de distância em distância, próximas umas das outras, para reforçar.
Depois erguiam um arco de pedra e quanto mais alto faziam o contraforte, mais
fixo e forte, ele ficava. Para fora ficava uma outra coluna-braço, chamada de
Arcobotante, dando maior sustentação, pelas partes laterais. O outro restante
da parte de cima era completado com madeiras, isso permitiu as grandes
construções de igrejas góticas.
A
Catedral de Florença na Itália é uma das maiores igrejas góticas no mundo. As
outras estão na França, na Alemanha e na Inglaterra. Do exemplo, a frente
possui 5 portas de entradas e elas representam as 5 chagas de Cristo. No topo é
colocado a estátua do santo padroeiro. Formavam uma ideia de degraus de
ascensão e dava a ideia de alcance da espiritualidade. A igreja mais alta é a
Catedral de Colônia, na Alemanha, a repercussão do som é fantástica, as pessoas
do coral cantavam no mesmo tom. O arco ogival em forma de ogiva, tem a largura
estreita e a altura bem maior. A Santa Capela em Paris se destaca pela
quantidade e o exagero dos vitrais, porque eles vão do chão ao teto. Luiz XIII,
ergueu essa capela quando voltou das cruzadas e lá encontra-se a maior parte de
um pedaço da cruz de Cristo. Os relevos decorativos mudam para o tema da
crucificação, preferido pelo gótico. Jesus está semi nu e mostra o sangue, os
sinais de sofrimento e salienta bem a humanização da arte. Por que Jesus sente
dor, dor humana, a expressão das figuras em volta possui, cada uma, um tipo de
expressão diferente, umas das outras. São retratados os santos, sacerdotes, o
sagrado e o profano juntos. Convivendo juntos com os trabalhadores. Não é uma
total humanização, mas já apresentam características e indicativos de que os tempos
estavam mudando e aos poucos a arte vai refletindo isso. Os relevos da Catedral
de Chartres, na França, começaram a ser construídos na época românica e
concluídos na época gótica.
A
igreja admitia que a figura humana servia para representar um tema qualquer. A
doçura e a mansidão aparecem em figuras humanas carregando um medalhão com um
símbolo de uma pomba. A soberba é uma figura humana caindo do cavalo. A folia é
uma figura dançando ou tocando flauta. A justiça divina é uma figura humana com
uma balança e a espada, de olhos abertos para separar o joio do trigo. A
justiça vendada é uma figura que mostra a profissão do morto. A prudência é uma
figura que olha no espelho, olhando para o passado, a experiência do homem, as
verdades antigas e a figura de duas faces, o jovem e o velho. A paciência e a
temperança são figuras que despejam gota, a gota sobre a pedra. A força é uma
figura que mostra a parte de uma torre, uma serpente, um leão, o homem vencendo
os seus demônios. O cotidiano das pessoas também era representado pelas
estações do ano. O outono é uma figura melancólica e pensativa. O inverno era
representado por uma pessoa escolhida, ou a morte, ou a luta.
A
INFLUÊNCIA GÓTICA NO RGS.
As
ordens religiosas entregavam o projeto aos sacerdotes e arquitetos com formação
europeia. Fizeram réplicas das igrejas europeias. As regiões de imigração
italiana e alemã estão entre as regiões que tem grande número de igrejas
góticas. Na região das MISSÕES, haviam arquitetos civis vindos da Áustria e da
Alemanha. As fachadas das igrejas recebiam ornamentações alegóricas.
Representando uma ideia religiosa através da figura humana. No românico não
havia se desenvolvido essa ideia, porque a humanização não era apropriada.
Alegoria é usar a figura humana para passar a ideia de um símbolo. O gótico
retoma a humanização, até o século XX. Simboliza as virtudes na figura
humana.
No
RGS, foi uma influência maior que a românica porque o estilo gótico foi mais
valorizado. Em Porto Alegre, temos 2 igrejas com estilo românico, a primeira é
a Igreja de São Sebastião, localizada no alto Petrópolis, que é a mais
romanizada. Vemos o arco românico, paredes grossas e poucas e pequenas portas e
janelas.
A
outra igreja românica é a Santo Antônio.
Outra
é a Igreja da Nossa Senhora do Rosário.
Outra
influência que aparece aqui no sul é o Cristo Pentocrator, juiz implacável e
punitivo, aparece no Cristo Rei em São Leopoldo, no Seminário dos Jesuítas. Vê
se a expressão de juiz, dura e vigilante, a imagem tem o objetivo de atemorizar
e policiar os maus pensamentos dos alunos seminaristas.
A
partir de 1900, a influência ocorre no RGS. A Igreja das Dores, foi reformada
em 1902 e novamente depois. Ela conserva os trabalhos de João Vicente
Friedericks, que era o dono do atelier de arte mais famoso que tínhamos em
Porto Alegre. As 3 figuras que estão na Igreja das Dores, são feitas por ele: a
Fé, mostra uma figura humana com a cruz para o observador e põe a outra mão no
coração. Representa uma pessoa com estilo clássico. A Esperança tem a âncora
que simboliza a esperança do cristão na salvação. A Caridade é uma figura que segura
uma criança no colo, e está abraçada em outra criança de pé. Ou também ela
aparece com uma criança e com a mão na outra.
A
partir da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), começam a fazer imagens gigantescas de
Cristo. Colocam na entrada das cidades para mostrar que a cidade pertence a
Cristo. Essa influência aparece aqui nas imagens monumentais como o Cristo
Redentor. Estas possuem estilo romanizado, porque o Cristo está de braços
abertos, as vezes com uma coroa. O Cristo que veio para reinar. Acompanha a
influência de descorporificação, despida de massa corporal muscular e seus
corpos são retos como tábuas de passar. O estilo gótico ocorre num momento
histórico onde a igreja procurava retomar a influência do catolicismo.
Principalmente depois da 1ª Guerra Mundial. A crise cultural estava abalada no
emprego da razão que atingia o progresso da civilização. O pensamento dominante
da sociedade é materialista. Não havia religiosidade porque era considerada uma
perda de tempo. Era possível confiar na razão e a guerra abalou a concepção de
progresso e naturalismo no mundo ocidental.
A
partir de 1920, a igreja tenta reestruturar Cristo na sociedade. A
re-catolização do estado. A igreja deveria parecer forte e rica. Os sinais
exteriores deveriam mostrar uma igreja forte. A maior parte das igrejas
construídas nessa época é em estilo gótico e com vitrais bem coloridos. A
igreja queria simbolizar o prestígio do catolicismo. Na década de 20, várias
ordens estavam se fixando no estado (carmelitas descalços).
Em
Garibaldi foi erguida uma das primeiras igrejas góticas no RGS, entre 1920-22,
pela ordem dos capuchinhos. Ela deu uma ideia de ascensão representando que o
homem pode a partir de si mesmo se espiritualizar. A base larga no terreno
mostra a espiritualização. Coloca-se as tentações, o pecado, as coisas
horríveis da alma do home, ao longo do caminho. O homem deveria ir em direção a
Deus. Ela possui todas as características.
A
Igreja Santa Terezinha, na Rua José Bonifácio, em Porto Alegre. Toda trabalhada
em relevo. Arte que escapa do católico e ao não católico. Aparição da Virgem
Maria e São Simão Estoqui. Importante santo vinculado aos carmelitos descalços.
São Simão recebendo o escapulário, feito em tecido bento para usa-lo como
indicativo de compromisso com a ordem. São José com o menino Jesus, entregando
o escapulário a santa Terezinha. Em Guaporé, a igreja é ornamentada em relevos.
O cemitério tem túmulos da década de 20. A figura alegórica é a figura de um
anjo com uma tocha e a chama para baixo, representando a morte. Em Bagé, a
capela gótica da Família Colares, tem todas as características. A Família do
Coronel Bordini, está representada com a justiça combinada com a esperança. O
anjo está com a corneta, é o anjo do juízo final, anjo da morte. A Santa Casa
está representada pela Caridade, que tem uma criança no colo e um pedaço de
pão.
A
ARTE RENSCENTISTA.
Foi
dividida em 3 partes:
Tressento
– 1300 a 1400, século XIV.
Quatrocento
– 1400 – 1500, século XV.
Cinquecento
– 1500 – 1600, século XVI.
Ocorre
a teoria dos 4 ãos: comercialização, diversificação, humanização e
racionalização.
A
Comercialização da Arte.
É
o período que a arte foi considerada uma mercadoria, feita para ser comprada
por uma pessoa desconhecida. Encaixa no contexto de Revolução Comercial,
expressa o desenvolvimento do comércio entre a Europa e o Oriente, tempo das
cruzadas. Lideradas pelas cidades italianas: Veneza, Nápoles, Florença e
Gênova. A Itália não era unificada. Era formada por cidades rivais que
competiam a liderança do comércio. Preocupavam-se em produzir prédios,
monumentos, igrejas e a arte foi usada como meio de competição, valorizando o
trabalho dos artistas. A arte deveria acompanhar as mudanças econômicas europeias.
Formaram nas cidades, corporações de ofícios para aperfeiçoar a produção de
bens, mestres e aprendizes. Um profissional formava os seus próprios
aprendizes. Começaram a aparecer escolas de arte, devido ao grande número de
encomendas. Antes o artista era contratado pela igreja e muitas vezes não
recebia o pagamento, na Idade Média. Os mecenas patrocinavam a arte, tinham
cultura, mas não tinham tradição, porque não faziam parte da nobreza. Os
comerciantes enriquecidos formavam o comércio e queriam legitimar o seu poder.
A arte era o verniz que os mecenas usavam para encobrir a sua origem, sem
cultura. Os mecenas faziam coleções de obras de arte particulares e essas obras
passaram a serem consideradas como investimento. Na época do Renascimento surge
o crítico de arte, que analisa o valor da obra. Justificando seu trabalho e
publicando seus textos para explicar a arte. Ocorre a valorização do artista.
A
Diversificação da Arte.
Foi
produzido um grande número de obras por artistas de boa qualidade. Para atender
o grande número de encomendas. Contrataram muitos aprendizes. A arte foi
submetida a uma neurose de competição. Os mestres competiam com os aprendizes
mais qualificados. O que importava para eles era a remuneração. Através da
arte, o artista projetava toda a sua tensão psicológica. Novas técnicas foram
desenvolvidas. Até a época do Renascimento, a pintura mais conhecida era o
afresco. Após isso se desenvolveu a pintura a óleo. Ocorre o estímulo e novas
técnicas, essenciais para a diversificação do artista.
A
Humanização da Arte.
A
arte recolocou o homem como centro do universo, como na época da arte grega. A
arte medieval havia colocado Deus no centro de tudo. O homem começou a confiar
nas suas potencialidades. Ocorreram grandes realizações nessa época. No campo
científico, na física, na química, na matemática, na filosofia e as grandes
navegações. O homem passa a confiar na sua potencialidade como criador e não somente
como criatura.
A
Racionalização da Arte.
Ocorre
o emprego da razão na arte e ela se torna altamente intelectualizada. É feita
pela razão, exige uma contemplação racional. Não é uma arte emocional, para
causar emoções. É uma arte mais fria, monótona, e os artistas e intelectuais
viviam sempre juntos. Momento de trocas de informações entre eles. Ampliavam na
arte a ciência, uma concepção de espaço, equilíbrio e profundidade. A
matemática e o efeito da luz sobre os objetos, tudo com uso da razão. O Renascimento
vai ser um conjunto de fatores favoráveis que contribuíram para fazer um
período mais importante na arte ocidental.
O
Quatrocento.
É
o período que vai de 1400 a 1500 e ocorre o Renascimento italiano e tem um
reduto importante na cidade de Florença (Firenze), na Itália. Os mecenas que
decidiram investir o capital na arte, foram principalmente a Família Médici de
Lourenço de Médici. Os grandes artistas são de Florença, nessa época, mesmo na
escultura, como na pintura. A Família Médici, promoveu o conhecimento em geral
com as obras e trouxeram filósofos, poetas, etc. Conviviam com artistas que os
atualizavam na época. Ocorriam grandes debates. Um dos grandes destaques foi
Sandro Botticelli, que mostra na sua obra a passagem da Idade Média para o Renascimento.
No
quadro: O Nascimento da Vênus (1485), de Botticelli, percebe-se o tema pagão
que foi escolhido pelo artista, retomando o paganismo, e retornando o
nascimento do amor. Botticelli, usa de uma lado o pensamento pagão e de outro
lado a reforma de Savanarola. O Monge Savanarola, era um religioso, crítico da
depravação na época. Ele condenava o materialismo, o amoralismo, e procurava
corrigir a moral e a ética. Ele queria resgatar a espiritualidade e condenar a
corrupção. A Vênus está envergonhada, tapada, parecendo uma virgem, de um lado
o paganismo e de outro lado o cristianismo. Essa polaridade entre o
materialismo ateu e entre o espiritual cristão. A mentalidade medieval era
muito restrita e fechada. No Renascimento percebe-se um equilíbrio, um espaço
que é matematicamente projetado e as figuras estão de acordo com a visão
equilibrada entre as partes. Mostra a espiritualidade, a figura é leve e
serena. O rosto expressa meiguice e leveza.
No
quadro: Vênus e Marte, de Botticelli, pode se interpretar de diversas maneiras
porque somos livres e não sabemos o real significado, mas podemos estudar sobre
a época na qual ele foi feito. Assim podemos ver qual tipo de leitura fez o
artista e que fatores referentes podem influenciar.
Savanarola,
queria reformar os costumes e fazer uma reforma religiosa, mas a época não era
madura, não era adequada para isso e por isso ele teve que ser eliminado.
Maquiavel,
possuía polaridade materialista, amoral e profana. É o exemplo do pensamento
materialista. O que valia era a riqueza e o poder.
Lutero,
fez o contrário a Maquiavel, pois surgiu na mesma época dele. Condenava a
corrupção e o profano.
A
metodologia de Ervin Panovski, mostra que será levada em conta o local e a obra
para se descobrir o significado, pois se foi feita para a igreja tem um
significado. Pois se foi feita para um palácio tem outro significado. Se foi
feita para um tribunal tem outro significado. Para Ervin, sabendo o local que a
obra pertence, pode ser a chave para saber o significado. Primeiro devemos
perguntar onde estava a obra. A segunda metodologia pode ser procurada nos
livros e templos que existiam na época. Investigar a influência literária do
artista. Investigar a influência bibliográfica que o artista sofreu, pois na
época não tinham muitos livros e nem templos.
No
quadro: A Virgem com o Menino Jesus no colo, de Domênico Veneziano, ele mostra
bem o sagrado e o profano misturados. Nesse quadro, vemos que ele colocou a
Virgem Maria em um ambiente palaciano e usou como ornamentação, um modelo de um
palácio renascentista. Neste caso, o tema se tornou uma propaganda política,
uma propaganda do Mecenas. Pois este é o cenário do Cardeal que encomendou a
obra. Percebemos que o artista procurou agradar e bajular o poder. E não
contente, ele colocou o próprio Mecenas, junto com os personagens.
São
Francisco de Assis que doou tudo para a Igreja, é o Santo do desprendimento que
aqui aparece com o Papa e toda a sua materialidade. Sutilmente, o artista faz a
crítica com isto. Pelo olhar de São Francisco, parece que ele está pouco a
vontade, parece que ele fica constrangido.
“A
arte do renascimento é vanguarda por mais que fosse uma arte conservadora, a
arte do renascimento sempre foi vanguarda porque ela expressou a sua época”.
Como nunca antes na história foi revelado o papel de ler e entender a época.
Para a arte, foi reservado o papel de ler e mostrar a época. Ao mesmo tempo em
que o artista fazia uma propaganda do poder, ele também criticava esse poder. A
arte do Renascimento foi muito rica em significados, representa a dialética e a
polaridade entre o poder e o que se tenta comprar do artista e do quanto este
artista tenta resistir ao suborno e ao poder. De um lado é a riqueza e de outro
lado é a verdade. Somente a elite comprava quadros, e mesmo assim o artista usa
um espaço na sua obra para criticar o poder, pois a maioria não fazia o jogo
dos poderosos. A arte nunca pode ser vista num sentido só. A arte estava a
serviço do poder, deveria estar ao lado do poder e divulgando o momento do
poder. Mas ela também está do outro lado, criticando o poder. A arte sempre é
um meio termo. Não adianta querer contrariar o artista, porque se não ele não
faz a arte. A arte tem múltiplos significados e nós podemos fazer outros
significados e interpretações como observadores.
Outra
polaridade na arte renascentista é a espiritualização e a materialização. Ao
mesmo tempo em que os homens tinham aquela ânsia pela espiritualidade.
Botticelli é o artista específico dessa tendência. Buscavam a espiritualização
pela fé, mas também era uma época materialista e realista. Ao mesmo tempo que
valia a riqueza e o poder, também valia o espírito e a fé.
No
quadro: Cristo Deposto, de Andrea Mantegna, o artista interpretou o outro lado
do renascimento, mostra realista de uma forma tão real que choca. Mostra o
inchaço que precede a putrefação da matéria. O corpo está inchado. Cristo está
deitado, morto, quase em putrefação.
As
Esculturas do Quatrocento.
Em
Florença, um dos maiores nomes do Renascimento foi Michelangelo, que tem como
destaque a obra: Davi. Ele pegou essa obra no início e terminou-a. mostra a
desproporcionalidade em algumas partes do corpo, mãos, pescoço, com
deformidades anatômicas, mas na realidade Michelangelo, calculou com a ilusão
de ótica, poque a obra tem 6 metros e era para ser colocada a 15 metros de
altura e para ser vista de baixo para cima. A este ângulo, as imperfeições
desaparecem.
Como
o Partenon, que foi feito para ser visto assim, de baixo para cima.
Michelangelo, tinha como característica desviar a atenção do modelo em uma
parte do corpo da obra. O restante fica mais leve e mais descontraído, enquanto
que no rosto há uma tensão.
O
Túmulo da Família dos Médici, apresenta que foi trabalhada a arte sacra. A
morte está representada como um general romano e as figuras do dia e da noite.
Nas figuras femininas, em baixo, apresentam os corpos deformados, usando o
titanismo.
A
obra: El Condochieli, o condutor, de Verróchio, mostra em suas obras o trabalho
do titanismo viril, um volume enérgico, tanto do condutor como do cavalo,
figuras fortes, o conjunto é marcado por densidade intencionada. Com postura e
ao mesmo tempo aparece o titanismo e a fragilização da figura humana.
O
Rei Davi, de Donatelo, mostra a tendência de fragilização humana. Donatelo
possuía amizades enérgicas com homens. A sexualidade marca a característica
frágil de Donatelo.
A
Portas do Batistério, de Ghiberti. A entrada da Catedral de Florença, mostra
passagens bíblicas e inaugurou uma nova possibilidade de aproveitamento do
espaço no alto relevo. A escultura das portas modelou 6 painéis. Empregou no
relevo os princípios da pintura, sugerindo diferenças mínimas nas figuras bem
delineadas no primeiro plano e a medida em que o observador vai se afastando,
as figuras ficam menos delineadas, para mostrar a ilusão de ótica e algumas
somente com nas silhuetas. Sentido de profundidade. A novidade foi usar essa
prática que existia na pintura, usando
no relevo.
A
Cúpula da Catedral de Florença, foi projetada por Brunelleschi, no início era
gótica mas foi transformada em renascentista. O modelo foi romano, mas as
características da época renascentista. O modelo da cúpula marca a época.
Palladium
também usou este modelo de cúpula em palácios rurais e prédios civis. O
primeiro arquiteto que procurou combinar com elementos da arquitetura grega e
romana. Fez em residências que não tinham fachada principal. Tinham apenas
escadarias e em baixo o porão para escravos. Sempre tinha um grande salão que
era o ponto central e a cúpula em cima. Ele combinou o monumento com o ambiente
externo. Colocava o palácio no meio do jardim. O jardim como elemento de
valorização para o conjunto da arquitetura. E no jardim, ele interpreta o
racionalismo externo, por serem feitos os canteiros pelo homem, como forma
geométrica. Onde não é a concepção do homem se adaptar a natureza. E sim do
homem transformar a natureza no prazer. Uma natureza domesticada. Concepção de
que a natureza deve ser melhorada pelo homem. Para ela ser agradável ao homem.
Estes palácios eram comprados pela burguesia. A burguesia tinha inveja da vida
da nobreza tinha no campo. A burguesia queria se aristocratizar.
O
Cinquecento.
Período
que vai de 1500-1600, século XV. Ficou concentrado em Roma, transformou-se em
um grande centro artístico e isso teve a ver com a igreja e sua situação, que
estava muito fragmentada. Momento de grandes divergências. Havia 3 Papas. Um em
Roma, outro na França e outro na Alemanha. Eles se odiavam a ponto de
descomungar todo mundo. No final do século, os grandes sacerdotes começam a
retomar o controle da cristandade. Roma já estava mais centralizada e isso
representou um ingresso de mais recursos. Criaram o dízimo, que são 10% dos
recursos dos católicos, que devem pagar para a igreja. Roma torna-se um grande
centro financeiro e para movimentar a dinheirama, eles criaram bancos por todos
os lugares. Essa é a base material que explica como Roma conseguiu atrair tanta
gente para trabalhar na cidade. No século XVI, aparecem os grandes artistas que
vão trabalhar para a igreja: Leonardo Da Vinci e Michelangelo.
Leonardo
da Vinci – fez a Santa Ceia, uma de suas 8 grandes obras. Ela está num mosteiro
em Milão, na Itália. Foi contratado para trabalhar em Roma. Ele era um artista
diferente por ter múltiplos interesses científicos e culturais. Se interessava
por tudo: física, medicina, botânica, engenharia, etc. Fez poucos quadros e
todos foram considerados obras-primas. Ele só pintava depois de muito estudo,
leitura e cálculo. Ele considerava o quadro produto de uma reflexão.
Quadro:
a Virgem dos Rochedos – de Leonardo da Vinci, inaugurou a técnica de usar a luz
e a sombra. Como captar a luz, resultado de seus estudos, e o uso da ótica, dos
efeitos de luz e dos objetos. Ele usava para fazer os seus quadros. A luz vem
da esquerda e ilumina uma parte do ambiente. O rosto da virgem e de outras
partes ficam escuras. O plano de fundo era caótico. A polaridade básica de
Leonardo, são os dois planos, o 1º plano racional e o 2º plano irracional. A
obra tem no 1º plano, de frente, figuras serenas, tranquilas e equilibradas. Bem
distribuídas e isto representa a razão e o controle. Tem luz. O 2º plano é o de
fundo, onde mostra que é sombrio, não tem luz, é o lado irracional, a natureza
é caótica, e é o outro lado do homem, o lado desconhecido. O 1º plano é
parecido com os outros artistas pois apresenta características renascentistas.
O 2º plano são as características do artista Leonardo, somente dele.
A
interpretação de Freud para este quadro foi feita sob uma análise através de
uma carta que Leonardo escreveu para o seu amigo contando que tinha se perdido
no mato. Freud disse que isso foi uma experiência traumática da infância. Então
quando Leonardo pintava cavernas, estava na verdade querendo liberar tensões
psicológicas do trauma. A História real de Leonardo é que quando criança se
perdeu mesmo em uma floresta com muito mato e mais tarde escreveu isso numa
carta contando para um amigo.
O
quadro: Santana, a Virgem Maria e o Menino Jesus, de Leonardo da Vinci, foi
interpretado por Freud e por Gombrich. O 1º plano da frente apresenta
serenidade, sobriedade, equilíbrio e luz. O 2º plano é sombrio, montanhoso e a
natureza é brava.
A
história real de Leonardo, é que ele foi filho de seu pai com uma camponesa e
depois o pai dele se casou com outra mulher e a mãe entregou o filho para essa
outra mulher, a madrasta de Leonardo.
A
interpretação de Freud, diz que o menino Jesus do quadro, representa Leonardo,
a Santana é a igreja e a Virgem Maria é a mãe. Onde ela procura resgatar o
carinho, mas é tarde porque ela escolheu outro objeto de afetividade que é a
ovelha e Leonardo está apegado pelo afeto da outra. Trauma infantil de
Leonardo.
A
interpretação de Gombrich, aconselha olhar o cordeiro como símbolo nos outros
quadros da época. Pelos outros artistas e pela igreja, a ovelha era o
sacrifício. A virgem estaria simbolizando a mãe sabedora do destino do filho,
que procura com amor livrar o filho, e a Santana significa a igreja dizendo que
ele teria que ser sacrificado para dar a salvação a elas duas, parecendo que
queria afastar a mãe do filho, por questão vantajosa de salvação a elas.
La
Gioconda, ou Mona Lisa, ou Monalisa, de Leonardo da Vinci, repete a polaridade
de 1º plano de frente com serenidade, tranquilidade da figura humana calma, com
auto controle. No 2º plano, de fundo, aparece o tumulto, as montanhas e o
sombrio. Muitas leituras foram feitas em função dessa obra.
A
leitura da homossexualidade: uma das interpretações que Leonardo teria feito o
seu auto retrato, por ser mais velho, e aparenta rejuvenescimento, ele na
figura de uma mulher. Também porque tinha muitas amizades masculinas e
coloridas. Ao que se sabe que era homossexual.
A
leitura da ironia: apresenta que a obra está na teoria da contestação do poder,
do sorriso, e o olhar debochado. A figura parece burra, mas sabe de tudo que
está acontecendo e ironiza com o olhar e leve sorriso.
A
leitura da burguesia: Leonardo colocou a arte a serviço da burguesia, pois
ornamentavam as paredes dos palácios com quadros. Colocou o seu talento e
serviço a disposição do capital e mostra por um lado que corteja o poder. Pois
ele fazia o melhor que podia. O poder podia comprar o tempo do artista, mas o
poder não podia comprar a alma do artista.
Quadro:
A Leda e o Cisne, de Leonardo da Vinci, é uma pintura perdida, que foi
atribuída a Leonardo, mas tem imagens diferentes e acham que foi de uma época
da escola, foi usada a técnica dele, pois somente os rostos e as crianças
possuem as características dele, mas a paisagem não possui as características
dele. Interpretamos o cisne seduzindo a Leda, e as crianças são o apelo do
erotismo.
Outro
artista é Michelangelo, considerado mais completo que Leonardo da Vinci, porque
ele pintava, esculpia e escrevia tudo. Se titulava mais como escultor. Uma das
suas obras mais famosas é a Pietá, a piedade, em mármore, de 1504. Está em
Roma, na Basílica de São Pedro. Essa obra mostra a polaridade entre a vida e a
morte. A Virgem Maria é a Vida e o cristo que está em seus braços é a morte. Ao
mesmo tempo em que ela compadece, se conforma, tem o rosto passivo que não
revela muito, mas a mão é de conformidade.
A
Escultura de Moisés, de Michelangelo, é uma obra em mármore, que era para ser
colocada no túmulo de Júlio II, mas somente ficou pronto o Moisés. A polaridade
aparece entre o movimento e o repouso. Moisés olha para algum lugar, parece que
ele levanta e a tábua escapa um pouco do braço. As guampas são raios de luz que
não tem como esculpir.
A
Pietà Rondanini, de Michelangelo é uma escultura em mármore e apresenta o tema
de quando Cristo foi recolhido da cruz. O Cristo é o auto retrato de
Michelangelo, só que, com o nariz arrumado.
ARTE
BARROCA.
A
Arte Barroca surge no início do século XVI e foi muito importante no ponto de
vista político do Absolutismo Monárquico e no ponto de vista religioso. O
governo estava querendo se afirmar com o Absolutismo autoritário e forte na
Europa (França, Itália Espanha e Portugal).
No
ponto de vista religioso estava a Reforma Religiosa que estava bastante
vinculada com a arte. Porque Roma quis concluir logo as reformas da Basílica de
São Pedro. Mas uma das causas da Igreja foi arrecadar fundos para a campanha da
cristandade para terminar as obras da Basílica de São Pedro. Nessa campanha, o
Vaticano iniciou a VENDA DE INDULGÊNCIAS (que era um perdão antecipado dos
pecados), que tinha sido criado na época das cruzadas. Antes, as indulgências
eram dadas aos guerreiros das cruzadas, mas agora estava sendo vendida
(comercializada). A comercialização foi tão escancarada que a igreja contratou
empresas bancárias para vender as indulgências com desconto e com preços
nominais. A igreja iniciou a venda na Alemanha, por que lá a igreja era muito forte
e tinha grandes quantidades e extensões de terras. Mais ou menos 2 terços do
território era da igreja.
Foi
quando surgiu um Monge de nome MARTINHO LUTERO, que ficou indignado com essa
negociata e começou a criticar a igreja católica em seus sermões. Criticava
severamente, condenava o procedimento de venda de indulgências e atribuía as
responsabilidades daquele desvio de conduta da igreja pelo luxo e riqueza que
ela tinha acumulado. Lutero queria saber porque a igreja não podia voltar a ser
pobre. O Papa ficou sabendo e mandou chamar Lutero para que ele se retratasse.
Obrigando a ele obediência, mas ele se negou e confirmou a crítica da igreja
católica ao Papa que descomungou Lutero. Lutero se surpreendeu com o apoio que
recebeu de diversas classes sociais. Lutero foi visto como herói alemão. A
nobreza alemã, a burguesia e os camponeses estavam em apoio a Lutero, mas com
motivos diferentes.
A
burguesia queria a separação do catolicismo alemão do catolicismo romano, mas
na verdade todos queriam se separar da igreja romana. A burguesia queria porque
se ocorresse o desmembramento da igreja, não precisariam mais pagar o dízimo e
assim, ficaria mais dinheiro na Alemanha do que iria para Roma e a burguesia
poderia fazer mais coisas com o dinheiro.
A
nobreza queria tomar muitas terras da igreja porque a igreja tinha muitas
terras na Alemanha. A nobreza queria a separação da igreja para tomar as terras.
Os
camponeses acharam que ele era o salvador dos pobres. Com tanto apoio, Lutero
fez mais críticas a igreja e estabeleceu uma nova doutrina. A Bíblia era
escrita em Latim e Lutero traduziu-a para o Alemão. E começou a ideia de que
não só os pobres podiam ler, e sim todos poderiam ler e interpretar a Bíblia.
Lutero começou a criticar os dogmas e procedimentos dos fundamentos da igreja.
A igreja tornava-se intolerante a Lutero. A crítica ao Papa foi a
infalibilidade, como que o Papa era infalível, não errava e não podia errar.
Lutero disse que era impossível uma pessoa humana não errar, mesmo sendo um
Papa. Os outros dogmas combatidos eram os Sacramentos (7), pois para ele
somente o Batismo e a Eucaristia, já bastavam, os outros poderiam ser retirados,
não tinham necessidade: (a ordenação, o casamento, a extrema-unção,
infalibilidade do Papa, crisma e a penitência). Lutero dizia que os sacramentos
eram um jeito da igreja para ganhar dinheiro, cobrando cada um dos sacramentos
como cada serviço. Outra coisa improcedente era culpar os santos e fazer cultos
aos santos. Uma outra crítica era o fausto, a riqueza, o luxo e o acumulo de
ouro que a igreja praticava. Pois para Lutero a igreja deveria ser pobre,
voltar as origens, porque isso era ser responsável pela imoralidade e
ostentação. Lutero foi descomungado pela igreja católica, mas ele continuou
cristão, acreditando em Deus, lendo a Bíblia e fundou uma igreja e uma nova
religião.
O
LUTERANISMO e a Igreja Luterana. Teve muito apoio da burguesia, nobreza e dos
camponeses. Isso foi parte da Reforma Religiosa e este exemplo influenciou
muita gente. Ocorreu a Reforma Religiosa.
Lutero
fundou o Luteranismo na Alemanha.
Calvino
fundou o Calvinismo na França.
Rei
Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana na Inglaterra.
Assim
cada um ficou com o dízimo e não repassar para o Papa. Quando a igreja romana
se deu conta, mais da metade da Europa estava fora da igreja de Roma e isso a
preocupou muito com a perda de fiéis. A igreja de Roma convocou então o
CONCÍLIO DE TRENTO, onde a pauta era fazer uma avaliação, para ver o que estava
acontecendo e o que poderia ser feito. Demoraram 10 anos para fazer a
avaliação. No final, concluíram que não erraram em nada e que Lutero é que
estava errado. Que a Igreja estava sempre certa, que o Papa era infalível, que
os 7 sacramentos eram sagrados e não poderiam ser alterados e o culto aos
santos deveria continuar. Principalmente o culto a Maria, e que a igreja
deveria ficar mais poderosa e rica. Para isso ela deveria arrumar mais
dinheiro. Para compensar foram conseguir fieis em outras partes do mundo e de
outros territórios.
Nessa
época (1504), Portugal estava iniciando a colonização ao Brasil. A Espanha
estava iniciando a colonização do México. Neste Concílio, a Igreja decidiu
acompanhar essas colonizações. O Concílio de Trento estabeleceu uma ordem:
A
COMPANHIA DE JESUS. Foi fundada pelo Padre Santo Ignácio de Loyola e mostrou
que estava preparado para sair e colonizar, com o objetivo de conseguir fieis,
catequisar os índios da América, o gentil da África e os hindus da Índia, todos
povos considerados primitivos.
A
igreja entendeu que precisavam colocar a arte a serviço da catequese e essa foi
uma conclusão importante no Concílio de Trento. A arte seria o auxílio da
catequese. Por isso o Concílio de Trento foi importante para a Arte Barroca. O
conselho aconselhou a ordem dos Jesuítas, que sempre que possível usassem a
arte como instrumento de auxílio na catequese. O problema da arte
renascentista, é que era pouco adequada para este objetivo da igreja. A arte
renascentista era muito intelectual e racional. A igreja achava que esses povos
eram muito primitivos para esse tipo de arte. Eles não iam entender porque
precisavam ter uma certa cultura e um pouco de elaboração mental e a igreja não
queria que as pessoas pensassem muito. Os jesuítas saíram frenéticos do
Concílio, pois queriam arrematar os fiéis pela religião. Precisavam de uma arte
que emocionasse o fiel.
A
música sacra tinha que ser de um ritmo mais forte, com mais quantidades de
acordes para a pessoa vibrar mais. A música renascentista não era adequada
porque era lenta e calma. Quanto mais forte e mais vibrante, a pessoa ficava
atordoada. O discurso também tinha que ser rápido e com muita empolgação e os
padres sabiam fazer isso muito bem. Os jesuítas foram treinados com cultura,
saber música, pintura, escultura, conhecimentos universais e passavam um pouco
de trabalho nessa preparação. Assim foram formados na Europa para estarem bem
preparados.
A
PINTURA E A ESCULTURA BARROCA.
Na
Europa e no Brasil, a igreja precisava buscar novos fieis. Na Europa ocorre o
Movimento de Contra Reforma da igreja católica. Além do esforço que a igreja
tinha que fazer para catequisar os habitantes da África, Américas e Índia. Nas
Américas estavam iniciando os movimentos de expedições, pelo expansionismo de
Portugal e da Espanha. Eles tinham que acompanha e usar a arte para aplicar e
reforçar a catequese. O problema era reforçar a moral da igreja. A arte veio
para reforçar, dar êxtase, empolgação e vibração. A dúvida era se a arte seria
realista ou surrealista, esse era o novo dilema. Optaram pelo realismo para
alguns casos e o surrealismo para outros casos.
A
arte realista foi seguida pelo modelo de Caravaggio. A igreja escolheu esse
pintor que usou o princípio de Leonardo da Vinci, que era trazer a luz e
aplicar os efeitos da luz na pintura. A luz clareava tudo, deixando os
elementos nítidos do quadro. Aplicaram o jogo de movimentação mostrando uns
elementos e outros não. A luz mostra apenas uma parte e isso torna a obra mais
movimentada. Mais expressiva por que a luz produz volume e provoca uma
realidade misteriosa. Misturando o claro e o escuro a luz provoca uma descrição
da realidade misteriosa. Porque uma parte é visível e a outra é oculta e isso
cria uma tensão dentro do quadro. Caravaggio desenvolvia uma pintura de punho
muito realista, com temas religiosos, usados da forma realista. Faziam com que
os personagens religiosos, descessem do céu e recebessem formas humanas.
Retirando do tema religioso a santidade e a proposta de dessacralizar o tema.
Trazer o tema religioso para uma interpretação realista.
Quadro:
A Visita dos 3 reis Magos, de Caravaggio. A Virgem Maria é retratada como uma
camponesa rústica, uma pessoa real. Os reis magos perdem a auréola, o luxo e o
requinte. São retratados como pessoas simples, com traços físicos de rostos
daquela época, mais modestos, pobres e próximos da realidade. O artista
procurava modelos vivos do submundo para dar o tom realista em suas pinturas.
Os 3 reis magos parecem mendigos, pobres e bebuns de uma taberna. Caravaggio,
não elimina completamente a auréola, mas deixa ela bem oculta a 1ª vista. Só
que de perto é possível vê-la. Os rostos são sofredores.
Quadro:
a Virgem com o Menino, de Caravaggio. A luz vem de um lado e deixa o resto
escuro. Caravaggio coloca a Virgem em um ambiente pobre, onde as paredes estão
perdendo o reboco. A Virgem mostra o menino para um casal pobre de camponeses e
não para o Papa. Uma pintura comprometida com os plebeus, que foram escolhidos
como modelos para a obra. A população se identifica com o quadro.
Quadro:
A Deposição de Cristo, de Caravaggio. Observa-se deformidade física no corpo,
pés grandes, mas a realidade do corpo de Cristo, cabeça enorme, braços longos,
gesto dramático dos personagens, como se eles estivessem clamando ao céu por
piedade. Essa pintura foi qualificada porque a população iria se identificar
com os personagens e a igreja poderia arrematar esses fieis. A igreja não
poderia vulgarizar-se. Essa arte barroca foi uma arte encomendada para enfeitar
os mosteiros, as ante salas, e mostrar exemplo de se conservar na pobreza e na
humildade.
O
outro modelo é o SURREALISMO. Modelo em que some a sensualidade. O modelo da
pintura de Ludovico Carracci, é surrealista, além do real. E de seu irmão
Agostinho Carracci. Suavizaram as cores, suavizaram a pintura, tem um gesto
delicado, uma expressão suave e serena, de um olhar calmo que adotaram como
técnica. O quadro fazia uma composição com 2 planos.
Quadro:
A Virgem com o Menino, de Carracci. Começou a fazer o quadro com um composto de
2 planos. A 1ª cena é terrestre e os personagens vivem na terra. O plano
superior é cena celeste, as nuvens, através de uma apoteose, revoada de anjos.
Os Carracci se propõem a dar uma ideia, através do quadro, de que há um
aparecimento de um anjo, uma visão da Virgem Maria. Movimentação no quadro, o
que se passa aqui na Terra. Estimular no fiel o estado de espírito, para ter
essas visões místicas. O fiel via essa pintura quando ia a igreja.
Quadro:
A Extrema Unção de São Gerônimo, de Agostinho Carracci. A igreja reforçou o
tema do sacramento e aconselhou que ele fosse bastante explorado. Mostra os
anjos olhando para uma aparição. A pintura foi considerada muito apropriada
para o objetivo da igreja. Estimulando a espiritualidade para esse tipo de
experiência. Interpretaram o tema Bíblico como
igreja pediu.
Quadro:
A santíssima Trindade, de Tiépolo, para o Papa Clemente VII. O Papa estupefato
tendo uma visão. Foi usado o modelo de Carracci. Representa o Papa vendo uma
aparição celeste, onde ele presencia a santíssima trindade. A igreja queria
ornamentar as paredes e o teto com estas pinturas para criar um ambiente mais
real para o fiel pensar que poderia ter uma visão também e arrebata-los para a
igreja.
Quadro:
A Apoteose de Gregório II, de Claudio Coelho. O Papa subindo aos céus, rodeado
de anjos, tendo ao seu lado o Arcanjo Gabriel com a espada de fogo lutando
contra o demônio. A luta entre o bem e o mal e a apoteose é o Papa subindo para
o céu.
Quadro:
São Francisco, de Mazzoni. São Francisco foi o grande tema do barroco. Este foi
pintado pelo italisno Mazzoni, seguiu o modelo de Caravaggio. Mostra uma
expressão de desespero com a tensão no rosto. Imagem intensa. Imagem que ia
para o quarto do padre.
Quadro:
São Francisco, de Zurbarán. O santo está vestido mal trapilho, calmo e é
molambento.
Quadro:
O Martírio de São Bartolomeu, de Diego Rivera. Mostra o sacrifício do santo.
Quadro:
Maria Imaculada, de Murilo. Tema consagrado que mostra o dogma da concepção de
Maria, sem o pecado, a única mulher que nasceu pura.
Quadro:
Imaculada Conceição. De Alonso Cano. Aparece pisando em uma serpente e no fundo
uma lua minguante. A Virgem Maria é a única mulher que viveu livre do pecado
original.
PINTURA
DE TETO BARROCA.
A
pintura que deveria ser vibrante, tensa e colorida, surrealista e com
combinações primárias, apresentar gesticulação nervosa, muito movimento,
agitação e toda essa loucura nervosa. Os tecidos teriam que ser esvoaçantes. O
tem preferido é a apoteose. O clímax e o lugar preferido é o teto da igreja.
Mostrar a figura divina subindo ao céu. Com todos os anjos e querubins, como se
fosse um paraíso, brilhante, agitado, com figuras e cortejo, tocando
instrumentos divinos, em movimento como se o teto não existisse e sim é o céu.
As figuras se ligam as colunas que sobem do chão ao teto, para ligar a paisagem
toda. Para dar aparência que a cúpula vai indo mais não tem a tampa do teto, é
o céu. As cores são fortes, azulão, amarelão, e os olhos das figuras são
arregalados.
BARROCO
NO BRASIL.
O
estilo teve presente no mundo todo, mas em cada região em que ele foi aplicado,
ocorreram mudanças pela mentalidade do local. O barroco de MG foi adaptado e
teve grande participação, foi um barroco com estilo mais mulato. A maioria dos
artistas que interpretaram o barroco europeu, usaram a sua visão de mundo e o seu
jeito, cada um tinha um jeito. Aprenderam a pintar do modelo europeu, mas após
isso usaram os seus trabalhos feitos a sua maneira.
O
Athaíde, mudou as cores do barroco que eram o amarelão, azulão e o vermelhão, e
começou a usar cores mais suaves, como tons de creme, rosa, castanho, branco e
marrom. Criou cores diferentes, não seguiu o padrão. No quadro da Virgem,
pintou ela como mulata mesmo, com cores e traços de negra, com vestes
grosseiras e rústicas, na volta os anjos estão com a pele mais escura, com o
cabelo pixaim e um ambiente com luz castanha. Na época pensaram como que
poderiam usar essa obra se a ordem da igreja era branca e não negra. Há várias
hipóteses de formular a aceitação deste quadro na época. Na região de Ouro
Preto não havia nenhuma ordem religiosa, porque naquela época não poderia
instalar uma ordem religiosa lá, porque Portugal retirava ouro da região e não
queria concorrência com a igreja. Os padres que lá estavam, não entendiam nada
da situação, somente catequisavam os escravos de lá. E os escravos de lá também
não entendiam nada sobre a extração do ouro. Nessa região tinham negras muito
bonitas e muitas pessoas escravas ou da igreja passavam mais o tempo na
perversão do que no entendimento da sociedade. A obra da Virgem negra passou
desapercebida, pois ninguém se responsabilizou e ninguém fiscalizou, porque não
tinha fiscalização nenhuma. Outra hipótese é que Portugal queria o povo todo
unido por que se houvesse uma invasão da Inglaterra, precisava do povo unido.
Portugal mandou que todos os brasileiros fossem aliados e lutassem junto dos
portugueses e por isso fizeram vistas grossas a este quadro, assim não criavam
caso com os mulatos e os brasileiros pensassem que Portugal fosse irmão.
O
problema entre Portugal e a Inglaterra é que Portugal estava devendo para a
Inglaterra e a qualquer momento ela poderia cobrar ou atacar.
Quadro:
A Santa Ceia. Apresenta muita pobreza, o ambiente é bagunçado, os apóstolos
parecem taberneiros, o pão é um naco de pão, o vinho não é um cálice, é uma
jarra e o carneiro foi destroçado, uma comemoração popular. Há personagens que
estão entrando e saindo da cena e uns olham para trás como se tivesses outros
lá.
ARQUITETURA
BARROCA.
O
ornamentalismo barroco é a expressão da igreja e coincidiu com o período de
restauração da igreja. Se apresentou com o momento de ornamentalismo e
monumentação do tamanho da igreja. A sua rica e variada ornamentação mostra o
momento de poder da igreja.
A
Igreja de Santiago de Compostela, na Espanha, é o exemplo típico dessa
ornamentação. Toda a superfície é esculturada. A faixada é esculpida com
figuras de anjos, flores e frutos. Não são em todos os lugares que o barroco é
igual ou seguiu um modelo. Ele se particularizou de forma diferenciada, não
seguindo os padrões. O ornamentalismo é geral, mas os tipos são diferentes
dependendo do lugar.
Na
Alemanha a expressão da riqueza foi o material. Escolheram o mármore colorido,
mas não o branco. Escolheram também usar muito metal, tanto vazado como de
fundo trabalhado artisticamente com grande ornamentalismo para identificar o
poder. O ornamento era associado com o poder, símbolo da força e de poder. A
pintura era intercalada com espaços pintados e espaços brancos para dar o jogo
dos opostos.
Em
Portugal, a ornamentação interna foi feita com madeira. Cobrir as paredes todas
com muita madeira, fazendo grandes estruturas de madeira e de preferência
pintadas com dourado. O elemento cor é muito forte e importante. A cor ouro ou
dourado, é sinônimo de riqueza. O interior das igrejas era todo amarelo, a
visão fica sobrecarregada e a ornamentação desvia a atenção para esta riqueza.
Esta decoração impressiona pelo colorido, mas não permite que se preste a
atenção nos detalhes. O princípio geral do barroco era a contraposição das
coisas e acima contraria com o princípio.
No
Brasil, as igrejas foram erguidas no litoral da Bahia, onde há inúmeras delas.
O modelo foi copiado do europeu. A faixada toda é decorada. Não tem nada liso.
As marcas na faixada são várias: folhagens, humanos, frutos, guirlandas, etc. A
decoração no interior é toda em dourado como na tradição portuguesa.
O
barroco se particularizou em MG, porque lá se caracterizou com a região. A
maior parte são pequenas igrejas ou capelas com a parte externa simples e
internamente muito ornamentadas. Nas igrejas mineiras tinham como
características sua parte externa muito simples, com o predomínio do liso, e na
parte interna bastante ornamentada. Essa particularidade do barroco mineiro
pode ser explicada por vários motivos. A parede era levantada com 2 escoras e
essa parede era feita de barro socado, por isso houve a discrepância de simples
por fora e ornamentada por dentro. Existiram poucos artistas para trabalharem
com pedra e levava tempo. E aqui eles queriam que as igrejas fossem levantadas
rapidamente e depois ornamentadas por dentro. Quem encomendava as igrejas eram
as sociedades de confrarias. Existiam confrarias de brancos e confrarias de
negros e cada uma queria a sua própria igreja. Até porque cada uma tinha o seu
próprio padroeiro e era para ele que erguiam as igrejas. Ao contrário do
barroco europeu. Cada uma das confrarias queria ter uma igreja mais bonita que
a do outro e isso desautorizou a tese do simples por fora e rica e ornamentada
por dentro. Se eles pudessem triam ornamentado por fora, mas esse catolicismo
não existia em MG.
Nas
igrejas da Guatemala, e em alguns lugares das Américas, as faixadas são em
pedra como no estilo europeu. Então formou-se a tese que a simplicidade no
Brasil, foi por falta de recursos ou o desvio de grande parte destes recursos. No
México e na Bolívia, tem igrejas lindas por fora e por dentro.
A
Igreja da Ordem de São Francisco, em Ouro Preto, em MG, dos padres
franciscanos, é uma das mais belas e importantes igrejas de Ouro Preto. Ela foi
esculpida e pintada por Aleijadinho, que fez a Virgem mulata. O padrão da
igreja é sempre um retângulo de pé. Aqui tinham o mesmo padrão, porque eram
copiadas umas das outras. O barroco é amarelo e o rococó se caracteriza pela
diversidade de cores. É um barroco suavizado, porque o barroco mesmo é muito
cansativo e pesado, no exagero do branco com dourado.
BARROCO
E O ROCOCÓ.
A
exuberância do barroco serviu para a corte, para os reis nos palácios e para a
igreja. Expressou o poder dos reis e da igreja. O Rococó se encaixa por ser a
continuação do barroco real. Laico e usado pela elite, o Rococó segue os
princípios da beleza, mas ele foi suavizado, com cores mais suaves, mais
claras, na medida em que o poder dos reis foi mais centralizado. A vida na
corte se tornou mais sofisticada. Requintada com mais etiquetas. O Rococó é o
símbolo e a expressão da nobreza. Era a parasitaria de quem não tinha o que
fazer. Somente se divertir, jogar, fofocar, dançar, beber, festejar e fornicar.
A arte mostra a futilidade que a nobreza dependia do rei para sobreviver. Isso
ocorre em meados do século XVIII, 1700 - 1750. O Rococó vem de Rocaie, na França
e um dos artistas que se destacam é Watteau. Que mostra 2 tipos: a cena íntima
e cenas do cotidiano elegante. A cultura do Rococó é feita em pequenas obras.
Quadrinhos, típico do Rococó francês. A diferença do barroco e do rococó são as
cores.
Quadro:
Os Encantos da Vida, de Watteau. Mostra as pessoas bem elegantes convivendo com
a natureza e desfrutando do divertimento, uns conversando e no fundo outro
grupo se divertindo.
Quadro:
Embarque para Cythera, de Watteau. Era uma colônia de férias. Eles saíam da
corte para fazer piquenique neste local.
Quadro;
A Bela Adormecida, de Boucher. Mostra a elegância na vida pastoral com os
camponeses copiando a pose da corte. O que difere é a roupa que é grosseira. As
figuras desfrutam um momento de descanso.
Quadro:
Diana a Caçadora, de Natier. A especialidade dele era retratar a corte como
personagens da Mitologia.
Quadro:
As Banhistas, de Fragonard. Mostra o padrão de beleza que estava na moda.
Quadro:
O Balanço, de Fragonard. Mostra o passatempo elegante.
Quadro:
O Casal Graham, de Gains Borough. É do estilo do Rococó inglês.
Quadro:
A Senhora Graham, de Gains Borough. Também do estilo rococó inglês.
Quadro:
A Conversa no Parque, de Gains Borough. Também do estilo rococó inglês.
NEOCLÁSSICO
OU NEOCLASSICISMO.
Fonte: Arquivo pessoal.
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