Mercantilismo, Pacto Colonial e os sistemas de Trabalho nas Américas.
O problema é a escassez de fontes. Ainda tem pouco material
arqueológico. A maioria das escritas são nativas difíceis de entender ou
traduzir, faltam muitos pedaços de textos. Nas versões europeias, a maioria são
em formas de crônicas. Muita diversidade cultural americana. Nas línguas
sabe-se que são 133 famílias linguísticas. Sabe-se que a vida material iniciou
com caçadores coletores até o surgimento das sociedades organizadas. Os
mecanismos reguladores das relações sociais eram sistemas de parentescos simples
até as complexas hierarquias burocráticas e militares. A distribuição
demográfica era de 90% da população concentrada em 10% do território. A
efervescência religiosa era de cultos ancestrais, animismo e mitos
cosmogênicos.
O neoevolucionismo considera que estas sociedades são
organizadas com o desenvolvimento de cidades urbanas com agriculturas
excedentes, poder político centralizado e expressivo desenvolvimento em
técnicas e na arte. Sabe-se que essas sociedades tinham aldeias grandes como
cidades com um poder que exigia o pagamento de impostos, ocorria exploração
econômica, burocracia política e militar sobre essas aldeias do império.
Diferenças entre as populações americanas: o grau de
centralização político e administrativa era de autonomia para a sociedade
asteca e estatista para a sociedade inca. Ambos os povos cultuavam ao sol e
tinham uma mentalidade coletiva, mas os astecas guerreavam mais, enquanto que
os incas unificavam a política na região. A semelhança nessas sociedades eram a
explicação mitológica e a espera do final da era humana e a concepção do homem
integrado a natureza.
O Mercantilismo Europeu e o Pacto Colonial.
Era fundamentado na exploração das regiões colonizadas. Isso
fortalece o estado. O antigo sistema colonial se forma através das monarquias
coloniais. Mudança no setor da riqueza, a riqueza vinha da terra e a gora vai
vir do comércio. O monopólio é uma das características do mercantilismo. O
pacto colonial é entre a metrópole e a colônia, onde a colônia produz e consome
tudo que a metrópole necessitar. O protecionismo vem das esquadras mercantis e
dos impostos. O metalismo é o país que vai ser mais rico por ter mais riquezas
em seu cofre. O bulionismo é o acúmulo de riquezas e de metais. O controle
comercial é feito através de uma balança.
O metalismo.
É a economia colonial voltada para a exportação. Produtos são
valorizados no mercado europeu. As condições de preços são regras monopolistas.
A implementação do sistema de trabalho é feita pela economia que se organiza em
função da exportação. Essa característica está ligada ao pacto colonial. A
produção será incentivada, quase que exclusiva dos produtos de mercado, que se
organizam em ciclos econômicos como; o tabaco, o açúcar, o café, etc, todos
voltados para a metrópole. As condições de preços seriam outra característica
complementar, a metrópole compra em função do que ela pode revender. A
metrópole dita os preços, paga a metade do que realmente é vendida no mercado
europeu. O monopolismo, concentra a produção num único produto. Para que tudo
funcione a metrópole organiza e para que a colônia cumpra com as necessidades e
também organize a sua mão de obra.
Sistema de trabalho na América.
O primeiro sistema de trabalho implementado na América é o
sistema de ENCOMIENDA, que pode ser definido com a recomendação por parte da
coroa, de ter um certo número de índios a encargo de um espanhol que será o
encomiendeiro. Esse espanhol, que recebe os índios, por recomendação da coroa,
tinha alguns compromissos e regalias. O encomiendeiro deveria ser responsável
pelos compromissos, pela instrução religiosa e pelos indígenas. O privilégio é
que ele era autorizado a exigir trabalho e pagamento de tributos.
Em 1499, foi feita a primeira encomienda em La Espaníola, que
foi instaurada de uma forma espontânea. Foram distribuídos indígenas aos
espanhóis, que ao invés do pagamento de tributos, trabalhassem para esses espanhóis.
A rainha reivindicava os seus direitos de soberania sob seus súditos.
Em 1502, é enviado a Espaníola, Nicolas Ovando, que chega a
mando da coroa, com a ordem de retirar todos os indígenas do poder, dos
espanhóis e colocar sob autoridade da coroa, tanto os encomendados como os
demais indígenas. A coroa vai exigir o pagamento do tributo, mas vai fracassar
porque não consegue controlar diretamente.
Em 1503, a coroa cria uma cédula real que autoriza Ovando a
ceder a outros espanhóis, os indígenas. Durante uma primeira década da
colonização, o sistema de encomenda deu lugar a um número de exploração sem
limite da mão de obra. O que começa a assustar os espanhóis, pois ocorre uma
queda na produção, causada pelas inúmeras mortes de indígenas cansados de tanto
trabalho.
Em 1511, enquanto há altos índices de exploração, chega um grupo
de dominicanos para a catequização destes índios. Neste grupo está, Antônio de
Montesinos, Las Casas também. Montesinos vai fazer uma campanha contra este
sistema, na missa de natal, faz um discurso condenando estes primeiros colonos espanhóis
que estão explorando os indígenas. Esse sermão chega a Espanha, que promove uma
investigação, organizada por Francisco de Vitória.
Em 1512 e 1513, essa discussão se prolonga. São promulgadas Leis
de Burgos em 1513. Constituem o primeiro Código de Legislação Indígena para a
América. O que se estabelece como válido é o princípio da encomienda. Reconhecem
que os índios são livres, possuem alma, mas são de natureza preguiçosa,
portanto precisam ser vigiados bem de perto, para que essa natureza não se
sobressaia, a necessidade da conversão. Detalham as obrigações dos
encomiendeiros, que cabia reunir os índios em nova cidade, porque era
necessário a construção de uma cidade no modelo barroco. Assim teriam outra
organização social. Também esta na Lei de Burgos, que os espanhóis deveriam ser
mais dóceis e suaves com os indígenas, proibindo casamentos e amancebamentos. Nessas
cidades os encomiendeiros deveriam se preocupar com a instrução religiosa,
construir igrejas com a decoração e mostrando a grandiosidade de Deus e fazer o
acompanhamento dos sacramentos. Também tinha um regulamento que não permitia os
maus tratos aos indígenas. Se proibia o trabalho de mulheres grávidas e o
trabalho de crianças até que estivesses seguros na fé. Se recomendava um
cuidado especial dos espanhóis. Casamento só monogâmico. Se proibia aos espanhóis
festas e aos indígenas danças e bebedeiras. Montesinos achava insuficientes as leis
e manda uma série de textos suplementares que dizia sobre o trabalho das
mulheres e os aspectos relativos ao cotidiano dos indígenas, além da obrigação
destes índios andarem vestidos. Em julho de 1513, estes textos são incluídos nas
Leis de Burgos, mas na América muitas leis não foram cumpridas.
Em 1541, Carlos V, vai suprimir a Lei 35 e a encomienda para a
volta da lei hereditária.
Em 1542, estabelecem as Leis Novas, pelo grande número de
processos e denúncias do não cumprimento das Leis de Burgos. Essas novas serão
o maior orgulho e a maior humilhação e vergonha, porque em todos os locais do
império espanhol, não conseguiram colocar em vigor. As Leis Novas pediam a
extinção da encomienda e haveria a supressão da lei de hereditariedade. Outras leis
suprimiam o recebimento da encomenda de funcionários e sacerdotes, (que
recebiam índios encomendados) e outras leis proibiam novas encomendas. As Leis
Novas proibiam o PORTEO, que foi um sistema utilizado no início da colonização,
que colocava indígenas como animais de trabalho. A razão para o final disso é
que iniciaram a criação de rebanhos para que os indígenas servisses a coroa. Inicia
um sentimento de revolta com essa concessão.
Em 1648, se isentam as mulheres de pagamentos de tributos.
Em 1668, a coroa proíbe os encomiendeiros pessoalmente de
receber pagamentos, e esses pagamentos deveriam passar pelos corregedores. O sistema
de encomienda como tal já havia diminuído.
Em 1701, foram abolidas todas as encomendas dos que residem na
Espanha.
Em 1707, são abolidas encomendas com menos de 50 indígenas.
Em 1720, o sistema de encomienda é abolido, mas nas colônias
americanas, persistem em algumas regiões mais distantes. Este sistema atravessa
todo o sistema colonial. Procuram evidenciar a mentalidade espanhola na
concessão do título de encomienda e as obrigações dos indígenas encomendados, identificado
no documento. A ideia é absurda, pois os espanhóis recebem esses indígenas como
uma recompensa de seus serviços de desbravamento e de conquistas. O processo de
conquista é feitos pelos HUESTES (hostes), campanhas militares que assumem a
conquista. É o mesmo espírito das cruzadas, assim como as capitulações de santa
Fé. Não existe tributo a coroa, mas prestação de serviços sim.
Outro sistema de trabalho é o REPARTIMIENTO.
O repartimiento também é chamado de encomienda mitaia ou cuatéquil. Que foi um dos sistemas mais importantes de conseguir trabalho dos indígenas. Consistia em atribuir contingentes de indígenas aos colonos espanhóis para desempenhar diferentes trabalhos durante um determinado tempo, como um contrato de trabalho temporário, ou frentes de trabalho. Este é um sistema de trabalho incaico. Pressupunha em entregar ao inca, um números de índios para a realização das obras para o estado espanhol. Este princípio é que os indígenas são preguiçosos e necessitavam trabalhar. Teriam que trabalhar durante 80 dias e o restante poderia ser utilizado para o ócio, mas os colonos tentam ocupa-los com outros trabalhos. A ideia é que cada comunidade indígena deveria oferecer um terço da parte para a outra parte fazer o trabalho durante 9 ou 10 meses.
Fonte: arquivo pessoal da autora do blog.
Nenhum comentário:
Postar um comentário