Maio de 1999
INTRODUÇÃO
As pessoas
desde a idade média vêm falando em suas
crônicas e histórias sobre as luzes
vistas por elas no céu. Este trabalho pretende compreender não o que são essas luzes, mas sim o que elas
diretamente ou indiretamente influenciaram os que as viram, como exemplo,
Constantino que após dizer ter visto
luzes no céu em forma de cruz, acreditou
que era uma mensagem divina levando,
esta não somente a sua vitória
como imperador, mas também ao triunfo do cristianismo em Roma. Durante as
várias passagens deste trabalho serão narrados momentos históricos
relacionado-os com as luzes no céu, enfatizando as esperanças e os vários
sentimentos de uma humanidade tão onírica quanto solitária.
Para comentar
sobre as várias culturas apresentadas que aqui vão do século IV ao XX
serão utilizados dois conceitos, o de cultura
e aposteriori o de imaginário,
este ultimo concedido por uma entrevista realizada com a especialista, e não bastando para compreender
sobre as luzes no céu e as diversas
interpretações deixadas pelas pessoas em suas histórias serão adotados sempre
que possível, as opiniões de Jacques Le Goff
e Carl Gustav Jung.
Devido a falta
de documentações primárias foi utilizada além de fontes bibliográficas na
realização desta monografia, revistas, jornais, entrevistas e história oral. As
mentalidades, e as memórias da humanidade, servem tanto para um pesquisador em
música como para um historiador, pois ambos mesmo tendo instrumentos diferentes
cantam o passado fazendo dele uma manifestação presente. O mundo do imaginário
circunda a humanidade, e é esta que um pesquisador em história se dedica em compreender.
1 - CAPÍTULO
Populações ribeiras, quase afogadas pela exclusão social, em
meio a barcos, moleques sentados, casas muito humildes, sofrimento e esperança,
drama e cansaço, noite sem luar. Em meio a mata lúgubre nevoenta, no balançar
dos ciprestes ao chão, existe o suor daqueles que com anseio ou medo observam
as luzes no céu escuro. De pés agachados e descalços as pessoas sentem que o
medo está se movendo e que está vindo em direção à elas.
O tema deste projeto vem recebendo deste a idade média,
denominações que parecem a primeiro
momento responder os anseios e razões de cada época. Momentos de
subterfúgios, enaltecem um imaginário nem sempre bem seguro. Em relação a essas
palavras iniciais será apresentado num caráter cultural e cronológico as
diferentes sociedades, com o objetivo de resgatar as suas histórias em relação
as luzes no céu.
Primeiramente há necessidade de definir certas expressões
aqui colocadas, como primeiro passo conceituando a cultura, foi buscado a
opinião do antropólogo britânico Burnett Tylor;
segundo o mesmo: " Cultura
ou civilização (...) é o complexo no qual estão incluídas conhecimentos, crenças, arte, leis, moral, costumes e muitas outras
capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade" 1
____________________
1. Enciclopédia Mirador Internacional.
Cultura e Civilização. Encyclopaédia
Britânica do
Com base neste conceito, pode-se agora observar melhor estas
populações, pois ao que foi pensado até o momento, as características colocadas
por Tylor dizem muito em relação as essas comunidades do passado que
cronologicamente passaram a partir de agora a ser narradas.
Ano de 312, os romanos permaneciam em prontidão, com o
cansaço eminente presente em todas as faces, parecia não haver mais sentido nas
lutas. Antes da batalha da ponte Mélvio, o imperador depositado em suas angústias
e esperanças, esperavam o sinal dos céus.
Segundo seu maior sábio, Eusébio, que escrevera a "vita constantini", sucumbi em suas letras as palavras de
Constantino:
"Enquanto
o imperador suplicava, mergulhado em suas preces, o signo divino lhe
aparecera. No céu numa auréola luminosa acima do sol, viu, como que
cristalizadas pela luz, a santa cruz e estas palavras no azul: in hoc signo vinces ( com este sinal
vencerás)" 2
O sol e a luz vistos por Constantino, ali traçaram um novo destino de toda poderosa
mãe, Roma. Através da visão do imperador foram criadas inúmeras teses e
discussões entre especialistas, onde alguns chegam até a dizer que Constantino
nunca viu nada.
No ano 1000, na troca do milênio, havia uma profecia que
enclausuravam os medievos ainda mais em seu pequeno mundo. Não haveria mais
nada a fazer, populações inteiras observavam o que tanto a profecia rezou, eram
os "sinais de prodigiosos nos céus" e a partir desses sinais ou
luzes, o 'ano fatídico', tornara-se
fato, pois neles, precederiam a volta de Cristo e o Juízo Final produzindo
assim o pânico entre os europeus.3 Segundo astrônomos em 1347 houve a
aparição de um cometa que rasgara os céus e em forma de presságio serviu como
prelúdio de uma deflagração que a humanidade jamais esquecera, era a peste
negra, que segundo fontes acabou com um terço da população européia e com os
restantes transformara-os em animais sem sentimento e sem qualquer resquícios
de esperança. Um cronista da época escreveu: "E naqueles dias enterrava-se
sem mágoa e casava-se sem amor".
No ano de 1561, a cidade alemã, Nuremberg, presenciara um
bale aéreo de corpos esféricos pontilhando o céu, onde segundo cronistas,
sumiram tão misteriosamente quanto apareceram. Um grande astrônomo britânico,
Edmond Halley, famoso graças ao cometa que leva o seu nome, notara que algo de
estranho acontecia ao lado de suas observações rotineiras, era uma série de
objetos aéreos que o surpreenderam a ponto dele comentar "um deles luminou
o céu por mais de duas horas" e ofuscava tanto que Halley facilmente lera
um texto através de sua luz. Mais adiante ele dizia "como fogo alimentado por mais combustível".4
Este
era o ano de 1716.
_________________
2 LISSNER, Ivar. Os Césares.
Belo Horizonte: Itatiaia, 1985, p 483.
3 MOON, Peter. Uma Luz no Firmamento.
Isto É, São Paulo (1436): 81; abril 1997.
4 Coleção Mistérios do Desconhecido: O Fenômeno OVNI, cap. I, Time-Life
1992 pp 15-16.
No jornal of
Natural History and Philosophy and Chemistry, publicado na Grã Bretanha e
recolhido pelos editores da Life,
liam-se em 1809 os fatos observados por um habitante de Hatton Garden que
compunham a imagem de "muitos
meteoros" movimentavam-se dançando entre as nuvens. Foi em Sacramento,
capital de Califórnia no dia 17 de novembro de 1896,que uma expressão
largamente difundida hoje em dia, começara a ser usada. Tudo começou com a
história de um funcionário que conduzia bondes, Charles Lusk, que num dia de
folga fitava o céu que estava prestes a desencadear-se numa tempestade. Antes que
ela ocorresse, Charles fora surpreendido por uma luz que nas palavras dele a
uns trezentos metros de sua cabeça estava. Surge a denominação "charuto" dada por uma outra
testemunha que encontrava-se próxima ao local de Charles que vira a mesma luz.
A forma de "charuto'' aparecia
ao mundo da mesma forma que apareciam
jornais distorcendo os relatos em prol de si mesmos.5
É necessário que neste projeto estejem contidos
cronologicamente, pelo menos alguns acontecimentos fenomenológicos sofridos
pela humanidade, pois destes, será mais atraente e apaixonante compreender um
pouco sobre o imaginário (termo que melhor será
desenvolvido no desenrolar do projeto ) dos seres que relatam as luzes
no céu.
Sinto a necessidade agora de dar um pulo a década de
1940, pois os acontecimentos após os de Charles, são em si repetitivos. Durante
a Segunda Guerra Mundial com o advento da industria aérea, fenômenos mais do
que estranhos acompanhavam os aliados em suas missões no ar, eram as bolas de
luz brincalhonas, que os pilotos sem saberem do que se tratava, batizaram-nas
de "bolas kraut" ou "caças fu". Temia-se que elas eram o
invento do inimigo, os alemães, mas na realidade as bolas de fogo também assim
chamadas, jamais danificaram qualquer aeronave aliada. Posteriormente soubesse
que os alemães aeronautas também relatavam sobre as estranhas "bolas kraut''. A década de quarenta foi
a propulsora para que o fenômeno das luzes no céu fosse discutido
ininterruptamente em todo mundo. Com o final da Segunda Guerra Mundial o fenômeno
explodiu a imaginação das pessoas no
mundo inteiro, foi quando piloto comercial Kenneth Arnold em 1947 decolou com
seu aeroplano entre 380-780 THz* (freqüência da luz céu azul), transmitindo as torres de radar na terra que deparara-se
com uma esquadra de nove corpos luminosos em forma de "pires voadores" a uns 30 quilômetros de onde estava numa
altura de três mil metros. As notícias de Arnold viajaram pelo mundo mais
rápido que a sua chegada naquele dia. Muitas fontes citam este
___________________
5.Ibid, p.18.
momento
como a eclosão do boato mundial dos " discos
astronaves". As luzes no céu a partir daquele dia ficariam batizadas
com um novo nome, "discos voadores".
6
Dias antes, um jornal ( Roswell Daily Record )
colocaria em manchete que um suposto disco voador caíra em suas proximidades.
Uma notícia que logo em dias fora abafada pelas autoridades, alimentando as
especulações sobre o boato dos discos voadores em todo o globo, que já vinham
crescendo desde a exibição de uma radionovela criada pelo espirituoso Orson
Welles ( The War of The Worlds ) em 1938, onde as esferas luminosas vistas pela
humanidade até então seriam tripuladas por marcianos à invadir a terra.
O ano de 1952 merece uma atenção especial ou no mínimo
um capítulo só para ele. Com base nas fontes cheguei a conclusão que este foi o
ano em que a humanidade acreditou mais do que nunca nos novos fenômenos
luminosos, discos voadores. Neste ano só para não me estender muito foram
criados órgãos independentes ( professores secundários e universitários,
militares reformados, cientistas industriais, etc...) para estudarem os
fenômenos. Parece que as visões de Arnold ficariam em si, levadas a sério e
finalmente a humanidade descobriria que não estava só neste imenso universo.
Até órgãos governamentais foram criados como o "project sign" e o "top
secret" para explicarem sobre as estranhas luzes que tanto as pessoas
diziam ver. A onda dessas visões modernas foram tão fortes que as autoridades
tiveram que se pronunciar. Além disso, viria a tona uma série de estranhos
raptos e molestações que as pessoas diziam ser cometidos por extra terrestres
de um espaço distante. Falei antes que este ano merece atenção, pois ao que
pesquisei até o momento as pessoas no mundo inteiro afastavam a descrença em
discos voadores da mesma forma que o " boom"
tecnológico crescia principalmente nos países mais industrializados, como
também, o desenvolvimento da "guerra fria" um outro fenômeno que
paulatinamente crescia.
Uma pergunta fica no ar: Por que, eles 1947 a 1952,
foram tão incisivos para o crédito em discos voadores no mundo naquela época e
por que os fenômenos aparecem mais em determinadas épocas e outras não?
Manifestações fenomenológicas modernas como as
apresentadas aqui, tiveram uma especial atenção de um dos maiores cientistas do
comportamento humano, C. G. Jung, especialista da interpretação de sonhos como
também na psique humana busca explicações racionais a cerca do boato sobre
discos voadores. Ele acredita poderem as luzes em forma de esferas e discos
serem como um símbolo da totalidade da humanidade, a Mandala, e que segundo ele
este símbolo é onipresente e vem representado desde a pré-história com a
chamada " Roda Solar" 7 .Jung achava que os arquétipos se apresentam espontaneamente nos
sonhos ou em visões que evocam fortes reações emocionais e imaginativas. O "disco" para Jung representaria a completude e totalidade
do ser humano.
Antes de
enfocar o outro tema, imaginário, gostaria de dizer que a idéia de realizar
este trabalho surgiu quando escutei as
histórias de alguém que conheci na praia do Rosa no estado de Santa
Catarina, sul do Brasil e que acabou se
tornando um grande amigo: tão logo que cheguei na praia do Rosa, tive o prazer de sentar ao lado de pescadores como o seu Anastácio
e ouvir as suas histórias que fluíam desde as lidas diárias, até histórias
menos comuns, que me enchiam de curiosidade,
tipo daquelas que mencionarei a
seguir sobre os moradores do Pará. As cenas seguem e os pescadores já
visivelmente esgotados enxugavam as faces,
aquecidas pelo fogo que ficava próximo a nós. Em um momento, como se a solidão invadisse à
todos, o mais velho do
clã remonta uma imagem de que
segundo ele, sofrera aos dezoito anos de
idade (mais ou menos em 1949) a uns quatro quilômetros ao norte de onde
exatamente estávamos. Assim disse seu
Anastácio: " A luz estava pulando entre as estrelas, não haviam lua e neblina, o mar estava um
pouco calmo (...) aquela luz não tinha muito sentido para mim, pois ela
parecia desordenada, não era como
as outras . De repente eu a vejo se aproximando à praia, este é um momento que
lembro muito bem, foi rápido demais, ela já estava sobre a minha cabeça
_________________
6. PEREIRA, Flávio. A . Discos Voadores. Senhor (36) : 17-20, Fev.1962.
7. JUNG, Carl Gustav . Um Mito
Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu. Petrópolis: Vozes. 1974 p 12
e
tive que me agarrar as rochas costeiras para que a estranha luz em forma de
garrafa não me levasse para cima ".
Compreender todas estas imagens colocadas pelo seu Anastácio
não é uma tarefa muito fácil, e que para um pesquisador, na simples ação de analisa-las, leva-o à uma
outra imagem, só que agora concebida por
ele próprio, o abismo. O trabalho de um
pesquisador em história não se restringe somente em julgar as sociedades
politicamente e economicamente, mas sim um historiador não deveria somente
julgar e sim tentar compreender os determinados fenômenos estudados por ele, como
se fosse eles uma manifestação viva. Assim fazem os da Nova História, a exemplo
desses, mais tarde, será citado sempre que possível Jacques Le Goff .
Entrevistando a professora Elizabeth Torresini, no anseio de
buscar uma melhor definição do termo imaginário seria necessário a opinião de
um especialista, ou melhor , uma especialista e que segundo ela :
"Imaginário é uma palavra
cuja a origem pode ter surgido do francês, é algo que parece ter um núcleo, é
um acontecimento realmente ocorrido , pois é através deste que as pessoas o
tomam para si e constituem as diversas imagens que dizem respeito a cada
um".8
Na idade média as
pessoas relacionavam as suas visões em decorrência de uma estrutura que as
solidificavam a terra e de onde jamais poderiam sair , com isso faziam fluir as
suas crenças. Era uma época em que os deuses eram intolerados, não por aquelas simples pessoas e sim pela
instituição que as regia - a Igreja Católica . Eram velhos mitos sendo
transmitidos em novas palavras, cheios
de lugares fabulosos, monstros
assustadores , mulheres normais que quando observadas no banho se transformavam
em serpentes aquáticas e voadoras e partir disto nunca mais seriam vistas. Em
relação a este comentário , Le Goff narra :
________________________
8.entrevista realizada numa Sexta feira à tarde do dia 22 de abril de
1999 na Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, prédio 5.
" Porto de Aix - en - Provence , o senhor do
château -Rousset no vale de Trets, encontra perto do rio Arc uma bela dama ,
magnificamente vestida , que o chama pelo nome e que acaba por consentir em casar com ele com a condição
de jamais procurar vê-la nua (...) O imprudente esposo desvia, um dia a cortina
atrás da qual sua mulher toma banho no quarto . A bela esposa transforma-se em
serpente e some-se na água do banho para sempre ". 9
Le Goff no artigo intitulado "Melusina Maternal e
Arroteadora" escreve sobre uma lenda que talvez sua origem provenha da
antiga Grécia. Dentro do conceito elaborado antes sobre a expressão,
imaginário, parte deste artigo anteriormente citado, comportamentalmente se
adapta pois na sua passagem haverão outras mulheres com diferentes processos de
transformação decorrentes de diferentes épocas. Será cedo demais falarmos que
aquelas comunidades anteriores e a do Pará, que a seguir citaremos, sofreram o
mesmo imaginário medieval ?
Em contrapartida a esta pergunta que até o momento parece sem solução será citada
agora a baía do Marajó. Brasil, ilha do Marajó, geograficamente encontrada um
pouco abaixo da linha do Equador a 50º oeste Greenwich, entre o rio
Tocantins e o mar atlântico, uma lagoa perto de Souré, cidade tangencial a
ilha, leva em suas margens lendas que a muito tempo são contadas, e que por fim
desembocam no mar.
Lendas como o "boitata" ao que parece nasceram no Amazonas e compõem os povos
ameríndios que até hoje naquela região vivem. Os tupis Guaranis inicialmente
denominavam a lenda com a palavra "mbai"
que significa espírito,e"tata'',
fogo. Mbaitata ou espírito de fogo. Com
a incorporação de outras culturas a denominação mudara para ''boitata'' que quer dizer serpente de
fogo ou ''fogos fatuo". As
pessoas se queixavam que no mato haviam luzes que se formavam e que preferiam
ficar acima de suas cabeças. A este fenômeno alguns cientistas dizem ser a
anunciação de gases pantanosos. Os povos de pés descalços cercam o fenômeno "fogos fatuo". Na Amazônia
boitata é representado como serpente de fogo, em Santa Catarina é o "olho de boi" , sintetizando
assim o idioma tupi com o português sem dúvida seria deflagrada a sua fusão.
10
A dúvida fica registrada, quando no ano de 1977 as
populações que beiravam a baía começaram
a se queixar das luzes no céu. Segundo fontes, elas diziam que eram luzes que
vinham muito além de suas cabeças e que segundo elas emitiam fachos de luz que
sugavam o seu sangue. O exército logo seria acionado para a região, logo que
chegou em
______________________
9.
Le Goff, Jacques. Para um Novo Conceito de Idade Média- Tempo, Trabalho e
Cultura. Lisboa : Estampa, 1979p 291
10.
Enciclopédia Delta Larousse. . Mitos do Folclore brasileiro. Delta
S. A . Rio de Janeiro. 1964.
uma
de suas comunidades, Colares, o capitão Uyrangê Bolivar S. Nogueira de Holanda
e seus comandados começaram a recolher depoimentos sobres os singulares
acontecimentos imersos na ilha.
O fenômeno passava a ser chamado de chupa-chupa pelos ribeirinhos e logo com
a chegada do exército o fenômeno ficou mais conhecido de um público restrito
como a "operação prato". Nos
relatórios que segundo o próprio Uyrangê diz estarem no primeiro comando aéreo
regional (COMAR) no Rio de Janeiro,
chega a falar que algumas pessoas abordadas pelas luzes, mais tarde sofriam de
desidratação, onde duas não agüentaram e faleceram. Já coronel reformado
Uyrangê diz a repórter Bia Teixeira da
revista Manchete 20 anos após a operação no Pará: "E encontrei uma
comunidade completamente histérica. Eles que viviam da pesca, haviam deixado de
pescar. Passavam as noites soltando fogos e dando tiros para afastar as luzes
nos céus que lançavam raios contra os moradores". 11
Mesmo sabendo do sensacionalismo dos veículos de
comunicação, o assunto merece no mínimo averiguação. Gostaria de lembrar sem
querer apressadamente julgar as imagens antes trazidas pelo coronel, uma
reflexão que Le Goff a respeito de um horizonte onírico fez: "Em ambas as perspectivas, o Oceano Índico é um horizonte mental (...)
Explora-lo é reconhecer uma dimensão essencial de sua mentalidade e da sua
sensibilidade,(...), um dos principiais
arsenais de sua imaginação "12
No capítulo destinado ao onírico medievo , próprio dos sonhos
, Le Goff traz uma questão nova sobre estas comunidades do passado que trata de
suas esperanças e crenças, trancafiadas tanto geograficamente como
mitologicamente, e como hoje socialmente estão aglutinadas. Contextualizando Le Goff talvez seriam esses raios vindos do céu
citados antes pelo coronel, a
metamorfose de histórias como a Melusina.
São as luzes que vem do céu em forma
de cruzes, corpos esféricos, fogo alimentado, meteoros agrupados, charutos,
garrafa, bolas de fogo, discos voadores. A esses últimos, num livro direcionado
ao assunto Jung relata:
"Sim , poderíamos nos confrontar com explicação psicológica e com
fato evidente de que a fantasia consciente e inconsciente , até a mentira , tem
uma participação decisiva na formação do boato(...) Mas desta forma não estaria
explicada de maneira satisfatória a situação como ela se apresenta hoje (...)
Ou as projeções psíquicas ecoam no
radar, ou ao contrário , o aparecimento de verdadeiros corpos deu motivos a projeções
mitológicas " 13
_____________________________
11.TEIXEIRA,
Bia. UFOs no Céu, Manchete (2364) 8-9 jul.1997.
12.LE GOFF, Jacques .Opus Cit. p 273
13. Jung Carl Gustav. Opus Cit. pp
95-96.
É neste sentido que o tema central deste projeto se detém , o
imaginário. Pois as observações de corpos ou luzes no céu de certa maneira
capturaram a humanidade, e esta a partir das observações e boatos , produziram
junto as suas perspectivas as imagens que tanto a história relatou.
3 Objetivos e hipóteses:
O objetivo geral deste projeto propõe estudar as
populações que beiram rios, lagos e
mares, delimitando-se ao seu final na ilha do Marajó, Amazonas brasileiro. Para
tal, irá resgatar o fenômeno das luzes no céu através de fontes bibliográficas
e nos artigos disponíveis. Pretende-se compreender estas comunidades no que diz
respeito as suas mentalidades em relação ao imaginário das luzes no céu
existentes em todas as culturas aqui apresentadas. Para tanto foram traçados os
seguintes objetivos:
a) Examinar as sociedades aqui apresentadas sob um aspecto
cultural relacionando-as com as estranhas luzes observadas por elas no céu.
b) Contextualizar os acontecimentos singulares narrados pelo
coronel Uyrangê em relação à comunidade de Colares, ligando esta, a outras
sociedades do passado.
c) Compreender sempre através dos especialistas a
constituição de imagens produzidas pelas pessoas após terem elas presenciado os
fenômenos, e só então quando for possível, concluir através de uma abordagem
interpretativa os determinados fenômenos
aéreos existentes nas sociedades aqui apresentadas.
4. Justificativa:
A principal justificativa deste projeto está na tarefa de
reconstituir o imaginário das comunidades da ilha do Marajó a respeito das
luzes do céu ocorridas principalmente no ano de 1977, no Pará . uma vez
consultada as fontes bibliográficas disponíveis sobre acontecimentos
fenomenológicos, verificou-se , que não há nenhum estudo consistente neste
sentido, portanto a pesquisa pretende preencher estas lacunas contribuindo com
um conhecimento , ainda mais onde existe a ausência de documentos que ainda
falam sobre este tema.
5. Metodologia:
A pesquisa pretende inicialmente realizar uma revisão
bibliográfica e documental sobre a literatura das luzes no céu, desde períodos
remotos como a idade média até a época atual no Brasil, para então,
contextualizar sobre o imaginário de comunidades que insistem em dizer ver as
tais luzes no céu. A partir desta, pretende-se investigar culturalmente estas
populações e definir conceitualmente o tema. O mundo do imaginário não circunda
só a modernidade e sim também, a idade média. Esta é a tarefa do pesquisador
que se propõe a investigar o tema no Brasil.
A partir do levantamento inicial de dados e discussão
conceitual prévia foram estabelecidos os seguintes passos :
a) serão realizadas entrevistas com especialistas como também
a utilização de história oral, também
serão utilizados jornais, livros além dos arquivos públicos existentes nas
cidades . No futuro este projeto pretende-se alargar-se a outras comunidades
como as que beiram a Lagoa dos Patos no estado do Rio Grande do Sul, como
também estudar mais a fundo os acontecimentos no ano de 1977 no Pará , Ilha do
Marajó.
b)Este trabalho fará a reconstituição das cenas com base no
item a , e para entender melhor da pratica deste trabalho esta pesquisa
selecionou os seguintes autores :
CONCLUSÃO
Estudar o
imaginário humano, sobretudo ao que diz respeito a esse tema é uma tarefa
empolgante e ao mesmo tempo cautelosa, pois para estudá-lo tive que vasculhar
como também chocar informações na procura das luzes no céu desde a idade média
até o ano de 1977 na ilha do Marajó. A
verdade dos outros me interessa muito ainda mais quando lembro do episódio dos
anos 47 a 52 de nosso século, pois, o que fez as pessoas do mundo inteiro
naquela época a acreditarem tão piamente em discos voadores? Realmente, essa é
uma questão a ser profundamente estudada no decorrer do trabalho, pois gostaria
de lembrar que estou falando de um outro tipo de história, o das mentalidades.
Na introdução
deste trabalho falei de uma sociedade tão onírica quanto solitária. A questão
não é se estamos totalmente sós no universo, mas sim como estamos em nossos próprios
mundos. São as mentalidades, ou melhor os sentimentos humanos, que se
forem a eles somados as diversas visões de fenômenos desconhecidos, largas
interpretações comutaram não somente nas diversas culturas apresentadas aqui,
mas em nossos próprios horizontes de conhecimento, ou ignorância.
A humanidade
elabora seu destino a suas próprias capacidades de se comporem a um contexto
tanto político quanto social. Cria hábitos, desenvolve moral e arte, enfim
elabora sua própria cultura. Parece que ela busca no desconhecido a sua
identidade fazendo com que seus sentimentos as vezes respondam forçosamente
suas perguntas. É neste sentido que o tema central deste projeto se detém, o
imaginário.
Pois as
observações de corpos ou luzes no céu de certa maneira capturaram a humanidade,
e esta a partir de suas observações, produziram
junto as suas perspectivas as
imagens que tanto a história relatou.
1.Dados de identificação:
1.1Título: O Imaginário Ribeirinho em
Relação às Luzes no Céu
1.2Autor:
1.3Curso :
1.4Instituição:
1.5Orientadora:
1.6Área de investigação : História do
Brasil no ano de 1977
1.7Tempo de execução do Projeto: Maio
de 1999
BIBLIOGRAFIA
CASCUDO,
Luis da Câmara. Geografia dos Mitos
Brasileiros. Rio de Janeiro: José
Olímpio,1976.
FAGUNDES,
Antônio. Mitos e Lendas do Rio Grande do
Sul- Folclore. Porto Alegre: 3ª
Ed,
Martins . 1993.
JUNG, Carl Gustav. Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu . Petrópolis: Vozes,
1974.
LE GOFF, Jacques .Para um Novo Conceito de Idade Média-Tempo Trabalho e
Cultura Lisboa: Estampa, 1979.
LISSNER,
Ivar. Os Césares. Belo Horizonte:
Itatiaia, 1985.
Coleção
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OVNI. Rio de Janeiro: Time -Life,1992
SITCHIN,
Zecharia. O 12º Planeta.
São Paulo: Best Seller, 1978.
TODOROV,
Tzvetan. A Conquista da América A
Questão do Outro. São Paulo: Martins
Fontes, [s/d] .
Revistas
Super
interessante, editora Globo .Fevereiro e Março de 1994
UFO , A . J . Gevaerd setembro de 1997
ISTO
É (1336). São Paulo, maio 1995
ISTO
É (1348). São Paulo, ago. 1995
ISTO
É (1390). São Paulo, maio 1996
ISTO
É (1417). São Paulo, nov. 1996
ISTO
É (1436). São Paulo, abr. 1997
ISTO
É (1447). São Paulo, jun. 1997
GEOGRÁFICA
UNIVERSAL ( 268). Rio de Janeiro, maio 1997
MANCHETE
(1368). Rio de Janeiro, jul. 1978
MANCHETE
(1396). Rio de Janeiro, 1979
MANCHETE
(1397). Rio de Janeiro, 1979
MANCHETE
(2364). Rio de Janeiro, jul. 1997
SENHOR
(36). Rio de Janeiro, fev. 1962
SUPER
INTERESSANTE (116-A). São Paulo, maio 1997
fonte: arquivo pessoal.
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