quinta-feira, 13 de dezembro de 1990

História da Cultura Artística I.

HISTÓRIA DA CULTURA ARTÍSTICA I

Programa:
- Arte grega.
- Período Arcaico,
- Período Clássico,
- Período Helenístico,
- Influências da Arte Grega no RGS.

- Arte Romana:
- Período Republicano,
- Período Imperial,
- Período Helenístico,
- Influências da Arte Romana no RGS.

- Arte Medieval:
- Arte Românica,
- Arte Gótica,
- Influências da Arte Românica e Gótica no RGS.

- Arte Renascentista:
- O quatro cento,
- O cinquecento,
- Influências da Arte Renascentista no RGS.

- A Arte Barroca:
- O Barroco e a Contra Reforma,
- O Barroco e o Absolutismo,
- O Barroco no Brasil.

Bibliografia:
BAUMGART, Fritz, Breve História da Arte. São Paulo, Martins Fontes, 1994.
GOMBRICH, E. H – A História da Arte. São Paulo, Zahar, 1984.
HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte, São Paulo, Martins Fontes, 1995.
JANSON, H.N. História da Arte, São Paulo, Martins Fontes, 1992.
Bibliografia Específica:
DOBERSTEIN, Arnold W, Mitologia, Heróis e Estatuária, Porto Alegre, Nova Dimensão, 1997.
DIVERSOS AUTORES, Saber Ver a Arte, (grega, romana, românica, gótica, renascentista, etc.), Martins Fontes, 1992.

O artista deve se dedicar ao seu dom, não se importando com outros problemas, mas em uma sociedade complexa e não numa sociedade simples. Os materiais do artista e a arte serão sempre um grande investimento. O surto artístico ocorre pelo suporte de motivações, ou seja um grupo político, social, religioso, estético, etc.

As obras foram feitas em grande quantidade e qualidade que até hoje servem para todos. É uma arte modelo, num grande surto do período em que aconteceu. Por volta de 700 a.C., a população grega vivia na Grécia continental. A polis era um perímetro urbano cercado por terra onde se desenvolviam atividades econômicas, o cultivo do azeite, do vinho e a criação de gado de pequeno porte. Houve um aumento da população e ocorreu a insuficiência alimentar. Uma polis era constituída por genos, que eram famílias compostas de parentes. Quando a situação apertou, alguns membros (parentes distantes) foram embora para outro lugar, procurar outras alternativas de vida, saindo da polis, para regiões próximas e estas dedicaram-se para 2 direções. Algumas foram fundar novas polis no sul da Itália, nas Ilhas Sicília e Córcega e começaram a se dedicar a agricultura pela terra ser mais fértil. Inicia a produção de trigo, grãos de centeio e aveia e puderam crescer por causa da produção de alimentos. A partir daí todos se estimularam pelas produções. Para trocarem as mercadorias precisaram construir barcos e desenvolver as técnicas de navegação. Uns tornaram-se manufatureiros, agricultores, mercadores, e ceramistas, pois precisaram de grandes vasos para transportar os grãos. Muitos chefes de famílias se dedicaram a produção das cerâmicas, que aumentou. Outros se dedicaram ao armamento porque aumentou a população e a necessidade de proteção, pois haviam saques e violências.
Em 530 a.C., ocorre a expansão dos gregos, que foram se espalhando pelos territórios, até que se chocaram com a Pérsia. O Império Persa era aliado aos fenícios. Os fenícios dominavam o comércio e a navegação desde o Egito. Atenas foi invadida porque era onde os gregos guardavam suas riquezas. Péricles, usou muito das riquezas para embelezar a cidade. Em Atenas ficavam os Eupátridas, os bem nascidos, proprietários de terras com plantações de olivas e de parreiras. Na assembleia, somente os aristocratas podiam participar, pois estes tinham poder político e eram donos de terras.

A arte grega tem o Período Clássico de 350 a.C. a mais ou menos 330 a.C. e se desenvolveu em Atenas, por ser mais desenvolvida no comércio. A prosperidade não abafava a rivalidade entre Atenas e Esparta. Elas eram as cidades mais importantes e as mais desenvolvidas, mas acabou dando uma guerra entre elas pelo poder. A Macedônia estava se tornando um império e queria se expandir, nisso iniciou o poderio militar e ela avançou até a Grécia, através dos líderes macedônios Felipe e Alexandre, o grande. Felipe vai ser morto e Alexandre assume o poder do pai. Alexandre vai promover um programa de conquista do oriente, mas para isso os gregos, precisavam brigar com os persas, seus inimigos tradicionais. Em 330 a.C., Alexandre conquista grande parte do oriente. Formando o mundo grego um grande império, nesta formação ocorre uma mudança política e inicia o helenismo, a expansão da cultura grega para o oriente. Antigamente a aristocracia estabelecia a sua política e participava ativamente. Depois de Alexandre, a aristocracia vai se retirando da vida pública. Alexandre conquista a Pérsia, muitos palácios e tesouros fabulosos. Apossou-se de tudo, transformou muita coisa em moedas para fazer um objetivo de ampliar o comércio e fazer um mercado comum, por onde os produtos pudessem circular livremente, sem barreiras para o comércio e facilitar a trocas internacionais e estimulada pela proteção do imperador Alexandre. Formou-se assim, uma nova classe endinheirada, novos ricos, não ligados a aristocracia. Esses novos ricos tinham misturas orientais e asiáticas. Na época helenística, surge esses emergentes e esses impõem uma nova visão mais sensacionalista e ocorre uma mudança substancial na cultura clássica. O helenismo vai sendo influenciado pelo erotismo, sexualidade e o exibicionismo pessoal. São feitas grandes obras e grandes e gigantescos monumentos. O Epicurismo era uma filosofia de existência de vida na terra que era para ser bem vivida, com prazer e com alegria. O Estoicismo era a filosofia do desinteresse pelo mundo e pelas coisas, abrir mão dessa busca de prazeres terrenos e de coisas materiais. Foi o que a aristocracia fez, se recolheu. A arte grega clássica continuou sendo produzida para aquele pequeno grupo aristocrático de gente culta, os estoicistas. A filosofia entra no momento em que o cristianismo está impregnado.   

A ÉPOCA CLÁSSICA GREGA.

A aristocracia ateniense começou a vender uma ideia de ideal e modelo que todos deveriam seguir. A aristocracia desenvolveu uma ideologia aristocrática e a arte foi um instrumento para essa sociedade. O modelo se compunha de bases ideais como o ócio com a dignidade, viver na ociosidade, não se preocupar e não se envolver com o trabalho manual, pois os aristocratas achavam o trabalho manual degradante e que o esforço físico devia ser para os escravos, os estrangeiros e para as pessoas que não tinham nobreza. A nobreza dizia que o trabalho não enobrecia. A aristocracia desenvolvia o trabalho intelectual, o tempo, o maior tempo possível para aperfeiçoar o espírito e que daí vinha a dignidade, pois só o ócio era reprovável. Ele deveria ser complementado por uma atividade considerada digna de um homem ideal, como fazer política. Era uma obrigação do cidadão participar das atividades políticas da cidade. A outra atividade considerada digna era prestigiar a cultura, as manifestações culturais, o teatro, a poesia, a filosofia, fazendo parte dos grupos. E tudo isso se refletiu na arte. Pois o ócio com dignidade está refletido na pose, que deveria ser feita sempre no jeito mais digno possível. Existia uma dignidade na postura da figura humana, por exemplo a figura humana tinha um lado degradante, mesquinho e isso era proibido retratar. A figura deveria ser reproduzida no seu momento de afirmação, nunca retratada deitada, doente, cansada e muito menos trabalhando. Teria que ser basicamente em pé e a pose deveria impressionar, pela sua grandeza, um corpo na plenitude de sua energia e saudável.

No tema dos atletas, como por exemplo temos o DORÍFORO, atleta lançador de dardos, cujo autor desta obra é Policleto, o atleta revela o ócio com dignidade, não revela cansaço muscular, nem exaustão física. Ele está no auge da força atlética, corpo saudável, robusto, enérgico, viril, elegante, sugere a força viril, com pose digna de representar um atleta vencedor, com pose olímpica, a pose mais digna é a pose de um vencedor. Ele não é retratado fazendo esforço e no rosto tem muita serenidade. Os atletas são encontrados em momentos de glória, procuram evidenciar a superioridade. Mostra o auge da carreira de atleta, força física, sóbrio, formas mantidas, condicionamento prefeito, expressão de serenidade, glorioso, como se estivesse no podium e medidas equilibradas.

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As deusas representavam as poses de protetoras dos outros, na época clássica eram vistas como proteção da cidade, uma pose respeitável e digna, com vestimenta pesada. Ao ser vista a imagem devia passar respeito. Demeter aparece sentada como digna e vestimenta respeitável. Como uma matrona. As roupas são sérias, trajes pesados, ar respeitador, são imponentes e majestosas, com poses dignas. O corpo de mulher que passou várias vezes por gravidez, tem obesidade, dignidade e moderação.

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Afrodite, aparece semi nua, o corpo aparece por debaixo da leveza do tecido, mas a pose dela não é escrachante, é digna.

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O outro ideal da aristocracia grega era a bonivalência existencial, a ideia de que os homens gregos deveriam ser bons em tudo, bons filósofos, bons soldados, bons atletas, bons oradores, na estátua do DORÍFORO, mostra o corpo de um bom atleta olímpico, no rosto a serenidade de um bom filósofo. Na estátua do DIADÚMENO de Policleto, o levantador de pesos, no corpo a musculatura mostra o esforço de levantar os pesos, mas no rosto muita serenidade que revelam sínteses contrárias. 

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O DISCÓBULO, arremessador de discos, do autor Miron, representou o corpo do atleta com o máximo de esforço físico muscular, e o rosto parece estar distante, não acompanha a expressão da força do corpo, pois deveria acompanhar. Isso é a síntese da obra mostrando os contrários. A ideia de bonivalência contrária do repouso dos movimentos.

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Outro ideal da aristocracia grega é a sobriedade e a moderação, procuravam ter um estilo de vida marcado pela sobriedade, o ideal desta aristocracia era se vestir sem espalhafato, com sobriedade, sem exageros, se alimentar sem exageros, comer com moderação, os hábitos de consumo deveriam ser sóbrios e equilibrados. O exibicionismo e a vaidade era reprovável. Por isso procuravam ser pessoas com medidas. Por exemplo o DORÍFORO é um atleta que segura a laça e levemente requebra os quadris. Um gesto moderado, não é um gesto espalhafatoso do atleta que vibra com a vitória. Ele é vitorioso mas ao mesmo tempo discreto. Não tem apelo erótico sensual.

Imagem repete a 1 a mão teria uma lança

As estátuas estão nuas, mas com sobriedade e moderação. As deusas guerreiras bem com o corpo coberto, com roupas pesadas, não tem apelo sexual. O nu explicito mostra a beleza do corpo atlético, com respeito a individualidade.

As deusas na época clássica tinham 3 tipologias com 2 estilos: o ESTILO  é o que a figura sugere, algumas deusas mostram força, energia, virilidade, características do Estilo Viril. Outras deusas mostram graça, beleza, doçura, delicadeza e elegância, são no Estilo Belo. Tipologia é o tipo de figura a que o grupo pertence e existiam 3 grupos: Deusas Guerreiras como a Palas Athenas. Deusas Matronas como a Deusa Deméter. E as deusas do amor como a deusa Afrodite.

Na tipologia guerreira, eram representadas no estilo viril, com expressão de serenidade, atitude enérgica e são um pouco masculinizadas, com braços largos, pescoço grosso, fisionomia dura, e todo o corpo coberto por roupas pesadas. A postura é de dignidade e protetoras impondo respeito.

Na tipologia matrona, Deméter também é chamada de Ceres, pelos romanos, simboliza as forças da renovação da terra, deusa da agricultura e da vegetação, encarregada das estações do ano, trazia a primavera, o verão, o outono e o inverno. O sentido é maternal, uma mãe zelosa. Retratada com o corpo largo e pesado, de uma mulher que passou várias vezes pela gravidez. Respeitosamente vestida, com pose digna, não tem vaidade, é o modelo de matrona, cuida do lar e dos filhos. Exemplo: Irene Deusa da paz.

Na tipologia do amor, representada principalmente pela deusa Afrodite, com atributos sensuais, sugerindo nudez, mas não tem apelo erótico, porque mostrava a beleza da nudez com o tom natural e não malicioso. O tecido desliza delicadamente sobre o corpo. O tecido sugere leveza, suavidade e transparência, sem que nenhum agente externo interfira na suavidade do tecido, um estilo belo.

Outras deusas mostram o corpo com apelo erótico, como por exemplo a Vênus Helenística dos romanos, que aparece com malícia, o artista procura ações que mostram oportunismo e estranhos observadores. A Vênus Calipígia (nádegas), sai do banho, com nítida pose de sedução, descontraída mostra as calipígias, características de um apelo erótico sensual.  

TEMA DOS DEUSES, eles foram muito explorados e foram usadas 3 temáticas com 2 estilos que mostram a tendência dos gregos conviverem com os opostos.

ESTILO VIRIL- estilo enérgico, destaca-se a força, a energia, a virilidade, evidencia o corpo humano. NETUNO – deus de meia idade, é retratado com energia forte, e a musculatura marcada com rigidez.

ESTILO BELO – figuras elegantes, sensuais, afeminadas, belas. APOLO é retratado com físico de nadador, relaxado e belo, musculatura solta.

OS OLHOS - Os olhares são dispersivos para os lados. Não tinham pupila porque a concepção, não podia sugerir comunicação entre a figura e o observador. Para dar a ideia que a estátua olhava para o seu interior ou para o horizonte, como se fosse cega, porque a verdade não estava no mundo, estava nas ideias. A figura estava voltada ao seu mundo interior, no intelecto, sem se dirigir ao espectador. Os olhos esverdeados eram chamados de glaucos, não os olhos verdes. O tecido aparece caído delicadamente, sobre o corpo, sem nenhuma brisa ou qualquer outra coisa tocando nela, como se a estátua não estivesse nesse mundo.

Um outro ideal na aristocracia grega era o RESPEITO PELOS IGUAIS. Nessa época a aristocracia grega acreditava que os homens não eram iguais e sim diferentes, mas do mesmo grupo. Os aristocratas andariam com aristocratas, os estrangeiros com estrangeiros e os escravos com escravos. Os homens viviam e se respeitavam mutuamente, pois para eles a humanidade não era igual. A aristocracia era uma coisa, os estrangeiros eram outra coisa e os escravos nem coisa eram. O grupo deveria se respeitar sem que um se destacasse mais. Não ao exibicionismo, não ao espalhafato, não a extravagância a não ser pelas virtudes sínicas. Ser o melhor soldado, ser o melhor orador, ser o melhor atleta, ser o melhor político. Essas características aparecem nas estátuas, como nenhuma estátua representa um indivíduo, o rosto não é individualizado. Não é um rosto de um atleta, não é o rosto de um político. É um rosto inexpressivo, sem traços de personalidade, nenhum homem histórico era para ser lembrado. Os gregos retratavam que não era um indivíduo, e sim todos. Ai aparece o respeito pelos iguais. Os homens não encomendavam estátuas com as suas caras esculpidas. O indivíduo não deveria ser exaltado em uma escultura. Por isso a arte grega do período clássico não retrata a realidade. Não é realista. Retratava uma ideia de atleta. Nenhum homem era perfeito com características perfeitas. O atleta que pousou para a obra não aparece, aparece a ideia idealista. O artista tinha que corrigir o que na natureza era imperfeito pois nenhum atleta tinha características perfeitas e o equilíbrio nas formas. A função do artista era alcançar a beleza perfeita. E aparece claramente a influência do pensamento idealista da filosofia grega. Uma ideia de que a verdadeira beleza não estava na natureza, mas está no mundo das ideias, só a ideia pode conceber a beleza perfeita. Para os gregos, na natureza não existia a perfeição, era tudo imperfeito. A arte representava uma ideia de perfeição, de pensamento perfeito.

Pitágoras – estabelecia que na natureza tudo são proporções. A beleza perfeita existe na possibilidade do homem de entender as proporções que existem entre as coisas. Esse pensamento pitagórico contribui para a arte. Na obra de Policleto, se a beleza está nas proporções, tu ve um corpo perfeito, imaginando proporções ideais.

PERÍODO HELENÍSTICO.

Alexandre, quis garantir e proteger o comércio, na época helenística, formou-se uma fortuna grande. A classe de novos ricos não tem ligamento com as aristocracias, que tinham descendência grega, mas com misturas orientais, de asiáticos e outros. O helenismo provocou uma mudança nos elementos da cultura grega a moderação da postura foi trocada, por uma visão consumista, sensacionalista, a aristocracia despendeu-se da vida pública e por isso a filosofia começou a tomar mais parte neste período. Desinteresse de bens materiais. Duas partes do mundo helenístico, um o novo rico, o outro é que o costume passou de moderado, para o consumista, para a diversão, prazer, por temas: os atletas. Os emergentes são os novos ricos, gostam de esculpir a desgraça humana.

A época helenística, possui apelo sensual, a moderação não existe mais, as deusas são liberais e sugestivas. Nesse período, exploravam a sensualidade, uma nova postura vai sendo adquirida. O artista quer tirar da imagem real, um apelo sensual. As deusas da época helenística, já não tem mais a dignidade da pose. Tem sensualidade, sexualidade, erotismo, luxúria e individualismo. Não tem mais dignidade. São liberais e sugestivas. Uma nova postura adquirida. Ocorre o apelo sensual. As deusas são mostradas na intimidade. Nessa época a sobriedade deixa de existir.

A deusa é mostrada na intimidade, tomando banho, sendo surpreendida por um inoportuno que está a observando na sua nudez e ela fica envergonhada e procura se proteger do inoportuno.

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Uma pose vulgar que tira da figura a dignidade. Em outra pose, mostra a deusa com o usurpador (tarado), ás vésperas do estupro, de ser agarrada. Ela aparece com a sandália na mão, para ameaçar ou se defender do usurpador.

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Nessa época, a sobriedade e a moderação deixam de existir. Começam a adorar e explorar esse sensualismo e a deusa Vênus, aparece tomando banho, saindo do banho, entrando no banho, com tema de banho da Vênus.

Os atletas são retratados em momentos de frustração. Derrota e humilhação. O tema do corredor que tira o espinho do pé, o artista capta o momento frágil, não tem a grandeza dos aristocráticos. O artista quer tirar prazer e desfrutar da desgraça dos outros. Outro atleta aparece sentado com o rosto cansado, expressão de abatimento, derrota e estressado, tem força mais a musculatura está cansada.  

INFLUÊNCIAS DA ARTE GREGA NO RGS.

Prédio da Prefeitura de Porto Alegre – Tem as estátuas bem em cima. O Deus do comércio Hermes, representa o princípio da esperteza e da habilidade, é o patrono dos comerciantes, é o mais humano dos deuses. O gorro com asas era para subir ao Olimpo, momento de ascensão. As sandálias com asas era para descer do Olimpo. Considerado como o deus da diplomacia, protetor dos ladrões. Caduceu é o cetro, bastão de ouro com 2 serpentes enroscadas. Ele também trás um saco com moedas. As figuras juntas, representam a união do comércio com a agricultura e a indústria.

Prédio do MARGS – Museu atual do Rio Grande do Sul, a estátua possui uma cornucópia, que representa riqueza, agricultura, abundância. A outra estátua somente carrega um saquinho de moedas representando o comércio.

O Pórtico na Redenção, ou Monumento ao Expedicionário, é o modelo romano, inspirador, geralmente com arcos de uma volta, de 3 ou de 2 era raro. É um monumento comemorativo da Guerra e o Antônio Caringui, o projetou, pegou esse modelo romano e fez um arco com 2 voltas para comemorar a vitória e as estátuas representam as forças armadas. Aparece a estátua da Palas Atenas e dentro estão os túmulos porque era para ser um monumento túmulo, mas o exército resolveu colocar todos no mesmo lugar, que foi no monumento do Rio de Janeiro. Aqui tem a placa com os nomes dos mortos da Campanha na Itália. A estátua da Palas Atenas, tem a serpente que é símbolo sagrado na Grécia. A serpente píton foi morta por Apolo e o couro ficou. Aqui ela representa a guerra sabia.

Na Praça da Matriz, o Monumento ao Júlio de Castilhos, com a liberdade em cima, e embaixo está o dragão da anarquia, a vitória, a firmeza aponta o dragão. O papel jornal é a mocidade dele, quando ele era jornalista. O pensador é o pensamento político dele. O guerreiro renascentista é a luta e a coragem. O povo riograndense é o gaúcho montado a cavalo.

A Catedral de Porto Alegre, foi construída em estilo barroco, mas foi demolida. O projeto vencedor era gótico, mas ficaria muito caro e levaria muito tempo para ficar pronta. Então o bispo escolheu o 2º projeto, que era esse estilo renascentista italiano, com colunas gregas, e cúpula romana. As colunas são jônicas e são peças inteiras esculpidas em um bloco, não tem emendas, não são feitas em rolos. O capitel e a base é uma coisa só. São 8 colunas e tiveram que convocar todos os escultores para dividirem o trabalho. Lá dentro tem uma parte de granito vermelho raríssimo e só tem aqui no RS. Os mosaicos são renascentistas, em baixo e em cima tem mosaicos bizantinos, todos feitos no atelier do Vaticano, pois eles vieram prontos. A Anunciação de Maria, tudo que é em dourado, na verdade é ouro, as pedras foram mergulhadas em ouro, por isso que brilha para sempre. O anjo é estilo renascentista e no fundo tem ouro e é bizantino. O Cristo Pancreator, em grego é Cristo criador de todos. As criaturas, de um lado tem 4 evangelistas em simbolismo, o leão, a águia, o anjo e o touro. São Marcos, São Matheus, São Lucas e São João. No meio tem uma colunata grega, a Nossa Senhora Mãe de Deus que é a padroeira da cidade está ao lado esquerdo. Sant Tereza de Ávila, São Pio X e São Pedro, o 1º Papa, estão ao lado direito, e os 4 mártires do RGS: Júlio de Castilhos, Roque Gonzales, depois tem uma frase bíblica e em baixo a crucificação. Os 2 momentos que Maria participa da salvação onde a anunciação, ela aceita ser mãe de Cristo e quando ela se designa a ser a mãe da humanidade. O Cristo é bizantino, as estátuas são os apóstolos, e profetas esculpidos por Mário Jonas aqui do sul, e ele levou quase 20 anos fazendo. O bonito é São João, o apóstolo mais jovem. A Catedral levou mais ou menos 60 anos para ser construída e ficar pronta. No altar tem a estátua da Mãe de Deus, do século XVIII, original da antiga catedral. Os anjos foram mantidos ao lado e pintados por Aldo Locatelli, pintor nosso. O Arjonas esculpiu o altar em mármore de carrara. A Santa Rita é do século XVIII, as estátuas monumentais são evangelistas. As pessoas criticaram por serem grandes, mas uma igreja grande não pode ter estátuas pequenas, se não fica desforme. A Catedral está entre as 10 maiores do mundo e a cúpula, entre as 5 maiores do mundo. Os evangelistas São Matheus, São Marcos, São Lucas e São João, junto com o vitral vieram da Europa. No vitral está a cena do anjo vencendo o demônio. O Panteon, em Roma, tem a cúpula aberta em cima. É parecida com a nossa, mas a cúpula tem uma lanterna de bronze tapando o furo. Ao redor tem janelas por causa do concreto, antes as cúpulas eram frágeis. O trono do bispo é tradição numa igreja. Na Idade Média, o bispo era considerado o príncipe da igreja, então tinha direito a um trono e coloca-la na igreja eu pertence a sua sede. Os tronos são em estilo rococó. As caras de índio são do escultor Pai do Arjonas, na outra parte do paredão aparece o Papa Pio X, e o Bispo João Becker, na época. O arquiteto pediu um histórico do RGS e viu que um dos marcos religiosos fundamentais foi as missões e ele fez como ele imaginava, que as missões foram feitas de blocos mal cortados, blocos rústicos. Então a base da catedral é como se fosse missioneira e os índios estão ali em cima com cara de missioneiros, brabos por terem destruído as missões. Arjonas pai, chegou aqui em 1910 e fez em 1929. E o filho Arjonas fez as estátuas da frente.

O Palácio do Governo. Teve a frente feita por Paul Landowski, em 1910. Ele também fez o Cristo do Rio. Estas foram as primeiras obras no Brasil. As colunatas são estilo clássico romano. O escudo em cima foi esculpido pelo espanhol Jesus, Maria e José Corona. As portas de bronze vieram de Paris. O escudo está inclinado para frente, para poder enxergar. A Agricultura está com a coroa de frutos. Dentro tem o salão de cerimônias: Negrinho do Pastoreio, no teto está pintada a lenda, são 18 afrescos pintados por Aldo Locatelli, toda a história e vemos o negrinho amarrado ao tronco. A Colonização do RS, também pintada por Aldo Locatelli, aparece Sepé Tiarajú que representa os índios, atrás estão as missões jesuíticas. De bota e chapéu são os bandeirantes. Os alemães com a agricultura, os imigrantes italianos, as cabeças de gado, representam a pecuária, os homens a cavalo representam o trabalho no campo, em cima tem os portugueses açorianos, o homem no cavalo é um dragão português ao lado do forte Jesus, Maria e José. O gaúcho é Aldo Locatelli que se auto retrata e da fumaça e do fogo ele fez o mapa do RGS. Não tem o escravo na pintura. Mostra a torre de energia elétrica, que significa a modernidade.

A 1ª batalha da Revolução Farroupilha, foi onde agora é a ponte sobre o riacho Ipiranga que separa a Azenha da João Pessoa. Os farroupilhas vieram de Viamão para invadir Porto Alegre e se encontraram na ponte, que era de madeira na época, e ela foi incendiada. Mazenha era o lugar onde se fazia farinha.

O Cemitério da Santa Casa. O portão é romano. As colunas são de vários estilos, como o dórico grego e o românico da Idade Média. No portal diz a frase, “volta ao teu lugar”. As portas de cristal bizotê, estavam na moda no início do século XX e vinham de Paris. A escultura de Lodilope, modal o corpo, tem sensualização gradativa, a roupa é colante. O personagem é um herói positivista, o Coronel Massot, capanga do Borges, morreu em 25 e foi comandante da brigada na Revolução de 23. Como matou muita gente mereceu a glória do túmulo. O governo do estado fazia túmulos para todos os seus heróis positivistas. Fazia parte da concepção positivista, a glorificação dos seus heróis. Então é um túmulo monumento do Coronel Massot. O túmulo monumento do Prefeito Otávio Rocha, é porque ele também é um personagem positivista. Tem o anjo do juízo final, escultura de Lunardi, tem o olhar duro, possui a trombeta do juízo final que anuncia a morte, alegoria cristã de origem da Idade Média. O túmulo da Família Heter. Tem obra do Arjonas pai, que fez uma pietá humanizada, como mãe sofredora. Tem arte abstrata, o único túmulo que tem arte abstrata, que representa o pai, a mãe e os filhos. Quem cedeu foi Paulo Heter, poeta que está enterrado ali, morreu em 1974. O Túmulo do Maurício Cardoso, possui colunas romanas, porque ele era advogado. A estátua da justiça é virtuosa e o cactos é a dificuldade que enfrentamos, na vida para praticar a virtude e a justiça. Em cima diz em latim que nada impede que sempre a pátria celebre aqueles que foram abençoados por Deus. O Maurício morreu de avião, mas em latim não tem a palavra avião, então escreveram que ele morreu numa nave volatite, nave voadora. No início do século XX, era normal e comum ter porta no túmulo. A questão da tuberculose, o início do século, foi tão forte, porque todo mundo morria de tuberculose, principalmente os jovens. Quando a mulher morria de tuberculose antes de casar, a família colocava no túmulo algo que indicasse que ela era noiva. Se ela morria depois do casamento, então a família, colocava foto do casamento. O túmulo com cortina da morte. Abrindo a cortina pode ser representado de 2 jeitos, 1 é a memória quando olha o passado e 2 a separação dos dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, quando abre a cortina, entra no outro mundo. A nudez das estátuas mostra que a seriedade se sensualizou e as figuras ficaram completamente nuas. O homem representa o sofrimento e a mulher representa a consolação. O artista Ladilope, que inverteu os papeis, a mulher era o sofrimento e o homem a consolação. A estátua da esperança é um anjo azul de mulher em mármore de carrara. O mostardeiro era a moda egípcia de 1920 e tem um anjo no túmulo que veio de Roma. O Túmulo do positivista Júlio de Castilhos, tem em cima a águia dos grandes ideais, tem a data da elaboração da constituição que ele fez. A efige é o nome dele e tem o escudo do RGS com o lema positivista, os vivos são sempre cada vez mais governados pelos mortos. Em baixo a pátria está jogando a bandeira em cima do túmulo e segurando ao lado um ramo de louros, que é o símbolo da vitória e da glória. Outro túmulo é o herói da guerra do Paraguai, em cima é ele mesmo, como herói, em cima também tem o anjo do juízo final. Ao lado a esperança com a estrela na testa e do outro lado a justiça (não a justiça dos homens e sim a justiça de Deus, porque ela não está vendada). O túmulo de noivos, mostra que tem muitas coisas empilhadas, morta leões dormindo para representar a morte. O personagem está com a caridade e a fé e em cima a ampulheta para mostrar o tempo que passou. Quando tem asas com a ampulheta, mais as iniciais de cristo, e tempo é a fé de Cristo e a fé cristã são as colunas gregas. A âncora ou mulher com âncora é a esperança. A cruz ou a mulher com cruz é a fé. O mausoléu de Chaves Barcelos é um templo romano, coríntio composto com jônico da família Chaves Barcelos, esculpido o símbolo da família em cima as iniciais. As estátuas são do Arjonas, que fez a saudade meditativa e a oração meditativa. O maior túmulo do Matarazi é o maior do Brasil e está no cemitério de São Paulo e possui 49 estátuas. O túmulo do Pinheiro Machado, também positivista, mostra o herói morto, a pátria republicana, como ele morreu apunhalado, então está representado como se fosse um César deitado no leito romano com a bandeira nacional por cima. Atrás a Musa Grega Clio da História, onde a história mostra para as novas gerações o herói morto. Um modelo para as novas gerações que seguirão as velhas gerações. Coisas de um positivista. O morto serve de modelo para os vivos, faz jus a frase: quem comanda os vivos são os mortos. Os únicos 2 templos de contestação do Brasil estão um aqui e outro em Petrópolis no RJ, que é do Presidente Hermes da Fonseca. O que está aqui é o túmulo de Plácido de Castro, gaúcho, conquistador do Acre, foi assassinado com tiros nas costas. O mandante do crime foram agentes do governo. É por isso que o leão tem uma flecha nas costas. O leão é o herói e a flecha é a traição. Em cima vemos a justiça corrompida, a balança está cheia de dinheiro e a espada empurra a balança, para baixo que significa o poder do dinheiro. Em baixo a placa com a denúncia ao governo que diz, ele foi assassinado a mando do governo. Esse é o único túmulo no RGS que contesta e denuncia. A estátua de mulher com o dedo no rosto e a tocha virada para baixo é um dos símbolos gregos da morte. O túmulo do Conde de Porto Alegre, é o único túmulo onde a morte não está enterrada. Foi comandante das tropas brasileiras legalistas na Revolução Farroupilha. Um grande herói nosso porque foi ele quem expulsou os farroupilhas de Porto Alegre. Por isso ganhou o título de Conde de Porto Alegre. Mais tarde ele conquistou a Argentina, ocupou Buenos Aires e na Guerra do Paraguai se destacou como um grande herói militar. Morreu no RJ e lá foi embalsamado e enviado para cá, mas não está enterrado e sim o caixão está a vista, olhando para dentro do mausoléu, vemos o cidadão dele, é que na Argentina é comum isto e aqui também era. O túmulo do governador Dauto Filho, que era general, aparece o homem pilchado que representa o povo riograndense e o soldado representa o exército. Caringi sempre com olhos monumentais. O túmulo do Teixeirinha, foi esculpido por Arjonas, filho, o mesmo das estátuas da Catedral, queria dar uma alongada na estátua do Teixeirinha, mas a família, não quis, queriam como ele realmente era. Essa é a 2ª figura pilchada e o túmulo mais visitado no dia de finados. No túmulo de Alvira Pereira da Rosa, te a coluna palmiriforme egípcia, também tem a figura do Cristo e bom pastor, batendo na porta que não tem trinco e nem fechadura. Significa uma passagem do Apocalipse, que diz: “quando eu bater na tua porta, se tu abrires, eu entrarei, se não, eu não vou entrar”. Então a porta não pode ter trinco nem fechadura por fora, somente por dentro, porque a pessoa tem que abrir, e não Cristo. Escultura de Lunardi. O girassol é um símbolo cristão, sempre olha para o sol, e quando o sol se põe o girassol murcha. Art Nouveau, 1915-1920, com coloração e decoração floral, colunas estranhas, mausoléus arredondados com anjos em cima. A vitória está sobre a morte., com flor e pendão. O triângulo com olho no meio representa Deus ou o Deus que tudo vê. A águia de 2 cabeças é a que controla o mundo, porque ela olha para os 2 lados. O compasso e o esquadro, é o supremo arquiteto do universo.                            

ARTE MEDIEVAL.

Na Idade Antiga, a arte grega ou romana era mais humanista, que tinha uma visão de mundo a partir dos interesses dos homens e era totalmente urbana porque era feita na cidade para a cidade. Aspectos que explicam como as sociedades são tão diferentes. Tudo começa a decair no século III (200-300 d.C). O Império Romano era formado pela Península Ibérica, França, Ásia Menor, Portugal, Espanha, parte da Alemanha, norte da Itália, Macedônia da Grécia e uma parte da África. O Império Romano era uma faixa de lugares que circundava o mar mediterrâneo e no século III, ocorrem as últimas guerras e conquistas. Então acabam e os prisioneiros ficam escassos, porque as guerras eram fornecedores de escravos, que se tornavam a força de trabalho da economia e das atividades agrícolas, que sustentavam as cidades. Com o término das guerras, os escravos diminuíram e começou a faltar força de trabalho para a produção de alimentos e sustento das cidades.

Ocorre a invasão dos bárbaros entre (400-500). As guerras pararam por causa dos bárbaros, que eram agrupamentos humanos, que não chegaram a desenvolver a vida urbana, eles apenas desenvolviam atividades agrícolas e do pastoreio. Não fundaram cidades, formaram pequenos vilarejos e viviam se deslocando. Os romanos tiveram dificuldades para tornar os bárbaros prisioneiros. Até porque o exército estava pequeno, pesado e voltado para a cidade e não para o campo. A crise do escravismo gerou uma crise agrícola, que também gerou uma crise urbana, pelas cidades não terem mais como se sustentar. Os patrícios do Império Romano começaram a preferir a vida no campo e instalaram suas “villae”, por que a cidade se tornou muito perigosa, com assaltos e roubos, e tornou-se insalubre com doenças e pestes. A aristocracia romana que tinha propriedades no interior, preferiram instalar-se lá. O êxodo acabou fragmentando o exército romano. A aristocracia levava junto parcelas do exército romano para a proteção de suas propriedades rurais. A fragmentação desses exércitos acabou protegendo as fronteiras e abriu caminho para a invasão dos bárbaros, consequência dessa crise. A invasão dos bárbaros ajudou ainda mais a desorganizar a vida na cidade, mas preferiam ficar na vida rural. Os bárbaros iam as cidades, roubavam e saqueavam e depois voltavam para o meio rural. O modo de vida antigo era na cidade e voltado para a cidade. Modificou-se para o modo de ruralização, a vida rural no meio rural.

Formaram-se diversos reinos bárbaros:
Na Península Ibérica formou-se o Reino dos visigodos.
No norte da África formou-se o Reino dos Vândalos.
No norte da Inglaterra formou-se o Reino dos Saxãos.
Na Alemanha formou-se o Reino dos Germanos.
Na França formou-se o reino dos Francos.
Po volta de 650, os árabes, já haviam sido convertidos ao Islamismo por Maomé, na Península Arábica, e após a morte de Maomé, os árabes partiram para expandir a religião ao mundo e conquistando a história. Formaram duas frentes que foram em direções diferentes. Uma para o norte da África e a outra para o Oriente. O grupo que veio para o norte da África, em 711, passou pelo Estreito de Gibraltar e (invadiram) entraram na Península Ibérica. Dominaram o território e foram se expandindo até o norte da África em direção ao Arquipélago de Baliares e assumiram o controle das 13 ilhas da Itália. Conseguiram o controle na maior parte do Mediterrâneo e fecharam o comércio. Essa invasão foi responsável pelo fechamento do Mediterrâneo, das últimas cidades e portos dos romanos. Uma mudança na economia da Europa. As trocas de mercadorias entre a Europa e o Oriente foram interrompidas e passaram a ter dificuldades com o Ocidente. Assim, ficaram os árabes na Península Ibérica. O objetivo dos árabes era dominar toda a Europa e pregar o Islamismo em todos os lugares. Então tiveram a ideia de conquistar a Gália na França e nesta tentativa, os árabes foram impedidos pelos francos. Os árabes usaram a religião como instrumento de motivação para espalhar pela Europa o islamismo e dominar o comércio.

Os árabes não conseguiram derrotar os francos na Batalha de Poitiers, em 732, e a partir dessa data, os francos se tornaram o mais forte povo bárbaro. Com a importância e o fortalecimento dos francos, a igreja católica começa a apoiar uma formação de aliança com o papado, juntamente com os francos. Isso tudo permite a formação do Império Carolíngio. Formado pelos francos e o Imperador Carlos Magno que vai de 770-814 e engloba a França, A Alemanha e a Itália. O Império Carolíngio se contrapôs contra o Império do Islã. Para administrar o Império Carolíngio, Carlos Magno dividiu o território em unidades e repartiu com a nobreza francesa:
Criou os Ducados com domínio dos Duques.
Criou os Condados com domínio dos Condes.
Criou as Marcas com o domínio dos Marqueses.
Com a morte de Carlos Magno, em 814, a tendência destes, foi de cada unidade tomar para si o poder político e econômico. Aumentando a fragmentação do poder. Cada Ducado transformou-se em um feudo, um mundo fechado a parte, e quem mandava no feudo era o Duque que tomou para si o poder total do feudo. A Europa ficou constituída por centenas de feudos, ducados maiores, condados intermediários e marcas menores. De 814 até 900, ocorre esse processo de fragmentação.

A igreja foi atingida e se fragmentou também. Ocorre a decadência da igreja e dos princípios morais, espirituais e de lideranças. Isso aconteceu porque a igreja se feudalizou. Os domos dos feudos eram os senhores feudais e passaram a investir nos sacerdotes com poderes religiosos. O clero passou a ser investido pelos senhores feudais. Os sacerdotes não precisavam ter uma vocação, e nem preparação religiosa. Passaram a ser vistos como um meio de sobrevivência. Uma época onde a cultura decaiu. Os sacerdotes eram ignorantes e semi analfabetos. Usavam o cargo como um meio de vida. Os quadros da igreja se desqualificaram e perderam o prestígio da sociedade. Muitos padres pregavam a desobediência ao celibato (ser solteiro). O padre podia ter uma amante, companheira, concubina ou qualquer mulher ao seu lado. O padre podia ter prole (filhos) e deixar o patrimônio para eles. As famílias dos padres eram reconhecidas socialmente. Muitos padres passavam a ideia de casamento, mas viviam no concubinato (união que não casa, vive junto). Ocorre a tendência do Nicolaismo, de Nicolau, onde o sacerdote poderia vender o seu sacramento e com os recursos formar um patrimônio próprio e legal. A simonia era a tendência de viver em concubinato. A igreja começou a ser desacreditada e desqualificada. Acabou a decência moral.

Com isso ocorreu a FUNDAÇÃO DA ORDEM DE CLUNY em 909. Foi um Mosteiro localizado na Quitânia na França, fundado por São Bento que adotou como ordens As Ordenações Beneditinas. Elas tinham como ponto central a recomendação de que os sacerdotes deveriam conciliar a oração com o trabalho dentro do princípio: Orare et Laborar, ou seja, rezar e trabalhar, e isso foi fundamental para o fortalecimento material e moral onde o sacerdote, trabalhando, não pensava no demônio. Era um exercício espiritual de purificação. Cluny pregava = “se o trabalho não for suficiente, mortifico o meu corpo pelo auto flagelo”. Fortificar o espírito e fraquejar a carne, franquejar o desejo. Os padres precisavam aprender a ler e se qualificar. A Ordem de Cluny tornou-se poderosa, reformadora de costumes, um grande sistema que serviu para os outros mosteiros aplicarem e todos adotaram os costumes da Ordem de Cluny. Fundaram um conjunto de mosteiros que tinham como objetivo ligar-se da França até Roma. Na outra direção, queriam ligar-se a Península Ibérica, porque lá estavam os islã indemoniados. Cluny organizou um sistemas de mosteiros e a ordem fundamentou e estipulou que as pessoas peregrinassem pelos mosteiros, de um lado para outro e de um mosteiro para outro, para que pudessem revitalizar a sua fé. Haviam trocas entre os mosteiros e cada um possuía uma relíquia sagrada. Essa dava a ideia de visitar um lugar sagrado, com uma relíquia sagrada, que seria uma atração a mais.

Quando Cluny começou a crescer, aproximava-se o ano 1.000 e desenvolveu-se o milenarismo, uma ideia que chegava a hora e o dia do juízo final e que Cristo viria acertar as contas com a humanidade. Todos começaram a ficar aterrorizados, o temos era imenso por causa do fim do mundo estar próximo e seria necessário purgar os pecados. Com este estado de mobilização, Cluny criou e instalou um sistema de recebimento do fiel. Fizeram mosteiros com hospedarias, hospitais e asilos, uma estrutura completa para o peregrino e que este teria um atendimento especial no mosteiro. Nestes, iriam pobres e poderosos. Cluny deixava os pobres nas porta e os poderosos entravam e recebiam todo o atendimento possível. Algumas pessoas entravam para a ordem e deixavam todos os seus pertences, bens e patrimônios para a igreja em troca do atendimento de Cluny. A ordem trabalhava, estudava e herdava; foi tornando-se influente, poderosa e riquíssima. Assim iniciam as construções de grandes monumentos, igrejas e mosteiros no meio rural, para receber muitas pessoas e muitos donativos. No século X, é o grande momento da Ordem de Cluny, que está no centro de tudo.

A ordem foi influenciada pelo pensamento de SANTO AGOSTINHO e também vai ser influenciada no estilo artístico Românico. Santo agostinho escreveu a obra “Cidade de Deus”, com o direito do livre-arbítrio e esta liberdade de agir levou o homem ao pecado. No caso, Adão e Eva, a partir do pecado original. A humanidade herdou o pecado original e o homem perdeu o paraíso e foi transportado para a Terra, que transformou o homem para que este pudesse se redimir dos seus pecados. A Terra deixou de ser um paraíso para se transformar em Calvário (terreno onde se planta a cruz ou crucifixo). A vida do homem devia ser uma expiação, devia viver na Terra para expiar os seus pecados.

Para Cluny, a vida do homem era uma eterna expiação. O homem era mau e sinônimo de pecado. A igreja dizia que a humanidade tinha se tornado má e precisava viver em expiação para esperar a salvação. Daí vem que a alegria, o riso, a gula, a dança, o prazer e toda a matéria era tudo pecado. A vida devia ser jejuar, a receita era flagelar, mortificar o corpo, para ganhar a vida. E o homem precisava fazer isso a vida toda. Através de procedimentos como: trabalhar e rezar muito, se não, teria que jejuar, parar de comer, e flagelar-se. O corpo teria que purificar-se. Cluny tinha um pensamento pessimista existencial. Conseguiam a credibilidade e a audiência por que a igreja alucinava as pessoas que viviam mal alimentadas. Nesta época a tecnologia agrícola era muito atrasada e estagnada. O ferro não era usado e os animais eram frágeis e mal preparados para as atividades agrícolas. A população medieval deste período era subnutrida e eles viviam no meio rural, no mato e na natureza. Para eles era um desafio, pois eles não conseguiam dominá-la. A população sentia medo de tudo, da fome, da seca, dos animais, da peste e Cluny reforçou a ideia do medo para essas pessoas.

A Arte Românica ocorreu na alta idade média entre 1000 e 1200, séculos XII e XIII. O estilo ROMÂNICO vai expressar e representar muito bem essa ideologia pessimista e o medo. As igrejas românicas tinham poucas aberturas, poucas janelas, pouca luminosidade, eram escuras, frias, úmidas, realmente com um ambiente que pesava e reforçava o mal estar. A ornamentação e os relevos de decoração testemunhavam a luta do bem e do mal. Apreciavam os animais maus e imaginários como dragões, monstros, gárgulas, etc que ameaçavam os homens. A arte era de uma religiosidade deprimente, que não estimulava a alegria de viver e se desumanizou. Para Cluny e para a sociedade, a história da vida humana era uma vontade divina, a história já estava escrita, feita e o homem tinha que obedecer, não podia mudar, teria que aceitar a vida como ela era, até morrer e enfrentar o Juízo Final. Como por exemplo: o homem que era servo, morria servo. Sem nenhuma possibilidade de sair dessa condição, jamais seria um senhor nobre. Os nobres que nasciam nobres, morriam nobres, mesmo que perdessem todos os seus bens, eles poderiam ficar sem nada, mas jamais perderiam o título de nobreza por natureza. Exemplo: Dom Quixote.

A questão da MULHER nessa época, vai aparecer essa ideologia na arte e a mulher pobre nesse período não tinha chance nenhuma. Quando se casava com um camponês tinha que passar a primeira noite com o senhor feudal. A mulher da elite tinha pequenas chances:
1 – casar com o primogênito era uma loteria, conseguir casar com o filho mais velho do nobre, herdar o feudo e tornar-se uma senhora, era quase impossível, porque não haviam muitos primogênitos.
2 – servir de dama de companhia nos castelos, muitas vezes praticando a prostituição.
3 – ir para um convento, que era perto dos mosteiros.

Na Arte Medieval, houve a desumanização ocorrida na Idade Média, pois ela deixa de ser do homem, o foco, para ser substituída pelo modelo rural. Pois ela será feita no meio rural e para o meio rural.

A arte do estilo românico, do período medieval influenciou as construções das IGREJAS ROMÂNICAS. Que tiveram origem na planta da Basílica Romana, que veio de Roma. Era um prédio que servia para fins administrativos e civis, como um fórum romano. A estrutura basílica serviu de base para a construção das igrejas românicas. A Basílica romana era uma nave central que ocorriam os debates políticos. Ela possuía uma cobertura de pedra, como o princípio da cúpula romana. Tendo duas paredes bem grossas nas laterais para segurar todo o sustento do prédio e com poucas aberturas para não desabar tudo. Tudo era feito de pedra. Foram feitos mais dois puxados, chamados arcos cruzeiros e estendeu-se até onde ficava o altar. A abside era uma semi esfera com capelas em volta, a planta baixa formava o Cristo na cruz. O modelo da planta baixa de tudo parecia o corpo de Cristo na cruz, símbolo da planta baixa. As aberturas eram mínimas e poucas. Apenas ao amanhecer ganhavam a luminosidade do sol. No interior das igrejas aparecem os arcos romanos de meia volta. A igreja é mais larga que alta e detinha a horizontalidade do que a verticalidade. O teto ficava mais próximo da cabeça do fiel, assim aumentava o sentimento de pressão e de peso. A estrutura é despida de ornamentação, somente pedra lisa, algumas paredes eram decoradas, como o pórtico de entrada e o capitel das colunas. A igreja era construída nos pontos mais altos do meio rural, não era isolada, ficava perto dos mosteiros e conventos. Na volta ficavam um bando de agricultores esfomeados. A porta de entrada ficava sempre para o lado que o sol nascia de manhã. As portas ficavam sempre abertas para que os raios de sol iluminassem e clareassem a igreja. O capitel românico das igrejas era baixo e largo, contrário do coríntio que era lato e fino. No estilo românico, os capitéis dos pilares, mostravam em sua decoração, anjos à direita e animais conhecidos como lobos e chacais, também apareciam animais desconhecidos e imaginários como: demônios, grifos, gárgulas, etc. no lado esquerdo geralmente aparece a luta entre o bem e o mal. No pórtico de entrada da igreja aparece uma cena do juízo final e Cristo está sentado no meio com a sua imagem maior e mais destacada do que outras. Cristo está com o dedo apontado para o fiel e a sua direita encontram-se os eleitos e a sua esquerda os condenados. A expressão do rosto dos cristãos nas obras eram: duras, fechadas e ríspidas de um juiz implacável. A expressão do rosto de serenidade, sobriedade, doce, benevolente e salvador é muito recente, pois antigamente, não apareciam as coroas de espinhos, nem a sua pseudo nudez na cruz. Vimos através das figuras o jejum, pois elas são como tábuas de passar, muitíssimo retas, magras e desformes de beleza. Podemos observar nas gravuras que existiam 3 ordens celestes, que subdividiam as classes na Terra e cada uma tinha ordem e o seu bem específico. Eles diziam que essa era a vontade de Deus.
1ª ordem é o clero que rezava.
2ª ordem é o nobre que guerreava.
3ª ordem é o povo que trabalha.

A ARTE GÓTICA.

A Arte Gótica é um estilo medieval que a partir do ano 1100 e 1200, as igrejas começaram a mudar o estilo, por causa das mudanças na Europa. A Europa apresentava transformações dentro da sociedade feudal. A primeira transformação foi a estabilização e melhoria do clima que acabou favorecendo a agricultura. As 4 estações do ano estavam bem definidas e provocadas por uma corrente marítima. Ocorreram inovações tecnológicas, como a utilização do ferro para instrumentos agrícolas, como o machado, martelos, ferraduras para cavalos, que ajudaram na tração com bois e novas formas de atrelar o cavalo à carreta. Antes eles eram atrelados pela cintura, e ao fazerem exercícios, eles se sufocavam. Depois começaram a atrelar pela cabeça, e liberando de esmagar o pulmão, assim respiravam melhor. Desenvolveram o moinho e tudo ajudou a melhorar a alimentação. Com isso as pessoas comiam melhor e melhorou o pensamento. A população ficou mais saudável, forte e começou a crescer demograficamente. A média de vida aumentou e a mortalidade diminuiu. Com mais proteínas as pessoas tinham mais energia.

Por volta de 1100 e 1200, a igreja começa a incentivar as CRUZADAS. Que foram expedições militares cristãs e visavam retomar aqueles lugares sagrados e santos na Palestina, que haviam sido conquistados pelos árabes turcos. A medida em que as cruzadas foram se realizando, os árabes que estavam fixados na Península Ibérica, nas ilhas da Itália e no norte da África, foram empurrados pela movimentação das cruzadas, que começaram a liberar o Mediterrâneo para o comércio. Os cruzados quando chegaram no oriente, vivenciaram a riqueza de luxo oriental e conheceram os benefícios e a quantidade de produtos que o oriente produzia. Estes se tornaram dispostos a exportar esses produtos para a Europa. Tapeçaria, joias, perfumes, tecidos, seda, algodão, veludo, e principalmente as cerâmicas de luxo e as especiarias que mudavam o paladar e conservavam os alimentos. Isso tudo despertou uma expectativa de consumo, que antes havia sido interrompida e com a abertura do comércio, o consumo se tornaria muito maior. Começando com o intercâmbio com o oriente e fazendo com que esses produtos chegassem com maior facilidade. Mas o problema era de onde a nobreza iria tirar os recursos necessários para comprar tudo isso. Os cruzados eram parte da aristocracia europeia cristã. A nobreza, para poder comprar, exigiam mais dos servos, para que eles produzissem mais, trabalhassem mais na agricultura e acabou gerando um descontentamento cada vez maior dos servos para com a nobreza.

Os servos começaram a fugir de alguns feudos. Antes não tinha para onde ir, mas a expansão do comércio facilitou a formação de pequenos BURGOS, lugares de transição de produtos, onde se formaram as FEIRAS, e essas recebiam os produtos e formaram pequenos vilarejos, chamados burgos. Os servos fugiram para os burgos. E por volta de 1200, ocorre o Renascimento urbano através do renascimento comercial. A população dos burgos cresceu e neste contexto a igreja vai começar a erguer seus templos na cidade. A concepção gótica, é bem diferente, acaba aquele modelo românico de opressão e as novas igrejas ganham mais grandiosidade, um lugar mais amplo, arejado e com maior luminosidade. A parte de cima é mais alta, com princípios de verticalidade, com vitrais coloridos, dando um ar mais alegre. A arte vai mudar porque a cabeça das pessoas mudou e mudou o conceito que o homem tinha de si mesmo. As pessoas continuam a ir na igreja e a rezar. O pensamento da igreja não mudou. Não mudaram os dogmas, nem os sacramentos. A crença em deus continua. Quando a nobreza voltou das cruzadas, eles queriam consumir mais e fizeram os servos trabalharem mais. Então o restante dos servos vai fugir dos feudos para as cidades. Ocorre um aumento da população nas cidades. Ocorre um maior número de nascimentos. Ocorre o aumento demográfico. Com o costume da vida urbana o homem perdeu alguns medos, como da chuva, dos animais, etc. A arte mudou porque não podia continuar opressora. Antes a igreja era para as pessoas dos mosteiros, conventos e a população dos feudos e não para agricultores esfomeados. E agora a igreja teve que aumentar o seu tamanho pois estava recebendo um numero maior de fieis. Recebia toda a coletividade urbana. A construção mudou a armação do teto que era de pedra com preenchimento de madeira, as paredes foram feitas com um esqueleto de pedra e no meio vitrais enormes e bem coloridos. Faziam um contraforte de distância em distância, próximas umas das outras, para reforçar. Depois erguiam um arco de pedra e quanto mais alto faziam o contraforte, mais fixo e forte, ele ficava. Para fora ficava uma outra coluna-braço, chamada de Arcobotante, dando maior sustentação, pelas partes laterais. O outro restante da parte de cima era completado com madeiras, isso permitiu as grandes construções de igrejas góticas.

A Catedral de Florença na Itália é uma das maiores igrejas góticas no mundo. As outras estão na França, na Alemanha e na Inglaterra. Do exemplo, a frente possui 5 portas de entradas e elas representam as 5 chagas de Cristo. No topo é colocado a estátua do santo padroeiro. Formavam uma ideia de degraus de ascensão e dava a ideia de alcance da espiritualidade. A igreja mais alta é a Catedral de Colônia, na Alemanha, a repercussão do som é fantástica, as pessoas do coral cantavam no mesmo tom. O arco ogival em forma de ogiva, tem a largura estreita e a altura bem maior. A Santa Capela em Paris se destaca pela quantidade e o exagero dos vitrais, porque eles vão do chão ao teto. Luiz XIII, ergueu essa capela quando voltou das cruzadas e lá encontra-se a maior parte de um pedaço da cruz de Cristo. Os relevos decorativos mudam para o tema da crucificação, preferido pelo gótico. Jesus está semi nu e mostra o sangue, os sinais de sofrimento e salienta bem a humanização da arte. Por que Jesus sente dor, dor humana, a expressão das figuras em volta possui, cada uma, um tipo de expressão diferente, umas das outras. São retratados os santos, sacerdotes, o sagrado e o profano juntos. Convivendo juntos com os trabalhadores. Não é uma total humanização, mas já apresentam características e indicativos de que os tempos estavam mudando e aos poucos a arte vai refletindo isso. Os relevos da Catedral de Chartres, na França, começaram a ser construídos na época românica e concluídos na época gótica.

A igreja admitia que a figura humana servia para representar um tema qualquer. A doçura e a mansidão aparecem em figuras humanas carregando um medalhão com um símbolo de uma pomba. A soberba é uma figura humana caindo do cavalo. A folia é uma figura dançando ou tocando flauta. A justiça divina é uma figura humana com uma balança e a espada, de olhos abertos para separar o joio do trigo. A justiça vendada é uma figura que mostra a profissão do morto. A prudência é uma figura que olha no espelho, olhando para o passado, a experiência do homem, as verdades antigas e a figura de duas faces, o jovem e o velho. A paciência e a temperança são figuras que despejam gota, a gota sobre a pedra. A força é uma figura que mostra a parte de uma torre, uma serpente, um leão, o homem vencendo os seus demônios. O cotidiano das pessoas também era representado pelas estações do ano. O outono é uma figura melancólica e pensativa. O inverno era representado por uma pessoa escolhida, ou a morte, ou a luta.

A INFLUÊNCIA GÓTICA NO RGS.

As ordens religiosas entregavam o projeto aos sacerdotes e arquitetos com formação europeia. Fizeram réplicas das igrejas europeias. As regiões de imigração italiana e alemã estão entre as regiões que tem grande número de igrejas góticas. Na região das MISSÕES, haviam arquitetos civis vindos da Áustria e da Alemanha. As fachadas das igrejas recebiam ornamentações alegóricas. Representando uma ideia religiosa através da figura humana. No românico não havia se desenvolvido essa ideia, porque a humanização não era apropriada. Alegoria é usar a figura humana para passar a ideia de um símbolo. O gótico retoma a humanização, até o século XX. Simboliza as virtudes na figura humana.     

No RGS, foi uma influência maior que a românica porque o estilo gótico foi mais valorizado. Em Porto Alegre, temos 2 igrejas com estilo românico, a primeira é a Igreja de São Sebastião, localizada no alto Petrópolis, que é a mais romanizada. Vemos o arco românico, paredes grossas e poucas e pequenas portas e janelas.
A outra igreja românica é a Santo Antônio.
Outra é a Igreja da Nossa Senhora do Rosário.
Outra influência que aparece aqui no sul é o Cristo Pentocrator, juiz implacável e punitivo, aparece no Cristo Rei em São Leopoldo, no Seminário dos Jesuítas. Vê se a expressão de juiz, dura e vigilante, a imagem tem o objetivo de atemorizar e policiar os maus pensamentos dos alunos seminaristas.

A partir de 1900, a influência ocorre no RGS. A Igreja das Dores, foi reformada em 1902 e novamente depois. Ela conserva os trabalhos de João Vicente Friedericks, que era o dono do atelier de arte mais famoso que tínhamos em Porto Alegre. As 3 figuras que estão na Igreja das Dores, são feitas por ele: a Fé, mostra uma figura humana com a cruz para o observador e põe a outra mão no coração. Representa uma pessoa com estilo clássico. A Esperança tem a âncora que simboliza a esperança do cristão na salvação. A Caridade é uma figura que segura uma criança no colo, e está abraçada em outra criança de pé. Ou também ela aparece com uma criança e com a mão na outra.

A partir da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), começam a fazer imagens gigantescas de Cristo. Colocam na entrada das cidades para mostrar que a cidade pertence a Cristo. Essa influência aparece aqui nas imagens monumentais como o Cristo Redentor. Estas possuem estilo romanizado, porque o Cristo está de braços abertos, as vezes com uma coroa. O Cristo que veio para reinar. Acompanha a influência de descorporificação, despida de massa corporal muscular e seus corpos são retos como tábuas de passar. O estilo gótico ocorre num momento histórico onde a igreja procurava retomar a influência do catolicismo. Principalmente depois da 1ª Guerra Mundial. A crise cultural estava abalada no emprego da razão que atingia o progresso da civilização. O pensamento dominante da sociedade é materialista. Não havia religiosidade porque era considerada uma perda de tempo. Era possível confiar na razão e a guerra abalou a concepção de progresso e naturalismo no mundo ocidental.

A partir de 1920, a igreja tenta reestruturar Cristo na sociedade. A re-catolização do estado. A igreja deveria parecer forte e rica. Os sinais exteriores deveriam mostrar uma igreja forte. A maior parte das igrejas construídas nessa época é em estilo gótico e com vitrais bem coloridos. A igreja queria simbolizar o prestígio do catolicismo. Na década de 20, várias ordens estavam se fixando no estado (carmelitas descalços).

Em Garibaldi foi erguida uma das primeiras igrejas góticas no RGS, entre 1920-22, pela ordem dos capuchinhos. Ela deu uma ideia de ascensão representando que o homem pode a partir de si mesmo se espiritualizar. A base larga no terreno mostra a espiritualização. Coloca-se as tentações, o pecado, as coisas horríveis da alma do home, ao longo do caminho. O homem deveria ir em direção a Deus. Ela possui todas as características.

A Igreja Santa Terezinha, na Rua José Bonifácio, em Porto Alegre. Toda trabalhada em relevo. Arte que escapa do católico e ao não católico. Aparição da Virgem Maria e São Simão Estoqui. Importante santo vinculado aos carmelitos descalços. São Simão recebendo o escapulário, feito em tecido bento para usa-lo como indicativo de compromisso com a ordem. São José com o menino Jesus, entregando o escapulário a santa Terezinha. Em Guaporé, a igreja é ornamentada em relevos. O cemitério tem túmulos da década de 20. A figura alegórica é a figura de um anjo com uma tocha e a chama para baixo, representando a morte. Em Bagé, a capela gótica da Família Colares, tem todas as características. A Família do Coronel Bordini, está representada com a justiça combinada com a esperança. O anjo está com a corneta, é o anjo do juízo final, anjo da morte. A Santa Casa está representada pela Caridade, que tem uma criança no colo e um pedaço de pão.

A ARTE RENSCENTISTA.

Foi dividida em 3 partes:
Tressento – 1300 a 1400, século XIV.
Quatrocento – 1400 – 1500, século XV.
Cinquecento – 1500 – 1600, século XVI.

Ocorre a teoria dos 4 ãos: comercialização, diversificação, humanização e racionalização.

A Comercialização da Arte.

É o período que a arte foi considerada uma mercadoria, feita para ser comprada por uma pessoa desconhecida. Encaixa no contexto de Revolução Comercial, expressa o desenvolvimento do comércio entre a Europa e o Oriente, tempo das cruzadas. Lideradas pelas cidades italianas: Veneza, Nápoles, Florença e Gênova. A Itália não era unificada. Era formada por cidades rivais que competiam a liderança do comércio. Preocupavam-se em produzir prédios, monumentos, igrejas e a arte foi usada como meio de competição, valorizando o trabalho dos artistas. A arte deveria acompanhar as mudanças econômicas europeias. Formaram nas cidades, corporações de ofícios para aperfeiçoar a produção de bens, mestres e aprendizes. Um profissional formava os seus próprios aprendizes. Começaram a aparecer escolas de arte, devido ao grande número de encomendas. Antes o artista era contratado pela igreja e muitas vezes não recebia o pagamento, na Idade Média. Os mecenas patrocinavam a arte, tinham cultura, mas não tinham tradição, porque não faziam parte da nobreza. Os comerciantes enriquecidos formavam o comércio e queriam legitimar o seu poder. A arte era o verniz que os mecenas usavam para encobrir a sua origem, sem cultura. Os mecenas faziam coleções de obras de arte particulares e essas obras passaram a serem consideradas como investimento. Na época do Renascimento surge o crítico de arte, que analisa o valor da obra. Justificando seu trabalho e publicando seus textos para explicar a arte. Ocorre a valorização do artista.

A Diversificação da Arte.
Foi produzido um grande número de obras por artistas de boa qualidade. Para atender o grande número de encomendas. Contrataram muitos aprendizes. A arte foi submetida a uma neurose de competição. Os mestres competiam com os aprendizes mais qualificados. O que importava para eles era a remuneração. Através da arte, o artista projetava toda a sua tensão psicológica. Novas técnicas foram desenvolvidas. Até a época do Renascimento, a pintura mais conhecida era o afresco. Após isso se desenvolveu a pintura a óleo. Ocorre o estímulo e novas técnicas, essenciais para a diversificação do artista.

A Humanização da Arte.
A arte recolocou o homem como centro do universo, como na época da arte grega. A arte medieval havia colocado Deus no centro de tudo. O homem começou a confiar nas suas potencialidades. Ocorreram grandes realizações nessa época. No campo científico, na física, na química, na matemática, na filosofia e as grandes navegações. O homem passa a confiar na sua potencialidade como criador e não somente como criatura.

A Racionalização da Arte.
Ocorre o emprego da razão na arte e ela se torna altamente intelectualizada. É feita pela razão, exige uma contemplação racional. Não é uma arte emocional, para causar emoções. É uma arte mais fria, monótona, e os artistas e intelectuais viviam sempre juntos. Momento de trocas de informações entre eles. Ampliavam na arte a ciência, uma concepção de espaço, equilíbrio e profundidade. A matemática e o efeito da luz sobre os objetos, tudo com uso da razão. O Renascimento vai ser um conjunto de fatores favoráveis que contribuíram para fazer um período mais importante na arte ocidental.

O Quatrocento.
É o período que vai de 1400 a 1500 e ocorre o Renascimento italiano e tem um reduto importante na cidade de Florença (Firenze), na Itália. Os mecenas que decidiram investir o capital na arte, foram principalmente a Família Médici de Lourenço de Médici. Os grandes artistas são de Florença, nessa época, mesmo na escultura, como na pintura. A Família Médici, promoveu o conhecimento em geral com as obras e trouxeram filósofos, poetas, etc. Conviviam com artistas que os atualizavam na época. Ocorriam grandes debates. Um dos grandes destaques foi Sandro Botticelli, que mostra na sua obra a passagem da Idade Média para o Renascimento.

No quadro: O Nascimento da Vênus (1485), de Botticelli, percebe-se o tema pagão que foi escolhido pelo artista, retomando o paganismo, e retornando o nascimento do amor. Botticelli, usa de uma lado o pensamento pagão e de outro lado a reforma de Savanarola. O Monge Savanarola, era um religioso, crítico da depravação na época. Ele condenava o materialismo, o amoralismo, e procurava corrigir a moral e a ética. Ele queria resgatar a espiritualidade e condenar a corrupção. A Vênus está envergonhada, tapada, parecendo uma virgem, de um lado o paganismo e de outro lado o cristianismo. Essa polaridade entre o materialismo ateu e entre o espiritual cristão. A mentalidade medieval era muito restrita e fechada. No Renascimento percebe-se um equilíbrio, um espaço que é matematicamente projetado e as figuras estão de acordo com a visão equilibrada entre as partes. Mostra a espiritualidade, a figura é leve e serena. O rosto expressa meiguice e leveza.

No quadro: Vênus e Marte, de Botticelli, pode se interpretar de diversas maneiras porque somos livres e não sabemos o real significado, mas podemos estudar sobre a época na qual ele foi feito. Assim podemos ver qual tipo de leitura fez o artista e que fatores referentes podem influenciar.

Savanarola, queria reformar os costumes e fazer uma reforma religiosa, mas a época não era madura, não era adequada para isso e por isso ele teve que ser eliminado.

Maquiavel, possuía polaridade materialista, amoral e profana. É o exemplo do pensamento materialista. O que valia era a riqueza e o poder.

Lutero, fez o contrário a Maquiavel, pois surgiu na mesma época dele. Condenava a corrupção e o profano.

A metodologia de Ervin Panovski, mostra que será levada em conta o local e a obra para se descobrir o significado, pois se foi feita para a igreja tem um significado. Pois se foi feita para um palácio tem outro significado. Se foi feita para um tribunal tem outro significado. Para Ervin, sabendo o local que a obra pertence, pode ser a chave para saber o significado. Primeiro devemos perguntar onde estava a obra. A segunda metodologia pode ser procurada nos livros e templos que existiam na época. Investigar a influência literária do artista. Investigar a influência bibliográfica que o artista sofreu, pois na época não tinham muitos livros e nem templos.

No quadro: A Virgem com o Menino Jesus no colo, de Domênico Veneziano, ele mostra bem o sagrado e o profano misturados. Nesse quadro, vemos que ele colocou a Virgem Maria em um ambiente palaciano e usou como ornamentação, um modelo de um palácio renascentista. Neste caso, o tema se tornou uma propaganda política, uma propaganda do Mecenas. Pois este é o cenário do Cardeal que encomendou a obra. Percebemos que o artista procurou agradar e bajular o poder. E não contente, ele colocou o próprio Mecenas, junto com os personagens.

São Francisco de Assis que doou tudo para a Igreja, é o Santo do desprendimento que aqui aparece com o Papa e toda a sua materialidade. Sutilmente, o artista faz a crítica com isto. Pelo olhar de São Francisco, parece que ele está pouco a vontade, parece que ele fica constrangido.

“A arte do renascimento é vanguarda por mais que fosse uma arte conservadora, a arte do renascimento sempre foi vanguarda porque ela expressou a sua época”. Como nunca antes na história foi revelado o papel de ler e entender a época. Para a arte, foi reservado o papel de ler e mostrar a época. Ao mesmo tempo em que o artista fazia uma propaganda do poder, ele também criticava esse poder. A arte do Renascimento foi muito rica em significados, representa a dialética e a polaridade entre o poder e o que se tenta comprar do artista e do quanto este artista tenta resistir ao suborno e ao poder. De um lado é a riqueza e de outro lado é a verdade. Somente a elite comprava quadros, e mesmo assim o artista usa um espaço na sua obra para criticar o poder, pois a maioria não fazia o jogo dos poderosos. A arte nunca pode ser vista num sentido só. A arte estava a serviço do poder, deveria estar ao lado do poder e divulgando o momento do poder. Mas ela também está do outro lado, criticando o poder. A arte sempre é um meio termo. Não adianta querer contrariar o artista, porque se não ele não faz a arte. A arte tem múltiplos significados e nós podemos fazer outros significados e interpretações como observadores.

Outra polaridade na arte renascentista é a espiritualização e a materialização. Ao mesmo tempo em que os homens tinham aquela ânsia pela espiritualidade. Botticelli é o artista específico dessa tendência. Buscavam a espiritualização pela fé, mas também era uma época materialista e realista. Ao mesmo tempo que valia a riqueza e o poder, também valia o espírito e a fé.

No quadro: Cristo Deposto, de Andrea Mantegna, o artista interpretou o outro lado do renascimento, mostra realista de uma forma tão real que choca. Mostra o inchaço que precede a putrefação da matéria. O corpo está inchado. Cristo está deitado, morto, quase em putrefação.     

As Esculturas do Quatrocento.
Em Florença, um dos maiores nomes do Renascimento foi Michelangelo, que tem como destaque a obra: Davi. Ele pegou essa obra no início e terminou-a. mostra a desproporcionalidade em algumas partes do corpo, mãos, pescoço, com deformidades anatômicas, mas na realidade Michelangelo, calculou com a ilusão de ótica, poque a obra tem 6 metros e era para ser colocada a 15 metros de altura e para ser vista de baixo para cima. A este ângulo, as imperfeições desaparecem.

Como o Partenon, que foi feito para ser visto assim, de baixo para cima. Michelangelo, tinha como característica desviar a atenção do modelo em uma parte do corpo da obra. O restante fica mais leve e mais descontraído, enquanto que no rosto há uma tensão.

O Túmulo da Família dos Médici, apresenta que foi trabalhada a arte sacra. A morte está representada como um general romano e as figuras do dia e da noite. Nas figuras femininas, em baixo, apresentam os corpos deformados, usando o titanismo.

A obra: El Condochieli, o condutor, de Verróchio, mostra em suas obras o trabalho do titanismo viril, um volume enérgico, tanto do condutor como do cavalo, figuras fortes, o conjunto é marcado por densidade intencionada. Com postura e ao mesmo tempo aparece o titanismo e a fragilização da figura humana.

O Rei Davi, de Donatelo, mostra a tendência de fragilização humana. Donatelo possuía amizades enérgicas com homens. A sexualidade marca a característica frágil de Donatelo.

A Portas do Batistério, de Ghiberti. A entrada da Catedral de Florença, mostra passagens bíblicas e inaugurou uma nova possibilidade de aproveitamento do espaço no alto relevo. A escultura das portas modelou 6 painéis. Empregou no relevo os princípios da pintura, sugerindo diferenças mínimas nas figuras bem delineadas no primeiro plano e a medida em que o observador vai se afastando, as figuras ficam menos delineadas, para mostrar a ilusão de ótica e algumas somente com nas silhuetas. Sentido de profundidade. A novidade foi usar essa prática que existia  na pintura, usando no relevo.

A Cúpula da Catedral de Florença, foi projetada por Brunelleschi, no início era gótica mas foi transformada em renascentista. O modelo foi romano, mas as características da época renascentista. O modelo da cúpula marca a época.

Palladium também usou este modelo de cúpula em palácios rurais e prédios civis. O primeiro arquiteto que procurou combinar com elementos da arquitetura grega e romana. Fez em residências que não tinham fachada principal. Tinham apenas escadarias e em baixo o porão para escravos. Sempre tinha um grande salão que era o ponto central e a cúpula em cima. Ele combinou o monumento com o ambiente externo. Colocava o palácio no meio do jardim. O jardim como elemento de valorização para o conjunto da arquitetura. E no jardim, ele interpreta o racionalismo externo, por serem feitos os canteiros pelo homem, como forma geométrica. Onde não é a concepção do homem se adaptar a natureza. E sim do homem transformar a natureza no prazer. Uma natureza domesticada. Concepção de que a natureza deve ser melhorada pelo homem. Para ela ser agradável ao homem. Estes palácios eram comprados pela burguesia. A burguesia tinha inveja da vida da nobreza tinha no campo. A burguesia queria se aristocratizar.

O Cinquecento.

Período que vai de 1500-1600, século XV. Ficou concentrado em Roma, transformou-se em um grande centro artístico e isso teve a ver com a igreja e sua situação, que estava muito fragmentada. Momento de grandes divergências. Havia 3 Papas. Um em Roma, outro na França e outro na Alemanha. Eles se odiavam a ponto de descomungar todo mundo. No final do século, os grandes sacerdotes começam a retomar o controle da cristandade. Roma já estava mais centralizada e isso representou um ingresso de mais recursos. Criaram o dízimo, que são 10% dos recursos dos católicos, que devem pagar para a igreja. Roma torna-se um grande centro financeiro e para movimentar a dinheirama, eles criaram bancos por todos os lugares. Essa é a base material que explica como Roma conseguiu atrair tanta gente para trabalhar na cidade. No século XVI, aparecem os grandes artistas que vão trabalhar para a igreja: Leonardo Da Vinci e Michelangelo.

Leonardo da Vinci – fez a Santa Ceia, uma de suas 8 grandes obras. Ela está num mosteiro em Milão, na Itália. Foi contratado para trabalhar em Roma. Ele era um artista diferente por ter múltiplos interesses científicos e culturais. Se interessava por tudo: física, medicina, botânica, engenharia, etc. Fez poucos quadros e todos foram considerados obras-primas. Ele só pintava depois de muito estudo, leitura e cálculo. Ele considerava o quadro produto de uma reflexão.

Quadro: a Virgem dos Rochedos – de Leonardo da Vinci, inaugurou a técnica de usar a luz e a sombra. Como captar a luz, resultado de seus estudos, e o uso da ótica, dos efeitos de luz e dos objetos. Ele usava para fazer os seus quadros. A luz vem da esquerda e ilumina uma parte do ambiente. O rosto da virgem e de outras partes ficam escuras. O plano de fundo era caótico. A polaridade básica de Leonardo, são os dois planos, o 1º plano racional e o 2º plano irracional. A obra tem no 1º plano, de frente, figuras serenas, tranquilas e equilibradas. Bem distribuídas e isto representa a razão e o controle. Tem luz. O 2º plano é o de fundo, onde mostra que é sombrio, não tem luz, é o lado irracional, a natureza é caótica, e é o outro lado do homem, o lado desconhecido. O 1º plano é parecido com os outros artistas pois apresenta características renascentistas. O 2º plano são as características do artista Leonardo, somente dele.  

A interpretação de Freud para este quadro foi feita sob uma análise através de uma carta que Leonardo escreveu para o seu amigo contando que tinha se perdido no mato. Freud disse que isso foi uma experiência traumática da infância. Então quando Leonardo pintava cavernas, estava na verdade querendo liberar tensões psicológicas do trauma. A História real de Leonardo é que quando criança se perdeu mesmo em uma floresta com muito mato e mais tarde escreveu isso numa carta contando para um amigo.

O quadro: Santana, a Virgem Maria e o Menino Jesus, de Leonardo da Vinci, foi interpretado por Freud e por Gombrich. O 1º plano da frente apresenta serenidade, sobriedade, equilíbrio e luz. O 2º plano é sombrio, montanhoso e a natureza é brava.
A história real de Leonardo, é que ele foi filho de seu pai com uma camponesa e depois o pai dele se casou com outra mulher e a mãe entregou o filho para essa outra mulher, a madrasta de Leonardo.

A interpretação de Freud, diz que o menino Jesus do quadro, representa Leonardo, a Santana é a igreja e a Virgem Maria é a mãe. Onde ela procura resgatar o carinho, mas é tarde porque ela escolheu outro objeto de afetividade que é a ovelha e Leonardo está apegado pelo afeto da outra. Trauma infantil de Leonardo.

A interpretação de Gombrich, aconselha olhar o cordeiro como símbolo nos outros quadros da época. Pelos outros artistas e pela igreja, a ovelha era o sacrifício. A virgem estaria simbolizando a mãe sabedora do destino do filho, que procura com amor livrar o filho, e a Santana significa a igreja dizendo que ele teria que ser sacrificado para dar a salvação a elas duas, parecendo que queria afastar a mãe do filho, por questão vantajosa de salvação a elas.                   

La Gioconda, ou Mona Lisa, ou Monalisa, de Leonardo da Vinci, repete a polaridade de 1º plano de frente com serenidade, tranquilidade da figura humana calma, com auto controle. No 2º plano, de fundo, aparece o tumulto, as montanhas e o sombrio. Muitas leituras foram feitas em função dessa obra.

A leitura da homossexualidade: uma das interpretações que Leonardo teria feito o seu auto retrato, por ser mais velho, e aparenta rejuvenescimento, ele na figura de uma mulher. Também porque tinha muitas amizades masculinas e coloridas. Ao que se sabe que era homossexual.

A leitura da ironia: apresenta que a obra está na teoria da contestação do poder, do sorriso, e o olhar debochado. A figura parece burra, mas sabe de tudo que está acontecendo e ironiza com o olhar e leve sorriso.

A leitura da burguesia: Leonardo colocou a arte a serviço da burguesia, pois ornamentavam as paredes dos palácios com quadros. Colocou o seu talento e serviço a disposição do capital e mostra por um lado que corteja o poder. Pois ele fazia o melhor que podia. O poder podia comprar o tempo do artista, mas o poder não podia comprar a alma do artista.

Quadro: A Leda e o Cisne, de Leonardo da Vinci, é uma pintura perdida, que foi atribuída a Leonardo, mas tem imagens diferentes e acham que foi de uma época da escola, foi usada a técnica dele, pois somente os rostos e as crianças possuem as características dele, mas a paisagem não possui as características dele. Interpretamos o cisne seduzindo a Leda, e as crianças são o apelo do erotismo.

Outro artista é Michelangelo, considerado mais completo que Leonardo da Vinci, porque ele pintava, esculpia e escrevia tudo. Se titulava mais como escultor. Uma das suas obras mais famosas é a Pietá, a piedade, em mármore, de 1504. Está em Roma, na Basílica de São Pedro. Essa obra mostra a polaridade entre a vida e a morte. A Virgem Maria é a Vida e o cristo que está em seus braços é a morte. Ao mesmo tempo em que ela compadece, se conforma, tem o rosto passivo que não revela muito, mas a mão é de conformidade.

A Escultura de Moisés, de Michelangelo, é uma obra em mármore, que era para ser colocada no túmulo de Júlio II, mas somente ficou pronto o Moisés. A polaridade aparece entre o movimento e o repouso. Moisés olha para algum lugar, parece que ele levanta e a tábua escapa um pouco do braço. As guampas são raios de luz que não tem como esculpir.

A Pietà Rondanini, de Michelangelo é uma escultura em mármore e apresenta o tema de quando Cristo foi recolhido da cruz. O Cristo é o auto retrato de Michelangelo, só que, com o nariz arrumado.       

ARTE BARROCA.

A Arte Barroca surge no início do século XVI e foi muito importante no ponto de vista político do Absolutismo Monárquico e no ponto de vista religioso. O governo estava querendo se afirmar com o Absolutismo autoritário e forte na Europa (França, Itália Espanha e Portugal).

No ponto de vista religioso estava a Reforma Religiosa que estava bastante vinculada com a arte. Porque Roma quis concluir logo as reformas da Basílica de São Pedro. Mas uma das causas da Igreja foi arrecadar fundos para a campanha da cristandade para terminar as obras da Basílica de São Pedro. Nessa campanha, o Vaticano iniciou a VENDA DE INDULGÊNCIAS (que era um perdão antecipado dos pecados), que tinha sido criado na época das cruzadas. Antes, as indulgências eram dadas aos guerreiros das cruzadas, mas agora estava sendo vendida (comercializada). A comercialização foi tão escancarada que a igreja contratou empresas bancárias para vender as indulgências com desconto e com preços nominais. A igreja iniciou a venda na Alemanha, por que lá a igreja era muito forte e tinha grandes quantidades e extensões de terras. Mais ou menos 2 terços do território era da igreja.

Foi quando surgiu um Monge de nome MARTINHO LUTERO, que ficou indignado com essa negociata e começou a criticar a igreja católica em seus sermões. Criticava severamente, condenava o procedimento de venda de indulgências e atribuía as responsabilidades daquele desvio de conduta da igreja pelo luxo e riqueza que ela tinha acumulado. Lutero queria saber porque a igreja não podia voltar a ser pobre. O Papa ficou sabendo e mandou chamar Lutero para que ele se retratasse. Obrigando a ele obediência, mas ele se negou e confirmou a crítica da igreja católica ao Papa que descomungou Lutero. Lutero se surpreendeu com o apoio que recebeu de diversas classes sociais. Lutero foi visto como herói alemão. A nobreza alemã, a burguesia e os camponeses estavam em apoio a Lutero, mas com motivos diferentes.

A burguesia queria a separação do catolicismo alemão do catolicismo romano, mas na verdade todos queriam se separar da igreja romana. A burguesia queria porque se ocorresse o desmembramento da igreja, não precisariam mais pagar o dízimo e assim, ficaria mais dinheiro na Alemanha do que iria para Roma e a burguesia poderia fazer mais coisas com o dinheiro.

A nobreza queria tomar muitas terras da igreja porque a igreja tinha muitas terras na Alemanha. A nobreza queria a separação da igreja para tomar as terras.

Os camponeses acharam que ele era o salvador dos pobres. Com tanto apoio, Lutero fez mais críticas a igreja e estabeleceu uma nova doutrina. A Bíblia era escrita em Latim e Lutero traduziu-a para o Alemão. E começou a ideia de que não só os pobres podiam ler, e sim todos poderiam ler e interpretar a Bíblia. Lutero começou a criticar os dogmas e procedimentos dos fundamentos da igreja. A igreja tornava-se intolerante a Lutero. A crítica ao Papa foi a infalibilidade, como que o Papa era infalível, não errava e não podia errar. Lutero disse que era impossível uma pessoa humana não errar, mesmo sendo um Papa. Os outros dogmas combatidos eram os Sacramentos (7), pois para ele somente o Batismo e a Eucaristia, já bastavam, os outros poderiam ser retirados, não tinham necessidade: (a ordenação, o casamento, a extrema-unção, infalibilidade do Papa, crisma e a penitência). Lutero dizia que os sacramentos eram um jeito da igreja para ganhar dinheiro, cobrando cada um dos sacramentos como cada serviço. Outra coisa improcedente era culpar os santos e fazer cultos aos santos. Uma outra crítica era o fausto, a riqueza, o luxo e o acumulo de ouro que a igreja praticava. Pois para Lutero a igreja deveria ser pobre, voltar as origens, porque isso era ser responsável pela imoralidade e ostentação. Lutero foi descomungado pela igreja católica, mas ele continuou cristão, acreditando em Deus, lendo a Bíblia e fundou uma igreja e uma nova religião.

O LUTERANISMO e a Igreja Luterana. Teve muito apoio da burguesia, nobreza e dos camponeses. Isso foi parte da Reforma Religiosa e este exemplo influenciou muita gente. Ocorreu a Reforma Religiosa.
Lutero fundou o Luteranismo na Alemanha.
Calvino fundou o Calvinismo na França.
Rei Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana na Inglaterra.

Assim cada um ficou com o dízimo e não repassar para o Papa. Quando a igreja romana se deu conta, mais da metade da Europa estava fora da igreja de Roma e isso a preocupou muito com a perda de fiéis. A igreja de Roma convocou então o CONCÍLIO DE TRENTO, onde a pauta era fazer uma avaliação, para ver o que estava acontecendo e o que poderia ser feito. Demoraram 10 anos para fazer a avaliação. No final, concluíram que não erraram em nada e que Lutero é que estava errado. Que a Igreja estava sempre certa, que o Papa era infalível, que os 7 sacramentos eram sagrados e não poderiam ser alterados e o culto aos santos deveria continuar. Principalmente o culto a Maria, e que a igreja deveria ficar mais poderosa e rica. Para isso ela deveria arrumar mais dinheiro. Para compensar foram conseguir fieis em outras partes do mundo e de outros territórios.

Nessa época (1504), Portugal estava iniciando a colonização ao Brasil. A Espanha estava iniciando a colonização do México. Neste Concílio, a Igreja decidiu acompanhar essas colonizações. O Concílio de Trento estabeleceu uma ordem:

A COMPANHIA DE JESUS. Foi fundada pelo Padre Santo Ignácio de Loyola e mostrou que estava preparado para sair e colonizar, com o objetivo de conseguir fieis, catequisar os índios da América, o gentil da África e os hindus da Índia, todos povos considerados primitivos.

A igreja entendeu que precisavam colocar a arte a serviço da catequese e essa foi uma conclusão importante no Concílio de Trento. A arte seria o auxílio da catequese. Por isso o Concílio de Trento foi importante para a Arte Barroca. O conselho aconselhou a ordem dos Jesuítas, que sempre que possível usassem a arte como instrumento de auxílio na catequese. O problema da arte renascentista, é que era pouco adequada para este objetivo da igreja. A arte renascentista era muito intelectual e racional. A igreja achava que esses povos eram muito primitivos para esse tipo de arte. Eles não iam entender porque precisavam ter uma certa cultura e um pouco de elaboração mental e a igreja não queria que as pessoas pensassem muito. Os jesuítas saíram frenéticos do Concílio, pois queriam arrematar os fiéis pela religião. Precisavam de uma arte que emocionasse o fiel.

A música sacra tinha que ser de um ritmo mais forte, com mais quantidades de acordes para a pessoa vibrar mais. A música renascentista não era adequada porque era lenta e calma. Quanto mais forte e mais vibrante, a pessoa ficava atordoada. O discurso também tinha que ser rápido e com muita empolgação e os padres sabiam fazer isso muito bem. Os jesuítas foram treinados com cultura, saber música, pintura, escultura, conhecimentos universais e passavam um pouco de trabalho nessa preparação. Assim foram formados na Europa para estarem bem preparados.

A PINTURA E A ESCULTURA BARROCA.

Na Europa e no Brasil, a igreja precisava buscar novos fieis. Na Europa ocorre o Movimento de Contra Reforma da igreja católica. Além do esforço que a igreja tinha que fazer para catequisar os habitantes da África, Américas e Índia. Nas Américas estavam iniciando os movimentos de expedições, pelo expansionismo de Portugal e da Espanha. Eles tinham que acompanha e usar a arte para aplicar e reforçar a catequese. O problema era reforçar a moral da igreja. A arte veio para reforçar, dar êxtase, empolgação e vibração. A dúvida era se a arte seria realista ou surrealista, esse era o novo dilema. Optaram pelo realismo para alguns casos e o surrealismo para outros casos.

A arte realista foi seguida pelo modelo de Caravaggio. A igreja escolheu esse pintor que usou o princípio de Leonardo da Vinci, que era trazer a luz e aplicar os efeitos da luz na pintura. A luz clareava tudo, deixando os elementos nítidos do quadro. Aplicaram o jogo de movimentação mostrando uns elementos e outros não. A luz mostra apenas uma parte e isso torna a obra mais movimentada. Mais expressiva por que a luz produz volume e provoca uma realidade misteriosa. Misturando o claro e o escuro a luz provoca uma descrição da realidade misteriosa. Porque uma parte é visível e a outra é oculta e isso cria uma tensão dentro do quadro. Caravaggio desenvolvia uma pintura de punho muito realista, com temas religiosos, usados da forma realista. Faziam com que os personagens religiosos, descessem do céu e recebessem formas humanas. Retirando do tema religioso a santidade e a proposta de dessacralizar o tema. Trazer o tema religioso para uma interpretação realista.

Quadro: A Visita dos 3 reis Magos, de Caravaggio. A Virgem Maria é retratada como uma camponesa rústica, uma pessoa real. Os reis magos perdem a auréola, o luxo e o requinte. São retratados como pessoas simples, com traços físicos de rostos daquela época, mais modestos, pobres e próximos da realidade. O artista procurava modelos vivos do submundo para dar o tom realista em suas pinturas. Os 3 reis magos parecem mendigos, pobres e bebuns de uma taberna. Caravaggio, não elimina completamente a auréola, mas deixa ela bem oculta a 1ª vista. Só que de perto é possível vê-la. Os rostos são sofredores.

Quadro: a Virgem com o Menino, de Caravaggio. A luz vem de um lado e deixa o resto escuro. Caravaggio coloca a Virgem em um ambiente pobre, onde as paredes estão perdendo o reboco. A Virgem mostra o menino para um casal pobre de camponeses e não para o Papa. Uma pintura comprometida com os plebeus, que foram escolhidos como modelos para a obra. A população se identifica com o quadro.

Quadro: A Deposição de Cristo, de Caravaggio. Observa-se deformidade física no corpo, pés grandes, mas a realidade do corpo de Cristo, cabeça enorme, braços longos, gesto dramático dos personagens, como se eles estivessem clamando ao céu por piedade. Essa pintura foi qualificada porque a população iria se identificar com os personagens e a igreja poderia arrematar esses fieis. A igreja não poderia vulgarizar-se. Essa arte barroca foi uma arte encomendada para enfeitar os mosteiros, as ante salas, e mostrar exemplo de se conservar na pobreza e na humildade.

O outro modelo é o SURREALISMO. Modelo em que some a sensualidade. O modelo da pintura de Ludovico Carracci, é surrealista, além do real. E de seu irmão Agostinho Carracci. Suavizaram as cores, suavizaram a pintura, tem um gesto delicado, uma expressão suave e serena, de um olhar calmo que adotaram como técnica. O quadro fazia uma composição com 2 planos.

Quadro: A Virgem com o Menino, de Carracci. Começou a fazer o quadro com um composto de 2 planos. A 1ª cena é terrestre e os personagens vivem na terra. O plano superior é cena celeste, as nuvens, através de uma apoteose, revoada de anjos. Os Carracci se propõem a dar uma ideia, através do quadro, de que há um aparecimento de um anjo, uma visão da Virgem Maria. Movimentação no quadro, o que se passa aqui na Terra. Estimular no fiel o estado de espírito, para ter essas visões místicas. O fiel via essa pintura quando ia a igreja.

Quadro: A Extrema Unção de São Gerônimo, de Agostinho Carracci. A igreja reforçou o tema do sacramento e aconselhou que ele fosse bastante explorado. Mostra os anjos olhando para uma aparição. A pintura foi considerada muito apropriada para o objetivo da igreja. Estimulando a espiritualidade para esse tipo de experiência. Interpretaram o tema Bíblico como  igreja pediu.

Quadro: A santíssima Trindade, de Tiépolo, para o Papa Clemente VII. O Papa estupefato tendo uma visão. Foi usado o modelo de Carracci. Representa o Papa vendo uma aparição celeste, onde ele presencia a santíssima trindade. A igreja queria ornamentar as paredes e o teto com estas pinturas para criar um ambiente mais real para o fiel pensar que poderia ter uma visão também e arrebata-los para a igreja.

Quadro: A Apoteose de Gregório II, de Claudio Coelho. O Papa subindo aos céus, rodeado de anjos, tendo ao seu lado o Arcanjo Gabriel com a espada de fogo lutando contra o demônio. A luta entre o bem e o mal e a apoteose é o Papa subindo para o céu.

Quadro: São Francisco, de Mazzoni. São Francisco foi o grande tema do barroco. Este foi pintado pelo italisno Mazzoni, seguiu o modelo de Caravaggio. Mostra uma expressão de desespero com a tensão no rosto. Imagem intensa. Imagem que ia para o quarto do padre.

Quadro: São Francisco, de Zurbarán. O santo está vestido mal trapilho, calmo e é molambento.

Quadro: O Martírio de São Bartolomeu, de Diego Rivera. Mostra o sacrifício do santo.

Quadro: Maria Imaculada, de Murilo. Tema consagrado que mostra o dogma da concepção de Maria, sem o pecado, a única mulher que nasceu pura.

Quadro: Imaculada Conceição. De Alonso Cano. Aparece pisando em uma serpente e no fundo uma lua minguante. A Virgem Maria é a única mulher que viveu livre do pecado original.

PINTURA DE TETO BARROCA.

A pintura que deveria ser vibrante, tensa e colorida, surrealista e com combinações primárias, apresentar gesticulação nervosa, muito movimento, agitação e toda essa loucura nervosa. Os tecidos teriam que ser esvoaçantes. O tem preferido é a apoteose. O clímax e o lugar preferido é o teto da igreja. Mostrar a figura divina subindo ao céu. Com todos os anjos e querubins, como se fosse um paraíso, brilhante, agitado, com figuras e cortejo, tocando instrumentos divinos, em movimento como se o teto não existisse e sim é o céu. As figuras se ligam as colunas que sobem do chão ao teto, para ligar a paisagem toda. Para dar aparência que a cúpula vai indo mais não tem a tampa do teto, é o céu. As cores são fortes, azulão, amarelão, e os olhos das figuras são arregalados.

BARROCO NO BRASIL.

O estilo teve presente no mundo todo, mas em cada região em que ele foi aplicado, ocorreram mudanças pela mentalidade do local. O barroco de MG foi adaptado e teve grande participação, foi um barroco com estilo mais mulato. A maioria dos artistas que interpretaram o barroco europeu, usaram a sua visão de mundo e o seu jeito, cada um tinha um jeito. Aprenderam a pintar do modelo europeu, mas após isso usaram os seus trabalhos feitos a sua maneira.

O Athaíde, mudou as cores do barroco que eram o amarelão, azulão e o vermelhão, e começou a usar cores mais suaves, como tons de creme, rosa, castanho, branco e marrom. Criou cores diferentes, não seguiu o padrão. No quadro da Virgem, pintou ela como mulata mesmo, com cores e traços de negra, com vestes grosseiras e rústicas, na volta os anjos estão com a pele mais escura, com o cabelo pixaim e um ambiente com luz castanha. Na época pensaram como que poderiam usar essa obra se a ordem da igreja era branca e não negra. Há várias hipóteses de formular a aceitação deste quadro na época. Na região de Ouro Preto não havia nenhuma ordem religiosa, porque naquela época não poderia instalar uma ordem religiosa lá, porque Portugal retirava ouro da região e não queria concorrência com a igreja. Os padres que lá estavam, não entendiam nada da situação, somente catequisavam os escravos de lá. E os escravos de lá também não entendiam nada sobre a extração do ouro. Nessa região tinham negras muito bonitas e muitas pessoas escravas ou da igreja passavam mais o tempo na perversão do que no entendimento da sociedade. A obra da Virgem negra passou desapercebida, pois ninguém se responsabilizou e ninguém fiscalizou, porque não tinha fiscalização nenhuma. Outra hipótese é que Portugal queria o povo todo unido por que se houvesse uma invasão da Inglaterra, precisava do povo unido. Portugal mandou que todos os brasileiros fossem aliados e lutassem junto dos portugueses e por isso fizeram vistas grossas a este quadro, assim não criavam caso com os mulatos e os brasileiros pensassem que Portugal fosse irmão.

O problema entre Portugal e a Inglaterra é que Portugal estava devendo para a Inglaterra e a qualquer momento ela poderia cobrar ou atacar.

Quadro: A Santa Ceia. Apresenta muita pobreza, o ambiente é bagunçado, os apóstolos parecem taberneiros, o pão é um naco de pão, o vinho não é um cálice, é uma jarra e o carneiro foi destroçado, uma comemoração popular. Há personagens que estão entrando e saindo da cena e uns olham para trás como se tivesses outros lá.

ARQUITETURA BARROCA.

O ornamentalismo barroco é a expressão da igreja e coincidiu com o período de restauração da igreja. Se apresentou com o momento de ornamentalismo e monumentação do tamanho da igreja. A sua rica e variada ornamentação mostra o momento de poder da igreja.

A Igreja de Santiago de Compostela, na Espanha, é o exemplo típico dessa ornamentação. Toda a superfície é esculturada. A faixada é esculpida com figuras de anjos, flores e frutos. Não são em todos os lugares que o barroco é igual ou seguiu um modelo. Ele se particularizou de forma diferenciada, não seguindo os padrões. O ornamentalismo é geral, mas os tipos são diferentes dependendo do lugar.

Na Alemanha a expressão da riqueza foi o material. Escolheram o mármore colorido, mas não o branco. Escolheram também usar muito metal, tanto vazado como de fundo trabalhado artisticamente com grande ornamentalismo para identificar o poder. O ornamento era associado com o poder, símbolo da força e de poder. A pintura era intercalada com espaços pintados e espaços brancos para dar o jogo dos opostos.

Em Portugal, a ornamentação interna foi feita com madeira. Cobrir as paredes todas com muita madeira, fazendo grandes estruturas de madeira e de preferência pintadas com dourado. O elemento cor é muito forte e importante. A cor ouro ou dourado, é sinônimo de riqueza. O interior das igrejas era todo amarelo, a visão fica sobrecarregada e a ornamentação desvia a atenção para esta riqueza. Esta decoração impressiona pelo colorido, mas não permite que se preste a atenção nos detalhes. O princípio geral do barroco era a contraposição das coisas e acima contraria com o princípio.

No Brasil, as igrejas foram erguidas no litoral da Bahia, onde há inúmeras delas. O modelo foi copiado do europeu. A faixada toda é decorada. Não tem nada liso. As marcas na faixada são várias: folhagens, humanos, frutos, guirlandas, etc. A decoração no interior é toda em dourado como na tradição portuguesa.

O barroco se particularizou em MG, porque lá se caracterizou com a região. A maior parte são pequenas igrejas ou capelas com a parte externa simples e internamente muito ornamentadas. Nas igrejas mineiras tinham como características sua parte externa muito simples, com o predomínio do liso, e na parte interna bastante ornamentada. Essa particularidade do barroco mineiro pode ser explicada por vários motivos. A parede era levantada com 2 escoras e essa parede era feita de barro socado, por isso houve a discrepância de simples por fora e ornamentada por dentro. Existiram poucos artistas para trabalharem com pedra e levava tempo. E aqui eles queriam que as igrejas fossem levantadas rapidamente e depois ornamentadas por dentro. Quem encomendava as igrejas eram as sociedades de confrarias. Existiam confrarias de brancos e confrarias de negros e cada uma queria a sua própria igreja. Até porque cada uma tinha o seu próprio padroeiro e era para ele que erguiam as igrejas. Ao contrário do barroco europeu. Cada uma das confrarias queria ter uma igreja mais bonita que a do outro e isso desautorizou a tese do simples por fora e rica e ornamentada por dentro. Se eles pudessem triam ornamentado por fora, mas esse catolicismo não existia em MG.

Nas igrejas da Guatemala, e em alguns lugares das Américas, as faixadas são em pedra como no estilo europeu. Então formou-se a tese que a simplicidade no Brasil, foi por falta de recursos ou o desvio de grande parte destes recursos. No México e na Bolívia, tem igrejas lindas por fora e por dentro.

A Igreja da Ordem de São Francisco, em Ouro Preto, em MG, dos padres franciscanos, é uma das mais belas e importantes igrejas de Ouro Preto. Ela foi esculpida e pintada por Aleijadinho, que fez a Virgem mulata. O padrão da igreja é sempre um retângulo de pé. Aqui tinham o mesmo padrão, porque eram copiadas umas das outras. O barroco é amarelo e o rococó se caracteriza pela diversidade de cores. É um barroco suavizado, porque o barroco mesmo é muito cansativo e pesado, no exagero do branco com dourado.                                         
                     
BARROCO E O ROCOCÓ.

A exuberância do barroco serviu para a corte, para os reis nos palácios e para a igreja. Expressou o poder dos reis e da igreja. O Rococó se encaixa por ser a continuação do barroco real. Laico e usado pela elite, o Rococó segue os princípios da beleza, mas ele foi suavizado, com cores mais suaves, mais claras, na medida em que o poder dos reis foi mais centralizado. A vida na corte se tornou mais sofisticada. Requintada com mais etiquetas. O Rococó é o símbolo e a expressão da nobreza. Era a parasitaria de quem não tinha o que fazer. Somente se divertir, jogar, fofocar, dançar, beber, festejar e fornicar. A arte mostra a futilidade que a nobreza dependia do rei para sobreviver. Isso ocorre em meados do século XVIII, 1700 - 1750. O Rococó vem de Rocaie, na França e um dos artistas que se destacam é Watteau. Que mostra 2 tipos: a cena íntima e cenas do cotidiano elegante. A cultura do Rococó é feita em pequenas obras. Quadrinhos, típico do Rococó francês. A diferença do barroco e do rococó são as cores.

Quadro: Os Encantos da Vida, de Watteau. Mostra as pessoas bem elegantes convivendo com a natureza e desfrutando do divertimento, uns conversando e no fundo outro grupo se divertindo.

Quadro: Embarque para Cythera, de Watteau. Era uma colônia de férias. Eles saíam da corte para fazer piquenique neste local.

Quadro; A Bela Adormecida, de Boucher. Mostra a elegância na vida pastoral com os camponeses copiando a pose da corte. O que difere é a roupa que é grosseira. As figuras desfrutam um momento de descanso.
Quadro: Diana a Caçadora, de Natier. A especialidade dele era retratar a corte como personagens da Mitologia.

Quadro: As Banhistas, de Fragonard. Mostra o padrão de beleza que estava na moda.

Quadro: O Balanço, de Fragonard. Mostra o passatempo elegante.

Quadro: O Casal Graham, de Gains Borough. É do estilo do Rococó inglês.

Quadro: A Senhora Graham, de Gains Borough. Também do estilo rococó inglês.

Quadro: A Conversa no Parque, de Gains Borough. Também do estilo rococó inglês.

NEOCLÁSSICO OU NEOCLASSICISMO.

Estilo artístico e arquitetônico que enquadrou-se ao positivismo. Conte escreveu seu pensamento na época Napoleônica e sua proposta era formular o pensamento científico entender a sociedade e organizá-la, num pensamento do século XIX. O racionalismo, a cientificidade e o neoclassicismo tinham normas e leis. O artista ou arquiteto teria que obedecer essas leis. A lei da proporção dizia que o prédio deveria ser belo e ter 2 de largura e 1 de altura, como um retângulo. A lei da verticalidade era para dar a impressão de que o prédio estava levantado e tinha que ter uma escadaria. A lei da simetria diz que tudo tem um lado e este tem outro lado.   

Fonte: Arquivo pessoal.

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