BIBLIOGRAFIA: WALTARI, Mika. O Etrusco. Coleção
Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1967.
O Etrusco (1956), escrito pelo renomado autor
finlandês Mika Waltari (famoso mundialmente por Sinuhe, o Egípcio),
é um romance histórico fascinante que mescla aventura, geopolítica antiga e
misticismo. A obra acompanha a jornada de Turms, um homem sem passado que
cruza o Mediterrâneo em busca de sua real identidade.
Enredo e
Cenário Histórico
A narrativa
se passa por volta de 480 a.C., um período de intensas transformações no
mundo antigo.
- O Ponto de Partida: Turms é um jovem de origem
desconhecida, criado na Grécia como um heleno. Após ser acusado
injustamente de incendiar o templo de Cibele em Sardes, ele é obrigado a
fugir.
- A Odisseia: Sua fuga se transforma em uma
viagem épica. Ele passa pela Grécia, Sicília, Roma e Cartago, cruzando o
caminho de piratas, espartanos e figuras históricas proeminentes. O pano
de fundo inclui as famosas Guerras Médicas e conflitos citados por
historiadores clássicos como Heródoto.
- O Destino Final: A jornada termina na região da
Toscana (antiga Etrúria), onde Turms finalmente descobre suas origens
sagradas como um imortal protegido pelos deuses etruscos.
Principais
Temas Abordados
- A Busca Pelo "Eu": Mais do que uma aventura
geográfica, o livro é uma jornada de autodescoberta espiritual.
Turms passa a vida se sentindo um estrangeiro em todos os lugares até
entender seu papel no mundo.
- Misticismo vs. Realidade: Waltari equilibra com maestria
os fatos históricos da Antiguidade com as crenças religiosas, presságios e
rituais sagrados da época.
- O Declínio de uma Civilização: O livro joga luz sobre os
etruscos, um povo misterioso, amante dos prazeres e da arte, que dominou a
península itálica antes de ser absorvido pelo crescimento avassalador de
Roma.
Pontos
Fortes e Crítica
O que torna o livro excelente:
- Riqueza de detalhes históricos: A reconstituição histórica de
Mika Waltari é impecável, imergindo o leitor nos costumes, guerras e na
nomenclatura exata do mundo antigo.
- Profundidade filosófica: O tom reflexivo do protagonista
— que narra a história já velho, relembrando o passado — traz melancolia e
sabedoria à escrita.
O que pode desagradar:
- Ritmo lento: Por ser focado no
desenvolvimento espiritual e filosófico do personagem, o ritmo pode
parecer arrastado para quem busca um romance de ação pura.
- Fatalismo: O tom místico e a aceitação cega
do destino por parte do protagonista podem distanciar leitores que
preferem personagens mais pragmáticos.
Veredito
O Etrusco é uma leitura altamente recomendada
para amantes de ficção histórica densa e mitologia antiga. Não é uma
leitura rápida ou puramente comercial, mas sim uma obra que exige paciência
para saborear a magnífica ambientação que Waltari constrói.
Nenhum comentário:
Postar um comentário