domingo, 30 de maio de 1999

O Imaginário Ribeirinho em Relação as Luzes no Céu.


                  Maio de 1999
INTRODUÇÃO


As pessoas desde a idade média vêm falando  em suas crônicas  e histórias sobre as luzes vistas por elas no céu. Este trabalho pretende compreender  não o que são essas luzes, mas sim o que elas diretamente ou indiretamente influenciaram os que as viram, como exemplo, Constantino  que após dizer ter visto luzes no céu  em forma de cruz, acreditou que era uma mensagem divina levando,  esta  não somente a sua vitória como imperador, mas também ao triunfo do cristianismo em Roma. Durante as várias passagens  deste  trabalho serão narrados momentos históricos relacionado-os com as luzes no céu, enfatizando as esperanças e os vários sentimentos de uma humanidade tão onírica quanto solitária.

Para comentar sobre  as várias culturas  apresentadas que aqui vão do século IV ao XX serão utilizados dois conceitos, o de cultura  e aposteriori  o de imaginário, este ultimo concedido por uma entrevista realizada com a  especialista, e não bastando para compreender sobre as luzes  no céu e as diversas interpretações deixadas pelas pessoas em suas histórias serão adotados sempre que possível, as opiniões de Jacques Le Goff  e Carl Gustav Jung.

Devido a falta de documentações primárias foi utilizada além de fontes bibliográficas na realização desta monografia, revistas, jornais, entrevistas e história oral. As mentalidades, e as memórias da humanidade, servem tanto para um pesquisador em música como para um historiador, pois ambos mesmo tendo instrumentos diferentes cantam o passado fazendo dele uma manifestação presente. O mundo do imaginário circunda a humanidade, e é esta que um pesquisador em  história se dedica em compreender.

1 - CAPÍTULO

Populações ribeiras, quase afogadas pela exclusão social, em meio a barcos, moleques sentados, casas muito humildes, sofrimento e esperança, drama e cansaço, noite sem luar. Em meio a mata lúgubre nevoenta, no balançar dos ciprestes ao chão, existe o suor daqueles que com anseio ou medo observam as luzes no céu escuro. De pés agachados e descalços as pessoas sentem que o medo está se movendo e que está vindo em direção à elas.

O tema deste projeto vem recebendo deste a idade média, denominações que parecem a primeiro  momento responder os anseios e razões de cada época. Momentos de subterfúgios, enaltecem um imaginário nem sempre bem seguro. Em relação a essas palavras iniciais será apresentado num caráter cultural e cronológico as diferentes sociedades, com o objetivo de resgatar as suas histórias em relação as luzes no céu.              

Primeiramente há necessidade de definir certas expressões aqui colocadas, como primeiro passo conceituando a cultura, foi buscado a opinião do antropólogo britânico Burnett Tylor;  segundo o mesmo:  " Cultura ou civilização (...) é o complexo no qual estão incluídas conhecimentos, crenças,  arte, leis, moral, costumes e muitas outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade" 1
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1. Enciclopédia Mirador Internacional. Cultura  e Civilização. Encyclopaédia Britânica do
   Brasil publicações . São Paulo: 1981.

Com base neste conceito, pode-se agora observar melhor estas populações, pois ao que foi pensado até o momento, as características colocadas por Tylor dizem muito em relação as essas comunidades do passado que cronologicamente passaram a partir de agora a ser narradas.
Ano de 312, os romanos permaneciam em prontidão, com o cansaço eminente presente em todas as faces, parecia não haver mais sentido nas lutas. Antes da batalha da ponte Mélvio, o imperador depositado em suas angústias e esperanças, esperavam o sinal dos céus.  Segundo seu maior sábio, Eusébio, que escrevera a "vita constantini", sucumbi em suas letras as palavras de Constantino:   
"Enquanto  o imperador suplicava, mergulhado em suas preces, o signo divino lhe aparecera. No céu numa auréola luminosa acima do sol, viu, como que cristalizadas pela luz, a santa cruz e estas palavras no azul: in hoc signo vinces ( com este sinal vencerás)" 2

O sol e a luz vistos por Constantino, ali  traçaram um novo destino de toda poderosa mãe, Roma. Através da visão do imperador foram criadas inúmeras teses e discussões entre especialistas, onde alguns chegam até a dizer que Constantino nunca viu nada.
No ano 1000, na troca do milênio, havia uma profecia que enclausuravam os medievos ainda mais em seu pequeno mundo. Não haveria mais nada a fazer, populações inteiras observavam o que tanto a profecia rezou, eram os "sinais de prodigiosos nos céus" e a partir desses sinais ou luzes, o 'ano fatídico', tornara-se fato, pois neles, precederiam a volta de Cristo e o Juízo Final produzindo assim o pânico entre os europeus.3 Segundo astrônomos em 1347 houve a aparição de um cometa que rasgara os céus e em forma de presságio serviu como prelúdio de uma deflagração que a humanidade jamais esquecera, era a peste negra, que segundo fontes acabou com um terço da população européia e com os restantes transformara-os em animais sem sentimento e sem qualquer resquícios de esperança. Um cronista da época escreveu: "E naqueles dias enterrava-se sem mágoa e casava-se sem amor".
No ano de 1561, a cidade alemã, Nuremberg, presenciara um bale aéreo de corpos esféricos pontilhando o céu, onde segundo cronistas, sumiram tão misteriosamente quanto apareceram. Um grande astrônomo britânico, Edmond Halley, famoso graças ao cometa que leva o seu nome, notara que algo de estranho acontecia ao lado de suas observações rotineiras, era uma série de objetos aéreos que o surpreenderam a ponto dele comentar "um deles luminou o céu por mais de duas horas" e ofuscava tanto que Halley facilmente lera um texto através de sua luz. Mais adiante ele dizia "como  fogo alimentado por mais combustível".4 Este era o ano de 1716.   
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2 LISSNER, Ivar. Os Césares. Belo Horizonte: Itatiaia, 1985, p 483.
3 MOON, Peter. Uma Luz no Firmamento. Isto É, São Paulo (1436): 81; abril 1997.
4 Coleção Mistérios do Desconhecido: O Fenômeno OVNI, cap. I, Time-Life 1992 pp 15-16.

No jornal of Natural History and Philosophy and Chemistry, publicado na Grã Bretanha e recolhido pelos editores da Life, liam-se em 1809 os fatos observados por um habitante de Hatton Garden que compunham a imagem de "muitos meteoros" movimentavam-se dançando entre as nuvens. Foi em Sacramento, capital de Califórnia no dia 17 de novembro de 1896,que uma expressão largamente difundida hoje em dia, começara a ser usada. Tudo começou com a história de um funcionário que conduzia bondes, Charles Lusk, que num dia de folga fitava o céu que estava prestes a desencadear-se numa tempestade. Antes que ela ocorresse, Charles fora surpreendido por uma luz que nas palavras dele a uns trezentos metros de sua cabeça estava. Surge a denominação "charuto" dada por uma outra testemunha que encontrava-se próxima ao local de Charles que vira a mesma luz. A forma de "charuto'' aparecia ao mundo da mesma forma que apareciam  jornais distorcendo os relatos em prol de si mesmos.5 
É necessário que neste projeto estejem contidos cronologicamente, pelo menos alguns acontecimentos fenomenológicos sofridos pela humanidade, pois destes, será mais atraente e apaixonante compreender um pouco sobre o imaginário (termo que melhor será  desenvolvido no desenrolar do projeto ) dos seres que relatam as luzes no céu. 
Sinto a necessidade agora de dar um pulo a década de 1940, pois os acontecimentos após os de Charles, são em si repetitivos. Durante a Segunda Guerra Mundial com o advento da industria aérea, fenômenos mais do que estranhos acompanhavam os aliados em suas missões no ar, eram as bolas de luz brincalhonas, que os pilotos sem saberem do que se tratava, batizaram-nas de "bolas kraut" ou "caças fu". Temia-se que elas eram o invento do inimigo, os alemães, mas na realidade as bolas de fogo também assim chamadas, jamais danificaram qualquer aeronave aliada. Posteriormente soubesse que os alemães aeronautas também relatavam sobre as estranhas "bolas kraut''. A década de quarenta foi a propulsora para que o fenômeno das luzes no céu fosse discutido ininterruptamente em todo mundo. Com o final da Segunda Guerra Mundial o fenômeno explodiu  a imaginação das pessoas no mundo inteiro, foi quando piloto comercial Kenneth Arnold em 1947 decolou com seu aeroplano entre 380-780 THz* (freqüência da luz céu azul), transmitindo  as torres de radar na terra que deparara-se com uma esquadra de nove corpos luminosos em forma de "pires voadores" a uns 30 quilômetros de onde estava numa altura de três mil metros. As notícias de Arnold viajaram pelo mundo mais rápido que a sua chegada naquele dia. Muitas fontes citam este
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5.Ibid, p.18.

momento como a eclosão do boato mundial dos " discos astronaves". As luzes no céu a partir daquele dia ficariam batizadas com um novo nome, "discos voadores". 6              
Dias antes, um jornal ( Roswell Daily Record ) colocaria em manchete que um suposto disco voador caíra em suas proximidades. Uma notícia que logo em dias fora abafada pelas autoridades, alimentando as especulações sobre o boato dos discos voadores em todo o globo, que já vinham crescendo desde a exibição de uma radionovela criada pelo espirituoso Orson Welles ( The War of The Worlds ) em 1938, onde as esferas luminosas vistas pela humanidade até então seriam tripuladas por marcianos à invadir a terra.
O ano de 1952 merece uma atenção especial ou no mínimo um capítulo só para ele. Com base nas fontes cheguei a conclusão que este foi o ano em que a humanidade acreditou mais do que nunca nos novos fenômenos luminosos, discos voadores. Neste ano só para não me estender muito foram criados órgãos independentes ( professores secundários e universitários, militares reformados, cientistas industriais, etc...) para estudarem os fenômenos. Parece que as visões de Arnold ficariam em si, levadas a sério e finalmente a humanidade descobriria que não estava só neste imenso universo. Até órgãos governamentais foram criados como o "project sign" e o "top secret" para explicarem sobre as estranhas luzes que tanto as pessoas diziam ver. A onda dessas visões modernas foram tão fortes que as autoridades tiveram que se pronunciar. Além disso, viria a tona uma série de estranhos raptos e molestações que as pessoas diziam ser cometidos por extra terrestres de um espaço distante. Falei antes que este ano merece atenção, pois ao que pesquisei até o momento as pessoas no mundo inteiro afastavam a descrença em discos voadores da mesma forma que o " boom" tecnológico crescia principalmente nos países mais industrializados, como também, o desenvolvimento da "guerra fria" um outro fenômeno que paulatinamente crescia.
Uma pergunta fica no ar: Por que, eles 1947 a 1952, foram tão incisivos para o crédito em discos voadores no mundo naquela época e por que os fenômenos aparecem mais em determinadas épocas e outras não?  
Manifestações fenomenológicas modernas como as apresentadas aqui, tiveram uma especial atenção de um dos maiores cientistas do comportamento humano, C. G. Jung, especialista da interpretação de sonhos como também na psique humana busca explicações racionais a cerca do boato sobre discos voadores. Ele acredita poderem as luzes em forma de esferas e discos serem como um símbolo da totalidade da humanidade, a Mandala, e que segundo ele este símbolo é onipresente e vem representado desde a pré-história com a chamada " Roda Solar" 7 .Jung achava que os arquétipos se apresentam espontaneamente nos sonhos ou em visões que evocam fortes reações emocionais e imaginativas. O "disco" para Jung representaria a completude e totalidade do ser humano.
 Antes de enfocar o outro tema, imaginário, gostaria de dizer que a idéia de realizar este trabalho surgiu quando escutei  as histórias de alguém que conheci na praia do Rosa no estado de Santa Catarina,  sul do Brasil e que acabou se tornando um grande amigo: tão logo que cheguei na  praia do Rosa, tive o prazer de  sentar ao lado de pescadores como o seu Anastácio e ouvir as suas histórias que fluíam desde as lidas diárias, até histórias menos comuns, que me enchiam de curiosidade,  tipo daquelas que mencionarei  a seguir sobre os moradores do Pará. As cenas seguem e os pescadores já visivelmente esgotados enxugavam as faces,  aquecidas pelo fogo que ficava próximo a nós.  Em um momento, como se a solidão invadisse à todos,  o mais velho  do  clã  remonta uma imagem de que segundo ele,  sofrera aos dezoito anos de idade (mais ou menos em 1949) a uns quatro quilômetros ao norte de onde exatamente estávamos.  Assim disse seu Anastácio: " A luz estava pulando entre as estrelas,  não haviam lua e neblina, o mar estava um pouco calmo (...) aquela luz não tinha muito sentido para mim,  pois ela  parecia desordenada,  não era como as outras . De repente eu a vejo se aproximando à praia, este é um momento que lembro muito bem, foi rápido demais, ela já estava sobre a minha cabeça _________________
6. PEREIRA, Flávio. A . Discos Voadores. Senhor (36) : 17-20, Fev.1962.
7. JUNG, Carl Gustav .  Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu. Petrópolis: Vozes. 1974 p 12
  
e tive que me agarrar as rochas costeiras para que a estranha luz em forma de garrafa não me levasse para cima ".
Compreender todas estas imagens colocadas pelo seu Anastácio não é uma tarefa muito fácil, e que para um pesquisador,  na simples ação de analisa-las, leva-o à uma outra imagem,  só que agora concebida por ele próprio,  o abismo. O trabalho de um pesquisador em história não se restringe somente em julgar as sociedades politicamente e economicamente, mas sim um historiador não deveria somente julgar e sim tentar compreender os determinados fenômenos estudados por ele, como se fosse eles uma manifestação viva. Assim fazem os da Nova História, a exemplo desses, mais tarde, será citado sempre que possível Jacques Le Goff .
Entrevistando a professora Elizabeth Torresini, no anseio de buscar uma melhor definição do termo imaginário seria necessário a opinião de um especialista, ou melhor , uma especialista e que segundo ela :

"Imaginário é uma palavra cuja a origem pode ter surgido do francês, é algo que parece ter um núcleo, é um acontecimento realmente ocorrido , pois é através deste que as pessoas o tomam para si e constituem as diversas imagens que dizem respeito a cada um".8

 Na idade média as pessoas relacionavam as suas visões em decorrência de uma estrutura que as solidificavam a terra e de onde jamais poderiam sair , com isso faziam fluir as suas crenças. Era uma época em que os deuses eram intolerados,  não por aquelas simples pessoas e sim pela instituição que as regia - a Igreja Católica . Eram velhos mitos sendo transmitidos em novas palavras,  cheios de lugares fabulosos,  monstros assustadores , mulheres normais que quando observadas no banho se transformavam em serpentes aquáticas e voadoras e partir disto nunca mais seriam vistas. Em relação a este comentário , Le Goff narra :
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8.entrevista realizada numa Sexta feira à tarde do dia 22 de abril de 1999 na Pontifícia Universidade Católica  do Rio Grande do Sul, prédio 5.
" Porto de Aix - en - Provence , o senhor do château -Rousset no vale de Trets, encontra perto do rio Arc uma bela dama , magnificamente vestida , que o chama pelo nome e que acaba  por consentir em casar com ele com a condição de jamais procurar vê-la nua (...) O imprudente esposo desvia, um dia a cortina atrás da qual sua mulher toma banho no quarto . A bela esposa transforma-se em serpente e some-se na água do banho para sempre ". 9 

Le Goff no artigo intitulado "Melusina Maternal e Arroteadora" escreve sobre uma lenda que talvez sua origem provenha da antiga Grécia. Dentro do conceito elaborado antes sobre a expressão, imaginário, parte deste artigo anteriormente citado, comportamentalmente se adapta pois na sua passagem haverão outras mulheres com diferentes processos de transformação decorrentes de diferentes épocas. Será cedo demais falarmos que aquelas comunidades anteriores e a do Pará, que a seguir citaremos, sofreram o mesmo imaginário medieval ?
Em contrapartida a esta pergunta que até  o momento parece sem solução será citada agora a baía do Marajó. Brasil, ilha do Marajó, geograficamente encontrada um pouco abaixo da linha do Equador a 50º oeste Greenwich, entre o rio Tocantins e o mar atlântico, uma lagoa perto de Souré, cidade tangencial a ilha, leva em suas margens lendas que a muito tempo são contadas, e que por fim desembocam no mar. 
Lendas como o "boitata" ao que parece nasceram no Amazonas e compõem os povos ameríndios que até hoje naquela região vivem. Os tupis Guaranis inicialmente denominavam a lenda com a palavra "mbai" que significa espírito,e"tata'', fogo. Mbaitata  ou espírito de fogo. Com a incorporação de outras culturas a denominação mudara para ''boitata'' que quer dizer serpente de fogo ou ''fogos fatuo". As pessoas se queixavam que no mato haviam luzes que se formavam e que preferiam ficar acima de suas cabeças. A este fenômeno alguns cientistas dizem ser a anunciação de gases pantanosos. Os povos de pés descalços cercam o fenômeno "fogos fatuo". Na Amazônia boitata é representado como serpente de fogo, em Santa Catarina é o "olho de boi" , sintetizando assim o idioma tupi com o português sem dúvida seria deflagrada a sua fusão. 10         
A dúvida fica registrada, quando no ano de 1977 as populações que beiravam a baía  começaram a se queixar das luzes no céu. Segundo fontes, elas diziam que eram luzes que vinham muito além de suas cabeças e que segundo elas emitiam fachos de luz que sugavam o seu sangue. O exército logo seria acionado para a região, logo que chegou em
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9. Le Goff, Jacques. Para um Novo Conceito de Idade Média- Tempo, Trabalho e Cultura. Lisboa : Estampa, 1979p 291
10. Enciclopédia Delta Larousse.  . Mitos do Folclore brasileiro. Delta S. A . Rio de Janeiro. 1964.

uma de suas comunidades, Colares, o capitão Uyrangê Bolivar S. Nogueira de Holanda e seus comandados começaram a recolher depoimentos sobres os singulares acontecimentos imersos na ilha.
            O fenômeno passava a ser chamado de chupa-chupa pelos ribeirinhos e logo com a chegada do exército o fenômeno ficou mais conhecido de um público restrito como a "operação prato".   Nos relatórios que segundo o próprio Uyrangê diz estarem no primeiro comando aéreo regional  (COMAR) no Rio de Janeiro, chega a falar que algumas pessoas abordadas pelas luzes, mais tarde sofriam de desidratação, onde duas não agüentaram e faleceram. Já coronel reformado Uyrangê diz  a repórter Bia Teixeira da revista Manchete 20 anos após a operação no Pará: "E encontrei uma comunidade completamente histérica. Eles que viviam da pesca, haviam deixado de pescar. Passavam as noites soltando fogos e dando tiros para afastar as luzes nos céus que lançavam raios contra os moradores". 11   
Mesmo sabendo do sensacionalismo dos veículos de comunicação, o assunto merece no mínimo averiguação. Gostaria de lembrar sem querer apressadamente julgar as imagens antes trazidas pelo coronel, uma reflexão que Le Goff a respeito de um horizonte onírico fez: "Em  ambas as perspectivas,  o Oceano Índico é um horizonte mental (...) Explora-lo é reconhecer uma dimensão essencial de sua mentalidade e da sua sensibilidade,(...),  um dos principiais arsenais de sua imaginação "12
No capítulo destinado ao onírico medievo , próprio dos sonhos , Le Goff traz uma questão nova sobre estas comunidades do passado que trata de suas esperanças e crenças, trancafiadas tanto geograficamente como mitologicamente, e como hoje socialmente estão aglutinadas.   Contextualizando Le Goff  talvez seriam esses raios vindos do céu citados antes pelo coronel,  a metamorfose de histórias como a Melusina.
            São as luzes que vem do céu em forma de cruzes, corpos esféricos, fogo alimentado, meteoros agrupados, charutos, garrafa, bolas de fogo, discos voadores. A esses últimos, num livro direcionado ao assunto Jung relata:     
"Sim , poderíamos nos confrontar com explicação psicológica e com fato evidente de que a fantasia consciente e inconsciente , até a mentira , tem uma participação decisiva na formação do boato(...) Mas desta forma não estaria explicada de maneira satisfatória a situação como ela se apresenta hoje (...) Ou as  projeções psíquicas ecoam no radar, ou ao contrário , o aparecimento de verdadeiros corpos deu motivos a projeções mitológicas " 13 
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11.TEIXEIRA, Bia. UFOs no Céu, Manchete (2364) 8-9 jul.1997.
12.LE GOFF, Jacques .Opus Cit. p 273
13. Jung Carl Gustav. Opus Cit. pp 95-96.

É neste sentido que o tema central deste projeto se detém , o imaginário. Pois as observações de corpos ou luzes no céu de certa maneira capturaram a humanidade, e esta a partir das observações e boatos , produziram junto as suas perspectivas as imagens que tanto a história relatou.
3 Objetivos e hipóteses:
O objetivo geral deste projeto propõe estudar as populações  que beiram rios, lagos e mares, delimitando-se ao seu final na ilha do Marajó, Amazonas brasileiro. Para tal, irá resgatar o fenômeno das luzes no céu através de fontes bibliográficas e nos artigos disponíveis. Pretende-se compreender estas comunidades no que diz respeito as suas mentalidades em relação ao imaginário das luzes no céu existentes em todas as culturas aqui apresentadas. Para tanto foram traçados os seguintes objetivos:      
a) Examinar as sociedades aqui apresentadas sob um aspecto cultural relacionando-as com as estranhas luzes observadas por elas no céu.
b) Contextualizar os acontecimentos singulares narrados pelo coronel Uyrangê em relação à comunidade de Colares, ligando esta, a outras sociedades do passado.
c) Compreender sempre através dos especialistas a constituição de imagens produzidas pelas pessoas após terem elas presenciado os fenômenos, e só então quando for possível, concluir através de uma abordagem interpretativa os determinados  fenômenos aéreos existentes nas sociedades aqui apresentadas.
4. Justificativa:
A principal justificativa deste projeto está na tarefa de reconstituir o imaginário das comunidades da ilha do Marajó a respeito das luzes do céu ocorridas principalmente no ano de 1977, no Pará . uma vez consultada as fontes bibliográficas disponíveis sobre acontecimentos fenomenológicos,  verificou-se  , que não há nenhum estudo consistente neste sentido, portanto a pesquisa pretende preencher estas lacunas contribuindo com um conhecimento , ainda mais onde existe a ausência de documentos que ainda falam sobre este tema.
5. Metodologia:
A pesquisa pretende inicialmente realizar uma revisão bibliográfica e documental sobre a literatura das luzes no céu, desde períodos remotos como a idade média até a época atual no Brasil, para então, contextualizar sobre o imaginário de comunidades que insistem em dizer ver as tais luzes no céu. A partir desta, pretende-se investigar culturalmente estas populações e definir conceitualmente o tema. O mundo do imaginário não circunda só a modernidade e sim também, a idade média. Esta é a tarefa do pesquisador que se propõe a investigar o tema no Brasil.
A partir do levantamento inicial de dados e discussão conceitual prévia foram estabelecidos os seguintes passos :
a) serão realizadas entrevistas com especialistas como também a utilização de história oral,  também serão utilizados jornais, livros além dos arquivos públicos existentes nas cidades . No futuro este projeto pretende-se alargar-se a outras comunidades como as que beiram a Lagoa dos Patos no estado do Rio Grande do Sul, como também estudar mais a fundo os acontecimentos no ano de 1977 no Pará , Ilha do Marajó. 
b)Este trabalho fará a reconstituição das cenas com base no item a , e para entender melhor da pratica deste trabalho esta pesquisa selecionou os seguintes autores :
CONCLUSÃO
Estudar o imaginário humano, sobretudo ao que diz respeito a esse tema é uma tarefa empolgante e ao mesmo tempo cautelosa, pois para estudá-lo tive que vasculhar como também chocar informações na procura das luzes no céu desde a idade média até o ano de 1977 na ilha do  Marajó. A verdade dos outros me interessa muito ainda mais quando lembro do episódio dos anos 47 a 52 de nosso século, pois, o que fez as pessoas do mundo inteiro naquela época a acreditarem tão piamente em discos voadores? Realmente, essa é uma questão a ser profundamente estudada no decorrer do trabalho, pois gostaria de lembrar que estou falando de um outro tipo de história, o das mentalidades.
Na introdução deste trabalho falei de uma sociedade tão onírica quanto solitária. A questão não é se estamos totalmente sós no universo, mas sim como estamos em nossos próprios mundos. São as mentalidades, ou melhor os sentimentos humanos, que se forem  a eles somados as diversas  visões de fenômenos desconhecidos, largas interpretações comutaram não somente nas diversas culturas apresentadas aqui, mas em nossos próprios horizontes de conhecimento, ou ignorância.
A humanidade elabora seu destino a suas próprias capacidades de se comporem a um contexto tanto político quanto social. Cria hábitos, desenvolve moral e arte, enfim elabora sua própria cultura. Parece que ela busca no desconhecido a sua identidade fazendo com que seus sentimentos as vezes respondam forçosamente suas perguntas. É neste sentido que o tema central deste projeto se detém, o imaginário.
Pois as observações de corpos ou luzes no céu de certa maneira capturaram a humanidade, e esta a partir de suas observações, produziram  junto  as suas perspectivas as imagens que tanto a história relatou.

1.Dados de identificação:
1.1Título: O Imaginário Ribeirinho em Relação às Luzes no Céu
1.2Autor:
1.3Curso :
1.4Instituição:
1.5Orientadora:
1.6Área de investigação : História do Brasil no ano de 1977
1.7Tempo de execução do Projeto: Maio de 1999    
BIBLIOGRAFIA
CASCUDO, Luis da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. Rio de Janeiro: José
Olímpio,1976.
FAGUNDES, Antônio. Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul- Folclore. Porto Alegre: 3ª 
Ed, Martins . 1993.   
JUNG, Carl Gustav. Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu . Petrópolis: Vozes,

1974.

LE GOFF, Jacques .Para um Novo Conceito de Idade Média-Tempo Trabalho e             

Cultura Lisboa: Estampa, 1979.

LISSNER, Ivar. Os Césares. Belo Horizonte: Itatiaia, 1985.
Coleção Mistérios do Desconhecido : O Fenômeno OVNI. Rio de Janeiro: Time -Life,1992
SITCHIN, Zecharia. O 12º Planeta. São Paulo: Best Seller, 1978.
TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América A Questão do Outro. São Paulo: Martins  Fontes, [s/d] .
Revistas
Super interessante, editora Globo .Fevereiro e Março de 1994
UFO , A . J . Gevaerd setembro de 1997
ISTO É (1336). São Paulo, maio 1995
ISTO É (1348). São Paulo, ago. 1995
ISTO É (1390). São Paulo, maio 1996
ISTO É (1417). São Paulo, nov. 1996
ISTO É (1436). São Paulo, abr. 1997
ISTO É (1447). São Paulo, jun. 1997
GEOGRÁFICA UNIVERSAL ( 268). Rio de Janeiro, maio 1997
MANCHETE (1368). Rio de Janeiro, jul. 1978
MANCHETE (1396). Rio de Janeiro, 1979
MANCHETE (1397). Rio de Janeiro, 1979
MANCHETE (2364). Rio de Janeiro, jul. 1997
SENHOR (36). Rio de Janeiro, fev. 1962
SUPER INTERESSANTE (116-A). São Paulo, maio 1997


fonte: arquivo pessoal.

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