PROJETO DE
VIDA: SER OU EXISTIR? – BNCC – 2020 –
PROFE. VANESSA.
O projeto
de vida traz a possibilidade de arquitetar, conceber e plasmar o que está por
vir. O ser humano tanto pode idealizar uma bomba, quanto a cura para uma
doença. As escolhas dos estudantes decorrem de influências intrínsecas e/ou
extrínsecas e, no que tange ao apoio da escola, do compromisso de seus atores
com a ética, a ciência tanto pode atender aos interesses mercadológicos,
estando a serviço do consumo desenfreado, da competitividade e das guerras,
quanto do coletivo, visando a paz, a lucidez e o bem comum. Projetar a vida
perpassa por questionamentos sobre as diferentes violências físicas e
simbólicas que se configuram diante das desigualdades sociais, étnicas e de
gênero.
Idealizar
a própria vida é ter consciência da responsabilidade de cada um em sua atuação
social, descobrindo-se a si mesmo, aos outros e o meio em que vive.
É o
momento em que são percebidas as tantas formas e jeitos de ser. É também quando
alguns dos preconceitos construídos socialmente atingem e afetam as crianças, o
que pode ser revertido a partir do compromisso da escola em importar-se com o
outro. Muitas vezes, nos projetamos para uma vida produtiva, pensando no mundo
do trabalho, e, por isso mesmo, em mecanismos para conseguir um emprego. É como
se a criança ainda não fosse nem precisasse ser um trabalhador, enquanto o
idoso já concluiu essa fase. A isso chamaríamos vida?
Projeto de vida: Qual é o nosso destino?
Uma das
maneiras de buscar respostas às perguntas iniciais da existência, tais como:
“Quem sou? Por que existo? Por que existe tudo e não nada?”, é por meio do
autoconhecimento. Por ele, inicia-se a construção da identidade pessoal. Muitos
alunos relatam ou demonstram, direta ou indiretamente, não serem merecedores de
sonhar, de modo que grande parte da energia dos professores reside em superar
determinismos geográficos ou biológicos e despertar nos adolescentes a vontade
deles quererem algo para si, reforçando que a escola é:
·
espaço de
acesso ao conhecimento;
·
ampliação
do universo cultural;
·
ascensão
social e profissional.
A
instituição escola é, também, um espaço privilegiado para descobertas quanto ao
mistério da vida. Da poesia à biologia, do astrônomo ao filósofo, do artista à
criança sempre há possibilidades de diálogo, produção, pensamento, debate e
desenvolvimento do verdadeiro potencial humano que supera a repetição e a
imitação, pois se vê capaz de: criar; sentir; pensar; inventar; inovar; querer;
ousar. Esse modo de olhar para o estudante em sua integralidade envolve a
unidade entre corpo e mente, pois compreende aspectos cognitivos e afetivos,
intelectuais e práticos, políticos, singulares e coletivos, ou seja, implica em
ser receptivo para os aspectos humanos que passam a ser explorados
intencionalmente. É a vez de identificar preferências e habilidades. Essa
educação interdimensional visa contemplar equilibradamente aspectos racionais,
relacionais, físicos e irrespondíveis, como “o que é a morte”, “a que se
destina nossa existência”, pois o “eu” e o “tu” transcendidos no “nós” trazem
ao projeto de vida algo para além do indivíduo.
Trata-se
do ser e do querer ser que dependem da confiança, da escuta atenta, da
percepção de si e do outro, do apoio familiar, da aprendizagem, da comunicação
oral e escrita para interagir com a comunidade, de saber argumentar e defender
pontos de vista, do reconhecimento dos pontos fortes e das fragilidades do
projeto, visando formar um cidadão autônomo, solidário e competente. Um dos
impasses que circundam a vida dos adolescentes e jovens é o de conciliar os
estudos com o trabalho. Muitas vezes a inserção precoce no mundo do trabalho,
devido às necessidades de sobrevivência, impede que o projeto de vida seja
direcionado, qualificado e consciente. Antes disso, já acontece o abandono
escolar e o direito de aprender e de fazer escolhas é tolhido.
“[...]
quanto mais o acesso e a permanência na escola tenham cenários desafiadores,
tanto mais se fará necessário o convencimento da importância de que o projeto
de vida se conecte e se integre aos itinerários formativos a serem escolhidos
pelos estudantes.”
Por mais
que se estabeleça um ponto de chegada (com conhecimentos mínimos e um projeto
de vida), revelando um desejo de igualdade (com a BNCC), o ponto de partida
torna-se tanto mais desafiador quanto a consciência do papel do sonho na vida
de cada um; ou seja, quanto mais o acesso e a permanência na escola tenham
cenários desafiadores, tanto mais se fará necessário o convencimento da
importância de que o projeto de vida se conecte e se integre aos itinerários
formativos a serem escolhidos pelos estudantes. Assim, a promoção da equidade
conta com práticas pedagógicas inclusivas e de diferenciação curricular para
reverter a situação de exclusão histórica que marginaliza alguns grupos no
Brasil.
Quais
benefícios os jovens adquirem ao realizar o projeto de vida?
O índice
de felicidade humana considera aspectos como:
Bem-estar
psicológico, saúde, uso do tempo, educação, cultura, meio ambiente, governança
e padrão de vida. indicadores que avaliam a autoestima, a percepção de
competência, estresse. Pode-se dizer que a realização das atividades
direcionadas à confecção do projeto de vida afeta, proporcionalmente, na
sensação de felicidade. Pode-se afirmar que planejar a vida é evitar o
sofrimento. São muitas as atitudes que decorrem do projeto de vida consciente.
Em primeiro lugar, o entendimento de que a felicidade é coletiva. Depois,
pensar sobre o mundo do trabalho na escola é um jeito de ensinar a administrar
o dinheiro adquirido com o trabalho, consumo consciente, uso responsável de
bens e serviços públicos, educação financeira, alimentação saudável, busca da
saúde e da qualidade de vida, bem como melhoria da disciplina. O projeto de
vida pode contar com avaliações contínuas que identifiquem o índice de: cooperação;
comunicação; partilha/ações direcionadas ao compartilhamento; escuta; prazer; interação;
felicidade.
A projeção
para o mundo do trabalho é um dos focos do projeto de vida. Entretanto, é
importante que o projeto de vida se contextualize no mundo do trabalho, mas
também que saibamos que trabalho é exatamente essa capacidade de projetar e
idealizar, transformando a natureza, diferente de emprego, atividade
remunerada, típica da sociedade industrial, donde se extrai que a pessoa é
produtiva durante certo período da vida e improdutiva, quando criança ou quando
idosa. Para pensar nisso, diferentes estudos apontam para o questionamento da
desvalorização dos tempos considerados improdutivos, seja por desemprego,
infância, juventude ou velhice. Dito de outro modo, como desenvolveríamos um
projeto de vida que se transpassasse em nós? Que tivesse no horizonte não
apenas um emprego, mas a própria existência, já que grande parte dos estudantes
ouvem sobre sua “inutilidade" antes de serem inseridos no mercado de
trabalho. Quais habilidades poderiam ser desenvolvidas para a construção de um
mundo melhor? Personalidades inspiram a todos, pois
propiciam reflexões mais profundas sobre o destino da vida, sem esquecer da
relação entre trabalho e prazer, da busca pela satisfação pessoal e pelo
aprimoramento do ser.
Para
crianças do Ensino Fundamental, projetar a vida adulta com simulações de
experiências do mundo do trabalho mais lúdicas, métodos ativos, encenações,
brincadeiras, jogos cooperativos e teatrais mantêm o brilho e a espontaneidade,
além de contribuir para o processo de internalização de regras e saberes.
À medida
que os aspectos cognitivos e socioemocionais vão se desenvolvendo, os
adolescentes do Ensino Médio já dialogam, escrevem, argumentam e experimentam
com caminhos entre os da vida adulta e os da infância, tendo de haver
ponderação conforme a maturidade de cada grupo, sem perder o foco na
responsabilidade, na empatia, na ética e na busca pela felicidade. Em um
pensamento holístico, os estudantes de EJA podem reviver sensações da infância
em um memorial com a intenção de que as lembranças gerem trabalho mental, o que
ao mesmo tempo descontrai e traz reflexão para a criação de outros desenhos,
considerando os caminhos já trilhados, com a compreensão dos motivos que os
trouxeram de volta à escola.
Referências
bibliográficas sobre o tema Projeto de Vida:
BEAUVOIR,
Simone de. A velhice. O mais importante ensaio contemporâneo sobre
as condições de vida dos idosos. Tradução de Maria Helena Franco Monteiro. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
WISNIK,
José Miguel. Cajuína transcendental. Série Temas. V. 59.
São Paulo: Editora Ática.
GAARDER,
Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
ROSA, J.
G. “O espelho”. In: _______. Primeiras estórias. Rio de Janeiro:
José Olympio Editora, 1972.
ROSA, J.
G. Cara-de-bronze. In: _______. No urubuquaquá, no Pinhém. 7. ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984
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