terça-feira, 30 de junho de 1998

Eutanásia.


Eutanásia
 O termo Eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como “boa morte” ou “morte apropriada”, como sendo o “tratamento adequado as doenças incuráveis”. Entende-se por eutanásia quando uma pessoa causa deliberadamente a morte de outra que está mais fraca, debilitada ou em sofrimento. Neste último caso, a eutanásia seria utilizada para evitar a distanásia. Tem sido utilizado, de forma equivocada, o termo ortotanásia para indicar este tipo de eutanásia. Acho que esta palavra deve ser utilizada no seu real sentido de utilizar os meios adequados para tratar uma pessoa que está morrendo. Existem dois elementos envolvidos na eutanásia, que são a intenção e o efeito da ação. A intenção de realizar a eutanásia pode gerar uma ação (eutanásia ativa) ou uma omissão, isto é, a não realização de uma ação que teria indicação terapêutica naquela circunstância (eutanásia passiva). Desde o ponto de vista da ética, ou seja, da justificativa da ação, não há diferença entre ambas.  Da mesma forma, a eutanásia, assim como o suicídio assistido, são claramente diferentes das decisões de retirar ou não implantar um tratamento para prolongar a vida de um paciente, que não tenha eficácia ou que gere sérios desconfortos. A tradição hipócrita tem acarretado que os médicos e outros profissionais de saúde se dediquem a proteger e preservar a vida. Se a eutanásia for aceita como um ato médico, os médicos e outros profissionais terão também a tarefa de causar a morte. A participação na eutanásia não somente alterará o objetivo da atenção à saúde, como poderá influenciar, negativamente, a confiança para com o profissional, por parte dos pacientes. A Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.


Definição de Distanásia.

É a agonia prolongada, é a morte com sofrimento físico ou psicológico do indivíduo lúcido. A distanásia também pode ser utilizada como a forma de prolongar a vida de modo artificial, sem perspectiva de cura ou melhora. É um termo que pode ser confundido quando utilizado com este sentido, com a futilidade.
  
Tipos de Eutanásia.
  
Atualmente a eutanásia pode ser classificada de várias formas, de acordo com o critério considerado.

Quanto ao tipo de ação:

Divide-se em Eutanásia Ativa que é o ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins misericordiosos. A Eutanásia Passiva ou Indireta é a morte que ocorre, dentro de uma situação de terminalidade, ou por que não se inicia uma ação médica ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar o sofrimento. A Eutanásia de Duplo Efeito é quando a morte é acelerada como uma conseqüência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal.

Quanto ao consentimento do paciente:

Divide-se em Eutanásia Voluntária é quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente. A Eutanásia Involuntária é quando a morte é provocada contra a vontade do paciente. A Eutanásia Não Voluntária é quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela. Esta classificação, quanto ao consentimento, visa estabelecer, em última análise, a responsabilidade do agente, no caso o médico.

Outros tipos:

Eutanásia Súbita: morte repentina;

Eutanásia Natural: morte natural ou senil, resultante do processo natural e progressivo do envelecimento;

Eutanásia Teológica: morte em estado de graça;

Eutanásia Estóica: morte obtida com a exaltação das virtudes do estoicismo;

Eutanásia Terapêutica: faculdade dada aos médicos para propiciar uma morte suave aos enfermos incuráveis e com dor;

Eutanásia Eugênica e Econômica: supressão de todos os seres degenerados ou inúteis (sic); 

Eutanásia Legal: aqueles procedimentos regulamentados ou consentidos pela lei.

Eutanásia Homicídio: quando alguém realiza um procedimento para terminar com a vida de um paciente. E subdivide-se em Eutanásia Homicídio que é realizada por médicos e a Eutanásia Homicídio que é realizada por familiar.

Eutanásia Suicídio: quando o próprio paciente é o executante. Esta talvez seja a idéia precursora do Suicídio Assistido.

Eutanásia Libertadora, que é aquela realizada por solicitação de um paciente portador de doença incurável, submetido a um grande sofrimento;

Eutanásia Eliminadora, quando realizada em pessoas, que mesmo não estando em condições próximas da morte, são portadoras de distúrbios mentais. Justifica pela “carga pesada que são para suas famílias e para a sociedade”.

Eutanásia Econômica, seria a realizada em pessoas que, por motivos de doença, ficam inconscientes e que poderiam, ao recobrar os sentidos sofrerem em função da sua doença.

Estas idéias bem demonstram a interligação que havia nesta época entre a eutanásia e a eugenia, isto é, na utilização daquele procedimento para a seleção de indivíduos ainda aptos ou capazes e na eliminação dos deficientes e portadores de doenças incuráveis.

Problemas de Fim de Vida.
Paciente Terminal, Morte e Morrer.

O atendimento a pacientes terminais pode representar uma situação de extrema dificuldade para os médicos, apesar do fato da morte ser um evento inexorável para os seres vivos. A par de problemas clínicos relacionados ao bom atendimento do paciente, no sentido de evitar o máximo os desconfortos e sofrimentos que são próprios das doenças que provocam direta ou indiretamente a morte dos pacientes, uma série de questões morais significativas também surgem neste contexto de terminalidade de vida.

fonte: Cadeira de filosofia II, Curso de Filosofia, Arquivo Pessoal.

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