A Reencarnação nos Primeiros Séculos do Cristianismo.
UM PAI DA IGREJA QUE ACREDITAVA NA REENCARNAÇÃO.
Orígenes nos encanta por sua apurada visão espiritual e sua maneira especialmente lúcida de abordar a mensagem de Cristo. Nascido por volta de 185 de nossa era, em Alexandria, onde ficava a famosa biblioteca, marco único na história intelectual humana, e que foi destruída pela ignorância e sede de poder dos romanos e, depois, por pseudo-cristãos ensandecidos e fanáticos, desde cedo teve contato com a doutrina de Cristo, especialmente com seu pai, Leonídio, que foi martirizado em testemunho de sua fé. Com isso, a família de Orígenes passou a ser estigmatizada, tendo sido seqüestrado todo o patrimônio que lhe pertencia. Para sobreviver, o jovem e brilhante Orígenes passou a lecionar para ganhar o seu sustento.
Mente curiosa e aberta, Orígenes dedicava-se ao estudo e a discussão da filosofia, notadamente Platão e os estóicos. Orígenes bebeu da mesma formação intelectual que viria a ter Plotino, na escola de Amônio Sacas e, com certeza, as doutrinas ditas orientais não lhe eram estranhas, e muito menos a ênfase num conhecimento psíquico direto com o transcendente que era típica da escola de Amônio, fundador do Neoplatonismo e também, um simpatizante (pelo menos em parte) do cristianismo. Por isso, com absoluta certeza, o conhecimento na doutrina Paligenética (da Reencarnação), tão cara a Platão e a Sócrates, lhe era muito familiar em sua fase de formação, e posteriormente ele viria a divulgá-la abertamente – este foi um dos motivos pelos quais foi perseguido pela vertente católica romana, e por isso, temos hoje poucos de seus escritos, mesmo assim, devidamente(maquilados).
Pouco antes do nascimento de Orígenes, um estóico chamado Panteno havia se convertido à mensagens do Cristo e fundará uma escola católica catequética em Alexandria. Em 203 o jovem Orígenes assumiu a direção da escola, atraindo muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimentos e virtudes pessoais. Em 231, Orígenes foi forçado a abandonar Alexandria devido à animosidade que o bispo Demétrio (na verdade, um invejoso), lhe devotava. Orígenes, então passou a morar num lugar onde Jesus havia, muitas vezes, estado: Cesaréia, na Palestina, onde prosseguiu suas atividades com grande sucesso.
Mas, nem mesmo lá ele encontraria paz, pois logo veio a onda de perseguição aos cristãos ordenada por Décio. Lá, Orígenes foi prezo e torturado barbaramente, que lhe causou a morte, em 253. O pensamento de Orígenes e sua forma de interpretar o Evangelho foi durante muito tempo causa de acesa polêmica entre os sofistas da igreja de Roma, ao ponto de algumas teses de seu pensamento serem oficialmente condenadas pelo imperador Justiniano que via nelas uma ameaça aos resquícios do pensamento antigo que considerava o imperador romano quase uma divindade e, posteriormente, que teve sua ratificação religiosa feita por um concílio católico-romano, em 553. Orígenes também sofreu o triste e típico caso dos seguidores de um líder que pervertem a mensagem original....
Muito do que escreveu e disse Orígenes foi reinterpretado e corrompido pelos origenistas, o que causou, junto com as condenações de Roma, uma perda em grande parte da sua enorme produção literária. O centro do pensamento de Orígenes é Deus: “Deus não pode ser entendido como corpo, mas como uma realidade transcendente apenas passível de ser palidamente entendida como realidade intelectual e espiritual”, diz ele. Deus não pode ser considerado em sua natureza, por meio das limitações dos seres relativos que somos, pelo simples fato de que nossas percepções e concepções sobre tudo está sempre em transformação, querem maturação querem uma espécie de regressão (basta ver o mundo a nossa volta para nos certificarmos disso).
Qualquer idéia que possamos fazer de Deus é apenas uma projeção antropomórfica de uma dada época em que apenas toca de leve uma idéia ainda maior: (Deus, em sua realidade, é incompreensível e inescrutável. Com efeito, podemos pensar e compreender humanamente qualquer coisa sobre Deus, mas devemos saber que ele é amplamente superior a tudo aquilo que dele pensamos (...)”.
Ou seja, temos uma intuição de Deus, não uma compreensão racional definitiva dele. Aqui ouve-se claramente ecos do pensamento neoplatônico de Amônio Sacas, e Orígenes até mesmo usou a expressão “ acima da inteligência e do ser”. A compreensão da criação do universo por Deus, de Orígenes, nos lembra e muito a das tradições orientais, notadamente as da Índia e a dos mistérios gregos, e, principalmente, Platão e Plotino. Primeiro, deus teria criado seres racionais e livres, todos simples e iguais entre si – e os criou a própria imagem, por serem seres dotados de capacidade de desenvolver a razão. Mas a própria simplicidade original (a ignorância) os levaram, por meio da liberdade a que tinha direito, a divergirem o seu comportamento e, em sua busca por instrução, a se diferenciarem entre si (podemos encontrar um retorno a esta idéia no moderno espiritismo kardecista que diz que “ todos os espíritos foram criados simples e ignorantes”, sendo as diferenças entre eles fruto dos percalços escolhas no caminho evolutivo individual de cada um).
O mundo material e o corpo são conseqüências direta disto, pois tornaram-se necessários afim de corrigir os erros dos espíritos que se afastaram demasiado de Deus. Mas o corpo não é, em absoluto, algo negativo, como diriam os platônicos e os gnósticos. É, isso sim, o instrumento e o meio mais eficaz para o aprendizado ou para a expiação de erros cometidos anteriormente. A doutrina da reencarnação é uma constante em Orígenes, como o fora anteriormente para Pitágoras, Sócrates, Platão, e toda a tradição Orífica grega até Plotino. Orígenes tinha consciência de indícios desta doutrina no próprio Evangelho, como em Lucas, Mateus e em João.
Igualmente, com os mistérios gregos, adimitia que nosso universo é constituído por uma série de “ mundos “ habitados, onde a alma se aperfeiçoa (isto séculos antes de Giordano Bruno e de Kardec). Diz-nos Orígenes: “ Deus não começou a agir pela primeira vez quando criou este nosso mundo visível. Acreditamos que (...) antes deste houve muitos outros”. Todos os espíritos se purificarão em sua marcha progressiva pela eternidade em direção a Deus, uma marcha longa e gradual, de correção e expiação, passando, por tanto, por inúmeras reencarnações neste e em outros mundos!
Diz Orígenes: “devemos crer que (...) todas as coisas serão reintegradas em Deus (...). Isso, porém não acontecerá num momento, mas lenta e gradualmente, através de infinitos séculos, já que a correção e a purificação advirão pouco a pouco e singularmente: enquanto alguns com ritmo mais veloz se apressarão como primeiros na meta, outros o seguirão de perto e outros ainda ficarão muito para trás. E assim, através de inúmeras ordens (...) Orígenes exaltou ao máximo a liberdade e o livre-arbítrio de todas as criaturas do mundo, em todos os níveis de sua existência. Em certo sentido, Orígenes tinha uma percepção Holística do mundo.
No próprio estágio final será o livre-arbítrio juntamente com uma compreensão esclarecida do sentido do universo que o espírito irá aderir ao amor de Deus, sábio e senhor de milhares de anos de experiência. Assim, terá cumprido o círculo, partindo do ponto de ignorância absoluta ao de sabedoria absoluta, sempre de e em direção a Deus. Orígenes também teve a suficiente visão e sabedoria para distinguir três níveis de leitura das escrituras: 1) o literal (muito usado ainda hoje pela maioria das igrejas evangélicas no Brasil), 2) o moral e 3) espiritual, que é o mais importante e também o mais difícil. Cada um desses níveis indica um estado de consciência e amadurecimento espiritual e psicológico.
CONCEITO DE REENCARNAÇÃO HOJE.
A proposta dada pela reencarnação é que o homem vive várias vidas até purificar totalmente o seu carma. Cada pessoa tem o direito de escolher a doutrinação que responde e satisfaça o desejo de ter uma vida melhor, plena e realizada. A reencarnação mostra uma nova vida após a morte, esta nova chance de purificar seu espírito e limpar o seu carma. A doutrina da reencarnação diz que tudo que as pessoas fazem de ruim nesta vida, vão automaticamente sofrer na outra. Cada ato bom, cada vez que alguma pessoa pratica o bem ou concerta os seus atos ruins, ela vai queimando seu carma e purificando seu espírito. É chamada a lei do carma e de acordo com essa, cada ser humano ganha na sua vida atual a retribuição de seus atos realizados numa vida anterior. Permanece a idéia e imagem de um Deus bom, pois Deus não é responsável pelo mal, é o homem mesmo.
imagem: www.centrodeestudos.org

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