HISTORIA E
CULTURA AFRICANA
1 - Cultura Da África:
A cultura da África reflete a sua antiga história e é
tão diversificada como foi o seu ambiente natural ao longo dos milênios. África
é o território terrestre habitado há mais tempo, e supõe-se que foi neste
continente que a espécie humana surgiu; os mais antigos fósseis de hominídeos
encontrados na África (Tanzânia e Quênia) têm cerca de cinco milhões de anos.
O Egito foi provavelmente o primeiro estado a
constituir-se na África, há cerca de 5000 anos, mas muitos outros reinos ou
cidades-estados se foram sucedendo neste continente, ao longo dos séculos (por
exemplo, Axum, o Grande Zimbabwe). Para além disso, a África foi, desde a
antiguidade, procurada por povos em outros continentes, que buscavam as suas
riquezas.
O continente africano cobre uma área de 30.221.532 de
quilômetros quadrados, um quinto da área terrestre da Terra, e possui mais de
50 países. Suas características geográficas são diversas e variam de tropical
úmido ou floresta tropical, com chuvas de 250 a 380 centímetros a desertos. O
monte Kilimanjaro (5895 metros de altitude) permanece coberto de neve durante
todo o ano enquanto o Saara é o segundo maior deserto da Terra. A África possui
uma vegetação diversa, variando de savana, arbustos de deserto e uma variedade
de vegetação crescente nas montanhas bem como nas florestas tropicais e tropófitas.
Como a natureza, os atuais 922 011 000 habitantes da
África evoluíram um ambiente cultural cheio de contrastes e que possui várias
dimensões. As pessoas através do continente possuem diferenças marcantes sob
qualquer comparação: falam um vasto número de diferentes línguas, praticam
diferentes religiões, vivem em uma variedade de tipos de habitações e se
envolvem em um amplo leque de atividades econômicas.
2 - Tribos E Grupos Étnicos:
A África é o lar de inumeráveis tribos ou grupos
étnicos , alguns dos quais representam populações muito grandes, se consistindo
de milhões de pessoas, outras são grupos menores, de poucos milhares. Alguns
países possuem mais de 70 diferentes grupos étnicos. Todas estas tribos e
grupos possuem culturas que são diferentes, mas representam o mosaico da
diversidade cultural africana.
Os grupos étnicos da África são numerados em centenas,
mas cada um tem a sua própria língua (ou dialeto de uma língua) e cultura. As
divisões entre agrupamentos de grupos étnicos africanos, é complexa, tanto como
é o caso das línguas africanas. Um exemplo é o Egba, que é um subgrupo do povo
yorubá do sudoeste da Nigéria. Havia muitas tribos situadas em muitas áreas,
cada uma com uma forma diferente de fazer as coisas, e uma série de crenças e
deuses.
Algumas tribos mesmo esculpiam máscaras e esculturas
de madeira, algumas máscaras seriam usadas em ocasiões como um funeral para
criar medo e levar os maus espíritos para longe da aldeia. Os diferentes grupos
étnicos e nações sem estado da África tem sido quase sempre identificados como
tribos, embora alguns estudiosos como autor nigeriano Chinua Achebe contestam
isto devido à sua possível definição errada para alguns grupos (no seu caso, o
povo Igbo da Nigéria) e possíveis conotações negativas.
3 - História Da África:
A História da África é conhecida no Ocidente por
escritos que datam da Antiguidade Clássica. O homem passou a estar presente na
África durante os primeiros anos da era quaternária ou os últimos anos da era
terciária. A maioria dos restos de hominídeos fósseis que os arqueólogos
encontraram, australopitecos, atlantropos, homens de Neandertal e de
Cro-Magnon, em lugares diferenciados da África é a demonstração de que essa
parte do mundo é importante no processo evolutivo da espécie humana e indica,
até, a possível busca das origens do homem nesse continente.
As semelhanças comparáveis da história da arte que vai
entre o paleolítico e o neolítico são iguais às das demais áreas dos
continentes europeu e asiático, com diferenças focadas em regiões então
desenvolvidas. A maioria das zonas do interior do continente, meio postas em
isolamento, em contraposição ao litoral, ficaram permanentes em estágios do
período paleolítico, apesar da neolitização ter sido processada no início em 10
000 a.C., com uma diversidade de graus acelerados.
O Norte da África é a região mais antiga do mundo. A
civilização egípcia floresceu e inter-relacionou-se com as demais áreas
culturais do mundo mediterrâneo, motivos pelas quais essa região foi
estreitamente vinculada, há milhares de séculos, depois que a civilização
ocidental foi geralmente desenvolvida. As colônias pertencentes à Fenícia,
Cartago, a romanização, os vândalos aí fixados e o Império Bizantino influente
são os fatores pelos quais foi deixada no litoral mediterrâneo da África uma
essência da cultura que posteriormente os árabes assimilaram e modificaram.
Na civilização árabe foi encontrado um campo de
importância em que foi expandido e consolidada a cultura muçulmana no Norte da
África. O islamismo foi estendido pelo Sudão, pelo Saara e pelo litoral leste.
Nessa região, o islamismo é a religião pela qual foram sendo seguidas as rotas
de comércio do interior da África (escravos, ouro, penas de avestruz) e
estabelecidos encraves marítimos (especiarias, seda) no Oceano Índico.
Simultaneamente, na África negra foram conhecidos
vários impérios e estados que aí floresceram. Estes impérios e estados nasceram
de grandes clãs e tribos submetidos a um só soberano poderoso com
características próprias do feudalismo e da guerra. Entre esses impérios de
maior importância figuram o de Axum, na Etiópia, que teve sua chegada ao apogeu
no século XIII; o de Gana, que desenvolveu-se do século V ao XI e os estados
muçulmanos que o sucederam foram o de Mali (do século XIII ao XV) e o de Songai
(do século XV ao XVI); o Reino de Abomei do Benim (século XVII); e a
confederação zulu do sudeste africano (século XIX).
Durante o século XV os exploradores vindos da Europa
chegaram primeiramente no litoral da África Ocidental. O estímulo dado a essa
exploração foi uma forma de buscar novos caminhos para as Índias, após o
comércio ser fechado por parte dos turcos no leste do Mar Mediterrâneo. Os
colonizadores de Portugal, da Espanha, da França, da Inglaterra e dos Países
Baixos foram os competidores do novo caminho a fim de ser dominado por meio de
feitorias no litoral e portos de embarque para comercializar os escravos.
Concomitantemente, foram realizadas as primeiras
viagens científicas que adentraram o interior do continente: Charles-Jacques
Poncet na Abissínia, em 1700; James Bruce em 1770, procurando o local onde
nasce o Nilo; Friedrich Konrad Hornermann viajando no deserto da Líbia sobre a
garupa de um camelo, em 1798; Henry Morton Stanley e David Livingstone na bacia
do Congo, em 1879. A partir do século XIX, as potências europeias
interessadas política e economicamente representavam estímulo para que o
interior da África seja penetrado e colonizado.
As potências europeias desejavam a criação de impérios
que fossem estendidos de litoral a litoral, mas isso fez com que o Reino Unido
(pelo qual foi conseguida a ocupação de uma faixa de norte a sul, do Egito à
África do Sul, além de demais zonas colonizadas no golfo da Guiné), a França
(que estabeleceu-se no noroeste da África, em parte do equador africano e em
Madagascar) e, em quantidade pequena, Portugal (Angola, Moçambique, Guiné e uma
diversidade de ilhas estratégicas), Alemanha (Togo, Tanganica e Camarões),
Bélgica (Congo Belga), Itália (Líbia, Etiópia e Somália) e Espanha (parte do
Marrocos, Saara Ocidental e encraves na Guiné) brigassem entre si. A partilha
da África foi formalmente consumada na Conferência de Berlim de 1884-1885, na
qual firmou-se o princípio da ocupação efetiva como forma de legitimar as
colônias empossadas.
Devido ao regime colonialista estabelecido no
continente, foram destruídas e modificadas as estruturas sociais, econômicas,
políticas e religiosas da maioria do território da África negra. As colônias
que proclamaram sua independência, processo emancipatório que iniciou-se após a
Segunda Guerra Mundial e concluiu-se principalmente de 1960 até 1975, estiveram
sob ameaça da gravidade de problemas de integração nacional, que resultaram das
fronteiras arbitrárias como legado do sistema colonialista, além da pobreza (o
rápido crescimento da população africana é mais elevado do que o número de
alimentos produzidos).
Como dependem econômica e politicamente das antigas
metrópoles, a ineficiência da administração, as tribos e as ideologias
conflitantes entre si, todos esses fatores agravantes fizeram com que a
população das cidades crescesse. Estas são as principais barreiras que impedem
que os novos países desenvolvam-se. Os governos desses países, majoritariamente
com características de forças armadas ou de presidencialismo, têm tendência à
adoção de políticas de socialização que garantem a libertação dos países das
potências estrangeiras. A cooperação coletiva para a solução desses problemas
deu origem a uma diversidade de organizações supranacionais que baseiam-se na
ideia do pan-africanismo, ou a totalidade dos povos africanos unidos no entorno
dos interesses comuns; a de maior importância é a Organização da Unidade
Africana (OUA).
A discussão deste artigo em linhas gerais é uma
referência à história da África. Para uma história específica dos países em que
é dividido o continente, veja os verbetes sobre cada um deles ou também os
verbetes secundários sobre a história de cada nação. Sobre o papel que a África
exerce na atualidade, veja os verbetes Movimento Não Alinhado, Segunda Guerra
Mundial e História do mundo.
4 - Paleontologia:
A partir dos primeiros tempos da história, a África é
o berço da humanidade. A crença dos cientistas é de que a possibilidade
evolutiva do homem vem desde um dentre a diversidade tipológica de macacos humanoides
que têm vagado pelos prados orientais e centrais da África, há mais de 2 500
000 anos atrás. A descoberta dos arqueólogos é a primeira prova evidente de uma
cultura da Antiga Idade da Pedra que residia na diversidade de sítios
arqueológicos na Grande Fossa Africana da parte oriental da África.
A crença dos arqueólogos é a distribuição desta forma
pré-histórica cultural da Idade da Pedra pela quase totalidade da África e para
os demais continentes. O início da utilização do fogo pelos seres humanos
ocorreu na África há mais de 50 mil, ou 60 mil anos. Há mais ou menos 35 mil a
40 mil anos teve início o aparecimento do primeiro Homo sapiens sapiens (o
homem moderno) na África. Durante a Média Idade da Pedra, os homens-macaco
estavam ameaçados de serem extintos e somente restou o Homo sapiens sapiens na
África.
5 - Surgimento Da Agricultura:
Teve início a introdução da atividade agrícola e do
trabalho de domesticar animais na África por volta de 5 000 a.C., quando vieram
do Oriente Médio. Os primeiros agricultores do Saara passaram a conhecer estas
atividades na totalidade da Norte da África e do Saara, que não era ainda
considerado uma extensa área desértica. Os primeiros agricultores do Saara,
propriamente ditos, eram parecidos com os negros do que é hoje a África
Ocidental. Entretanto, a atividade agrícola só foi atingida pela floresta
tropical por volta do tempo de Jesus Cristo.
Os povos da parte meridional do Saara não tinham
conhecimento dos povos agricultores da parte setentrional, e não tinham os instrumentos
que necessitavam para cultivar na densidade da floresta da África Central. Além
disso, os produtos que os agricultores cultivavam na parte setentrional
provavelmente não se adequavam aos tipos climáticos com mais umidades da parte
meridional. Também há possibilidade de que a riqueza dos solos da África
Central já fosse propícia à produção de alimento suficiente, com o extrativismo
animal e o extrativismo vegetal.
Em 2 500 a.C., o clima africano foi atingindo pela
seca e teve início a transformação do Saara numa extensa área desértica. Os
agricultores negros do Saara tiveram a necessidade de deslocamento para os
prados meridionais. Em 2 000 a.C., teve início por esses agricultores o cultivo
de alimentos a serem produzidos, como o arroz e alguns tipos de inhame cujos
solos tanto dos prados como das florestas eram propícios a esses tipos de
cultivos. Pelos agricultores das montanhas da Etiópia, na parte oriental da
África, teve início o desenvolvimento de novas culturas razoavelmente na mesma
época. Os povos da parte meridional, atual centro do Quênia, praticavam o
trabalho de rebanhar o gado domesticado, ou seja, a pecuária.
A Idade Do Bronze E A Idade Do
Ferro:
Nos últimos dois mil anos anteriores à época em que
nasceu Jesus Cristo, teve início o desenvolvimento das cidades e da atividade
comercial por mar no Norte da África. Coisas inventadas pelo homem como o
bronze e a escrita tiveram penetração no Norte da África, quando vieram do
Oriente Médio. A parte meridional do Saara não foi atingida por essas
invenções, e por esse motivo, naquela região da África não existia ainda Idade
do Bronze.
Mas, a entrada da região na parte meridional do Saara
ocorreu na Idade do Ferro pouco após a descoberta do trabalho de ser utilizado
o ferro no Oriente Médio. A introdução do trabalho de utilizar o ferro ocorreu
desde o Egito para o sul, dirigindo-se ao Reino de Cuche, onde é hoje o Sudão,
por volta de 600 a.C. No tempo em que viveu Cristo, ocorreu a entrada da
Etiópia e da região de savanas da África Ocidental na Idade do Ferro.
6 - Migrações Para O Sul:
Os negros que falavam as línguas bantos, cujas
atividades econômicas eram a agricultura, e que sabiam usar o ferro, ficaram
conhecidos por realizarem uma das maiores correntes migratórias do mundo, ao
longo de três milênios, tendo espalhado línguas bantu (línguas
nigero-congolesas) em praticamente toda a África subsaariana.
Fizeram o deslocamento desde a área do que é hoje a
República dos Camarões, indo para dentro das florestas com povoamento escasso
da África Central, e ali foram responsáveis pela introdução da atividade
agrícola e do trabalho de instrumentos de ferro. Depois que passaram cerca de
mil anos, eles atingiram a parte meridional, realizando a ocupação da quase
totalidade do cone sul da África. Quando caminharam para a parte meridional,
povos caçadores foram encontrados pelos povos bantos, como os pigmeus, os
bosquímanos e os hotentotes.
Os bantos se casavam com os caçadores, ou então os
caçadores foram forçados a fazer a entrada pela floresta ou pelo deserto do
Calaari. Por certos povos, como os hotentotes, foi adotado o modus vivendi
banto e os hotentotes, propriamente ditos, foram convertidos em agricultores.
Entretanto, à medida da aproximação dos povos bantos em direção ao sul, iam
ficando isolados do desenvolvimento das coisas inventadas pelo homem no Norte
da África e no Oriente Médio. Desde então, sempre se progrediram através das
próprias coisas que inventaram. Enquanto do deslocamento dos povos bantos em
direção ao sul, outros tiveram movimentação das savanas para as florestas do
litoral da África Ocidental.
Continuou a circulação das ideias nas rotas comerciais
rastreadas, através do Saara e no talvegue do rio Nilo, do norte da África até
a região logo na parte meridional do Saara. Além disso, a navegação feita pelos
comerciantes no mar Vermelho e do o golfo Pérsico até a região onde é hoje o
Moçambique tem levado para os povos do litoral oriental da África as notícias
contando que o Norte da África estava se progredindo. As rotas comerciais fizeram
com que os povos logo na parte meridional do Saara se contatassem com o Império
Romano. A totalidade do Norte da África foi dominada pelo Império Romano após
30 a.C
7 - Axum E Núbia
O Império de Axum e a Núbia foram ambas as regiões
logo na parte meridional do Saara onde o Império Romano influenciou mais,
durante os primeiros séculos depois que nasceu Jesus Cristo. O Reino de Axum
era situado na região atualmente correspondente à parte norte-oriental da
Etiópia. O Reino de Axum tornou-se rico através do fato de que os romanos e as
Índias comerciavam, ou seja, realizaram trocas comerciais. O povo foi
convertido para o cristianismo quando se iniciou o século IV Muitos de seus
descendentes tiveram a continuação de serem convertidos ao cristianismo.
Muitos pequenos reinos núbios que ficavam no vale do
rio Nilo, no atual Sudão, entravam em negócios com o Egito quando o país mais
antigo do mundo pertencia ao Império Romano. Os núbios que comerciavam e
influenciavam foram além do vale do Nilo, tendo extensão para o ocidente, até
chegar ao lago Chade. Foram convertidos pelos missionários egípcios que os
núbios se tornassem cristãos no século VI.
Durante o século V, o Norte da África foi invadido
pelos vândalos, um povo germânico, dando contribuição para que fosse exterminado
o cristianismo romano que influenciou a África. O reino vândalo declinou-se no
século VI, e o Norte da África passou a pertencer ao Império Bizantino.
O Surgimento Do Islão
Nos últimos anos do século VII ocorreu à união de um
grupo de árabes em volta de um movimento religioso que Maomé fundou. Maomé
chamou a religião de islão e seus seguidores passaram a se conhecerem pelo nome
de muçulmanos. Foi convertida ao islão a maior parte da população do Egito e
das terras hoje pertencentes ao Iraque, à Palestina, ao Irão e à Síria. As
conquistas do islão foram estendidas no decorrer do tempo ao litoral norte da
África, onde hoje existem a Líbia. a Tunísia, a Argélia e Marrocos, e os
muçulmanos até conquistaram a Península Ibérica.
O islão passou a influenciar também parte da África ao
sul do Saara. Foram convertidos pelos comerciantes muçulmanos que os povos das
cidades portuárias da parte oriental da África, nos atuais países da Somália,
do Quênia, da Tanzânia e do norte de Moçambique, onde a língua de comunicação
era e é o suaíli, que passou a ser escrita em letra árabe.Registou-se também
uma forte penetração do Islão na África Oriental, nas áreas que hoje
correspondem ao Mali, ao Senegal, a Burkina Faso e o norte da Costa do Marfim,
do Gana e da Nigéria.
Impérios Da África Ocidental
O florescimento dos impérios da África Ocidental
ocorreu no ano 1000. A opinião de alguns historiadores é de que eles têm se
organizado pouco após o tempo em que viveu Jesus Cristo. A opinião de outros autores
é de que eles são da mais alta antiguidade. Um dos impérios, que se chamava
Canem, estava localizado nas imediações do lago Chade. Outro, que se chamava
Império do Gana, era situado na extremidade ocidental, onde está localizado o
Mali e a parte meridional da Mauritânia. Tacrur estava localizado nos atuais
países do Senegal e a Mauritânia.
A aparência política de Gana era a de um Estado que
mais se fortaleceu dentre os impérios durante vários períodos de cem anos, mas
seu poder entrou em declínio no século XI. No século XIII, um império que se
chamava Mali, que se localizava nos atuais países de Guiné e de Mali,
substituiu Gana como o império que mais se fortaleceu na África Ocidental. Nos
últimos anos do século XV e primeiros anos do século XVI, o Império Songai fez
a substituição do Império do Mali como o império que mais se fortaleceu.
A atividade comercial no Saara era uma das coisas mais
importantes que esses impérios se interessavam. Em direção para a parte
setentrional ia o ouro e demais coisas produzidas na África ocidental, que os
negociantes trocavam pelo sal e demais coisas produzidas no Norte da África e
na Europa, mais precisamente nas cidades às margens do Saara. Para que tivessem
força, os impérios da África Ocidental eram obrigados a se responsabilizarem
pelo controle dessas cidades. Eles se tornavam mais fortes quando têm
conquistado o controle das rotas comerciais da extensa área desértica e
fronteiras do Norte da África. Entretanto, quando foram reduzidos à maior
fraqueza, os responsáveis pela pilhagem dos impérios da África Ocidental foram
os nômades que caçavam os ricos valores econômicos da África Ocidental.
Foi levado pelos mercadores muçulmanos o islamismo à
África ocidental, durante longas viagens pelas rotas comerciais do Saara. Os
conquistadores no Oriente Médio tiveram o islamismo como religião, mas os
comerciantes na África ocidental também tiveram essa religião. A importância
exercida pelo islamismo na África ocidental foi a de influir espiritualmente a
população, e foram trazidas pela religião as coisas novas que se conheciam do
mundo de fora e foi responsável pela introdução do ato de ler e escrever. O
árabe tem se tornado uma língua internacionalmente difundida na época.
Sul Das Florestas Centrais:
Na parte meridional das florestas centrais, foram
formados, de 1000 até 1500, reinos que foram responsáveis pelo controle de
áreas que assemelhavam às da maioria dos países da Europa. O Reino do Congo,
que se localizava na foz do rio Congo e em Angola, era um dos grandes reinos. Era
existente ainda o Reino Luba, que se situava onde é hoje a parte meridional da
República Democrática do Congo, e um grupo de Estados que ficavam ao redor dos
grandes lagos dos países que são hoje Burundi, Ruanda, Tanzânia e Uganda. O
Reino do Caranga, que se chamava às vezes de Império de Muanamutapa, estava
localizado onde é hoje o Zimbábue. Sua capital era a Grande Zimbábue.
Era vendido pelo Reino do Caranga o ouro para os
comerciantes que viviam no litoral oriental, e era o único reino da parte
meridional que se contatava com o mundo exterior. Foram isolados pelas regiões
de clima parcialmente seco e de pouco povoamento os outros reinos meridionais
do fato de contatar com os grandes centros onde se desenvolvia a África. Assim,
estes reinos foram desenvolvidos sem precisar saber escrever e de outras coisas
inventadas que tiveram importância nas demais partes da África.
Colonização Portuguesa:
Em oposição ao oceano Índico, onde ocorre a mudança do
vento de acordo com as estações, o oceano Atlântico, no decorrer do litoral da
África Ocidental, existe a força dos ventos e as correntes que percorrem a
descida desde a parte meridional durante o ano inteiro. Até a metade do século
XV, os navios europeus não tinham a possibilidade de descida do litoral da África
Ocidental e de retorno à Europa. Somente após a construção feita pelos
portugueses de navios que tinham capacidade de navegação com retorno pelo
litoral da África Ocidental, na metade do século XV, é que eles tiveram a
possibilidade de qualquer ponto da África. De 1497 até 1498, foi comandada por
Vasco da Gama uma expedição portuguesa que percorreu o contorno do cabo da Boa
Esperança com destino às Índias.
Inicialmente, os portugueses tiveram interesse
principal em comerciar o ouro de Gâmbia, da Costa do Ouro (atual Gana), e do
Império Caranga. Também a tentativa feita pelos portugueses era a conversão ao
cristianismo dos governantes dos reinos do Congo, Benim, no sul da Nigéria, e
Uolofe, no Senegal. Logo foi descoberto pelos portugueses que a África tropical
era muito perigosa para aqueles que chegaram recentemente.
Frequentemente, mais de 50% dos grupos de
colonizadores vindos da Europa que chegaram recentemente à África perderam a
vida dentro de um ano ou dois, por apresentarem sintomas de doenças tropicais
como a malária e a febre amarela. Nestas situações condicionais, somente que um
negócio comercial que lucrava em grande quantidade teria a possibilidade de
atração dos mercadores europeus. Os escravos e o ouro têm se tornado o único
negócio comercial que lucrava com suficiência para os mercadores europeus serem
atraídos para África.
8 - O Tráfico De Escravos:
Na metade do século XV, teve início a compra e a venda
feita pelos portugueses de alguns escravos na Europa. Entretanto, o tráfico de
escravos ganhou real importância depois que Cristóvão Colombo descobriu a
América. A morte dos habitantes dos povos indígenas da América tropical ocorreu
por serem vítimas pelas doenças europeias, e a opinião dos europeus era de que
eles próprios não tiveram salvação das doenças tropicais da região do Caribe.
Assim, foram trazidos pelos europeus africanos que tinham imunidade parcial à
malária e à febre amarela para servirem como trabalhadores braçais na América.
Os europeus tinham o direito de compra de escravos no litoral da África porque
seus prisioneiros de guerra foram escravizados pelos africanos como pelos
muçulmanos e pelos cristãos do litoral que viviam no Mar Mediterrâneo, na
época.
Teve crescimento o tráfico de escravos africanos à
medida em que o estabelecimento feito pelos portugueses e pelos espanhóis foi a
importância de se plantar cana-de-açúcar no Brasil e na região do Caribe,
durante o século XVI. Na metade do século XVII, os colonizadores vindos do
Reino Unido, dos Países Baixos e da França têm entrado no tráfico de escravos.
De 1450 até 1865, foram trazidos pelos europeus dez milhões de escravos para a
América, que se originaram da parte do litoral da África Ocidental entre o
Senegal e Angola.
Foi estimulado pelo tráfico de escravos que os
governantes africanos realizassem a venda de prisioneiros a fim de trocar
roupas, armas de fogo e ferro da Europa. Ao invés do aprendizado da fabricação
desses produtos, foi considerada pelos africanos uma facilidade muito grande na
obtenção de vender escravos. Dessa forma, que se deve, em parte, ao negócio de
traficar escravos, a África ficou atrasada em se desenvolver industrialmente em
relação à Europa.
Razoavelmente, de 1780 e 1880, foi iniciado pelos
árabes e pelos africanos um negócio de traficar escravos no litoral da África
Oriental. Os escravos da África Oriental entraram em embarcações marítimas com
destino para Zanzibar ou para os países localizados no mar Vermelho e no golfo
Pérsico.
Influência Europeia
Nos anos de 1580, foram controladas pelos turcos
otomanos muitas partes do Norte da África, entre o Egito e onde é hoje a
Argélia. Entretanto, de 1580 até 1800, o fato de os otomanos controlarem o
Norte da África entrou em declínio, e o comércio e a força militar dos adeptos
europeus do cristianismo teve crescimento no Norte da África. Foi estabelecido
pelos holandeses um entreposto de comércio localizado na Cidade do Cabo, na
parte meridional da África, em 1652. Houve crescimento da população branca no
lugar, e seus descendentes passaram a se conhecer pelo adjetivo de
africânderes.
Exceto o tráfico de escravos, tudo aquilo que a Europa
influiu não teve muita grandeza na África tropical até após 1800. O tráfico de
escravos entrou em declínio nos primeiros anos do século XIX, e teve início na
Europa a necessidade de alimentos produzidos na África como o amendoim e o
azeite de dendê, para serem industrializados. Os agricultores da África
Ocidental tiveram o início da grande dependência de comercialização desses
produtos aos europeus do que a sua dependência anterior com o comércio de
escravos.
Após 1800, foi compreendido por alguns daqueles
governantes da África que, se forem copiados os métodos militares europeus,
teriam a possibilidade de conquista dos seus vizinhos. Foram importados pelo
Egito armas de fogo e funcionários europeus para o auxílio na conquista de um
grande império, no atual Sudão. Foi assumido por Zanzibar o fato de controlar
uma parte da África Oriental, que tinha extensão até o ponto de encontro da
atual parte oriental da República Democrática do Congo. Foram conquistados
pelos africânderes da parte meridional da África os africanos da região nas
imediações da parte setentrional e foi fundada a independência de duas
repúblicas, que se chamam Transvaal e Estado Livre de Orange.
Revoluções Religiosas:
Entre os séculos XII e XIII ocorreu a penetração do
islamismo na região dos prados da África Ocidental, na parte meridional do
Saara. Mas pelos governantes desta área jamais foi imposta totalmente a lei
islâmica, de modo que os credos da mistura feita pelo povo foram as religiões
tradicionais africanas e o islamismo. Nos últimos anos do século XVIII, foi
iniciada pelos líderes muçulmanos da África Ocidental a pregação de reformar a
religião e a exigência de que fossem criados Estados muçulmanos autênticos. A
maioria desses líderes foram comandantes de guerras santas em luta contra os
governantes africanos da área e foram fundados novos impérios muçulmanos. Em
1860, os novos impérios foram os controladores da quase totalidade da região de
savanas da África Ocidental.
Exploração Europeia:
Teve início a exploração europeia na década de 1770.
Até então, os europeus permaneceram nas imediações da faixa litorânea, mas o
fato de interessarem no comércio e o trabalho missionário acarretaram
gradualmente o deslocamento forçado para o interior do continente. Na década de
1770, foi financiado pelos governos e sociedades missionárias e científicas da
Europa que as expedições realizassem explorações na África.
Nos anos 1880, ocorreu o crescimento do fato de os países
europeus serem rivais uns aos outros. Teve início a reclamação dos governos
europeus das partes do território do litoral da África. O desejo dos governos
da Europa foi definido como a garantia de ter direito às áreas que tiveram
maior lucro, antes que isso fosse feito por seus rivais. Por volta de 1914, os
europeus tinham feito a divisão entre si da totalidade do território africano,
deixando somente a independência nacional da Etiópia e a Libéria. A Bélgica, a
França, a Alemanha, a Grã-Bretanha, a Itália, a Espanha e a Turquia têm feito a
sua auto reclamação de partes da África.
Como a Europa reconheceu esses territórios
reivindicados, teve início o estabelecimento feito pelos poderes coloniais
europeus do seu poder real na África. Foram reconhecidos por alguns governantes
africanos que as armas europeias são superiores e sua rendição pacífica ao
domínio europeu. Mas foram feitas pelos outras guerras de resistência, que
geralmente que os europeus trataram como rebeliões. O período da conquista
europeia foi estendido da década de 1880 até a década de 1930, mas na metade da
década de 1920 foram controladas pelos europeus já com firmeza muitas das
partes da África.
Domínio Colonial:
A duração do domínio colonial sobre muitas das partes
da África foi entre 1900 e 1960. Hoje em dia, a consideração feita pelos
africanos é a de que esse período foi uma experiência que humilhou. Mas foi
também um período em que se progrediu muito. Nunca tantos africanos foram
educados para que se contatassem com o restante do mundo. Foi trazido por novas
rodovias e ferrovias que a África se desenvolvesse economicamente, apareceu o
surgimento de novas cidades.
Variou muito o domínio colonial na diferença de partes
da África. Na parte meridional da África, foi tomada pelos colonizadores
brancos a excelente qualidade das terras e foi construída uma sociedade
industrial que foi responsável pela exclusão dos africanos da totalidade das
ocupações que não tivessem maior humildade possível. Na África tropical, os
comerciantes ou funcionários europeus foram os implantadores de seu domínio com
os líderes africanos que ajudaram. De maneira ocasional, os europeus foram os
governantes dos países através da eleição de políticos africanos.
Problemas Pós-Coloniais:
Um dos resultados do colonialismo é o da dificuldade
de cooperação entre os novos Estados africanos. Um dos problemas é a questão
das fronteiras arbitrárias, que em sua maioria assinalam a extensão das
conquistas coloniais ou da expansão imperial e que geralmente não têm qualquer
relação com as fronteiras naturais, geográficas ou étnicas. O colonialismo
gerou também uma identificação política e econômica com a metrópole colonial,
particularmente forte no caso das ex-colônias francesas, e que persiste até
hoje, resultando inclusive um certo grau de dependência.
Muitos líderes africanos têm-se esforçado por promover
soluções pan-africanas para os problema do continente. Um dos principais
resultados desses esforços foi a criação, em maio de 1963, da Organização da
Unidade Africana (OUA) com sede em Adis Abeba. A Organização da Unidade
Africana foi substituída pela União Africana em 9 de julho de 2002. A OUA teve
êxito na mediação da disputa entre Argélia e Marrocos (1964-65), e nos litígios
de fronteiras entre Etiópia e Somália (que tornaram a eclodir em 1977) e entre
Quênia e Somália (1965-67), fracassando, porém, em impedir a guerra civil na
Nigéria (1968-70).
9 - Movimento De Independência:
O início do movimento de independência remonta ao
período anterior aos últimos anos do século XIX.Os povos africanos do Egito, da
Costa do Ouro (hoje Gana), da Nigéria e da África do Sul tiveram início da
grande exigência governamental de serem livres. Entretanto, o que se exigia de
governo próprio só foi convertido num movimento africano de massa após a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945). Quando isto foi dado, os poderes coloniais eram
obrigados a fazer escolha entre suas colônias tornarem-se independentes, ou
declaração de uma guerra cara para a continuação de suas colônias a serem
controladas.
A luta dos franceses foi durante mais de oito anos
para a continuação da Argélia a ser controlada, mas a Argélia proclamou sua
independência em 1962. Outras colônias francesas tornaram-se independentes
pacificamente. A Bélgica e o Reino Unido deram o estatuto de país independente
às muitas de suas colônias por em 1961.
O mais importante movimento de autogoverno
problemático era a parte meridional da África. A África do Sul declarou por
completo a sua independência do Reino Unido em 1931, mas somente os brancos
tinham direito de voto e de exercício de altos cargos públicos. Na opinião dos
africanos, isto era um colonialismo especial. Na ex-Rodésia (atual Zimbábue), a
tentativa dos brancos era continuidade de controlar do país declarando a sua
independência da Reino Unido em 1965. Entretanto, a consideração dos países
africanos e o Reino Unido é que o fato de declarar um país independente é uma
ilegalidade.
A luta de Portugal contra os movimentos africanos de
resistência ocorreu durante a década de 1960 e primeiros anos da década de
1970, para a continuidade de controlar suas colônias. A Guiné Portuguesa (atual
Guiné-Bissau) declarou-se independente em 1974. Angola e Moçambique, e mais as
colônias portuguesas das ilhas de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, obtiveram
sua independência em 1975.
Pela independência não foram resolvidos a totalidade
dos problemas africanos. Na maioria das novas nações não existiam líderes com
experiência própria. No Congo (Leopoldville), atual República Democrática do
Congo, o governo teve queda imediata depois que o país declarou-se
independente, em junho de 1960. Pediu para que a Organização das Nações Unidas
ajudasse para o restabelecimento da ordem, depois da declaração de
independência da província congolesa de Catanga, em julho de 1960.
Entre 1960 e 1965, o Congo teve uma diversidade de
revoltas armadas, e foram estabelecidos a maioria dos governos provisórios, até
a tomada de posse feita pelos líderes militares do controle do governo. Ocorreu
a tomada de posse feita pelos líderes militares do governo numa variedade dos
demais países da África. Os grupos políticos e culturalmente diferenciados têm
causado guerras civis numa variedade de países.
10 - Desenvolvimento Recente:
Foi trazido pelos anos 1970 um novo sentimento de
nacionalismo à maioria das nações da África. Gana, Uganda e uma diversidade de
outros países estavam engajadas no empenho de libertação em relação aos
estrangeiros que influenciaram, dando a expulsão a muitos estrangeiros que
residiam. Certos países como a atual República Democrática do Congo, têm feito
campanhas para a substituição dos nomes estrangeiros de lugares e de pessoas
por nomes africanos
Nos últimos anos da década de 1960 e primeiros anos da
década de 1970, as escassas chuvas foram o agente causador do drama de uma
crise na vastidão de uma área na parte meridional do Saara. Nesta área, que se
chama Sael, estão incluídas partes do Chade, do Mali, da Mauritânia, do Níger,
do Senegal, do Sudão, de Burkina Fasso, e outras nações.
Na metade da década de 1970, foi agravado o fato de
que os brancos e negros conflitaram entre si na África do Sul e na ex-Rodésia e
foi intensificado o que antigamente se exigia que o domínio da África do Sul
eliminasse o território do Sudoeste Africano. Em 1976, anunciou-se um plano
para que esse território declarasse independente. Mas, nas eleições que se
realizaram em dezembro de 1978, foi rejeitada pela África do Sul que a
Organização das Nações Unidas supervisionasse, a qual foi denunciado o plano de
independência, alegando que a pretensão daquele país era a continuidade de
influir e a restrição do fato de que os namíbios participassem do governo.
Na Rodésia, tomou posse, em maio de 1979, um governo
majoritariamente negro embora a oposição de nacionalistas negros deu veto ao
acordo que o novo governo e a minoria branca negociaram. Os negros e brancos
mantiveram a continuidade de lutar até os últimos dias de 1979, quando pelos
representantes do governo e das forças guerrilheiras, depois do patrocínio
feito pelo Reino Unido do conversarem diplomaticamente, foi aceito um
governador inglês para a organização de outros períodos eleitorais e a direção
do país até que o novo governo empossasse. Este, uma coalizão dos dois mais
relevantes partidos políticos de guerrilha, empossou em março de 1980 e, em
abril, foi proclamada a independência da ex-Rodésia com o nome de República do
Zimbábue.
Nos anos 1980, foram continuadas pela Organização das
Nações Unidas e a África do Sul que conversassem diplomaticamente sobre a
independência da Namíbia. Na África do Sul foi crescente a luta contra a
apartheid, que cada vez mais apoiou a opinião pública e os governos de todo o
mundo. Finalmente, o apartheid foi abolido na África do Sul por Nelson Mandela
entre 1990 e 1994 e dois anos depois foi promulgada a nova constituição do
país.
1 - CULTURA AFRICANA E
AFRO-BRASILEIRA:
Sabemos que a educação tem sido entendida como um
direito social e um processo de desenvolvimento humano. Como pode ser observado
nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a educação escolar corresponde a
um espaço sociocultural e institucional, responsável pelo trato pedagógico do
conhecimento e da cultura. Sendo assim, estaríamos, segundo Cavalleiro (2006),
trabalhando em solo pacífico, porque universalista. Mas, na realidade, as
práticas educativas, que se pretendem universalistas, isto é, iguais para
todos, acabam sendo as mais discriminatórias.
Daí a luta histórica dos movimentos sociais, e, de
maneira específica, a dos movimentos negros brasileiros por uma sociedade mais
justa e uma educação que valorize cada sujeito, inclusive o negro, sempre
excluído da história (ou incluído de maneira estereotipada) e da cultura deste
país. Pela via legal, ou seja, por meio da legislação, os direitos do povo
negro foram assegurados, principalmente, na segunda metade do século XX. A
partir da criação da organização das Nações Unidas (ONU), em 1945 e a
proclamação, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil
iniciou as ações de combate ao racismo e ao preconceito sancionando a Lei
Afonso Arinos (1951), que caracterizou a discriminação racial como contraversão
penal, ao proibir a discriminação racial no Brasil.
Em seguida, vários movimentos e eventos foram
organizados no solo brasileiro em prol da eliminação de todas as formas de
discriminação racial. Assim, chegamos a mais uma conquista, a Constituição de
1988 que considerou a prática do racismo como crime inafiançável e
imprescritível, e as manifestações culturais como um bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de
discriminação. Posteriormente, foi publicada a Lei nº 7716/89, a chamada Lei
Caó, que define os crimes resultantes de discriminação por raça ou cor .
Portanto, as Leis foram sendo sancionadas tendo em
vista impedir o racismo na sociedade brasileira, pois até então, no campo
educacional, só tínhamos de concreto os PCN que tratam da pluralidade cultural,
mas, por se tratar de um parâmetro e não de uma Lei, não obrigou ninguém a
inserir a temática na sala de aula. Nesse sentido, Lopes (2008) afirma que os
PCN - valorizam os saberes locais na medida em que são ponto de partida para a
assimilação do patrimônio cultural da humanidade, mas tratam as diferenças
culturais como diferenças psicológicas, desconsiderando os aspectos
sociológicos.
Sendo assim, os PCN procuram homogeneizar, garantir
uma equidade social e mascaram as desigualdades econômicas, sociais e culturais
das crianças. O tema pluralidade cultural “é justificado por se considerar que
a vida democrática exige o respeito às diferenças culturais” e, apesar de os
PCN fazerem referências às diferenças de gênero e aos deficientes, o enfoque
central é nas características étnicas, o que entra em desacordo com o próprio
objetivo dos PCN, que visam posicionar-se também contra discriminações baseadas
em diferenças de classe social, crenças, sexo e outras características
individuais e sociais.
Só em janeiro de 2003, com a aprovação da Lei 10.639,
que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional, nº 9394/96 para
incluir no currículo oficial a obrigatoriedade da temática História e Cultura
Afro-brasileira e africana é que se assinala, segundo Cavalleiro (2006), a
intenção do estado brasileiro em eliminar o racismo e a discriminação racial
nas escolas. Porém, sabemos que uma lei não implica necessariamente uma mudança
de práticas historicamente constituídas de desvalorização da história e da
cultura do povo negro nas salas de aula.
E, mesmo no caso de se inserir a temática, sabemos que
o enfoque dado pelos professores pode até reforçar ainda mais a situação de
exclusão do povo negro do sistema oficial de ensino. Cury (2002) afirma que
“[...] o contorno legal indica possibilidades e limites de atuação, os
direitos, os deveres, proibições, enfim, regras. Tudo isto possui enorme
impacto no cotidiano das pessoas, mesmo que nem sempre elas estejam conscientes
de todas as implicações e consequências” (p.8). Conhecer as Leis é, segundo o
autor, como acender uma luz numa sala de aula escura, cheia de carteiras, mesas
e outros objetos, “As Leis acendem uma luz importante, mas elas não são todas
as luzes. O importante é que um ponto luminoso ajuda a seguir o caminho” .
Como a educação constitui-se um dos principais
mecanismos de transformação na vida de um povo, é papel da escola, de forma
democrática e comprometida com a promoção do ser humano e de sua integralidade,
estimular a formação de valores, hábitos e comportamentos que respeitem as
diferenças e as características próprias de grupos sociais e minorias. Ou seja,
a educação é essencial no processo de formação de qualquer sociedade e abre
caminhos para a ampliação da cidadania .
Diante do exposto, buscamos mapear a repercussão da
Lei 10.639/03 e a inserção da história e cultura afro-brasileira e africana nas
escolas municipais de Petrolina, buscando compreender de que forma a secretaria
municipal tem tentado implementar a temática e como os professores estão
atuando nas salas de aula da educação básica. Para tanto, fez-se necessário
sondar se os(as) professores(as) e gestores(as) da rede municipal de ensino
tiveram acesso à Lei 10.639 e às Diretrizes Curriculares para a Educação das
Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e
Africana; identificar as ações que a Secretaria municipal de educação tem feito
para implementar a referida lei no currículo escolar da educação básica,
compreender o papel atribuído à Lei tanto pela secretaria, como pelos(as)
professores(as) pesquisados(as), caracterizar o perfil dos professores, que
atuam na rede municipal, em relação à escolarização e à auto identificação
étnico racial e apontar dificuldades/facilidades que o docente encontra para
abordar a temática em sala de aula.
Além das respostas para essas questões, também nos
propomos, a apresentar os resultados parciais da proposta de intervenção que
estamos realizando em uma das escolas da rede, objetivando sensibilizar os
professores sobre a importância de trabalhar a temática na sala de aula e
construindo estratégias e instrumentos para essa ação. Este texto está
organizado em três partes distintas e complementares.
No primeiro momento, realizamos uma breve reflexão
sobre a Lei 10.639/03, cujos princípios destacados nas diretrizes curriculares
instituídas sobre a temática e autores, nos ajudam a compreender as práticas
históricas e sociológicas, que, por muitos anos, vêm criando e reproduzindo,
nas escolas, um perfil único do povo brasileiro. No segundo momento,
apresentamos dados de uma pesquisa descritiva, realizada com professores e
membros das equipes gestoras de dez escolas da rede municipal de Petrolina
sobre a repercussão e execução da referida Lei. No terceiro momento do texto,
registramos a nossa proposta de intervenção para implementação da temática na
sala de aula.
É importante destacar que a nossa proposta de pesquisa
e de intervenção também está alicerçada na metodologia da pesquisa-ação por ser
um método de pesquisa - que agrega diversas técnicas de pesquisa social com as
quais se estabelece uma estrutura coletiva, participativa e ativa no nível da
captação da informação; requer, portanto, a participação das pessoas envolvidas
no problema investigado. Esse método pressupõe ênfase à análise das diferentes
formas de ação. Os temas são limitados ao contexto da pesquisa com base
empírica, voltando-se para a descrição de situações concretas e para a
intervenção orientada em função da resolução dos problemas efetivamente
detectados na coletividade.
Em síntese, como propõe esse autor, a pesquisa-ação é
uma estratégia metodológica da pesquisa social, na qual existe ampla e
explícita interação entre o pesquisador e as pessoas envolvidas na situação
investigada. Dessa interação resulta a priorização dos problemas a serem
pesquisados e das soluções a serem encaminhadas em ações concretas; o objeto de
investigação não se constitui em pessoas, mas, sim, em situações sociais e seus
problemas; o objetivo da pesquisa-ação é resolver ou esclarecer os problemas
identificados na situação observada.
A pesquisa não se limita à ação; pressupõe um aumento
do conhecimento e do “nível de consciência” das pessoas ligadas à situação e do
próprio pesquisador. De acordo com os princípios da pesquisa-ação, os aspectos
práticos de concepção e organização do trabalho apresentam fases, que não são
rigorosamente sequenciais, sendo seu planejamento flexível e passível de
adequação às necessidades do pesquisador e dos participantes. Ou seja, na
pesquisa descrita neste artigo, a pouca compreensão sobre a Lei 10.639/03 ou
seu total desconhecimento em algumas escolas da rede municipal de ensino
possibilitaram a execução de um projeto de intervenção, de longo prazo, sobre a
temática.
É importante destacar, também, dentro desse contexto
da pesquisa, que a relevância do estudo de temas decorrentes da história e
cultura afro-brasileira e africana não se restringe à população negra; ao
contrário, dizem respeito a todos os brasileiros, uma vez que devem educar-se
enquanto cidadãos atuantes no seio de uma sociedade multicultural e pluri
étnica, capazes de construir uma nação democrática. É essa perspectiva de
construção de uma sociedade plural e que respeite a diversidade que estamos
tentando construir em conjunto com alunos e professores da escola na qual
desenvolvemos o referido projeto.
2 - História E Cultura Africana E
Afro-Brasileira Na Educação Básica: Algumas Determinações Legais:
Acreditamos que o primeiro passo para o reconhecimento
e a valorização do povo negro nas escolas brasileiras se deve à inserção dos
artigos 26A e 79B da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional, LDB, como
veremos a seguir:
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental
e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História
e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput
deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta
dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social,
econômica e política pertinentes à História do Brasil. § 2º Os conteúdos
referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de
todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de
Literatura e História Brasileiras
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de
novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’”.
Analisando essas alterações na LDB, percebemos que é
clara a determinação. A temática deve ser inserida no conteúdo programático
oficial e não como uma disciplina nova como muitos profissionais da educação
pensaram assim que a Lei foi sancionada; mas, nas disciplinas já existentes de
maneira a desconstruir a história, muitas vezes, contada na escola e contida
nos livros didáticos em que o povo negro aparece na grande maioria, como
sujeitos inferiores e, portanto, menos importantes que os brancos na formação
da sociedade brasileira.
Após a publicação da Lei 10.639/03, o Conselho
Nacional de Educação CNE aprovou o parecer CNE/CP3/2004, que instituiu as
Diretrizes Curriculares Para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Para o
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana a serem executadas
pelos estabelecimentos de ensino de diferentes níveis e modalidades, cabendo
aos sistemas, no âmbito de sua jurisdição, orientar e promover a formação de
professores e professoras e supervisionar o cumprimento das referidas
diretrizes.
Entretanto, temos consciência de que a sociedade
brasileira tende a fazer vista grossa ainda hoje, aos muitos casos que tomam,
por exemplo, espaço na mídia nacional, mostrando o quanto ainda é preciso lutar
para que todos recebam uma educação igualitária, que possibilite
desenvolvimento intelectual e emocional, independentemente do pertencimento
étnico-racial do aluno. Com isso, os profissionais da educação permanecem não
compreendendo em quais momentos suas atitudes diárias acabam por cometer
práticas favorecedoras de apenas parte de seus grupos de alunos e alunas.
Nesse sentido, a autora menciona que o silêncio da
escola sobre as dinâmicas das relações raciais tem permitido que se transmita
aos alunos uma pretensa superioridade branca, sem que haja questionamento desse
problema por parte dos profissionais da educação e envolvendo o cotidiano
escolar em práticas prejudiciais ao grupo negro. Silenciar-se diante do
problema não apaga magicamente as diferenças; ao contrário, permite que cada um
construa, a seu modo, um entendimento, muitas vezes estereotipado do outro que
lhe é diferente.
Esse entendimento acaba sendo pautado pelas vivências
sociais de modo acrítico, conformando a divisão e a hierarquização raciais.
Segundo as Diretrizes Curriculares para a Educação das relações Étnico-Raciais
e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana para conduzir
suas ações, os sistemas de ensino, os estabelecimentos e os professores terão
como referência, entre outros, aspectos pertinentes às bases filosóficas e
pedagógicas que assumem os princípios a seguir explicitados.
O primeiro princípio, consciência política e histórica
da diversidade, deve conduzir à igualdade básica de pessoa humana como sujeito
de direitos; à compreensão de que a sociedade é formada por pessoas que
pertencem a grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e história
próprias, igualmente valiosas e que, em conjunto, constroem, na nação
brasileira, sua história; ao conhecimento e à valorização da história dos povos
africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e cultural
brasileira; à superação da indiferença, injustiça e desqualificação com que os
negros, os povos indígenas e, também, as classes populares às quais os negros,
no geral, pertencem, são comumente tratados; à desconstrução, por meio de
questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, ideias,
comportamentos veiculados pela ideologia do branqueamento, pelo mito da
democracia racial, que tanto mal fazem a negros e brancos; à busca de pessoas
em particular, de professores não familiarizados com a análise das relações
étnico raciais e sociais com o estudo da história e cultura afro-brasileira e
africana, das informações e dos subsídios que lhes permitam formular concepções
não baseadas em preconceitos e construir ações respeitosas; ao diálogo, via
fundamental para o entendimento entre diferentes, com a finalidade de
negociações, tendo em vista objetivos comuns, visando a uma sociedade justa.
O segundo princípio, fortalecimento de identidades e
de direitos, deve orientar para o desencadeamento do processo de afirmação de
identidades, da historicidade negada ou distorcida; o rompimento com imagens
negativas forjadas por diferentes meios de comunicação, contra os negros e os
povos indígenas; os esclarecimentos a respeito de equívocos quanto a uma
identidade humana universal; o combate à privação e violação de direitos; a
ampliação do acesso a informações sobre a diversidade da nação brasileira e
sobre a recriação das identidades, provocada por relações étnico-raciais; as
excelentes condições de formação e de instrução, que precisam ser oferecidas,
nos diferentes níveis e modalidades de ensino, em todos os estabelecimentos,
inclusive os localizados nas chamadas periferias urbanas e nas zonas rurais.
O terceiro princípio, ações educativas de combate ao
racismo e a discriminações, encaminha para a conexão dos objetivos, estratégias
de ensino e atividades com a experiência de vida dos alunos e professores,
valorizando aprendizagens vinculadas às suas relações com pessoas negras,
brancas, mestiças, assim como as vinculadas às relações entre negros, indígenas
e brancos no conjunto da sociedade; a crítica pelos coordenadores pedagógicos,
orientadores educacionais, professores, das representações dos negros e de
outras minorias nos textos, materiais didáticos, bem como providências para
corrigi-las; condições para professores e alunos pensarem, decidirem, agirem,
assumindo responsabilidade por relações étnico-raciais positivas, enfrentando e
superando discordâncias, conflitos, contestações, valorizando os contrastes das
diferenças; valorização da oralidade, da corporeidade e da arte, como por
exemplo, a dança, marcas da cultura de raiz africana, ao lado da escrita e da
leitura; educação patrimonial, aprendizado a partir do patrimônio cultural
afro-brasileiro, visando preservá-lo e difundi-lo;o cuidado para que se dê um
sentido construtivo à participação dos diferentes grupos sociais,
étnico-raciais na construção da nação brasileira, aos elos culturais e
históricos entre diferentes grupos étnico-raciais, às alianças sociais; participação
de grupos do Movimento Negro e de grupos culturais negros, bem como da
comunidade em que se insere a escola, sob a coordenação dos professores, na
elaboração de projetos político-pedagógicos, que contemplem a diversidade
étnico-racial.
A partir da compreensão de tais princípios, é possível
perceber que são várias as frentes de atuação, não só por parte dos professores
mas também de todos os profissionais da educação que devem atuar desde a
desconstrução das ideias e comportamentos presentes na sociedade, passando pela
valorização dos elementos da cultura afro-brasileira para a construção da
identidade até a análise crítica dos textos didáticos, principalmente, contidos
nos livros didáticos e paradidáticos, que circulam nas escolas.
É preciso compreender a história e a cultura africana
e afro-brasileira para que possamos, de fato, contribuir para a formação da
consciência política e histórica da diversidade, para a construção da
identidade e a promoção de práticas que superem o racismo e o preconceito que existem
no cotidiano escolar. Esses princípios e seus desdobramentos mostram exigências
de mudança de mentalidade, de maneiras de pensar e agir dos indivíduos em
particular, assim como das instituições e das suas tradições culturais. É neste
sentido que se fazem as seguintes determinações em relação ao ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas, destacando-se:
O ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e
Africana, a educação das relações étnico-raciais, se desenvolverão no cotidiano
das escolas, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, como conteúdo de
disciplinas particularmente Educação Artística, Literatura e História do
Brasil, sem prejuízo das demais em atividades curriculares ou não, trabalhos em
salas de aula, nos laboratórios de ciências e de informática, na utilização de
sala de leitura, biblioteca, brinquedoteca, áreas de recreação, quadra de
esportes e outros ambientes escolares.
Apesar de sabermos que os sistemas de ensino e os
estabelecimentos de educação básica em todos os níveis e modalidades, segundo
as referidas diretrizes, precisam se organizar para garantir a inserção da
temática nas salas de aulas, acreditamos que ainda não são todas as redes que o
fazem. Sabemos da existência de iniciativas individuais que acontecem, e,
muitas vezes, não são nem divulgadas. Apontaremos a seguir as impressões dos
professores e membros das equipes gestoras sobre a lei 10.639/03 e a inserção
da temática na rede municipal e as ações, que estão acontecendo em Petrolina,
com o objetivo de implementar a referida Lei. Uma delas é a nossa própria
proposta de intervenção.
3 -
Algumas Indicações Sobre A Repercussão Da Lei 10.639/03:
A
cidade de Petrolina, localizada no interior do estado de Pernambuco, fica
situada a 800 quilômetros da capital recifense. Construída na região hoje
denominada como Médio São Francisco, cidade de altas temperaturas do sertão
pernambucano ou como é mais popularmente conhecida do semiárido é privilegiada
por ter sido construída e constituída às margens do chamado rio da integração
nacional, o rio São Francisco. Segundo dados do IBGE de 2008, a cidade tem,
atualmente, 285 mil habitantes. Petrolina destaca-se no cenário nacional e
internacional como uma das maiores produtoras e exportadoras de frutas do país,
segundo Nunes.
[...]
tudo isso graças ao trabalho de petrolinenses, aqui nascidos, ou PR ela
adotados, que com garra, inteligência e determinação implantaram a tecnologia
da irrigação [cultura irrigada] transformando o cinza da caatinga semimorta em
verdes e imensuráveis paisagens de encher os olhos do sertanejo acostumados a
terra e troncos ressequidos, e mais ainda dos japoneses e investidores da
região sul do Brasil, que viram e vêm nestas terras banhadas pelas águas do
Velho Chico, como é popularmente conhecido o rio São Francisco, um futuro
promissor .
É da
plantação de frutas em projetos de cultura irrigada que gira toda a economia da
cidade. Petrolina é hoje considerada um dos polos de desenvolvimento econômico
do estado, apontada por diversas revistas econômicas como uma das cidades mais
dinâmicas do País. Toda essa riqueza também tem seu reflexo na educação.
Atualmente, a cidade conta com três instituições de ensino superior de grande
porte. A FACAPE (Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Petrolina), uma
autarquia mantida pelos governos municipal e estadual com oito cursos nas áreas
de ciências Humanas e Sociais.
A
UNIVASF - Universidade Federal do Vale do São Francisco, recentemente criada,
com vinte e um cursos das áreas de Ciências Humanas, Exatas e Saúde e a UPE -
Universidade de Pernambuco, instituição da qual fazemos parte, mantida pelo
governo do estado e que possui sete cursos de licenciatura e três cursos na
área de saúde. A rede escolar municipal possui um quantitativo ainda pequeno de
escolas no nível da educação básica e um bom quadro de profissionais em
permanente qualificação. Segundo Nunes (2009), a rede municipal, contava em
2008 com 82 escolas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio,
sendo 60 escolas na zona rural e 22 na zona urbana.
Neste
mesmo ano, foram matriculados 22.032 alunos, e a rede possuía 804 professores.
Foram respondidos, 62 questionários: 50 por professores e 12 membros das
equipes gestoras em 10 escolas da rede municipal de Petrolina. A partir da análise
desse instrumento, estabelecemos, primeiramente, o perfil dos sujeitos da
pesquisa e, em seguida, apresentamos as categorias de análise e os resultados
obtidos.
Constatamos
que a maioria dos professores pesquisados são do sexo feminino. Em relação ao
vínculo com a rede de ensino, temos temporários (46%); concursado (52%), não
informado (2%). Acreditamos que o vínculo permanente, via concurso, pode
favorecer o trabalho contínuo enquanto o contrato pode impedir que práticas
interessantes e eficazes sejam continuadas. Em relação à origem étnico-racial,
constatamos que a maior parte dos professores se auto classifica como parda,
mas, considerando que as classificações morena, morena clara, preta e negra
dizem respeito à raça negra, a maior parte dos professores se autodenomina
afro-brasileiro.
Temos
consciência dos progressos da Genética, que apontam para a impossibilidade de
determinar a raça de um ser humano. Nesse sentido, os pesquisadores da área
descobriram que os patrimônios genéticos de duas pessoas pertencentes a uma
mesma raça podem ser mais distantes do que os de indivíduos pertencentes a
raças diferentes. Sendo assim, concluíram que a raça não é uma realidade
biológica humana, mas um conceito cientificamente inoperante para explicar a
diversidade humana e para dividi-la em grupos. Ou seja, biológica e
cientificamente, as raças não existem.
Por
isso, estamos utilizando o termo raça como conceito relacional, que se
constituiu histórica e culturalmente, a partir de relações concretas entre
grupos sociais em cada sociedade, rejeitando o determinismo biológico e
valorizando a cultura e a identidade de cada um. Porém, não podemos deixar de
mencionar o número de professores que se considera branco e amarelo, como pode
ser observado, a seguir:

Definir
a origem étnico-racial dos brasileiros não é tarefa simples. Existem muitos
adjetivos para dizer o que somos e aqui tivemos uma pequena amostra desses
adjetivos. Nesse sentido, Silva afirma que a percepção dos professores negros
em relação à questão étnico-racial em sala de aula está intimamente associada à
forma como eles lidam com o seu pertencimento étnico-racial.
Esse
pertencimento, geralmente, foi gerado de forma lenta, processual e gradativa o
que, muitas vezes, só ocorre depois de os professores terem sofrido algum tipo
de preconceito ou discriminação que os tenha atingido de tal forma que os levou
a se verem como negro ou negra. Sabemos que o conceito de identidade é
múltiplo, ou seja, fala-se em identidades de gênero, identidades etárias,
identidades raciais, entre outras. Nesse sentido, gostaríamos de ressaltar o
conceito de identidade segundo Munanga .
(...)
uma realidade sempre presente em todas as sociedades humanas. Qualquer grupo
humano, através de seu sistema axiológico, sempre selecionou alguns aspectos
pertinentes de sua cultura para se definir em contraposição ao alheio. A
definição de si(autodefinição) e a definição dos outros(identidade atribuída)
tem funções conhecidas: a defesa da unidade do grupo, a proteção do território
contra inimigos externos, as manipulações ideológicas por interesses
econômicos, políticos, psicológicos etc.
Portanto,
podemos dizer que a construção da identidade não é tarefa simples, se pensarmos
na nossa história contada em sala de aula, por exemplo, perceberemos o quanto é
difícil para uma criança negra se identificar como tal e assumir a sua
identidade de negro ou negra pois aprendeu e ainda aprende na escola que os
brancos são “os heróis nacionais” e que não havia lugar de prestigio para os
negros na sociedade brasileira ao longo dos tempos , diferentemente do lugar
ocupado pelos brancos no nosso país. Assim, situações vivenciadas em aula de
história pode levar as crianças negras a negarem sua origem e assumirem-se como
brancas.
A
pesquisa revelou que a maior parte dos docentes tem entre 11 e 20 anos de
atuação e, portanto, com muita experiência na área de educação, o que nos
permite inferir que desenvolvem (ou deveriam desenvolver), a cada dia, seu
trabalho de maneira melhor e mais consciente. Apesar de acreditarmos que o
comprometimento com a temática independe do tempo de atuação. Ou seja, se os
professores realmente quiserem abordar esse tema em várias situações irão
fazê-lo, independente do tempo de serviço, embora reconheçamos que essa tarefa
não é fácil.
Nesse sentido,
temos relatos de professores que foram acusados de racistas às avessas por
estarem tentando valorizar a cultura negra nas salas de aula e quererem mudar o
foco eurocêntrico para o afrocêntrico . Em relação à escolarização, a maior
parte dos professores possui nível superior, com predominância do curso de
Pedagogia. Esse dado demonstra que o município está seguindo a LDB 9394/96, a
qual determina que, até 2010, os professores da educação básica possuam
formação superior.
Porém,
sabemos que os cursos de formação de professores da região do vale do São
Francisco ainda não estão preparando os alunos para trabalharem a temática, à
exceção de algumas iniciativas relacionadas a práticas de alguns professores
com essa preocupação. Infelizmente, a maioria das universidades brasileiras
ainda não inseriu a temática em seus currículos e, assim, não podem formar
professores conscientes e preparados para abordar a história e a cultura
africana e afro-brasileira em suas salas de aula.
Nesse
sentido, Gomes Junior (2007) menciona, por exemplo, que são poucos os cursos de
história que oferecem a disciplina História da África nas universidades do
Nordeste, disciplina que seria de fundamental importância para a formação dos
futuros professores de história. Imaginemos, então, a situação dos demais
cursos de formação de professores Portanto, a inclusão da História e Cultura
Afro-Brasileira e Africana nos currículos da Educação Básica é, também, uma
questão política, com fortes repercussões pedagógicas, inclusive no que se refere
à formação de professores. Nesse sentido, os cursos de Pedagogia vêm
reformulando seus currículos em todo o país, com fins a contemplar o exigido
pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, instituídas pelo Conselho Nacional de
Educação em maio de 2005. As diretrizes, em acordo com o anseio de formação de
uma sociedade igualitária e mais justa, compreendem a docência, em seu Art. 2º,
parágrafo 1º:
(...)
Como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional, construído em
relações sociais, étnico-raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos,
princípios e objetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre
conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a
processos de aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento, no
âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo.
Assim
sendo, o curso de Pedagogia, do qual fazem parte todos os alunos envolvidos
nesse projeto, poderá contribuir, entre outras coisas, para a formação do
futuro licenciado em relação à temática. Em sintonia com a Lei 10.639/03, as
Diretrizes, acima citadas, também instituem a abordagem educativa diferenciada
em escolas indígenas ou em escolas de remanescentes de quilombos, como podemos
observar a seguir:
§ 1º
No caso dos professores indígenas e de professores que venham a atuar em
escolas indígenas, dada a particularidade das populações com que trabalham das
situações em que atuam, sem excluir o acima explicitado, deverão: I - promover
diálogo entre conhecimentos, valores, modos de vida, orientações filosóficas,
políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena junto a quem atuam e
os provenientes da sociedade majoritária; II - atuar como agentes
interculturais, com vistas à valorização e o estudo de temas indígenas
relevantes. § 2º As mesmas determinações se aplicam à formação de professores
para escolas de remanescentes de quilombos ou que se caracterizem por receber
populações de etnias e culturas específicas.
No que
diz respeito aos níveis em que os professores atuam no momento, temos (12%) na
educação infantil, (70%) na educação fundamental, (4%) na educação média e
(14%) não informaram em que nível atuam. Os professores da educação infantil,
que participaram da nossa pesquisa, mencionaram a importância de inserir a
temática nesse nível de ensino para que nos níveis em que se seguirem, as
crianças já tenham uma base de compreensão menos preconceituosa e mais
inclusiva. Entre os membros das equipes gestoras (MEG), todos os sujeitos
participantes são do sexo feminino, apenas um não informou esse dado.
Como o
número de questionários recebidos das MEG foi bem menor que o dos professores,
remetemos ao quantitativo em números e não em percentuais. Como são membros da
gestão escolar, todas as participantes possuem vinculo permanente com a rede
municipal, são todas concursadas, possuem nível superior, sendo que quatro
possuem curso de Pós-Graduação Lato Sensu. Têm entre 30 e 50 anos de idade e
atuam de 11 a 20 anos na área da educação. Em relação à origem étnico-racial ,
cinco se autodeclararam brancas, três pardas, uma morena, uma preta e duas não
informaram, como pode ser observado no quadro abaixo:

A
partir da análise do nosso instrumento de coleta, estabelecemos as seguintes
categorias: conhecimento sobre a Lei 10.639 e a história e cultura africana e
afro-brasileira; prática docente inserção da temática na sala de aula e os
materiais didáticos utilizados; importância da temática; ações da escola e da
secretaria da educação para implementação da Lei. É importante destacar que,
embora saibamos que o nosso instrumento apresenta falhas, como qualquer outro,
na medida em que menciona a temática antes de questionar sobre o conhecimento
da Lei (na apresentação/objetivo da pesquisa para o pesquisado) e seu conteúdo,
acreditamos que isso poderia levar os sujeitos a copiarem, ou seja, a
responderem mesmo sem o conhecimento real da Lei.
Mesmo
assim, acreditamos que as respostas revelam mesmo que, parcialmente,
considerando que nossa amostra representa em torno de 10 % das escolas
municipais aspectos da realidade do município de Petrolina sobre a inserção da
temática história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. No que se
refere ao conhecimento sobre a Lei 10.639 e a história e cultura africana e
afro-brasileira, cujo objetivo era sondar se os professores e membros das
equipes gestoras da rede detinham algum conhecimento sobre a Lei e o seu
conteúdo, percebemos que (42%) dos professores não responderam às questões
referentes a essa categoria.
Dos
(24%) que responderam, (14%) demonstraram conhecer a Lei e seu conteúdo, como
veremos a seguir: “É uma Lei que exige que a cultura afro-brasileira faça parte
da grade curricular do ensino brasileiro”. “É uma Lei que diz que é obrigatório
trabalhar a cultura afro-brasileira na escola”. Porém, não podemos deixar de
mencionar os depoimentos que demonstraram conhecimento parcial ou equivocado
sobre a Lei e a temática. “Foi uma Lei criada para defender os nossos irmãos
afros”. “A mesma fala sobre as punições referentes à discriminação racial”.
“Determina os direitos e deveres da cultura afro-brasileira”.
Os
relatos dos professores referem-se ao combate da discriminação e ao respeito
aos direitos dos afro-brasileiros, o que demonstra que, mesmo não sabendo
exatamente do conteúdo da Lei, sabem que esse diz respeito aos negros e seus
descendentes. Em relação aos Membros das equipes gestoras (MEG), quatro (4)
membros não responderam e oito (8) demonstraram conhecer a Lei e seu conteúdo
mesmo que parcialmente, como podemos observar:
“Fala
dos direitos dos afrodescendentes. Há um documento (Lei) que determina o ensino
nas escolas”. […]“A reformulação da LDB que determina o ensino essa inclusão da
cultura africana e afro-brasileira em ensino regular. Está na LDB, como também
nos estados para definir dentro do conteúdo pedagógico na cultura local”.[…]
“Trata-se do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira”. […] “A
Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003 que determinou a obrigatoriedade da temática
história e cultura afro-brasileira no currículo oficial da rede de ensino
fundamental e médio, nas escolas publicas e particulares do Brasil”. […]“É importante
para ser vivenciada na educação do Brasil. Eu já li essa Lei. Que é obrigatório
incluir no currículo o ensino da cultura afro-brasileira nas áreas de educação
artística, literatura e história”.
Ao
analisar os depoimentos anteriormente mencionados, percebemos que as MEG
demonstraram um conhecimento mais pontual que os professores em relação à Lei e
ao seu conteúdo. Esse diferencial pode ser atribuído ao próprio setor de
atuação, ou seja, a própria atividade de gerir uma unidade escolar exige maior
conhecimento sobre legislação da educação. Esse conhecimento a mais,
demonstrado pelas MEG, poderia favorecer uma prática pedagógica mais eficiente,
desde que houvesse uma gestão democrática de fato no interior das escolas.
Em
relação à prática docente inserção da temática na sala de aula e os materiais
didáticos, o nosso o objetivo era tomar conhecimento da forma com que o
professor aborda a temática em sala de aula e que materiais e recursos utiliza
para tanto. Percebemos que os professores que não abordam a temática em sala de
aula não opinaram sobre materiais didáticos disponíveis na escola. Entre os
relatos de suas práticas, os professores afirmaram que abordam a temática em
situações pontuais como datas comemorativas com uso de vídeos e livros didáticos
como pode ser observado a seguir:
Explicação
sobre o assunto que tem em livros didáticos, filmes que o próprio professor
loca”. […] “Só com danças”. “A importância dos negros na cultura brasileira”.
[…]“Apenas nas datas comemorativas, 13 de maio e 20 de novembro dia da
consciência negra”. “Sim, debatendo sobre como os negros chegaram em nosso pais
e também sobre as diferenças raciais”.[…] “Sim, através de conversas e debates
sobre a escravidão e de forma resumida”. […]“Utilizando gráficos, filmes e
slides sobre vários temas que se fazem necessário abordar o tema”.
[…]“Explanando noticias e eventos do que está acontecendo no momento e
conteúdos do livro didático”. […] “Com atrativos da história dos negros e da
literatura. Exemplo: um passeio pela África de Alberto Costa e Silva”. “A
escola dispõe da coleção “Vivendo a diversidade (cultura afro-brasileira) a
qual é de grande contribuição para o ensino e a aprendizagem”.[…]
4 - Continuação:
Em relação aos materiais específicos que tratam da
história e cultura africana e afro-brasileira, menciona-se o livro Um passeio
pela África e a coleção Vivendo a diversidade. Em Um passeio pela África,
primeiro livro infanto-juvenil do embaixador e acadêmico Alberto da Costa e
Silva, os jovens brasileiros Zezinha, Gustavo e Inácio se aventuram por um
continente que, na maioria das vezes, conhecemos apenas por meio dos atlas
geográficos: Angola, Guiné, Costa do Marfim, Senegal, Congo. Maior africanista
do país e autor do clássico.
A enxada e a lança, Costa e Silva propõe um delicioso
roteiro em que olha para o passado africano mostrando as diferenças culturais
entre os vários povos que vieram para o Brasil como escravos e ajudaram a
formar nossa cultura também aponta para o futuro. Fugindo dos clichês, ele
revela para os jovens leitores uma África urbana e moderna, sem deixar de
destacar as peculiaridades de cada país visitado por seu trio de personagens.
“Um passeio pela África” conta com as ilustrações de Rodrigo Rosa.
A coleção Vivendo a Diversidade: cultura
afro-brasileira, também mencionada por professores e MEG, é uma proposta
pedagógica para a superação do racismo na escola e, consequentemente na
sociedade, da Editora Fapi. Ela traz atividades, proposta e projetos que visam
subsidiar o trabalho do educador sobre as relações étnico-raciais positivas,
reconhecendo e valorizando a história, a cultura e a identidade da população
afro-descendente do Brasil.
A coleção busca levar os alunos e os educadores a se
posicionarem de maneira reflexiva e crítica, partindo do conhecimento e da
contextualização de situações variadas, para que aprendam por meio da análise
de fatos. O objetivo é formá-los para que sejam capazes de intervir na
realidade, transformando-a, quando necessário. Essa proposta de trabalho visa
estabelecer relações humanas mais fraternas, promovendo a colaboração, a
solidariedade e a construção da dignidade pessoal, além de proporcionar a
reflexão de todos. Entre os membros das equipes gestoras, uma não respondeu e
onze disseram que a escola dispõe dos mesmos materiais citados pelos
professores.
No que diz respeito à importância da temática, os
professores, apesar de alguns desconhecerem a importância da temática e outros
acharem que não é importante, (14%) disseram que não acham importante e (4%)
não opinaram, (4%) disseram sim, mas não sabem por que. A maioria afirma que é
importante por vários motivos (valorização da nossa história, contribuição da
cultura africana para o nosso país, por causa do preconceito e da discriminação
racial, inclusão social, construção da identidade entre outros). Nos
depoimentos que seguem, encontramos várias justificativas para a inserção da
temática.
Foi grande a contribuição cultural do nosso pais mas
os negros não foram valorizados como deveria ser”. […] “Temos que esclarecer o
assunto como aconteceu para os alunos”. […] “Sim, porque vai ampliar o universo
cultural dos docentes e dos discentes”. […] “Sim, porque existe muito
preconceito com o negro e a sociedade em geral não conhece a riqueza que é a
cultura afro e a contribuição que esta trouxe para o nosso pais”.[…] “Sim
porque existe muito preconceito em relação ao negro e precisamos mostrar a
riqueza, que há na sua cultura”. […]“Sim por conta da inclusão social”. […]
“Sim existem crianças que tem racismo com o colega”. […] “Sim para informar e
esclarecer o porquê da discriminação”. […]“Sim, nos ajuda a reconhecer a nossa
história, nossa origem e respeitar as diferenças”. […] “Sim, somos um país
afrodescendente, é preciso conhecer nossas origens, raízes”. […]“Devemos
preservar o legado cultural deixado pelos africanos para o brasileiro
respeitando, assim, a diversidade cultural”.
Podemos apontar algumas direções em relação aos
depoimentos dos docentes. A primeira aponta para a abordagem feita em sala de
aula, remetendo ao passado, principalmente à escravidão e às datas
comemorativas como o “13 de maio” e o “Dia da consciência negra”. A segunda
aponta para o uso de filmes e livros didáticos. Em relação ao uso do livro
didático, destacamos a nossa preocupação, pois sabemos que esse é, muitas vezes,
o único impresso a que professores e alunos têm acesso, sobretudo nas escolas
públicas, e, muitos livros didáticos ainda trazem representações distorcidas
sobre a situação do negro na sociedade brasileira, apesar da política de
elaboração de livros de qualidade nos últimos tempos.
Os estudos de Silva (1995) sobre representação de
negros em livros didáticos apontam que a maneira como os negros eram
representados era estereotipada, negativa, em episódios que narram a
escravidão; por exemplo, o africano foi estereotipado como “selvagem”, “mau”,
“sem alma”, para justificar a sua sujeição aos maus tratos dos brancos. Nosella
(1978), por sua vez, analisou livros de comunicação e expressão da 1ª à 4ª
série do primeiro grau, na Rede Oficial do Espírito Santo, na década de 1970,
com o objetivo de desmascarar a ideologia subjacente aos textos em que os
negros entre outros atores, como mulheres apareciam. Essa última análise
demonstrou que os negros eram representados como empregadas domésticas,
empregados da casa grande, pobres, entre outros.
Ainda em relação aos relatos anteriormente citados,
percebemos que a valorização da cultura e da raça, a discriminação, que existe
na sociedade, a construção da identidade afro-brasileira foram apontados como
motivos importantes para se trabalhar a história e cultura africana e
afro-brasileira nas escolas, na opinião da maioria dos professores pesquisados.
Porém, tem um depoimento que gostaríamos de destacar. Diz o seguinte: “Sim
porque o nosso país é formado por um quantitativo enorme de pessoas da raça
negra onde os próprios negros se discriminam”.
Mencionamos que a professora e autora desse depoimento
se auto-denominou negra e que esse tipo de relato é comum não só na escola mas
também na sociedade como um todo; nós, nem sempre, aceitamos quando pessoas à
nossa frente, que nós consideramos negros e negras, agem de maneira
preconceituosa ou mesmo racista com outros que consideramos negros e negras
também. Isso nos leva a outro depoimento também comum na sociedade, isto é, não
nos identificarmos como negro ou negra, ou os considerarmos diferentes de nós,
mesmo sendo afro-brasileiros. Referimos ao depoimento a seguir: “Sim porque é
sempre bom saber sobre as culturas diferentes da nossa. […]”. A professora que
fez esse relato se declarou parda. O que é comum, como já foi dito, são muitos
adjetivos utilizados para não dizer que somos negros, mas o IBGE considera como
negro os pardos também. Em relação aos depoimentos dos membros das equipes
gestoras, percebemos que todos responderam, atribuindo algo de importante para
a implementação da temática, como segue:
“Sim, porque a diversidade cultural deve ser
trabalhada, compreendida e respeitada”.[…] “Sim, pois é preciso que haja
conscientização de que a abordagem é problema de todos”. […] “Sim, porque há
muita discriminação e é muito bom falar (discutir) em sala de aula”. […]“Sim,
porque se faz necessário conscientizar os alunos do papel cultural e da
infiltração dos valores que os negros exerceram na história do país”. […]“Sim,
resgata as raízes origens do povo brasileiro”. […]“Sim, essa temática oferece
elementos para a contribuição dos povos africanos e destaca a ocorrência
cultural e política”. […]“Sim, porque todos os assuntos que abordam a história
dos povos é importante para a formação dos alunos”. […] “Sim, porque esse
aprofundamento sobre a temática contribui para enriquecer nossa pratica
pedagógica”.[…]
Por fim, no que se refere às ações da escola e da
secretaria da educação para implementação da Lei, segundo os professores, há algumas
iniciativas da escola e da secretaria para inserir a temática e facilitar o
trabalho dos professores e professoras em Petrolina. Em relação às ações da
escola, (30%) dos professores afirmaram que nada tem sido feito pela escola.
Mas a maioria apontou algo a respeito do trabalho da escola, que ainda não é
suficiente para garantir efetivamente a inclusão da história e cultura africana
e afro-brasileira na sala de aula, como mencionamos a seguir:
“Apenas com material disponível na escola, livros,
debates que escreve pouco sobre o assunto”. […] “É um tema que eu não trabalho
é mais para os professores de história”. […] “A escola desde 2008 vem
colaborando através de visitas com estudantes da UPE e palestras com os mesmos,
aquisição de recursos didáticos (livros, computadores, atividades artísticas)”.
[…] “Não foi posta ainda em prática essa temática”. […] “Não trabalhamos ainda
essa temática mas a escola disponibiliza internet”. […] “Facilitando ao
conhecimento através de oportunidades de estudos e novas tecnologias”. “
Incentivo a trabalhar o tema na disciplina historia, educação artística e
literatura”. […] “Oferecendo subsídios para trabalhar a temática”. […] “Minha
escola nunca tratou desse assunto, talvez nas aulas de geografia ou artes, não
sei”. “A escola garante a autonomia do professor em sala de aula. Isso já é uma
vitoria”. […]
Analisando os depoimentos acima mencionados,
percebemos que história, geografia, literatura e artes são colocadas como
únicas áreas em que se pode abordar a temática, como se, nas demais áreas do
conhecimento, isso não fosse possível, o que é comum se pensar por
desconhecimento da Lei e das suas diretrizes. Os depoimentos dos membros das
equipes gestoras não são diferentes. Seis (6) membros não responderam, e, entre
os que responderam, encontramos: “Aborda superficialmente nas disciplinas
afins: história e geografia”. “Dando suporte na medida do possível”.[…] “Os
professores da área de história vem trabalhando a consciência negra através de
pesquisas, trabalhos expositivos, teatro, leitura”. […] “Irão preparar
apostilas para o trabalho em sala de aula”. […] “Dispõe de material com a
temática”.
Em relação à Secretaria de Educação, percebemos que há
pouco incentivo, restringe-se à formação continuada no geral na opinião dos
professores apesar de (20%) afirmarem que nada tem sido feito. Entre os que
apontam ações acontecendo, temos:
“Há pouco encontro da secretaria, mas pode mudar esse
quadro”. “Colabora na formação dos professores”. […] “Disponibilizou um
documento que visa o professor abordar e trabalhar com ênfase sobre a semana da
consciência negra e o incentivo a criação de projetos”. […] “O mínimo possível,
pois não se conscientizou que é preciso investir na cultura sobre temas
importantes que fizeram e fazem parte do nosso país”. […] “No ano passado e
durante as formações continuadas com professores algumas formações de história
abordaram o tema”. […]“Tivemos orientações, mas não existe prática na escola”.
[…] “Já fomos orientados inclusive recebemos um projeto, mas ainda não entramos
em ação”. […] “Por enquanto somente formações de história”. “Capacitando
através de estudos em grupo.
No que diz respeito ao trabalho da Secretaria de
Educação entre os membros das equipes gestoras, seis (6) não responderam e as
demais apontam que, nas formações continuadas, essa temática é abordada.
Vejamos os depoimentos:
“Acho que tem feito muito pouco, mas pode melhorar
dando maior suporte nessa construção”. […] “Já foram preparadas algumas
apostilas”. […] “Todas as escolas municipais receberam material didático com
esta temática que foi a coleção citada na questão 11 (coleção diversidade e
cultura afro-brasileira)”.[…] “Promove encontros de professores nessa área na
formação continuada”.[…]
Portanto, segundo os professores e as MEG, não existe
uma política efetiva para a inserção da história e cultura afro-brasileira e
africana na rede municipal de Petrolina, mas há algumas iniciativas sendo
realizadas, mesmo que só nas formações continuadas. Assim, acreditamos que a
nossa proposta de intervenção pode ser ampliada para atender toda a rede
municipal por meio de formações continuadas, não só para professores de
história, mas também para todos os níveis da educação básica.
5 - História E Cultura Africana E
Afro-Brasileira:
Literatura Infantil, Música E
Produção De Materiais Didáticos – Uma Proposta De Intervenção:
No intuito de atingir, mesmo que inicialmente, os três
princípios definidos pelas diretrizes curriculares: consciência política e
histórica da diversidade; fortalecimento de identidades e de direitos, ações
educativas de combate ao racismo e a discriminações, construímos um projeto de
extensão/intervenção. A proposta divide-se em três perspectivas.
A primeira perspectiva de atuação é a formação dos
professores em História e Cultura Afro-brasileira e Africana com o objetivo de
sensibilizá-los sobre a importância de se trabalhar a temática em suas
atividades didáticas cotidianas para a construção da cidadania (por meio do
projeto Escola cidadã: formação de professores em História e Cultura Afro-Brasileira
e Africana em Petrolina – PE) e a segunda perspectiva é a construção e o acesso
a materiais didático-pedagógicos (por meio do projeto intitulado Produção de
materiais didático-pedagógicos para o ensino de História e Cultura
Afro-brasileira e Africana em Petrolina-PE), como, por exemplo, jogos, que irão
contribuir para a realização de situações de aprendizagem relacionadas à
temática para facilitar o trabalho com os alunos nas salas da escola, onde o
projeto está sendo realizado.
Apesar de saber da existência dos materiais didáticos
sobre a História e Cultura Afro brasileira e africana, como os materiais que o
MEC produziu via Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
(SECAD), os professores declaram não saber da existência desse tipo de
material. As próprias Diretrizes sobre a Lei não chegaram às escolas
municipais. E a terceira perspectiva é de atuação direta com os alunos,
desenvolvendo atividades de sensibilização e construção da identidade a partir
da literatura infantil (por meio do projeto Escola: espaço de construção da
identidade cidadã- tentativas de implementação da Lei 10.639 nas escolas
municipais da cidade de Petrolina) e da música (por meio do projeto Cultura
afro-brasileira: inserção da música nas escolas municipais de Petrolina-PE).
A pesquisa analisada no item anterior possibilitou
reafirmar, em nosso contexto, a necessidade de a universidade tentar iniciar um
caminho de diálogo sobre a temática dentro das escolas públicas. Atualmente, já
podemos considerar um aumento na produção do conhecimento sobre as questões
afro-brasileiras nas instituições públicas de nível superior, mas sabemos que
apenas um pouco de tudo isso chega de forma concreta às escolas regulares. É
importante destacar que, no projeto de extensão, priorizamos o trabalho com as
professoras e alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, com o
objetivo de aproximar nossos alunos da graduação, envolvidos no projeto, nos
níveis de ensino em que atuarão mais efetivamente.
Diante disso, com a proposta de sensibilizar,
inicialmente, um grupo de professores para a temática, encaminhamos para a
Secretaria de Educação o nosso projeto, que foi aprovado e indicado pelo
Secretário de Educação para uma das escolas da rede. A escolha de uma única
escola se deve ao fato de nossa equipe ser pequena e de possibilitar a
realização de uma ação longa e duradoura com um mesmo grupo de professoras. A
escola indicada pela Secretaria de Educação, como já explicitado anteriormente,
chama-se professora Laurita Coelho Leda Ferreira.
Existe há onze anos e fica situada em um bairro
popular chamado Vila Marcela. A instituição funciona nos horários da manhã,
tarde e noite, com turmas da educação infantil, ensino fundamental e Educação
de Jovens e Adultos. No ano de 2009, data principal de execução de nossos
projetos, a escola possuia treze professores, onze funcionários e quatrocentos
e vinte e oito alunos matriculados. A instituição possui uma infraestrutura
pequena, com apenas seis salas de aula, uma biblioteca com espaço amplo, mesas
e cadeiras, porém com poucos livros; um laboratório de informática, um
refeitório e um grande pátio para o recreio sem cobertura contra o sol.
Em relação aos equipamentos, os quadros são de giz e,
em toda a instituição, só existe uma TV, um DVD, um vídeo, um retroprojetor e
um aparelho de som. O público-alvo é composto de cinco professoras que atuam na
educação infantil e fundamental, nos dois turnos, da escola já citada e,
consequentemente, seus respectivos alunos . Para a realização do projeto, as
professoras ficam reunidas em uma sala da própria da instituição conosco
(coordenadoras do projeto) e com a bolsista responsável realizando estudos,
atividades e discussões a respeito da temática “História e Cultura
Afro-Brasileira e Africana”, enquanto os alunos permanecem em suas salas com as
outras bolsistas do projeto, realizando atividades relacionadas à temática, que
descreveremos a seguir.
É importante destacar que todo o material didático e
pedagógico, que construímos em conjunto com os graduandos de pedagogia que
fazem parte do projeto para a execução das oficinas, nós disponibilizamos uma
cópia para a escola, no intuito de possibilitar sua utilização por todos os
professores. Destacaremos três oficinas já realizadas com as professoras A primeira
foi para a apresentação dos projetos e de nossa intenção para com essa proposta
de intervenção. Nesse momento, percebemos que as professoras dessa escola não
conheciam a referida Lei e nem trabalhavam com a temática em sala de aula.
Vale ressaltar que ninguém conhecia as Diretrizes
Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, o que demonstra que nem toda
escola recebeu o referido documento. Esse relato se repetiu nas escolas cujos
dados foram coletados. Durante o nosso primeiro encontro, muitos exemplos de
preconceito em sala de aula foram relatados pelas professoras, entre os quais
podemos destacar: “os alunos do pré discriminam um determinado aluno por ser
negro, dizem que a mãe dele o colocou no forno e esqueceu de tirar e ele
queimou todo até o cabelo, eu os repreendo, mas não tem jeito” (professora. da
Educação Infantil).
“Outro dia mesmo a moça da limpeza entrou na sala e
perguntou: cadê a vassoura? E a turma inteira respondeu como um coral: tá na
cabeça da aluna [... ]. Eu fiquei sem ação, deu vontade de rir, mas me
controlei”(Professora do 2º ano Ensino Fundamental). É comum ouvir das
professoras, com quem trabalhamos, que não estão preparadas para lidar com
essas situações. Como a escola é um reflexo da sociedade, as crianças
reproduzem o que veem no seu cotidiano e, muitas vezes, os profissionais da
educação, principalmente os professores não enxergam situações como as
descritas como preconceituosas e não interferem, contribuindo, assim, para a
disseminação de preconceitos na sala de aula.
Ao final do encontro, tivemos relatos positivos em
relação ao encontro e a necessidade de se tornar atento a situações que,
aparentemente, pareçam “brincadeira de criança” no cotidiano escolar para que
situações preconceituosas não se repitam. Nesse encontro, os alunos conheceram
os livros de literatura infantil Menina bonita do laço de fitas, de Ana Maria
Machado,editora Ática; Bom dia todas as cores de Ruth Rocha, editora Quinteto
Editorial e Na minha escola todo mundo é igual de Rossana Ramos, da editora
Cortez.
O objetivo do dia foi trabalhar a identidade de cada
um e a autoestima, por meio da construção de seu autorretrato de duas maneiras:
uma maneira foi construir um autorretrato com massa de modelar, momento em que
se observou o fato de os alunos não pegarem a massa de cor preta, apesar de
serem afro-brasileiros. Outra maneira foi confeccionar um boneco de jornal em
que deveria colocar suas características físicas e, também, pudemos perceber
que nenhum pintou seu boneco de preto. Quando apresentamos os referidos livros
às professoras, apesar de saberem da existência de uma ou outra obra, afirmaram
não conhecê-las.
A segunda oficina foi dedicada exclusivamente à
sensibilização desses profissionais sobre a importância de trabalhar essa
temática em sala de aula e apresentar a própria Lei e suas diretrizes
curriculares. Nessa oficina, utilizamos os recursos que tínhamos disponíveis
para atingir os nossos objetivos, imagens que mostravam as mudanças históricas
e sociológicas do povo negro no mundo, desde o próprio continente africano, seu
lugar de origem, a chegada ao Brasil e sua contribuição para a constituição do
povo brasileiro.
Destacamos a luta de anos pela instituição da Lei
10.639/03 e como e quais as razões que fizeram a Lei se tornar realidade
durante o Governo Lula. Estudamos a Lei e, principalmente, o que é instituído
nas Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico Raciais e para
o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, como as alternativas
e sugestões de colocar a temática ao longo do currículo escolar.
As professoras pediram para ter uma cópia das
referidas diretrizes curriculares e relataram o que a pesquisa anteriormente
relatada demonstrou, ou seja, a realidade da rede municipal: não há formação
continuada para se trabalhar a temática por isso acreditavam que era para se
criar uma nova disciplina chamada História da África, mencionaram a falta de
materiais didáticos, entre outros. Nesse encontro, os alunos continuaram
trabalhando com literatura infantil mas com um livro ainda não lido entre os
mencionados. Nesse dia uma das turmas trabalhou com o conto africano Kiriku e a
feiticeira em vídeo.
Percebemos que as professoras e os alunos não
conheciam o vídeo em questão. Os alunos prestaram bastante atenção durante a
exibição do vídeo e demonstraram estranhamento, pois nunca tinham assistido a
um desenho animado em que todos os personagens fossem negros, inclusive o
herói. O primeiro comentário das crianças: é “todo mundo é negro!” As
professoras solicitaram uma cópia do vídeo para ficar na escola e nós já a
providenciamos. Em outros momentos, relataram que tem sido muito boa a
experiência de assistir ao vídeo, até as turmas que não participam do nosso
projeto querem assistir a ele.
A terceira oficina denominou-se África: um país ou
continente? Tivemos como objetivo conhecer, em conjunto com as professoras,
aspectos geográficos do continente africano para valorizar, entre outros
fatores, a cultura dos povos que lá viveram e vivem. Destacamos, nessa oficina,
os países que compõem esse continente, sua cultura e seus costumes através de
um jogo, elaborado pela equipe. O jogo em questão é composto de perguntas e
respostas e seu tabuleiro é um grande mapa do continente africano. Nessa
oficina, além de jogarmos com as professoras e refletirmos aos poucos sobre
aspectos da Geografia desse continente, apresentamos vídeos e slides referentes
à fauna e flora africana, destacando curiosidades e aproximações com o nosso
país, além de sempre mostrar possibilidades e facilidades de trabalhar essa
temática em sala de aula.
Essa oficina teve grande receptividade por parte das
professoras, segundo suas próprias avaliações, por conseguirmos trabalhar de
forma lúdica e construir o conhecimento geográfico sobre o continente africano
que elas não conheciam e, ao mesmo tempo, possibilitar a criação de estratégias
de como vivenciar tudo isso em sala de aula com os seus alunos. No momento de
jogar, as professoras demonstraram conhecer alguns dos países africanos por
características particulares positivas ou negativas.
A dinâmica do jogo consiste em jogar um dado para
saber em que lugar vai estar e, dependendo da resposta correta para uma
pergunta sobre assuntos gerais sobre o país em que está, avançará ou
permanecerá no lugar. Todos partem do mesmo lugar. Temos relatos para
exemplificar esse momento, entre eles: “não quero ficar na Etiópia, pois lá tem
muita fome!” […] “No Congo eu fico, pois queria ver um gorila”, “Vou pra
Camarões aprender a jogar futebol!” […] “ a África do Sul é o lugar que tem
mais brancos em todo o continente”[…].
Entre as grandes dificuldades reveladas pelos
professores, na pesquisa e na escola em que atuamos, estão a sua formação
inicial na universidade, momento em que esse tema não tem sido abordado e o
acesso a materiais didáticos que abordem a História e Cultura Afro brasileira e
Africana. Como já foi mencionado, o próprio MEC produziu por meio da Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) inúmeros materiais
que têm contribuído para a implementação da temática em sala de aula, mas esse material,
que pode até circular com facilidade nas capitais, não tem sido divulgado em
cidades do interior, como é o caso de Petrolina.
Pensando nesse acesso, principalmente em uma cidade do
sertão do estado nos propomos possibilitar o acesso e a construção dos
materiais didático-pedagógicos, o que contribuirá para a realização de
situações de aprendizagens relacionadas à temática história e cultura
afro-brasileira e africana, pensando assim, na real efetivação dessa temática
em sala de aula. Além do jogo de perguntas e respostas já citado, construímos
dominós e jogos de memória sobre a fauna e a flora do continente africano. Os
referidos jogos foram confeccionados com imagens que representam a flora e a
fauna e o nome do elemento logo abaixo para que, além do lúdico, se possa
trabalhar a língua portuguesa por meio da escrita dos elementos que expressam a
biodiversidade do continente.
Nesse encontro, algumas turmas trabalharam com
literatura infantil, uma com Kiriku e outra trabalhou com música, com o objetivo
de proporcionar uma vivência interdisciplinar da cultura afro-brasileira a
partir da música. Nesse momento, os alunos tiveram contato com músicas e os
ritmos afro-brasileiros, como o frevo em seus diversos tipos melódicos: frevo
canção, frevo de rua, frevo de bloco, e seus instrumentos, principalmente um
acessório: sombrinha de frevo, a partir de atividades que proporcionassem às
crianças o reconhecimento dessa música como de origem africana.
Além do conhecimento e a construção de instrumentos
musicais de origem africana como o Ganzá (construído com copos descartáveis e
sementes) e o pandeiro (construído com embalagens de goiabada e tampinhas de
refrigerante). Gostaríamos de finalizar com os depoimentos das professoras que
participam da nossa proposta de intervenção, em relação ao vídeo Rompendo o
Silêncio, que aborda a caso de uma professora branca que modifica sua prática
em sala de aula a partir de uma formação continuada e passa a fazer coisas
simples que surtem efeitos importantes no combate ao preconceito.
“A realidade diante do preconceito faz com que a gente
reconheça o preconceito diante dos alunos”.[…] “A professora tem que estar mais
atenta ao preconceito dentro da sala de aula e ensinar aos alunos a respeitar
as diferenças entre eles”. […]“Nós não podemos fechar os olhos para os
problemas que aparecem dentro da sala e no nosso dia a dia. Como diz o filme
Rompendo o silencio, precisamos ser mais uma sementinha contra o preconceito e
a discriminação racial”. […]
Fonte: Curso de História da África. Arquivo pessoal;
Aula da Prof. Vanessa.
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