O NOVO SÉCULO -
Entrevista a Antonio Polito.
Eric Hobsbawm
A
globalização é um processo histórico que foi acelerado e que se transforma. Sua
essência é a expansão, pois ela indica dois fatores: 1 - a redução ou
eliminação completa das barreiras comerciais entre os Estados e a liberalização
dos mercados de capitais. É claro, que o objetivo da globalização é atingir o
global, mas sempre existirá um país ou um grupo que não concorda com esta
política e que queira seguir outro. A divisão global de trabalho estava antes
confinada a troca de produtos em regiões específicas, hoje é possível produzir
independentemente das fronteiras nacionais e continentais. Este é o elemento
fundamental do processo. A eliminação das barreiras comerciais e a liberação
dos mercados, ou seja, transformou os mercados financeiros e internacionais,
gerando um completo desequilíbrio na economia real do mundo. Pois os recursos
naturais são distribuídos de forma desigual e isso é o problema da globalização
que está em sua aspiração a garantir um acesso tendencialmente igualitário aos
produtos em um mundo naturalmente marcado pela desigualdade e pela diversidade.
O processo técnico da globalização requer um elevado grau de padronização e
homogeneização. A liberação do mercado otimiza o crescimento e a riqueza no
mundo e leva a melhor distribuição. Pois, controlar e regulamentar o mercado
pode apresentar resultados negativos, restringe a acumulação de lucros sobre o
capital, impede a maximização da faixa de crescimento. Tudo que importa é a
soma de riqueza produzida e o crescimento econômico, sem qualquer referência ao
modo como tal a riqueza é distribuída. Na história as razões da evolução
equilibrada da indústria em âmbito mundial, vemos que esse equilíbrio não foi
resultante da liberdade de comércio, e sim protecionismo. Os Estados Unidos e a
Alemanha tornaram-se países industrializados no século XIX, por que não
aceitavam o livre comércio e insistiram em proteger suas indústrias até que
elas tivessem condições de competir com a economia dominante, que na época era
a Britânica. Até mesmo a industrialização do Brasil e do México que só se
tornou viável pela recusa da lógica da liberalização do mercado.
A ideologia
de globalização está em crise por que o sistema entrou em colapso. Por exemplo,
a Rússia adotou a liberação do mercado capitalista, e o resultado foi um
desastre completo. O problema não está em saber se os governos podem controlar
as corporações internacionais no interior de suas fronteiras. O problema está
no controle global. Atualmente, os governos estão num período de políticas
democráticas, onde predominam interesses das pessoas comuns, as quais em última
análise terão de seguir o caminho indicado por seus governantes. Até nos
regimes mais radicalmente neoliberais, os sistemas de saúde serviços políticos
e previdência são em geral quase todos proporcionados pelo estado. Estas
parecem ser as três principais demandas sociais que todo o governo precisa
resolver e nenhuma delas pode ser garantida sem um sistema, pelo menos em parte
organizado pelo governo.
Fonte: HOBSBAWM, Eric. O Novo Século, Entrevista a Antônio Polito.
Síntese por: Prof. Vanessa em: 21/03/01
Síntese por: Prof. Vanessa em: 21/03/01

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