sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Revolução de 1893. De: Moacyr Flores.

 


As obras do historiador Moacyr Flores sobre a Revolução Federalista de 1893 são fundamentais para entender esse conflito, considerado a guerra civil mais sangrenta do Brasil republicano. Flores é reconhecido por sua abordagem rigorosa que desconstrói mitos e analisa as motivações políticas profundas que dividiram o Rio Grande do Sul e o país no final do século XIX.

Principais Aspectos da Obra e Análise de Flores

  • Violência Extrema: Flores destaca que o conflito, que durou 31 meses, resultou em cerca de 10 a 12 mil mortos. Ele analisa a prática da degola, utilizada como forma de execução de prisioneiros, evidenciando o caráter brutal da disputa entre "pica-paus" (republicanos) e "maragatos" (federalistas).
  • Conflito de Modelos Políticos: O autor argumenta que a guerra não foi apenas uma disputa regional, mas um choque entre duas visões de República.
    • Republicanos (Pica-paus): Defendiam o presidencialismo centralizado e o poder forte de figuras como Júlio de Castilhos e Floriano Peixoto.
    • Federalistas (Maragatos): Liderados por Gaspar Silveira Martins, buscavam o parlamentarismo, a autonomia dos estados e a descentralização do poder.
  • Perspectiva Historiográfica: Flores é frequentemente citado por identificar obras cruciais do período, como o relato de Angelo Dourado, que ele classifica como o mais notável livro sobre a revolução. Ele também diferencia o "barbarismo" de 1893 da Revolução de 1923, que teve um caráter mais "humanizado" e pactuado.
  • Impacto Nacional: A análise de Flores mostra como a vitória dos republicanos consolidou o Exército como uma força política central no Brasil e baniu grupos que questionavam o autoritarismo do governo federal.

Moacyr Flores é considerado uma "fonte inevitável" para pesquisadores do tema, utilizando uma vasta gama de fontes, desde documentos militares até registros de memorialistas, para reconstruir o cenário político da época.

 

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