sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: O Novo Século, Entrevista a Antônio Polito.


O NOVO SÉCULO - Entrevista a Antonio Polito.
Eric Hobsbawm

A globalização é um processo histórico que foi acelerado e que se transforma. Sua essência é a expansão, pois ela indica dois fatores: 1 - a redução ou eliminação completa das barreiras comerciais entre os Estados e a liberalização dos mercados de capitais. É claro, que o objetivo da globalização é atingir o global, mas sempre existirá um país ou um grupo que não concorda com esta política e que queira seguir outro. A divisão global de trabalho estava antes confinada a troca de produtos em regiões específicas, hoje é possível produzir independentemente das fronteiras nacionais e continentais. Este é o elemento fundamental do processo. A eliminação das barreiras comerciais e a liberação dos mercados, ou seja, transformou os mercados financeiros e internacionais, gerando um completo desequilíbrio na economia real do mundo. Pois os recursos naturais são distribuídos de forma desigual e isso é o problema da globalização que está em sua aspiração a garantir um acesso tendencialmente igualitário aos produtos em um mundo naturalmente marcado pela desigualdade e pela diversidade. O processo técnico da globalização requer um elevado grau de padronização e homogeneização. A liberação do mercado otimiza o crescimento e a riqueza no mundo e leva a melhor distribuição. Pois, controlar e regulamentar o mercado pode apresentar resultados negativos, restringe a acumulação de lucros sobre o capital, impede a maximização da faixa de crescimento. Tudo que importa é a soma de riqueza produzida e o crescimento econômico, sem qualquer referência ao modo como tal a riqueza é distribuída. Na história as razões da evolução equilibrada da indústria em âmbito mundial, vemos que esse equilíbrio não foi resultante da liberdade de comércio, e sim protecionismo. Os Estados Unidos e a Alemanha tornaram-se países industrializados no século XIX, por que não aceitavam o livre comércio e insistiram em proteger suas indústrias até que elas tivessem condições de competir com a economia dominante, que na época era a Britânica. Até mesmo a industrialização do Brasil e do México que só se tornou viável pela recusa da lógica da liberalização do mercado.

A ideologia de globalização está em crise por que o sistema entrou em colapso. Por exemplo, a Rússia adotou a liberação do mercado capitalista, e o resultado foi um desastre completo. O problema não está em saber se os governos podem controlar as corporações internacionais no interior de suas fronteiras. O problema está no controle global. Atualmente, os governos estão num período de políticas democráticas, onde predominam interesses das pessoas comuns, as quais em última análise terão de seguir o caminho indicado por seus governantes. Até nos regimes mais radicalmente neoliberais, os sistemas de saúde serviços políticos e previdência são em geral quase todos proporcionados pelo estado. Estas parecem ser as três principais demandas sociais que todo o governo precisa resolver e nenhuma delas pode ser garantida sem um sistema, pelo menos em parte organizado pelo governo.  

Fonte: HOBSBAWM, Eric. O Novo Século, Entrevista a Antônio Polito. 

Síntese por: Prof. Vanessa em: 21/03/01

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