quinta-feira, 16 de junho de 2022

Livro: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber.


WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2. Ed. São Paulo: Pioneiro, 2001, 187 p.

Max Weber, sociólogo alemão, nascido em Erfurt, na Turíngia (um dos estados pertencentes a república alemã) ano de 1864. Descendente de família protestante teve sua formação foi voltada ao estudo do Direito e economia política. Lecionou em universidades na Alemanha e também atuou como jornalista, economista e historiador e, sobretudo, um sociólogo do nacionalismo alemão. A descoberta de uma doença psíquica limitou sua vida profissional, mas não sua inteligência e determinação.

Weber, é considerado o porta voz de uma burguesia culta convicta a legitimar a formação de uma nação alemã. Ligado a União Social Evangélica (1888 - 1920) e ao Partido Liberal Nacional, influenciado pela formação liberal de seus pais. Assiste a Primeira Guerra Mundial, onde trabalha com administração hospitalar, morrendo em 1930 na cidade de Munique.

Entre as influências intelectuais de Max, citamos o filósofo Wilhelm Diethey, Wilhelm Windelband, Georg Lukacs, Werner Sombart, entre outros. Manteve contato com estes intelectuais, o que gerou a produção de obras como: "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo". Como membro da União Social Evangélica e do Partido Liberal Nacional, mostram a ambiguidade em assuntos ligados a religião e a sociedade. Escreveu também outras obras como: A Política como Missão, de 1919; Escritos Políticos Reunidos de 1921 e uma das mais consideradas: Economia e Sociedade, em 4 volumes datada de 1922.

Logo na introdução, percebe-se os conhecimentos do autor nas áreas de teologia, direito, artes (arquitetura, música, etc. ), literatura, política; entre outros assuntos que menciona, assim como, o capitalismo e o protestantismo, que são os principais alvos abordados em sua obra.
No capítulo I, o autor disseca a idéia de buscar uma história da religião na Europa do século XVI. A Reforma é o marco das trasformações religiosas, políticas e econômicas no mundo ocidental.

Segundo, Max, a Reforma não eliminou o controle da Igreja na vida cotidiana, mas modificou-o. com as idéias de Lutero e, sobretudo, com as idéias de Calvino, a burguesia (detentora dos meios de produção) legitima a usura e o racionalismo econômico. A Reforma, portanto gerou transformações que desenvolveram uma ética religiosa do trabalho, visualizando este trabalho positivamente.

Weber, em seu capítulo II, chama de espírito do capitalismo à prática do racionalismo econômico baseado na metodologia aplicável em todos os domínios do Estado e na sociedade. Max, denomina a burocracia com esta racionalização que resulta no controle sobre o meio, evitando desperdícios, dinamizando o trabalho e buscando resultados (como o lucro). O sistema capitalista "...não necessita mais do suporte de qualquer força religiosa e sente que a influência da religião sobre a vida econômica, através de normas eclesiásticas na medida em que ainda seja sentida, é tão prejudicial quando a regulamentação pelo Estado". (p. 47) O capítulo II é o mais vulnerável, pois os jovens empreendedores, saíram para o campo para buscar trabalhadores para suas fábricas e a tendência humana era fazer o que sempre foi feito, de acordo com a tradição. Os jovens foram explusos de suas terras e por isso não tinham mais o que produzir e nem meios de produção.

Já no III capítulo, concordo com o autor quando afirma que o capitalismo em o "espírito do capitalismo" não foi um produto da reforma protestante, mas que as idéias de Calvino, deram subsídios para a construção de uma "ética" do "lucro". O autor aprofunda o estudo quando relata sobre o porque Lutero não pode ser identificado com o espírito do capitalismo. Cada setor ou corrente religiosa e/ou a igreja tinha a sua concepção sobre vocação, interpretada ora como Dom de Deus ou ordem divina. No calvinismo a questão da predestinação é mais aprofundada, contudo visualizando o desenvolvimento do capitalismo como um fenômeno imprevisto.

No capítulo IV, o autor apresenta os tipos ramificados do protestantismo e suas diferenças. O calvinismo difere das outras doutrinas protestantes nos seguintes pontos: atribuição da origem democrática à autoridades religiosas; supressão completa de cerimônias; negação absoluta da tradição; dogma da predestinação e redução dos sacramentos ao batismo e a eucaristia. O Pietismo é a doutrina de certos protestantes, que tendem para o ascetismo, proclamam o sacerdócio universal de todos os crentes e parte da seita luterana onde o adepto é sectário ou membro das seitas dos devotos luteranos, conhecidos como fanáticos. O Metodismo é uma seita protestante que distingue-se pelo rigor de sua moral, anglicana caracterizada por grande austeridade. O Ascetismo é a vida em estado espiritual, a pessoa dedica-se a exercícios espirituais, mortificando o corpo. Contudo, o protestantismo é o conjunto de doutrinas e das congregações religiosas provenientes da Reforma. As igrejas protestantes diferem da católica em basicamente três aspectos: colocam o critério da fé, não na tradição interpretada e definida pelos concílio e pelos papas, mas nas "Escrituras", interpretada pela razão individual; admitem em todo o seu rigor o dogma do pecado original e da predestinação, limitam os sacramentos e negam a presença real, proscrevem as imagens e o culto da virgem; e finalmente suprimem o celibato eclesiástico fracionando a autoridade na corporação dos pastores e deixam uma parte considerável aos fiéis no governo da igreja.

Max, legitima o poder daqueles que detém a riqueza, é ambiguo e subjetivo porque racionaliza a religião. Para Weber, o futuro do capitalismo marcava cada vez mais a divisão do trabalho e a hierarquia política administrativa. Preve o surgimento de uma classe média que utilizaria mais o trabalho intelectual, que o físico. A obra relaciona a influência da tradição cultural com a religião, a racionalidade no desenvolvimento do capitalismo. O capitalismo exerceu uma força desejosa de consumo sobre o ser humano. O que acontece muitas vezes é um pecado capital, fruto de um desejo de obter o material e completar a vida natural do homem. A sociedade moderna capitalizada requer um certo nível confortável ao bem estar, e as pessoas procuram manter-se integradas a ela; sendo obtido pelo trabalho, pela herança, pela crença numa graça divina, ou até mesmo pela força, de uma violência explícita do meio. Todos frutos de um desenvolvimento baseado nesta ética religiosa que legitima o capitalismo.

O autor discursa em linguagem técnico - científica, o que dificulta o entendimento de suas idéias, não sendo recomendada a leigos por ser uma leitura densa e muitas vezes cansativa. O autor é minunsioso e narrativo, onde aprofunda seus objetivos numa visão globalizada, abordando tantos aspectos: históricos, religiosos, principalmente econômicos, sociais e etc. O que é perfeitamente explicado se considerarmos o ano da primeira edição (1904 - 1905).

Max Weber é o grande teórico da burocracia, ele trata a sociedade como uma organização tipicamente protestante, com ética protestante, com valores protestantes, não é por acaso que ele baseia-se na cultura alemã, onde a burocracia era o princípio da hierarquia, e desta maneira entende-se, que se você cumprir bem a tarefa, você cumpriu a função e aí você é eficiente. E quanto ao lucro, a parte do valor lucro, Weber baseia-se em Calvino, que resumidamente em sua teoria da predestinação acredita que se fizermos tudo bem feito, vamos encontrar o sucesso. A busca pelo lucro, nada mais é do que uma busca de poder, que nos regimes materialistas você busca por outros modos, não é por dinheiro. Então, o dinheiro é apenas um instrumento desse processo que no capitalismo torna-se possível. Em todo caso, o lucro não é o fim, porque se fosse o fim único corríamos o risco de desaparecer.

Quando se estuda estatisticamente os países onde existe diversas concepções religiosas, Weber percebe a frequência de um "fenômeno" de caráter eminentemente protestante tanto na propriedade e empresas capitalistas, como das esferas superiores nas classes trabalhadoras. Isso se dá por motivos históricos, que tem suas raízes no passado. É possível compreender a participação dos protestantes na posse do capital como consequência da melhor posição econômica que tem se mantido ao longo do tempo. Um exemplo na história é a pequena parcela de participação dos católicos na economia capitalista alemã, quando as minorias nacionais lançam-se as atividades industriais. O que Weber conceitua como "espírito do capitalismo" não se define como um "fenômeno" único, individualizado, mas um conceito analisado sob a ótica da realidade histórica.

Do protestantismo ascético são fundamentadas quatro correntes religiosas: O Calvinismo, adotado nos principais países do ocidente europeu, principalmente no século XVII; O Pietismo, que surge na ortodoxia, incorporou-se no luteranismo por razões dogmáticas; O Metodismo, nasceu na metade do século XVIII, na igreja anglicana, aspirando ser um nova igreja com uma renovação do espírito ascético, e que na América rompeu com a igreja anglicana antiga e o movimento batista, sobretudo na Holanda. O movimento ascético é o que podemos chamar de "puritanismo", trabalhando para capacitar os homens a levar uma vida consciente e com conduta moral. O ascetismo se propõe a transformar o mundo. O país Estados Unidos da América , uma sociedade foi moldada para o lucro, baseada no sentido ético-religioso de Max Weber. Sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", portanto procura relacionar a influência da cultura, principalmente a religião e sua racionalidade, no desenvolvimento do capitalismo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FURET, François. A Oficina da História. Lisboa: Gradiva, s/d. 176 p.

GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 555 p.

LELLO, José e Edgar. Dicionário Prático Ilustrado. Porto: Lello & irmão editores, 1966. 2026 p.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2. Ed. São Paulo: Pioneiro, 2001. 187 p.


Por: Prof. Vanessa.

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